As donatarias d'Alemquer: historia das Rainhas de Portugal e da sua casa e estado

Arrhas de D. Constança

Fr. Francisco Brandão na Monarchia Lusitana e Figanière na obra acima citada, concordam que a origem d’esta lenda provêm da rainha ter introduzido em Portugal a moda das cotas caudatas, ou de rabo.

Unicamente pelo comico da crença que se não pode chamar popular, pois chegou a convencer os proprios reis, trasladamos para aqui o texto do padre examinador do cadaver de D. Beatriz, quando D. Sebastião, seu nono neto, enthusiasmado e possuido da gloria que o perdeu, andou pelo reino contemplando os restos mortaes dos seus antecessores.

 

Arrhas de D. Constança

 

«Dom Affonso pela graça de Deos Rey de Portugal e do Algarve a quantos esta carta virem Faço saber que eu querendo attendêr cumprir, e guardar aquello, que ante mim, e Dom Joam filho do Infante Dom Manoel he posto, e outorgado, e firmado em rezom do casamento de Infante Dom Pedro meu filho, e de Donna Constança filha desse Dom Joam, dó, e assino a essa Donna Constança a Cidade de Vizeu e Monte mayor o novo e Alanquer com todas sas Aldeas, e termos, rendas, jurdiçõens, direitos, e pertenças que as aja e pessua essa Donna Constança por sas arras, e donadio bem, e compridamente em toda sa vida asim como as melhor ouveram as Raynhas de Portugal e tiro de mim a posse que ei das dittas Cidades, e Villas, termos, e couzas sobreditas, e ponhoa na dita Donna Constança, para as aver, e possuir livremente no dito tempo como dito he, e demais conhosco e affirmo que a posse e tença que ora hei das ditas Cidades e Villas e couzas sobreditas que os ei e tenho em nome da ditta Donna Constança e por ella como uzofructuario até que ella per si ou per outrem filhe ou mande filhar a posse corporal da dita Cidade, Villas, e termos, e couzas sobredictas em testimonio desto mandei dar áa dita Donna Constança esta minha carta aberta, e sellada do meu sello. Dante em Lisboa sette dias de julho ElRey o mandou Pero Esteves a fez era de mil e trezentos e settenta e outo annos ElRey o vio.» (Tomo