Busca minha face
A entrevistadora chega à porta da casa de Vermont às nove e meia, com um gravador Sony e folhas de perguntas impressas por computador: quer saber do momento em que os Estados Unidos sobrepujaram Paris e passaram a liderar a arte mundial. Quem responde é Hope, setenta e nove anos completados em março, que pinta em tons de cinza e assina H. Ouderkirk. Criada entre quacres em Germantown, teve aulas de desenho com o vizinho Rudolph Hartz, largou Bryn Mawr no segundo ano e chegou a Nova York em 1942, onde ouviu Hermann Hochmann pregar o empurra e puxa das cores e viu Bernie Nova e Roger Merebien discutirem arte nas cabines do bar Cedar. Casou-se com Zack McCoy, o das telas gotejadas, que a escondia como pintora no andar de cima; depois veio Guy Holloway, da Pop Art. Uma nota de abertura avisa que nada ali é necessariamente verdade.

