Contos Fantásticos

Teófilo Braga · Capítulo 31 de 38

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A rosa de Sáron

Passados mezes veiu á luz a criança. O conde{180} andava louco com o nascimento do filho. Á medida que os traços da physionomia se iam precisando, a criança parecia-se menos com o conde; elle começou a observar isto. Não se atrevia a fazer uma accusação. Era impossivel. Depois as desconfianças tomaram corpo em sua alma, quando viu que a creança se parecia muito, muito com o rival, que preterira. Com a malignidade acintosa de achacado, foi torturando com esta atrocidade a tranquilidade de sua esposa. Ella, quanto mais se refugiava no passado, tanto mais via o filho represental-o diante dos seus olhos. Não sabia defender-se; a innocencia não se preoccupa com argucias, não quiz resistir, e deixou-se vergar pela dôr. Foi a definhar-se lentamente no soffrimento mudo d'esta impia injustiça. Assim a rosa que refloriu sobre um sepulchro que impensadamente abrira, veiu cahir desfolhada pelas virações da tarde sobre a terra fresca que acabava de a cobrir.{181}

 

A rosa de Sáron

 

(POEMA EM PROSA)