A Carne
O doutor Lopes Matoso, viúvo, criou a filha sozinho: leu com ela os clássicos portugueses e deu-lhe professores de línguas e de ciências. Aos vinte e dois anos Lenita continuava a mandar despedir os pretendentes: não se queria casar. O pai morre de repente, de congestão pulmonar, e ela recolhe-se à fazenda do coronel Barbosa, no oeste da província de São Paulo, com o piano, alguns bronzes e muitos livros. Ali adoece e melhora, não sai do engenho durante a moagem e abre com uma tesourinha um buraco na parede da casa do tronco para ver o castigo de um escravo fugido. E espera o filho da casa, Manduca, que caça há meses no Paranapanema, vive separado da mulher francesa e que, diz o coronel, passou dez anos na Europa e parou mais tempo na Inglaterra, a aprender com Darwin. Quem desce do morro fronteiro, à chuva e com enxaqueca, não é o que ela imaginou.

