As Netas do Padre Eterno

Alberto Pimentel · Capítulo 13 de 24

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As Netas do Padre Eterno

Scena Ii

Affonso Henriques cosido.

Affonso Henriques decerto

É que eu trago em mim vestido!

.

Pateta! Mais te valia

Talvez deitar-te ao sol-posto

Com as gallinhas! (ironico.)

.

Que ouvi?!

Pôr as gallinhas, entendo,

Mas pôr o sol, nunca vi!

.

Ahi vem a dona da casa!

.

Agora, que vou ter publico,

Sinto-me arder n’uma braza!

 

SCENA II

 

Entra Julio de Lemos em travesti de mulher. A sua entrada em

scena produz hilaridade no publico.

 

Ó morgado! que surpreza!

Que prazer! quanto eu estimo!

Beijo-lhe as mãos, D. Diogo,

Pois que nos trouxe seu primo.

.

Baroneza! Eu folgo muito...

O meu peito rejubila... (Inclina-se. Sóbe-lhe para a cabeça o

cabeção da casaca.)

(á parte) Não posso dár á cabeça, Que me não suba a mochilla!

. (apertando a mão á baroneza)

E tem que me agradecer,

Porque o primo não queria

Vir ao baile!

 

Póde ser!

.

Só questão de toilette.

Mas emfim...

.

(á parte) Vim de casaca,

E ainda cabiam mais sete!

 

O barão, quando soubér,

Ha de ficar encantado

Co’a surpreza do morgado.

Eu mesma lh’o vou dizer.

E agora, morgado, goze,

Que entre a fina flôr do Minho

Não ha quem lhe leve a palma,

Quem tenha mais gentil alma,

Melhor sangue em pergaminho,

Além do que nós sabemos...

Pois por cá todos lhe dão

Umas cem pipas de vinho

E oitenta carros de pão.

.

Ai! baroneza! Foi tempo!...

Já não sou quem d’antes era.

Sinto-me triste, sou mono.

Matou-me o phylloxera!

Deu nas vinhas... e no dono!