Do jeito que eu gosto
- Garroto bobo. Nós zó pedimos a…
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
- Garroto bobo. Nós zó pedimos a nozos amigos parra escrrever coisas, ou talvez a gente aje alguma coisa que gostamos de escrrever na parrede do banheirro - declarou o Sr. Castle, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Dan pegou a pilha de papéis.
- Quer que eu separe os que acho bons? – perguntou ele, confuso. - Zó leia e jogue forra! - gritou Siegfried Castle, o rosto vermelho e parecendo irritado. - Zai! Zai! - gritou ele, apontando para a porta. Ele pegou o prato de biscoito vazio da mesa e o enfiou na mão de Dan. - Zai!
Dan correu da sala, levando o prato e os poemas para sua mesa vazia. Todo o corpo tremia e ele estava preocupado que pudesse chorar. Em vez disso, começou a folhear a pilha de poemas, lendo rapidamente. Alguns eram pavorosos, mas outros eram originais e brilhantes. Ele pensou em perguntar ao Sr. Castle o que ele achava que havia de errado com os poemas. Ou talvez ele pudesse deixar os poemas de que gostou na caixa de entrada do Sr. Castle com um bilhete pedindo a ele para reconsiderar. Mas novamente, quanto menos tivesse a ver com Sigfried Castle, melhor.
Quando recuperou o controle, ele pegou uma folha de papel em branco da pilha ao lado da impressora e abriu a caneta, rabiscando os primeiros versos do poema que ficou na cabeça a tarde toda.
Petite mignonette, doce coquete
Provo de seu biscoito, de seu pão
Você preenche meu prato
O último verso parecia conhecido, como se ele já tivesse usado em outro poema. Cruzou as pernas, ponderando, e ouviu o som da descarga de um banheiro. Iria fazer xixi, decidiu. Um xixi e depois terminaria o poema. Ele se levantou para ir ao banheiro. Dentro, havia alguma coisa escrita em latim na parede em tinta vermelha, mas ele não conseguiu decifrar.
Quando voltou à mesa, a folha de papel com o poema não estava mais lá, mas toda a equipe ainda estava na sala de reuniões.
Dan não ousou investigar. Só podia esperar que seu fragmento de poema fosse publicado sob “Anônimo” na próxima edição de Red Letter. Um dia, ele podia vazar a informação de que o poema era dele e o mundo da literatura clamaria por mais. Ele publicaria um livro - ou talvez dez livros - e se tornaria mundialmente famoso, como Mystery Craze. Embora talvez não tão notório.
I, o homem misterioso
Jenny e Leo ficaram de mãos dadas durante todo o filme e continuaram quando saíram do cinema. Jenny nem tinha prestado atenção no filme. Só o que pôde pensar em toda a sessão foi: Ele vai me levar para a casa dele depois. Estamos só a cinco quadras do prédio com o porteiro na Park. E depois vou conhecer o cachorro, a mãe, o personal trainer dele e as dez empregadas ...
- E aí, eu estava pensando que a gente podia andar até o Guggenheim agora. - Leo sorriu para ela com o sorriso bonitinho de dente torto.
Se ele é tão rico, como é que os pais dele não mandaram ele consertar os dentes?, perguntou-se Jenny. E novamente ela ficou feliz que não tivessem mandado. - Já passa das oito. Os museus não estão todos fechados agora? - Eles tem umas coisas à noite, uma vez por mês – explicou Leo. - É mais legal, sabe, ver as telas quando está escuro.
Se Jenny tivesse pensado direito, teria achado que esta era praticamente a melhor coisa que alguém já disse. Primeiro, não era legal que ela e Leo fossem a museus e exposições de arte? Segundo, não era legal que ele conhecesse esses happenings diferentes a noite e que quisesse levar Jenny com ele?
Mas só o que Jenny conseguiu pensar foi: Ele não vai me levar a casa dele! Qual é o problema comigo? Qual é o problema com ele? Qual é a história dele? - Você tem algum bicho de estimação? - perguntou ela cheia de suspeita enquanto eles atravessavam a Segunda Avenida e iam para oeste, a caminho da Quinta. - Bicho? Não. Por quê? - Leo passou o braço no ombro dela. - Brrr. Está aquecida? Quer meu cachecol?
Outro gesto romântico de derreter o coração, mas ela não percebeu? Não tem bicho?, remoeu Jenny, distraída demais para se incomodar com o frio. Mas por que ele mentiria? E por que está tentando mudar de assunto tão rapidamente? - Bem, chegamos.
A estrutura espiralada e fantasmagórica do Museu Guggenheim assomou diante deles na escuridão. "Beije, beije", proclamava um cartaz pendurado na entrada do museu. Leo corou quando percebeu que Jenny viu o cartaz.
- Vem, vamos entrar.
Jenny abriu a bolsa para pagar pela meia entrada, mas Leo gesticulou para ela guardar a carteira.
- Está tudo bem. Sou sócio daqui. A gente entra de graça. Um sócio? Mas ora vejam só. E Elise não disse que Leo l tinha sido visto na festa beneficente do Frick Museum na terça à noite? A família dele provavelmente era dona do Guggenheim.
Eles subiram pelos corredores gradeados do museu, parando na primeira pintura em exposição. Era Aniversário, de Marc Chagall, uma tela de uma mulher segurando um buquê de flores, beijando um homem que voava acima da cabeça dela. Parecia que a mulher tinha acabado de fazer alguma coisa entediante, tipo botar a mesa, quando o homem baixou e apanhou os lábios dela com os dele. - Adoro esse azul- disse Leo, analisando o quadro. - A gente pode pensar que o azul deixa a tela fria, mas não é assim. Ele a aquece.
- Hmmm. -Jenny não ouviu uma palavra do que ele disse. Estava analisando o perfil dele, o cabelo, as roupas, os sapatos, as unhas, procurando por uma pista, um tipo de explicação.
Leo olhou para ela, corando novamente, e pegou a mão de Jenny. - Posso te beijar? Quer dizer, antes que a gente veja a próxima? Se ela não estava prestando atenção antes, agora estava.
- Ah! Hmmm. Claro. -Jenny deu um passo para trás e quase perdeu o equilíbrio. Leo apertou ainda mais a mão dela.
- Te peguei.
Jenny deixou que ele a puxasse e levantou o rosto para encontrar o dele. O que eles fizeram em seguida não foi nenhum mistério, embora ela meio que se perguntasse onde ele aprendeu a beijar tão bem.
Ela só precisava parar de pensar tanto.
aquele proto-advogado esquisitão parece bem gostoso
- Ele realmente deve gostar de você, para ter o trabalho de vir até aqui numa noite destas - sussurrou Ruby no ouvido de Vanessa quando a apresentação regular da segunda à noite com a banda SugarDaddy estava prestes a começar.
- Ele só esta aqui por causa da música – respondeu Vanessa sarcasticamente. Jordy Rosenfeld estava parado a soleira da porta do clube escuro e lotado, abrindo a parca de esqui verde Columbia. Seu nariz estranhamente comprido estava vermelho e gotejava do frio, e o suéter de gola rulê amarelo-vivo e a calça cáqui se destacavam como luzes estroboscópicas em comparação com a turma de preto de Williamsburg. Normalmente a visão de um cara como ele podia fazê-la se encolher, mas a essa altura Vanessaja não se importava com o amarelo do suéter. E o nariz dele na verdade era meio sexy e distinto, se olharmos de certo angulo. Ela se levantou e acenou para Jordy. Oi, Sra. Abrams. -Jordy cumprimentou Gabriela.- Como está, Sr. Abrams? Os pais de Vanessa vestiam camisetas do Greenpeace, leggings pretos apertados e Birkenstocks com meias brancas. Podiam ser uma peça de suas exposições de arte. Naturezas-mortas de aberrações hippies.
Gabriela olhou entre surpresa e confusa para a filha.
_ Oi, Jordy. Vanessa não nos disse que você viria esta noite. - É porque eu quis guardar segredo. -Vanessa disparou o sorriso versão vem-cá para Jordy, que era na verdade um sorriso que parecia normal, uma vez que Vanessa não sorria muito.
Jordy abriu o zíper do casaco e se sentou ao lado dela.
- Eu fiz minha parte.
- Então merece um drinque - disse Vanessa e gesticulou para o bartender, batendo no nariz e puxando as orelhas numa serie de sinais simulados. A SugarDaddy tocava tão regularmente no Five and Dime que era praticamente o segundo lar da banda. Vanessa até havia ficado com o bartender, que agora guiava passeios de rafting na Nova Zelândia. O bartender veio ver o que o novo amigo de Vanessa queria. - Tem Irish Cream Baileys? - perguntou Jordy.
Arlo estava vendo a banda fazer a passagem de som. A SugarDaddy era composta de quatro irlandeses com rosto claro e olhos que pareciam distantes, e Ruby, que gritava e sacudia muito a bunda, embora não fosse a cantora.
- Comer ervilha podre - disse Ruby baixinho ao microfone, testando o som. Arlo riu, parecendo extremamente orgulhoso.
Gabriela se levantou para ir ao banheiro.
- Espero que comecem logo. Arlo e eu prometemos aquelas pessoas legais que nos encontraríamos no metrô para fazer uma sessão de canto com eles à meia-noite. O bartender trouxe um copo com uma coisa bege e leitosa com gelo e Jordy tomou um gole.
- Gosto disso - disse ele simplesmente.
Gabriela voltou do banheiro, o longo cabelo grisalho numa nova trança, preso no estilo Heidi no alto da cabeça. Ela pôs Chap Stick - sua versão de maquiagem - e tirou as meias. As luzes baixaram e Ruby começou a rosnar no microfone e a tocar o baixo. Depois a banda irrompeu em uma de suas principais músicas, Canada Is the Future. Jordy olhou para o bar lotado, as enormes narinas estreitas oscilando. Vanessa percebeu que a etiqueta estava para fora da gola do suéter amarelo dele. Made in China, dizia. Gabriela apontou para ela.
- Sabia que a maior parte dos têxteis feitos na China é produzida por prisioneiros da Tailândia que são torturados e escravizados?
Jordy a encarou.
- Sua blusa foi feita por vítimas do comercio de massa. - Gabriela deu seu sermão. Vanessa tinha certeza de que havia alguma validade no que a mãe estava dizendo, mas a blusa de Jordy já era bastante feia - eles não precisavam falar de onde fora feita. A SugarDaddy começou um de seus riffs na bateria notoriamente longos. Ruby gritava com o barulho do baterista, uma coisa sobre babacas em minivans. Não sabe como fiquei decepcionada em ouvir sua mãe dizer que não recicla - disse Gabriela monotonamente.- Eu estava pensando que você e seus pais deviam ir a Vermont para um pequeno retiro. É muito puro lá. Podia ajudar a lembrar do que é sagrado. Jordy sorriu educadamente.
- Vou falar com eles. Mas, na verdade, o único motivo para me us pais não reciclarem é que o prédio deles tem incinerador, e é mais fácil jogar tudo lá embaixo. Eu vivo basicamente de miojo sabor camarão e café, então não tenho nada para reciclar. Gabriela olhou para ele com alarme.
Vanessa sorriu. Sim, Jordy era o Anticristo e ficava mais gracinha a cada segundo. Ela aproximou a cadeira um pouco mais dele enquanto a SugarDaddy atacava outra de suas músicas estranhas e dançantes.
Vanessa se curvou e sussurrou no ouvido de Jordy:
- A qualquer momento vou te beijar.
Os cantos dos lábios dele viraram para cima e ele tomou outro gole do Baileys. Gabriela cutucou a perna de Arlo com o dedão descalço.
- Vamos dançar, querido. Preciso soltar um pouco do fluxo. Mas Arlo estava tão transfixado com os músicos que a baba se acumulava no canto da boca. Vanessa achou que ele parecia um bebê vendo circo pela primeira vez. Ela se aproximou mais de Jordy e segurou o rosto dele, virando-o um pouco para evitar esbarrar no nariz. - Vou te beijar agora - sussurrou ela antes que a mãe conseguisse arrastar Arlo para fora da cadeira.
Depois ela pressionou a boca contra a dele, sentindo o gosto do Baileys e a diferença entre beijar Jordy e beijar Dan. E era assim, meio... delicioso.
sexo é melhor depois do esqui
- Tem certeza de que não está com frio? - perguntou Serena a Blair pela quarta vez. Blair só estava usando o top do biquíni Eres cor-de-rosa por baixo de um cardigã de cashmere branco tricotado a mão e calça stretch preta Miss Sixty.
Não era exatamente um traje para o alto desempenho nas montanhas - mas isso depende do que você define por desempenho.
Blair se curvou para o ombro de Erik enquanto fazia outra tentativa de enfiar o salto da bota de esqui dentro das amarras.
- Droga, não entra. - Ela sorriu acanhada e Erik se ajoelhou aos pés dela para ajudar. Ele vestia urna jaqueta Patagônia felpuda sobre um adorável suéter tecido a mão Aran e calça de esqui preta apertada que revelava os músculos das coxas longas e sensuais. Não, ela não estava nem remotamente com frio, mas obrigada por perguntar. Serena bateu na neve com o bastão de esqui, ansiosa para descer a pista e se afastar do que quer que estivesse rolando entre o irmão mais velho e a melhor amiga. Era meio gracinha ver Erik fingir que não sabia que Blairo0 estava azarando. Mas também não era tão gracinha.
Serena fechou o zíper do traje de esqui lavanda de uma peça Ellesse até o queixo e puxou a aba de cashmere cinza sobre as orelhas. Se Nate não chegasse logo, ela ia subir no teleférico sozinha. Havia toda uma montanha cheia de caras bonitos só esperando para se apaixonar pelo modo com que ela fazia as curvas. Serena só tinha de sair dali. - Ótimo. - Erik se levantou e puxou as luvas de esqui de couro preto para trancos pesados. - Como está?
Blair se inclinou nos bastões e balançou os joelhos para cima e para baixo como uma dançarina go-go.
- Tudo bem - arriscou ela timidamente. - Mas e se eu cair? Erik colocou os óculos de sol espelhados Scott no nariz. Parecia que tinha esquiado por toda a temporada, embora tivesse acabado de chegar.
- Não vou deixar você cair - prometeu ele com um sorriso que indicava que ele seguraria a mão dela em toda a descida da montanha.
Serena revirou os olhos e baixou os óculos Smith, pronta para abandonar os dois e deixar um bilhete para Nate com a recepção do teleférico, mas então ela viu a cabeça dourada de Nate no caminho de neve da estrada, a prancha de snowboarding com a folha de maconha e os esquis de Georgie apoiados sem esforço nos ombros fortes de construtor de barcos. Georgie estava ao lado dele, o cabelo quase preto na cintura balançando como uma capa. Vestia um traje azul-escuro forrado de mink que parecia ter sido feito especialmente para ela por Tom Ford. Até o gorro e as botas de esqui de couro marrom eram forradas de mink.
- Ela é mais bonita do que eu pensava - disse Serena baixinho, mas Blair estava tão ocupada fingindo que a barriga não tinha dado uma revirada engraçada a visão de Nate e a nova namorada que não ouviu.
Quando ainda estavam a umas centenas de metros de distância, Nate baixou os esquis do ombro e ele e Georgie subiram neles sem esforço. Depois esquiaram, deslizando graciosamente pela neve como uma dupla de patinadores. - Oi. É bom ver vocês. - Nate tinha passado metade da noite vendo Georgie tomando Jigermeister pelada no ofurô com a equipe holandesa de snowboarding, então ele não estava mentindo. A manhã demorou a chegar.
- Caraca! - entusiasmou-se Georgie quando viu Blair. - Você é corajosa. Blair olhou Georgie rapidamente e abriu o cardigã alguns centímetros. - Obrigada - respondeu ela, embora não tivesse muita certeza do que Georgie quis dizer. - Tenho um igual, só que branco - disse Georgie, apontando para o sutiã do biquíni de Blair.
Erik e Nate olharam para o peito pequeno mas bonito de B1air, imaginando como o de Georgie ficaria muito melhor e mais bonito numa versão branca do mesmo biquíni. Enk apontou um bastão de esqui para Blair.
- Vamos lá, eu te reboco.
Ai, que lindinho!
Eles estavam prestes a se juntar à longa fila do teleférico quando Chuck Bass apareceu com a nova prancha de snowboarding Burton.
- Oi - cumprimentou ele. - Andei pegando umas dicas no half-pipe da equipe holandesa. Aqueles caras são demais!
Os cinco viram Chuck deslizar para a fila da escola de esqui, que furava o resto da fila. - Vamos! - gritou ele. -Tenho um passe de instrutor de esqui! Nenhum deles que ria saber como Chuck tinha conseguido um passe de instrutor de esqui. Nem ligavam de esquiar com ele se isso significava que iam furar a fila. Exatamente o resultado que ele procurava.
Todos os teleféricos maiores do resort eram de alta velocidade e levavam quatro pessoas para a montanha de cada vez. Serena e Georgie foram as duas primeiras na fila e, embora fosse doloroso para Blair subir ao lado de Georgie, ela não podia exatamente gritar, "Pára!", quando Erik se juntou a ela.
Suoosh! O teleférico balançou os assentos e ergueu-os com os esquis no ar. - Êêêêê! - gritaram Serena e Georgie em uníssono. - Uau. - Blair agarrou o braço de Erik. Mesmo depois de todos aqueles anos de esqui, o teleférico ainda a deixava nervosa.
Nate e Chuck estavam bem atrás deles, as pranchas de snowboarding batendo enquanto eles afundavam na cadeira.
- Trouxe alguma erva? - Chuck abriu o bolso da frente do traje de esqui roxo-escuro Bogner com a gola estranha de pele de raposa e pegou um frasco prateado. Ofereceu a Nate. - Conhaque?
- Não fico mais chapado - insistiu Nate teimosamente. Ele olhou as botas de Chuck. Eram exatamente iguais as dele, mas a prancha de snowboarding de Chuck era rosa, com as palavras Chiquita Banana escritas no alto. Era definitivamente uma prancha de mulher, e Nate meio que suspeitou de que Chuck estava usando traje de esqui de mulher. Isso nem mesmo era gay, era só muito esquisito.
Na frente deles a fumaça espiralava no ar acima do gorro de mink de Georgie. Nate só podia esperar que os outros fossem sensatos o bastante para não deixar que ela fizesse nada de ilegal no teleférico.
Chuck pegou um Marlboro da orelha e acendeu. Seu queixo estava meio escuro da barba por fazer e parecia que ele podia estar desenvolvendo algum pelo facial experimental. - Ouvi dizer que a Blair e sua nova namorada tiveram uma briga por sua causa na reabilitação em Greenwich.
Nate afastou a fumaça do cigarro de Chuck com a mão. Estava meio encantado com os topos pontudos dos pinheiros escuros que cresciam no manto branco e macio de neve abaixo deles. A fumaça estava estragando isso.
- Eu também soube que Georgie e Serena foram para o internato juntas em New Hampshire e foram expulsas na mesma época. Elas foram pegas transando. Tipo assim. - Chuck pegou o gancho da calça e ergueu a pélvis na cadeira, a língua pendendo de um jeito nojento.
- Duvido disso - disse Nate, embora não tivesse certeza. Ele nunca soube de toda a história de por que Serena tinha sido expulsa da Hanover Academy no começo do período letivo e mal sabia alguma coisa sobre Georgie. As duas não deram nenhum sinal de que se reconheceram quando se reuniram agora há pouco, mas as garotas sempre bancavam a cool até que tivessem oportunidade de falar e se entender. No alto, à frente deles, Georgie e Serena estavam acendendo o segundo cigarro. - Eu só fumo estes na subida - explicou Georgie com o ar de quem fuma algo diferente em cada altitude. - O gosto é melhor aqui.
- Hmmm - inalou Serena. Ela se virou para ver Nate e Chuck. Nate estava olhando diretamente em frente, enquanto Chuck fumava e tagarelava. - Casalzinho lindo – brincou ela.
Georgie riu.
- Tá vendo, até o Chuck acha que Nate é bonito.
Blair não disse nada, mas secretamente esperava que o gorro de pele de Georgie pegasse fogo e ela despencasse no chão numa queda de peles em chamas. Serena apontou o dedo para Nate. Depois sorriu e mandou um beijo para ele. Georgie se virou e fez a mesma coisa, mas na ordem contrária.
- Você sabe que ama a gente! - gritaram as duas meninas. Blair passou o braço pelo de Erik enquanto a cadeira ia para a rampa de descida da escarpa onde eles tinham de descer. Sair do teleférico era ainda pior do que entrar. - Mantenha as pontas pra cima e segure em mim - orientou Erik delicadamente. Ela fez o que ele disse, mantendo uma pegada estável no braço dele enquanto eles desciam deslizando para a rampa lado a lado. Depois Erik deu um pequeno giro e derrapou até parar. Blair esbarrou nele e caiu sentada nas costas dos esquis. Uf!
Erik pegou-a e rapidamente puxou-a para que ficasse de pé novamente, segurando-a em seus braços fortes e confortáveis.
- Não se preocupe, ninguém viu.
Blair deu uma risadinha. Meu Deus, os olhos dele eram azuis. E ele era tão... capaz. Depois a ficha caiu. Vou perder para o Erik nessa viagem! Por que não? Eles se conheciam a vida toda. O sentido era perfeito.
Assim como fazia todo sentido do mundo usar um sutiã de biquíni na neve?
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Advertência: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.
oi, gente!
SOBRE AQUELE BOATO QUE ESTÁ ROLANDO...
Até parece que é só um. Mas você sabe o boato de que estou falando. Aparentemente algumas pessoas estão dizendo que uma certa loura do terceiro ano que foi expulsa da Hanover Academy em outubro não estava sozinha no escândalo. Tinha uma parceira: uma garota infame de cabelo escuro de Connecticut. Bem, eu pesquisei um pouco e parece que a dita garota de Connecticut foi matriculada na Hanover por um tempo curto, embora a data e as circunstâncias de sua partida não estejam claras.Ela foi a seis escolas em quatro anos e, uma vez que está tão ocupada com a reabilitação, não parece que vai terminar o ensino médio tão cedo. E não é que elas sejam grandes amigas ou coisa assim, uma vez que nunca foram vistas juntas na cidade. Por enquanto, vamos apenas dizer que o caso merece uma investigação mais profunda. E, acreditem, eu vou investigar.
Seu e-mail
P: Oi, Gossip Girl,
Minha família sempre passa as férias de primavera no Havaí porque eu tenho quatro irmãos menores que adoram surfar - eu sei, minha vida é um inferno. Bem, era um inferno. Agora não está tão ruim. Na noite passada, enquanto eu estava cuidando dos meus irmãos na piscina, aquele cara com trancinhas curtas que estava cuidando de outro garoto na piscina começou a conversar comigo. Eu sei que é meio rápido, mas agora acho que estou apaixonada. A gente acredita nas mesmas coisas, tipo vegetarianismo total e fazer música em vez de guerra. Só que eu moro na Califórnia e vou para UC Berkeley no ano que vem, e ele mora em Nova York e vai para Harvard. Você acha que é errado perder a virgindade nas férias de primavera para um cara que mal conhece? - àprimeiravista
R: Cara àprimeiravista,
Sua pergunta é do tipo que sempre aparece, então acho melhor responder antes que seja tarde demais! Primeiro, você mesma disse: você e o Sr. Vegetariano Total moram em lados opostos do continente. Pode parecer conveniente agora, mas por que não esperar para ver se um dos dois se dá ao trabalho de viajar para a grande noite? Depois você realmente vai saber o que é o verdadeiro amor, e não o verdadeiro tesão! Segundo, as férias de primavera só começaram. O Sr. V.T. pode ter parecido ótimo na noite passada na piscina, mas o Sr. Ainda Melhor pode estar dando colheradas em bacon de tofu no bufê do café amanhã de manhã. E como você não quer ficar conhecida como a Putinha Vegetariana de Waikiki, pode ser legal manter suas opções abertas e se prender a atividades acima-do-umbigo. Não tenho nada contra beijar mais de um cara nas férias de primavera, nem ao longo de um só dia! Divirta-se!
- GG
Flagra
J xeretando pelo Upper East Side com um binóculo pendurado no pescoço. Pode-se dizer com segurança que ela não estava observando pássaros. O namorado louro e alto dela, L, na Bendel's de novo, comprando luvas de couro de mulher tamanho grande - muitíssimo maiores do que J. D andando pelo Village, fumando feito uma chaminé e zanzando em livrarias. Nossos amigos em Sun Valley vendo a equipe de snowboarding holandesa fazer truques no half-pipe enquanto bebiam vinho quente nas laterais. S e G batendo papo, B sentada no cola de E, e N e C sentados juntos muito perto, de mãos dadas, discutindo qual holandês eles achavam mais bonito. Brincadeirinha. Mas, de verdade, só o que acontece nas pistas é esqui.
Não se esqueçam de me contar cada coisa picante que estão fazendo.
E adivinha só? Já estou bronzeada!
Pra você que me ama,
gossip girl
d evita o óbvio com e
- Nem acredito que você pôs as mãos nisso - gemeu Jenny, torcendo o nariz enquanto Leo amassava ovos crus, manteiga, açúcar, farinha de trigo e chocolate em pó com as mãos nuas. Foi idéia dela fazer os brownies, mas e claro que eles tiveram de fazer na casa dela, e não na dele. Jenny não sabia quando ia chegar a ver a casa dele. - Minha mãe me ensinou assim. É a única maneira de misturar bem sem usar uma batedeira. - A camisa xadrez vermelha e branca de Leo estava com as mangas enroladas até os cotovelos e ele mordia o lábio inferior de tão concentrado - o retrato definitivo do adorável - enquanto suas mãos trabalhavam no conteúdo na grande tigela de cerâmica. - Ah - respondeu Jenny, peneirando outra xícara de farinha. - Sua mãe gosta de cozinhar? - Quem quer que morasse naquele prédio elegante na Park Avenue devia ter um chef em tempo integral.
- Mais ou menos. Ela prefere fazer brownies.
Arrá. Está vendo? Cozinhar era só outro hobby, como vestir o cachorro com roupas de grife e meter Botox na cara.
Leo retirou os dedos da massa doce e estendeu para Jenny. - Quer provar?
Jenny estava tão preocupada com a idéia da mãe dele batendo brownies à noite na cozinha que abriu a boca e deu uma longa lambida no dedo de Leo. Oh! - Opa. Acho que estou interrompendo alguma coisa observou Elise da porta da cozinha. - Vocês são tão gracinha - acrescentou ela cinicamente.
A campainha tinha tocado alguns minutos antes. Mas, depois que Elise entrou, Jenny ficara tão preocupada com as habilidades de bater brownies de Leo que se esqueceu completamente da amiga. Ela pegou a colher de pau que tinha conseguido para misturar a massa de brownie.
- Quer experimentar?
Elise torceu o nariz.
- Não. Vou esperar até que fique pronto. Dan está em casa? Jenny deu de ombros. Não tinha visto o irmão sair.
- Tenho certeza de que está. Acho que estou sentindo cheiro de cigarro. - Elise desceu o corredor até o quarto de Dan. - Me chama quando os brownies estiverem prontos! Dan estava deitado na cama, tentando pensar num sinônimo de desejo que rimasse com hora. Mora, tora, fora, agora. Não estava indo muito longe. - Posso entrar? - perguntou Elise do lado de fora do quarto dele. - Claro. - Dan se sentou e fechou o caderninho preto em que estava escrevendo. Elise vestia um suéter de gola rulê preto que de algum jeito deixara-a séria e mais velha. – Qual é a boa?
- Nenhuma. - Ela se sentou na ponta da cama. – O que está escrevendo? Dan pulou da cama e jogou o caderno na mesa. Pegou o maço de Camels e acendeu um, inalando profundamente enquanto sacudia o fósforo.
- Rápido, uma palavra que rime com hora. - Bora - rebateu Elise.
Dan a encarou.
- Mas não é uma palavra de verdade. Não significa nada sem outra Bora, como Bora-Bora.
- Não, acho que tem razão. - Ela se levantou e foi até a mesa dele, crescendo quase dez centímetros sobre Dan. A altura definitivamente fazia-a parecer mais velha. Então ela se vestiu com todo cuidado, com a camiseta enfiada elegantemente no jeans com cinto e o cardigã todo abotoado. Em vez de ficar patricinha, transmitia uma espécie de confiança, como se dissesse: "Sou uma mulher e é assim que eu ajo." Ela abriu um dos cadernos dele.
- Então é aqui que você escreve tudo?
O primeiro impulso de Dan foi arrancar o caderno das mãos dela, mas Elise não era Vanessa. Ela não ia rir de um de seus piores poemas nem pressioná-lo a mandar um dos melhores para uma revista famosa.
- É. Não gosto de trabalhar no computador porque eu acabo deletando coisas que posso usar.
Elise assentiu e passou as páginas.
- Olha, tenho uma coisa pra você. - Dan abriu a bolsa de carteiro preta que sempre usava e pegou um livro de exercícios de redação que comprara para Elise mais cedo naquele dia. - Para agradecer pelos biscoitos.
Elise pegou o livro e o examinou.
- Caraca, parece dever de casa. Como se eu já não tivesse o bastante. - Mas na verdade não é - disse Dan, pegando o livro de volta e virando em um dos exercícios. - Evite o óbvio. Faça uma lista de todos os clichês que já ouviu e nunca os use em seus textos. - Ele olhou para ela. - Tá vendo? É divertido! Elise olhou para ele como se Dan fosse louco.
- Acho que deve ser mais divertido do que ver a melhor amiga chupar massa de brownie dos dedos do namorado. - Ela pegou uma caneta e virou numa pagina em branco de um dos cadernos de Dan. - O que é exatamente um clichê, aliás? Dan gostava de como Elise ficava à vontade com a própria ignorância. - Sabe como é, tipo "amor à primeira vista", ou "duro como pedra", ou "cego como um morcego". Todas essas coisas que a gente já ouviu mil vezes. - Arrã. - Ela se sentou na cama e escreveu uma coisa. Depois passou o caderno a Dan. - Tudo bem, sua vez.
Dan ia escrever Tudo o que vai volta, quando viu o que Elise havia escrito: Por que me beijou na rua hoje?
Ele enfiou o cigarro num cinzeiro e segurou a caneta com força para estabilizar os dedos. Por causa dos biscoitos, escreveu ele. E por causa do seu pão. Na verdade, ele não sabia exatamente por que tinha beijado Elise. Foi por impulso. Ele passou o caderno a Elise, que leu o que ele escreveu sem desviar os olhos. Depois escreveu urna coisa embaixo e passou o caderno a ele.
Me beija de novo?
Dan foi até a porta e a fechou. Ele atirou o caderno na cama e se virou para Elise, beijando-a com força na boca enquanto arrancava a camiseta para fora do jeans dela. Elise soltou um gritinho e deu um passo para trás. Dan a largou. De repente Elise não parecia mais tão velha. Os olhos azuis estavam arregalados e o sorriso era menos um sorriso do que uma careta de pavor.
- Desculpe.
- Está tudo bem - disse ela, mais para si mesma do que para ele. - Eu estou bem. - Dan percebeu um pneu de gordura branca pendurado na cintura do jeans de Elise. Ela viu que ele estava olhando e rapidamente enfiou de novo a camiseta por dentro. Mané, censurou-se Dan. Elise só tinha 14 anos e ele tinha quase 18. Era pior do que inescrupuloso. Ele era um babaca total.
Elise ainda estava de pé ali, esperando que ele a beijasse novamente, e de repente ele se sentiu meio irritado com ela também, por chegar a pensar que essa podia ser uma boa idéia.
Ele se virou de costas e se sentou diante do computador, mexendo no mouse. - Acho que os brownies estão prontos - disse ele a Elise com a voz rouca. Elise ficou onde estava, então Dan começou a ver seu e-mail. Ele ficou de costas para ela até que finalmente a ouviu passando pela porta.
- Pensei que você quisesse ser meu namorado – murmurou ela, a garganta sufocada de lágrimas. Um segundo depois Dan ouviu a porta da frente do apartamento bater. Ele pegou o caderno e virou na primeira página. Por causa dos biscoitos e por causa do pão, escreveu ele e depois parou.
Era meio difícil se sentir inspirado.
v reclama demais
- Sei que está trabalhando num artigo agora e nós só nos vimos ontem à noite, mas quer sair para jantar?- Vanessa praticamente gritou ao telefone. - Como é, tipo agora?- perguntou Jordy.
- É. Agora.- Cantos tântricos emanavam a sala de estar, onde os pais de Vanessa estavam recebendo amigos artistas para uma noite de “riscar a faísca criativa.” Sei lá que diabos isso significa.- Posso te encontrar em algum lugar no seu bairro- propôs ela.- Qualquer lugar está bom.
- Uau.- disse Vanessa quando chegou. Apesar do nome, o Budda’s- um restaurante italiano perto da Columbia- era na verdade elegante. Ela esperava mesas cobertas de toalha xadrez de plástico vermelho e branco e costeletas fritas servidas em todos os pratos. Em vez disso, as toalhas eram brancas, e havia velas e jazz antigo tocando. Eram só cinco e meia, e o restaurante estava vazio. Mas até isso era romântico, de uma forma bem tradicional.
Jordy já estava sentado a mesa e tinha pedido uma garrafa de vinho tinto. O garçom pegou o casaco de lã preto de Vanessa e a ajudou a se sentar. - Me sinto tão madura.
Jordy deu de ombros como se estivesse acostumado com isso. Afinal, ele estava na faculdade.
- Gosto do seu batom.
Vanessa não sabia se ele estava brincando ou não. Jordy tinha uma expressão constante suavemente arrogante, tornando extremamente difícil avaliar as emoções dele. Se ao menos o nariz agisse como uma espécie de barômetro, aumentando ou encolhendo de acordo com o humor dele.
Não que ela realmente quisesse que o nariz dele ficasse ainda maior. - Meus pais estão dando uma espécie de sessão de cânticos para anormais com um bando de outros artistas no nosso apartamento - disse Vanessa, fazendo uma carranca enquanto abria o guardanapo e o colocava no colo. - Mal posso esperar para eles irem embora. Jordy tomou um gole de vinho, apertando os lábios finos como se realmente estivesse gostando do sabor. Seus óculos caros estavam na mesa e Vanessa viu pela primeira vez que os olhos dele eram castanho-dourados e claros, como os de um leão. E só percebeu a cor dos olhos de um cara depois de tê-lo beijado! - Acho seus pais maravilhosos - disse ele. - Quer dizer, e preciso muito esforço e coragem para ser assim... fora do ar.
As sobrancelhas grossas de Vanessa se ergueram.
- Eu que o diga. - Ela puxou a cadeira para a frente e pôs os cotovelos na mesa. - Sabe de uma coisa, quando eu era pequena, eu tinha mania de arrancar casquinha de ferida. Qualquer machucadinho ou picada de inseto eu futucava até que sangrasse pra valer. E sabe o que minha mãe dizia? Dizia que eu devia guardar as casquinhas pra que meu pai pudesse fazer uma obra de arte com elas. Não é a coisa mais insanamente torta que você já ouviu? Quer dizer, a maioria das mães ficaria preocupada com a cicatriz, ou levaria a filha a um psiquiatra. Já os meus pais só ficam preocupados com a "obra" deles. Jordy deu de ombros.
- Talvez ela estivesse brincando.
Vanessa franziu a testa e abriu o menu. Antipasti, primi, secondi, dolci. Brincando? Ela nunca ouviu a mãe ser nem remotamente jocosa.
- Acho que não.
Jordy a observava enquanto ela lia o cardápio.
- Ainda assim, eu os admiro. Quer dizer, o modo como eles deixam que você e sua irmã morem sozinhas. Não são muitos pais que fazem isso.
- Não. Não muitos - concordou Vanessa.
- Eu meio que queria ir a Vermont para ver como eles vivem – acrescentou Jordy com ansiedade.
Vanessa desviou os olhos do menu para ele, alarmada.
- Por quê?
- Sei lá. Não conheço muita gente que seja... sabe como é... diferente. Acho que é só curiosidade. - Ele bebeu um gole de vinho e fez aquela coisa com os lábios de novo. - E aí, minha mãe falou que você estava namorando a sério. O namoro, tipo assim, acabou, ou o quê?
Vanessa fechou o menu sem decidir por nada. Não estava realmente com fome, aliás - só queria sair de casa.
- É, acabou. Nem amigos nós somos mais. – Normalmente a voz dela tinha um traço de foda-se amargurado, mas agora ela tremeu de emoção. - Não que eu ligue - acrescentou com mordacidade.
O garçom apareceu e Vanessa pediu uma salada. Ela se sentia como uma das louras magrelas da turma da Constance, que só comiam alface e gelatina. Jordy rasgou um pedaço do pão que estava na cestinha na mesa.
- Então você terminou com ele, ou foi o contrário? - Com dedos longos e delicados, ele mergulhou o pão na tigelinha de azeite.
Ela nunca pensou realmente em quem tinha terminado com quem. Na verdade, nunca houve um rompimento oficial. Depois que pegou Dan se agarrando com aquela Mystery Craze no palco de um clube de poesia, ela se recusou a retomar as ligações dele. Se alguém tinha rompido com alguém, ela é que rompeu com ele. Mas será que isso significava que talvez ele não quisesse terminar com ela? Pensar nessas coisas meio que confundia demais.
- E-eu acho que eu meio que terminei com ele sem querer - gaguejou ela. - Quer dizer, ele estava mesmo me traindo. - Era estranho falar com outro homem sobre seu relacionamento com Dan. Era estranho falar com outra pessoa e ponto, uma vez que a única pessoa com quem ela realmente conversava era o próprio Dan. Mas a sinceridade arrogante de Jordy era exatamente isso: sincera. E era meio difícil tomar uma atitude diante de toda aquela sinceridade. Vanessa sentiu o lábio inferior começar a tremer enquanto as lágrimas jorravam dos grandes olhos castanhos. Ah, meu Deus. Ela odiava quando chorava, especialmente em público. O que havia de errado com ela? Calma, tudo bem. Acontece nas melhores famílias.
Jordy baixou os óculos.
- Desculpe. Não temos de falar disso, se você não quiser. -As bochechas pálidas dele coraram. -Eu meio que só perguntei por motivos egoístas, é isso. - Ele tirou os óculos novamente e os depositou cuidadosamente na mesa, ao lado do azeite. Depois ergueu os olhos dourados, mirando diretamente os dela. - Eu gosto mesmo de você, Vanessa.
Miles Davis tocava e as velas tremelicavam. De repente Vanessa sentiu como se estivesse estrelando um daqueles filmes românticos malfeitos que fazem a maioria das mulheres chorar e que ela não conseguia suportar.
- Eu também gosto de você - chorou ela, mortificada. Se fosse com Dan, ela teria desatado a rir e diria a ele para ir se foder por fazê-la chorar. Mas Jordy não era Dan. Se dissesse a ele para ir se foder, ele provavelmente iria.
Bem, não literalmente. Mas nós entendemos o que ela quis dizer. Vanessa enxugou o rosto molhado no guardanapo de linho branco, borrando-o com o batom de Ruby.
- Desculpe. Acho que meus pais estão me deixando estressada de verdade. - Ela baixou o guardanapo e tomou um gole de água. - Então me conta alguma coisa sobre a Columbia. Tipo assim, qual é seu curso preferido?
Como se ela genuinamente se importasse. Era bem óbvio agora que Jordy só estava interessado nela porque os pais dela eram alternativos, e ela só estava interessada nele porque ele era do totalmente não-alternativo. Além disso, a mente de Vanessa estava ocupada demais com a mais recente ficha que caiu para prestar atenção a uma palavra da resposta de Jordy. E a informação que sua mente processava era que ela ainda era apaixonada por Dan.
ela só quer alguém para amar
Depois de um dia inteiro de esqui, seguido de urna hora vendo a equipe olímpica de snowboarding da Holanda detonar o half-pipe, o grupo se retirou para o hotel na base da montanha para uns merecidos goles de cerveja na happy hour. O hotel tinha uma lareira que arfava, um pianista e uma garçonete que usava roupas azuis sem nada por baixo. Serena se sentou ao lado de Jan, um dos sete membros da equipe de snowboarding. Toda a equipe era loura, atlética e linda, mas ela escolheu Jan porque, quando esquiava, ele esticava os polegares de um jeito peculiar e bonitinho, como se estivesse erguendo o polegar para toda a montanha.
- Todas as meninas de Nova York são lindas como você e suas amigas? - perguntou ele com um sotaque holandês charmoso.
Serena riu. Ela era uma esponja para charme.
- Vocês tem muita sorte... em poder fazer isso todo dia.
Jan riu e tornou um gole da cerveja escura.
- Nem sempre fazemos snowboarding. Eu vou à universidade em Minsk. Estou estudando odontologia.
- Ah. - Serena imaginara que toda a equipe morava junta em uma cabana no alto de uma montanha em algum lugar nos Alpes, praticando snowboarding o dia todo e se embebedando toda noite. Ela pensou que seria confortável ser a única garota no grupo. Ela podia cortar o cabelo deles e fazer torradas no café da manha. À noite eles se enroscariam perto do fogo e contariam histórias de fantasmas. - E os outros? - perguntou ela, na dúvida se tinha escolhido o cara errado.
- Conrad é casado com uma italiana... eles moram em Bolonha. Franz e meu colega de quarto na universidade. Josef, Steven, Ulrich e Gan moram todos em Amsterdã. Amsterdã devia ser uma cidade bem legal. Serena olhou para os quatro rapazes na mesa. Todos eram igualmente sensuais, louros e atléticos. - Na casa do estudante gay - acrescentou Jan.
- Oh - respondeu Serena, obrigando-se a sorrir.
Da próxima vez ela teria mais sorte.
- Gostariam de mais alguma coisa?
- Só outra Coca para mim, por favor - disse Nate a garçonete bonitinha que usava Ugg depois que Chuck pediu outras três garrafas de cerveja Sun Valley para a mesa. Georgie já estava bêbada por ter tornado uma garrafa inteira sozinha. Ele provavelmente teria de carregá-la para casa.
- Nem acredito que fiz um diamante negro duplo sem cair - disse Blair entusiasmada pela quadragésima quinta vez. Ela bebeu a cerveja delicadamente e sorriu para Erik.- Você é um professor muito melhor do que qualquer instrutor de esqui. A verdade era que ela deslizou de lado por quase a pista toda, gritando em todo o caminho, mas pelo menos tinha conseguido manter o decote nu sem neve. Essa era a parte importante.
- Você foi se saindo cada vez melhor - respondeu Erik. Ela havia abotoado o cardigã de cashmere sobre o biquíni, mas o jeans tinha o cós baixo e, do jeito como estava sentada esticada e meio apoiada na mesa, ele podia ver o cofrinho de Blair. - Aposto cem pratas que posso virar minha cerveja mais rápido do que você. - Georgie desafiou Serena.
Agora que não tinha mais ninguém para paquerar, Serena ficou feliz em ter o que fazer. Ela puxou os longos cabelos louros batidos pelo vento para trás e o amarrou. Depois pegou o copo. O resto da mesa observava com expectativa e alegria. Bem, a maior parte do resto da mesa.