Do jeito que eu gosto
v tem mais talento do que uma…
v tem mais talento do que uma comunidade cheia de hippies
Quando Vanessa chegou em casa, Ruby, Gabriela e Arlo estavam em volta da televisão, comendo soja crua e bebendo saque morno.
- O que está pegando? Achei que vocês iam hoje. - Vanessa baixou a bolsa pesada com o equipamento de filmagem e tirou o casaco. Ela foi pega numa tempestade repentina e estava completamente ensopada.
- Eles vão sair logo. - Ruby desligou a TV e os três sorriram como Vanessa jamais tinha visto. - Como foi o seu dia, querida?
Vanessa desamarrou os Doc Martens e os tirou. Do canto da sala de estar, o periquito de Ruby, Tofu, guinchou dentro da gaiola como se avisasse a ela: Tá rolando alguma coisa! Tá rolando alguma coisa!
Gabriela se levantou e espanou as rugas do quimono japonês elaboradamente rosa e roxo que estava vestindo. As tranças grisalhas estavam presas no alto da cabeça, no estilo Heidi.
- O que vocês ainda estão fazendo aqui, afinal?- perguntou Vanessa. - Achei que iam para casa hoje.
O pai bufou ruidosamente pelo nariz como resposta. Ele vestia um suéter de lã vermelha que muito obviamente tinha sido feito para uma mulher, porque as mangas três-quartos eram franzidas nos ombros.
Vanessa foi na direção dele, olhando de esguelha. O rosto dele estava todo manchado e os olhos vermelhos.
- Pai, você está doente?
Arlo Abrams sacudiu a cabeça e bufou pelo nariz mais uma vez. Lágrimas novas caíram em seu rosto.
- Silêncio, meu amor - sussurrou Gabriela, embora não ficasse claro para quem. - São os seus filmes - revelou por fim Ruby. Ela nunca foi capaz de guardar nada em segredo. - Eu mostrei seus filmes a eles.
Como é que é?
Vanessa olhou para a irmã mais velha, furiosa demais para dizer alguma coisa. Depois Arlo bufou pelo nariz novamente, o peito pesando dos soluços. Vanessa ficou meio preocupada que ele pudesse estar sofrendo de um ataque ou coisa parecida. - Pai?
- Nós simplesmente não tínhamos idéia de que você era tão... artística - disse Gabriela, a voz falhando. – Nenhuma idéia.
Não era exatamente um elogio, mas Vanessa não se deixava enganar por elogios. Seus filmes eram tão sombrios e estranhos que dificilmente alguém realmente gostava deles. Arlo pegou o controle remoto e ligou a TV de novo. Eles estavam assistindo à reinterpretação que ela dera a uma cena de Guerra e paz, estrelada por ninguém menos do que Dan. A câmera seguiu um pedaço de papel sujo soprado pelo vento pelo Madison Square Park ao pôr-do-sol e depois fixou-se em Dan, deitado desmaiado no banco do parque. Deu um zoom no rosto dele e o coração de Vanessa caiu nos joelhos. - Dá pra desligar agora? - pediu ela. Mas ninguém deu atenção. - Não é só que você consegue contar uma história - disse Arlo, em transe. - Mas o modo como você faz, como uma pintora. - Ele virou os olhos injetados e lacrimosos para Vanessa. - Você deixa a gente pequenininho.
- Ela entrou pra NYU mais cedo também, porque ela é boa pra caramba - disse Ruby orgulhosa.
O rosto de Vanessa ardeu.
- Cala a boca.
Gabriela passou um braço tímido pelo ombro dela.
- Temos tanto orgulho de você, Berinjela – sussurrou ela, usando o apelido que Vanessa não ouvia desde que era um bebê.
Depois Arlo se aproximou e abra~ou as duas, o rosto molhado de lágrimas. Ruby estendeu o braço para afagar as costas dele, e logo os quatro estavam presos num abraço coletivo que até o mais hippie dos hippies não podia superar. Era totalmente anti-Vanessa, mas ninguém estava filmando nem nada.
- Jordy vai ficar com a gente por um tempo nesse verão. Tudo bem? - murmurou Gabriela enquanto eles ainda estavam abraçados.
Ruby bufou.
- Não acho que ela ligue para o que vocês vão fazer com o Jordy. - Ah, pensei que você gostasse dele - disse a mãe.
- Eu gosto - disse Vanessa. E Jordy foi bom enquanto durou. - Eu só... - Ela gosta muito mais daquele amigo dela, o Dan, do filme - interrompeu Arlo, como se lesse sua mente. – Ele realmente tem alguma coisa.
Ruby riu e Vanessa chutou a calça de couro da irmã.
É, Dan definitivamente tinha alguma coisa e Vanessa sabia muito bem o que era. Ela.
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Advertência: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.
oi, gente!
Não é ótimo voltar? Não é ótimo voltar e ainda assim não saber para que universidade vamos no ano que vem? Não é ótimo voltar quando parece que a nossa vida esta na balança e todos vamos ficar totalmente doidos? Bem, aqui esta uma coisinha para pensar:
CHAMANDO TODOS OS MENINOS
Você sabe que quer me conhecer, e aqui está a sua chance. Amanhã é nosso primeiro dia de volta a escola e o clima deve ser incomumente quente e lindo. Assim que a escola liberar, vocês vão me encontrar deitada numa toalha vermelha, tomando sol no gramado do Sheep Meadow. Todos são bem-vindos para se juntar a mim, e todos também são bem-vindos para me trazer lanchinhos e bebidas. Nada de pretzels e Gatorade, por favor. Desculpe, meninas, mas este e um convite só para os rapazes. Os meninos nunca foram muito bons em esperar, como nós, e vocês sabem o que dizem – as melhores coisas chegam para as pessoas que sabem esperar.
Seu e-mail
P: CaraGG,
Sabe aquela garota maluca que N conheceu na reabilitação? Bem, eu moro na rua dela e a gente foi para o Greenwich Saints juntas até que ela foi expulsa. De qualquer forma, ouvi meus pais falando que ela ficou na prisão em Sun Valley por atentado ao pudor, e é tão doido, porque a mãe dela estava na América do Sul e não tinha idéia de que ela estava ali, então os pais daquele cara, o C, tiveram de tirar ela da cadeia também, embora eles nem a conhecessem.
- Conngurl
R: Cara Conngurl,
Acho que isso explicaria muita coisa. E vou te dizer, os pais de C merecem uma medalha pela generosidade. Pessoalmente, acho que ela podia ter se beneficiado de umas noites a mais na cadeia. Mas o que eu realmente quero saber é - o que deram a ela para vestir na cela da prisão?
-GG
P: cara GossipGurl,
tá legal, então eu não sou uma pervertida que fica assediando as pessoas, mas eu meio que segui esse cara por quem eu era tarada até o prédio de S e depois sentei na escada do met na chuva, esperando que ele saísse, o que ele só fez depois de escurecer, e agora eu estou com uma gripe danada. me sinto tão idiota.
- atchim
R: Cara atchim,
Isso é meio triste. Embora eu saiba de que cara você está falando, e eu o tenha visto na rua, provavelmente eu faria a mesma coisa. O que S tem que eu não tenho? Não responda - somos muito ciumentas dele desse jeito. Além disso, eu também estou gripada! - GG
P: CaraGG,
Eu soube que as cartas de admissão das universidades vão chegar tarde este ano porque as faculdades não conseguem decidir se aumentam o tamanho das turmas ou rejeitam as pessoas. Eles estão fazendo um fórum secreto sobre isso esta semana. - ino
R: Caro ino,
Não falo com pessoas que divulgam boatos idiotas sobre as cartas de admissão das universidades. Já somos bem paranóicos com isso.
-GG
Flagra
B na Wicker Garden comprando um adorável coelhinho de cashmere amarelo - provavelmente o primeiro objeto de cashmere que ela não a) compra para si mesma; b) rouba. N olhando para o prédio de B na rua 72 como se o prédio tivesse todas as respostas. Não conte com isso, docinho. J e a amiga grandalhona perseguindo o coitado do garoto a partir da Smale School de novo. O que há com essas duas? D no trem L para Williamsburg. D não saiu do trem L em Williamsburg. V filmando grama nova crescendo no Central Park - não estou brincando. Ela leva o trabalho dela a sério.
P.S.
Não vou estragar tudo por causa de vocês, mas alguém viu C ultimamente? Ele tem um novo amigo, e estou morrendo de vontade de saber de onde é. É tão exótico!
Vejo vocês no parque, meninos!
Pra você que me ama,
gossip girl
por que s e b ainda são amigas
- Peguei um chá para a gente. - Serena apontou as xícaras brancas e os pires na bandeja de plástico laranja. Ela fungou e enxugou o nariz na manga da blusa Calypso verde-clara. - Com mel.
Blair permitiu que Serena se sentasse diante dela na mesa de madeira clara do refeitório e aceitou o chá. Estava com uma gripe terrível. Chá com mel seria ótimo mesmo. Ela e Serena sempre se sentavam juntas na hora do almoço, especialmente quando tinham grupo de discussão, do qual as duas eram líderes.
Além disso, tinha uma coisa que Blair queria perguntar a ela. O refeitório estava apinhado de meninas despejando ketchup nas batatas fritas e trocando fofocas sobre as ferias de primavera.
- Eu soube que Serena e Nate Archibald foram presos por transar no teleférico - cochichou Rain Hoffstetter para Laura Salmon.
- Eu ouvi dizer que ela vai se mudar para Amsterdã depois da formatura. Ela conheceu aquele cara da equipe olímpica de snowboarding da Holanda. Eles vão se casar – disse Kati Farkas a elas.
- E o pai de Blair agora esta tentando colocar ela na Brown - piou Isabel Coates. - Porque ela e Erik van der Woodsen escio totalmente apaixonados. - Não aconteceu nada, sabia, entre mim e Nate – declarou Serena depois que se sentou. Ela tomou um gole do chá. Na verdade, alguma coisa tinha acontecido entre os dois, mas isso foi há muito tempo. - Quer dizer, depois da festa da Georgie. Blair mexeu o chá. Ela e Serena estavam se ignorando desde a festa em Sun Valley, principalmente porque era mais fácil e mais excitante deixar que a outra imaginasse o que tinha acontecido do que admitir a verdade constrangedora. Ela empurrou o chá de lado e pousou os cotovelos na mesa, olhando intensamente para Serena.
- Como é que foi?
Serena baixou o chá e assoou o nariz no guardanapo de papel. - O quê?
- O sexo. Com o Nate.
Serena amassou o guardanapo e o enfiou debaixo da bandeja para que as duas não tivessem de olhar para ele. Essa pergunta era uma armadilha? Será que Blair estava esperando que ela desse a resposta errada para poder cair em cima dela com as garras de fora e rasgar a cabeça de Serena com os dentes?
- Na verdade foi... - Ela se interrompeu, esperando que a expressão de Blair enfeasse, mas Blair só ficou sentada ali olhando, genuinamente interessada. Ela quer mesmo saber, percebeu Serena.
- Foi maravilhoso. Nós dois estávamos assustados, mas, como foi com o Nate, foi divertido. - Ela sorriu, lembrando-se. - E a gente nem ficou sem graça depois. Blair assentiu e olhou para a mesa. Tudo isso era muito bom, mas e ela? Como Nate e ela iam transar se eles nem...?
Por sobre o ombro de Serena, Blair pode ver as meninas do grupo de discussão do primeiro ano indo em direção à mesa. Era hora de mudar de assunto. - Deixa pra lá - murmurou ela, pegando a bolsa no chão e tirando o material para o grupo de discussão.
- Oi, gente, como foram as férias? - perguntaram em uníssono Mary Goldberg, Vicky Reinerson e Cassie Inwirth as duas veteranas. As três calouras convencidas vestiam suéteres pretos com gola em V. Elas puseram as bandejas do almoço na mesa e se sentaram praticamente uma em cima da outra. - As nossas foram totalmente doidas. - Que bom - disse Blair sem muito entusiasmo. Ela deu um papel a cada uma. - Se puderem, leiam isso antes de começarmos.
As meninas olharam para o papel e riram como se dissessem: Como se a gente realmente fosse falar disso.
- E aí, Serena, trabalhou de modelo nas férias? Eu soube que você fez umas fotos com a equipe olímpica de snowboarding da Holanda, tipo para um creme labial ou coisa assim – disse Mary Goldberg.
Serena lampejou um sorriso torto para elas. As pessoas imaginavam que ela era tão maluca que ela quase queria que fosse verdade.
- É, foi sensacional!
As outras duas componentes do grupo, Jenny Humphrey e Elise Wells, chegaram trazendo o almoço em sacos de papel pardo. Em vez da salada de sempre do refeitório ou do almoço quente de tiras de peixe com batata frita, elas iam comer rolinhos primavera do restaurante chinês da Lex, que elas pediram que fossem entregues na porta da escola. Sempre era surpreendente descobrir como as duas meninas podiam ser habilidosas - exceto para o peito gigante de Jenny – quando elas eram a imagem da inocência e da bondade.
- Jenny está deprimida - anunciou Elise enquanto se sentavam. Ela puxou um pedaço de camarão para fora do rolinho e o enfiou na boca. - Precisa de conselhos. Péssima. Jenny cutucou a amiga com irritação.
- Eu estou bem. - Ela começou a comer o rolinho, que estava mergulhado, intocado, num banho profundo de molho agridoce. Depois do que ela fez com ele, era basicamente incomível. - Olha só, o Leo acabou sendo totalmente normal em vez de um duque francês ou coisa assim - explicou Elise, como se todas soubessem exatamente que Leo era esse, ou ligassem para isso. - E o único motivo para ele saber de coisas sobre peles e botas de cachorro e porque ele passeia com o cachorro da Madame T, e todas nós sabemos que ela tem toneladas de peles.
Blair bocejou rudemente e enfiou um pacote de Equal no chá só para ter alguma coisa para fazer. Esperava que Serena cuidasse disso.
De repente Serena pegou o pacote vazio de Equal da mão de Blair e escreveu uma coisa nele. Depois devolveu a ela.
Ele ainda está apaixonado por você, leu Blair. As meninas do primeiro ano olharam de uma veterana para outra. - O que vocês estão fazendo? - reclamou Mary Goldberg e Vicky Reinerson com irritação por serem deixadas de fora.
Blair dobrou o pacote de Equal e o colocou na bolsa.
- E então, quem sabe fazer tricô?
Jenny não tinha certeza do que diabos estava rolando.
- Eu sei. Aprendi no acampamento de artes no verão passado. Blair bufou pelo nariz.
- Todo mundo aprende a tricotar no internato? – Ela fungou na direção de Serena. Serena deu de ombros.
- Eu não aprendi, mas todas as modelos fazem isso. É o que elas fazem nos bastidores dos desfiles.
- A gente sempre quis aprender! - piaram Cassie, Mary e Vicky. - Tricô? - perguntou Elise, completamente perdida.
Blair puxou o zíper da bolsa Coach e se levantou.
- Vamos - disse ela. - Vamos comprar linha. E, depois da aula, vamos todas tricotar sapatinhos na minha casa. Do outro lado do refeitório, aquela esquisita de cabeça raspada do terceiro ano, Vanessa Abrams, estava filmando a reunião delas com uma nave de plástico rosa que girava e piscava na mesa ao fundo.
Serena se levantou e juntou suas coisas.
- Quer dizer, meias - rebateu ela.
- Não. Sapatinhos - corrigiu Blair com um sorriso. Pelo menos era uma coisa que elas podiam fazer com as mãos além de fumar. E depois da aula seria uma ótima hora para começar, especialmente com os meninos ocupados. As alunas do primeiro ano seguiram Serena e Blair pelas grandes portas azuis da escola, emocionadas com a idéia de estar numa excursão de campo lideradas pelas duas garotas mais cool de toda a escola.
Depois de tantos meses frios, o calor do sol era do intenso que chegava a ser chocante. . . - Desculpe por termos brigado - disse Serena a Blair enquanto o grupo de meninas andava para leste, em direção a Terceira Avenida. - Nem vale a pena, se a gente sempre faz as pazes depois.
- Está tudo bem. - Blair piscou os olhos lentamente como um gato ao sol. Talvez fosse o clima, mas de repente ela se sentia estranhamente otimista. Todo dia nasciam bebês e recebiam nomes legais como Yale; meninos e meninas que estavam rompidos voltam a ficar juntos; grandes amigas brigam e fazem as pazes; e pessoas vão para a faculdade – em particular a uma universidade chamada Yale. - Está um dia lindo. Acho que é melhor a gente ir para o parque depois da aula, em vez de ir para a minha casa. - Posso correr lá em casa e pegar uma toalha – ofereceu Serena. - A gente pode se encontrar na campina.
Opa.
eles não conseguem ficar de fora
- Cinqüenta pratas como ela não vai aparecer – desafiou Anthony Avuldse. Os amigos Nate, Anthony, Charlie e Jeremy tinham ido para o Sheep Meadow depois da aula só para ver se uma certa personalidade popular da Internet realmente ia mostrar a cara. O clima estava ótimo e um bando de garotos já estava jogando Frisbee. Nate reconheceu Jason Pressman, um primeiranista do time de lacrosse do St.Jude, e foi ate lá cumprimentá-lo.
- Tá sabendo do Holmes? - perguntou Jason, com um grande saco de maconha no colo. Ele estava ocupado apertando baseados pequenininhos e alinhando-os ao lado de uma lata velha de Altoids.
- Eu soube que ele estava sumido. - Nate lambeu os lábios enquanto via Jason colocar maconha dentro de um papel elegantemente dobrado.
- Preso - disse Jason. - O cara foi pego no aeroporto de Miami com, tipo assim, um pacote de haxixe. - Ele selou a junção e largou o baseado na lata. -Ele foi expulso. O treinador disse que você agora vai ser o capitão. Anthony, Charlie e Jeremy estavam apertando os próprios baseados a pouca distância. Nate se virou e sorriu para eles. Era uma história ainda melhor, que ele tinha desistido de ser capitão só para conseguir no fim. Além disso, ele ganhou o posto. Jason cumprimentou Nate com um tapa na mão, passando um baseado a ele ao mesmo tempo.
- Bom trabalho, cara. Meus parabéns.
- Ei, obrigado. - Nate segurou o baseado no pulso. – Que dia - observou ele, atirando a cabeça para trás para pegar sol.
Ainda bem que havia mais garotos do que meninas por perto, caso contrario a grama estaria molhada de baba.
A campina estava se enchendo de meninos de escolas particulares que fingiam que só por acaso estavam ali no parque na mesma hora por motivo nenhum. Chuck Bass estava sentado de pernas cruzadas numa toalha vermelha, usando um boné de beisebol com a estampa Sun Valley Ski Patrol. Empoleirado em seu ombro, havia um macaquinho branco.
Sim, é isso mesmo. Um macaquinho vivo.
Chuck era um babaca, mas nunca deixava de se divertir. Nate ficou intrigado demais para não verificar. Ele acendeu o baseado que Jason lhe dera e foi até lá. - O que é isso? - perguntou ele, puxando o baseado.
- Um macaco da neve. Da América do Sul. – Chuck coçou embaixo do queixo do macaco enquanto o animal olhava para Nate com os olhos dourados e confiantes. - Sweetie, esse é Nate. Nate, Sweetie.
- Onde a conseguiu?
Chuck fungou e assoou o nariz num lenço de seda rosa. - É ele. A mãe da Georgie mandou para meus pais como presente de agradecimento... sabe como é, por tirá-la daquele fiasco de atentado ao pudor. - Ele afagou a longa cauda branca de Sweetie, onde ela se enrolava no ombro esquerdo dele, como se ele estivesse usando uma estola de pele cara, só que viva. - Na verdade, tem macaco da neve no zoológico aqui do Central Park, mas eles raramente dão bichos de estimação. A mamãe acha que o Sweetie fede, mas agora eu tenho meu pr6ório apartamento no Sutton Place. Então posso ficar com ele.
Bem, ele não é sortudo?
- Legal. - Nate já estava de saco cheio do macaco e pronto para passar para outra coisa. - Aí, Nate! - gritou Jeremy para ele. - Esse cara tá saindo com sua ex-namorada. Aquela do primeiro ano com os peitões!
A seis metros de distância, Jeremy, Charlie e Anthony conversavam com um garoto louro platinado que Nate achou que conhecia, mas não tinha certeza. Ele foi ate lá e trocou um aperto de mão com o garoto, mantendo o baseado entre os lábios, como Humphrey Bogart ou coisa assim.
- A gente não esta saindo - insistiu Leo nervosamente. - A gente meio que se conheceu pela Internet e depois ficamos amigos e depois... - Ele parou e franziu a testa para Nate. - Olha, eu não sabia que ela tinha ficado com você. – Ele enfiou as maos nos bolsos do jeans e chutou a grama. – E depois, agora não estamos nem nos falando. Nesse momento Serena van der Woodsen e Blair Waldorf chegaram a campina, seguidas por cinco garotas mais novas, inclusive Jenny Humphrey, a notória "garota do primeiro ano com os peitões". As meninas ajudaram Serena a estender uma enorme toalha vermelha. Depois todas se sentaram de pernas cruzadas na toalha, formando um círculo fechado. Blair passou a cada uma delas uma bola de linha amarelo-clara e um jogo de agulhas de tricô de metal rosa.
- Primeiro temos de prender a linha numa agulha instruiu Jenny. Ela deu um laço na linha, enfiou na ponta de sua agulha e começou a prender. As outras meninas se curvaram, observando de perto.
A menos de 15 metros Nate continuava a fumar o baseado. - Mas você gosta dela. Quer dizer, admita isso. É difícil não gostar dela. Leo corou.
- É.
- E aí, o que está fazendo? Por que não vai lá... – Nate apontou para a roda de meninas na toalha vermelha - e dá um beijo nela? É o que eu faria. - Assim que disse isso ele percebeu que era o que ele precisava fazer com a Blair. Só ir até lá e dar um beijo nela. Ele ficou excitado o tempo todo em que não fumou bagulho, mas quando estava chapado ele era romântico. Era uma das coisas que Blair adorava nele. - Sei lá - disse Leo baixinho. - Talvez uma outra hora.
- É - concordou Nate. Agora não era mesmo uma boa hora. Os cinco rapazes ainda estavam vendo o grupo de meninas tricotando quando Dan chegou, parecendo esfarrapado e supercafeinado como sempre, um Camel pendurado nos dedos brancos e trêmulos.
- Ei, você e minha irmã terminaram? – perguntou ele a Leo. Leo olhou para ele, desamparado.
- Não tenho certeza.
Dan girou a cabeça desgrenhada para ver a cena. Seu colega de turma e Babaca Extraordinário, Chuck Bass, estava sentado no chão com um macaco branco no ombro. Chuck tinha até levado o macaco para a escola naquela manha, mas os professores obrigaram-no a levá-lo para casa. Depois Dan viu uma coisa que fez com que deixasse o cigarro ainda aceso cair na grama molhada.
Vanessa estava ajoelhada numa toalha vermelha três metros atrás de Chuck, o rosto obscurecido pela câmera. Diante dela estava o OVNI de plástico rosa que ele mandou para ela, girando e piscando loucamente em cima de um banquinho dobrável. Dan podia ouvir a musiquinha pop japonesa que saía do brinquedo, e isso o fez querer dançar uma jiga animadinha.
Não que ele fosse em frente e dançasse mesmo. Nate puxou o baseado e assentiu para Vanessa.
- Acha que é ela?
- De jeito nenhum - disse Dan. Embora ele secretamente se perguntasse se Vanessa podia ser a dona sensual do site que todos vieram ver. Seria como se ela fizesse alguma coisa totalmente inadequada e pirasse todo mundo. – Talvez ela não tenha vindo. Nate apontou o baseado apagado para Chuck.
- A não ser que ela já esteja aqui.
Os seis meninos olharam Chuck por um momento, rindo para si mesmos. Apesar do fato de isso ter parecido um evento frustrante só de meninos, havia muitas garotas por perto. Kati Farkas e Isabel Coates estavam afagando o macaco de Chuck e espionando o grupinho de tricô de Blair e Serena.
- O que elas estão fazendo? - gemeu Kati. Ela coçou atrás das orelhas de Sweetie e o macaco mostrou os dentes.
- As orelhas dele são sensíveis! - alertou Chuck.
- Talvez elas estejam tricotando coisas para esconder drogas. Ouvi dizer que os traficantes usam bebes para atravessar drogas para outros países - sugeriu Isabel, desejando desesperadamente poder se juntar à roda.
- Você não adora o jeito como todo mundo olha para a gente como se a gente fosse... bruxa, tipo assim? - cochichou Serena. As outras meninas riram numa conspiração.
Blair enxugou o nariz e reaplicou brilho labial. Não passou despercebido o fato de que Nate estava entre os que olhavam para elas.
- Eles não sabem de nada - concordou ela, embora ela e o resto das meninas do grupo estivessem absolutamente ansiosas por atenção.
O meio-irmão dela, Aaron Rose, chegou com o violão e se sentou no canto da toalha das meninas.
- O que devo tocar? - perguntou ele.
- Nada. - Todas estavam só tricotando, mas a música do brinquedinho maluco de Vanessa as estava deixando malucas.
- "Stir ir up, little darling, stir it up..." - começou ele, cantando sua música de reggae preferida. Aaron tinha acabado de aparecer para ver se Blair era a garota de que todos falavam tanto. Pelo que ele sabia, podia ser qualquer uma delas. - Não dá pra saber - observaram vários meninos na campina. É verdade. Não dá pra saber.
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Advertência: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.
oi, gente!
SOBRE ONTEM À NOITE
Desculpe, meninos, mas vocês foram podres! Sei que foi totalmente cruel de minha parte não me revelar, mas admitam, vocês gostaram, e não foi divertido? Era só o que vocês precisavam, né? O melhor de tudo, vocês conheceram aquele macaquinho doce. E, embora odeiem ter de admitir, vocês meio que gostaram de não saber ainda quem eu sou, porque vocês adoram imaginar como eu sou. Sou a garota dos seus sonhos.
O QUE NÃO SABEMOS E ESTAMOS MORRENDO DE VONTADE DE DESCOBRIR
Será que N e B vão voltar?
S vai encontrar alguém para amar?
V e D vão se perdoar e viver infelizes para sempre? Será que vamos saber mais de G? Será que queremos? J e L vão se entender? Ela vai querer? C vai assumir?
E eu?
Vocês sabem que estou louca para responder a todas as perguntas acima. Mas primeiro estou construindo um altar para o Santo da Admissão nas Universidades. Todo dia eu vou comprar um novo presente para o santo, tipo aquele par de sandálias de contas que vi no departamento de calçados da Barney's, ou aquela bolsa rosa que todo mundo está comentando e nenhuma loja parece ter. Assim, se eu não entrar para a universidade que prefiro, terei montes de prêmios de consolação. E,se eu entrar, terei uma desculpa para me parabenizar com mais presentes ainda. De qualquer forma, não vou perder. Nenhum de nós vai!
Pra você que me ama,
gossip girl
FIM
Você terminou Do jeito que eu gosto
Cecily von Ziegesar