Ao Entardecer
Capítulo IV
—Rapariga como a Ciganinha de Santa Rita de Cassia, apregoava-se, não ha duas nestas trezentas leguas á roda!... Cousa de pôr tonto o homem mais valente!... E levada da carepa, um foguete, um buscapé... cruzes!
IV
Uma vez, com as suas facilidades, que tanto a desacreditavam, correu Gêgéca sério perigo, bem sério.
Como era natural, não tardou o José Bispo, da venda, a querer engraçar-se com ella e desejal-a com a impetuosidade do seu genio atabalhoado, despotico, irascivel, mettendo medo a todo o mundo e cheio de grandezas e valentias no meio d’aquella arraia miuda.
Por cima, inspector do quarteirão, embora não se tivesse naturalisado cidadão brasileiro.
De cada vez que a Ciganinha lá ia comprar alguma cousa, um cobre de vinagre, meio tostão de azeite, um salamim de arroz, contava-lhe historias, fazia-lhe mil promessas.
—Deixe-se de partes, Sr. Portuga, repellia-o Gêgéca; não se faça de tolo, estou com pressa...
—Mas, Ciganinha...
—Limpe os beiços, Sr. pé de chumbo. Ande; que não vim cá para atural-o...
E assim era sempre.
Ora, como tudo isso occorria á vista de todos, apinhada a venda de ociosos, tropeiros, creanças, fadistas, não raro havia troça á custa do tal José Bispo.
—Assim, rapariga, applaudiam. Dê-lhe para baixo até mais não poder.
E se derretiam em caquinadas de chufa.