Broquéis

Cruz e Sousa · Capítulo 32 de 54

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Broquéis

Dança do Ventre

 

Torva, febril, torcicolosamente,

Numa espiral de elétricos volteios,

Na cabeça, nos olhos e nos seios

Fluíam-lhe os venenos da serpente.

 

Ah! que agonia tenebrosa e ardente!

Que convulsões, que lúbricos anseios,

Quanta volúpia e quantos bamboleios,

Que brusco e horrível sensualismo quente.

 

O ventre, em pinchos, empinava todo

Como reptil abjecto sobre o lodo,

Espolinhando e retorcido em fúria.

 

Era a dança macabra e multiforme

De um verme estranho, colossal, enorme,

Do demônio sangrento da luxúria!