
Os Fidalgos da Casa Mourisca
O solar dos Negrões de Vilar de Corvos tem as torres coroadas de ameias, e a aldeia chama-lhe Casa Mourisca. Caiu a cruz da capela, a cantaria abriu-se em fendas por onde irrompe vegetação parasita, e os campos da família estão cheios de ortigas e saramagos. Lá vivem D. Luís, velho realista que gastou a casa a hospedar correligionários e deixou a administração a procuradores como o capelão frei Januário dos Anjos, e os dois filhos: Jorge, sisudo e sempre com um livro debaixo do braço, e Maurício, que suspira pela vida das capitais. No fundo do vale prospera a Herdade de Tomé da Póvoa, antigo criado da casa, dono hoje do casal mais próspero dos arredores. Jorge desce a colina para o ouvir falar de orçamentos e de crédito, e ouve dele que as bênçãos de um padre capelão não dão adubo às terras. Tomé oferece-lhe dinheiro a que faz questão de chamar empréstimo, não esmola.





