Aquela Família
A bôca do sapo
Encostei-me então a um canto, sorumbático, a fumar. O meu espírito oscilava como um pêndulo entre a suave lembrança daquela trigueira (eu ainda lhes não disse que ela era trigueira) e a ideia negra do meu chapéu manchado. Ambos perdidos já agora para mim!{16} ambos, pela fôrça do Destino! Pela distância que ia separar-me dela para não mais talvez a tornar a ver; pela mácula que dêle me apartava para nunca mais porventura o poder usar!
Encarava eu filosoficamente a situação por êste lado, quando á janela do compartimento assomou de novo o focinho do Alves, a farejar-me, a dizer:
—V. Ex.ª faz-me um obséquio? Não se esquece, quando regressar a Vizeu, de me recomendar muito ao meu amigo Gastão. Eu, tambêm, quando lhe escrever, hei-de falar muito de V. Ex.ª e da simpatia que nos inspirou a todos. Criado de V. Ex.ª...
Ouviram-se os sinais da partida. Estendemos as mãos cordialmente; e ao pôr-se o comboio em andamento, Alves, com a minha dextra apertada, lembrou:
—Ah! E que lá recebi as pêras... Diga-lhe tambêm isso, sim? Deliciosas! Deliciosas!
Corria junto da carruagem, ao longo da gare, gritando ainda a plenos pulmões:
—Deliciosas!{17}
A bôca do sapo
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