As relações públicas e a educação corporativa
Considerações finais
À medida que a sociedade compreende a necessidade de buscar conhecimentos e divulgá-los, a informação ganha, sobretudo a partir da década de 1970, mais importância e desempenha papel destacado nas questões macroeconômicas, na manutenção de regimes democráticos ou, até mesmo, na esfera da vida privada. Soma-se a isso o fato de que grande parte desse processo de difusão da informação é mediado por tecnologias, tanto digitais como midiáticas.
No que se refere, especificamente, às organizações, o impacto da centralidade da informação é imediato e difícil de ser mensurado. Se, enquanto redes sociais, elas sempre tiveram a comunicação na essência, esse viés é incrementado. Os públicos passam a ter voz, tornando-se também emissores. Além disso, assumem uma postura mais ativa, exigindo que a comunicação, compreendida como interação, seja de fato concretizada.
Dentre esses atores sociais com os quais as organizações relacionam-se, destaca-se o chamado público interno. Embora sabidamente essenciais na manutenção da imagem corporativa, nem sempre receberam a atenção merecida, sobretudo no que se refere à sua formação. Ao considerar que fazem parte de uma rede que interage a todo momento – muitas vezes, de forma amplificada, via internet –, é preciso pensar na formação desse público para o desenvolvimento de competências ou literacias comunicacional e digital.
Esse é o pressuposto deste trabalho, concretizado com a criação do repositório multimídia, com material voltado a aprendizagens corporativas. Em formato de site, baseado na educação a distância, com recursos abertos de aprendizagem e de coaprendizagem, o projeto Comunica Educação merece alguns olhares.
Até o presente momento, constatou-se que, apesar de ser um trabalho fundamentalmente comunicacional, é importante garantir a inter-relação com outras áreas do conhecimento, como a de Design, Informática, Pedagogia e Audiovisual. Isso indica que a elaboração de um sistema de educação corporativa deve ter como principais gestores o profissional de Relações Públicas; no entanto, essa atividade é essencialmente multidisciplinar, o que demonstra a necessidade de interação entre diversos campos.
O formato a distância mostrou-se interessante, ao permitir que os usuários fizessem a gestão de seu aprendizado, organizando o espaço e o tempo que lhes eram disponíveis. A caracterização enquanto REA foi considerada válida, ao permitir que interessados em geral pudessem participar dos cursos. Essa alternativa, porém, trouxe dificuldades para os gestores do projeto, pois, ao não conhecer o repertório dos alunos, dificultou-se a elaboração de uma abordagem mais aproximativa.
A coaprendizagem é defendida como mecanismo de formação de público e de interação com outras pessoas, sobretudo em um cenário marcado pela interculturalidade, na qual dialogar com o diferente é essencial. Porém, percebeu-se que, nesse ponto, é preciso garantir ferramentas interativas mais eficazes e, sobretudo, considerar meios de incentivo à coparticipação. Ou seja, ainda há caminhos a serem seguidos para melhorar o projeto.
Cabe salientar, contudo, que a análise dos resultados do site deve ser feita enquanto processo, pois os cursos continuam sendo criados, com novas propostas e novos conteúdos. Como consequência, novos usos e novas necessidades devem ser identificados. De toda forma, a literatura consultada, a criação do material e a avaliação feita pelos alunos que participaram dos cursos demonstram a importância da formação em competências comunicacionais, da literacia digital e da aplicabilidade do projeto.
A proposta é que programas educacionais corporativos devem ir além da formação tecnicista em Tecnologias da Informação e Comunicação, privilegiando a formação das pessoas para outras habilidades, o que inclui a boa comunicação, seja ela mediada por uma TIC ou não. Cabe ao público interno também uma parcela significativa de responsabilidade na construção e na manutenção da imagem da organização. Tudo isso deve ser baseado no preceito de valorização do ser humano. Ou seja, sustenta-se a integração entre educação, tecnologia e cidadania.
Conclui-se, portanto, que é possível trabalhar criticamente a formação comunicacional em ambiente organizacional, superando a forma instrumental de educação. Esse processo é uma das funções das Relações Públicas, que devem superar a mera difusão de informações na formação do público interno. Ações de formação permitem a integração e incentivam a participação dos colaboradores, por meio de assuntos de interesses da organização. Nesse sentido, a busca pelo aperfeiçoamento dos recursos humanos, pode, ao mesmo tempo, formar um cidadão consciente e crítico, viabilizando o modelo simétrico de duas mãos desenvolvido pelas Relações Públicas, e criar condições para a gestão socialmente responsável.