Doutrina-Escola

Francisco Cândido Xavier · Capítulo 7 de 13

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Doutrina-Escola

Allan Kardec

ANDRÉ LUIZ

 

Estudando a vida espiritual, além do túmulo, Allan Kardec, o eminente Codificador da Nova Revelação, apresente em O Livro dos Espíritos algumas definições que será oportuno examinar, a fim de que nós outros, tarefeiros encarnados e desencarnados do Espiritismo, estejamos vigilantes nas responsabilidades que o Plano Superior nos conferiu.

*

 

Na pergunta 226, indaga o apóstolo da Codificação:

 

- “Poder-se-á dizer que são errantes todos os Espíritos que não estão encarnados?”.

 

E os seus elevados mentores responderam:

 

-

“Sim, com relação aos que devam reencarnar. Não são errantes, porém, os Espíritos puros, os que chegaram à perfeição. Esses se encontram em seu estado definitivo”.

Segundo é fácil deduzir, “Espíritos errantes, na elucidação, não significa Espíritos vagabundos, desocupados, inertes, mas sim sem residência fixa, qual ocorre com todos nós, de vez que, de conformidade com a palavra dos instrutores de Allan Kardec, somente não são considerados” errantes “aqueles” que chegaram à perfeição”, da qual, todos nós, a generalidade das criaturas terrestres, ainda nos achamos imensamente distantes.

*

 

Na pergunta 227, inquire o grande servidor da verdade:

 

- “De que modo se instruem os Espíritos errantes? Certos não o fazem do mesmo modo que vós outros?”.

 

E o esclarecimento veio, preciso:

 

- “Estudam e procuram meios de elevar-se. Vêem, observam o que ocorre nos lugares aonde vão; ouvem os discursos dos homens doutos e os conselhos dos Espíritos mais elevados e tudo isso lhes incute idéias que antes não tinham”.

 

A resposta é segura. Os “Espíritos errantes”, isto é, nós outros, os viajores em demanda da perfeição suprema, inclusive a maioria das almas reencarnadas, que permanecem na curta romagem do berço ao túmulo e que ainda voltarão muitas vezes ao educandário da carne, encontramos oportunidades de estudo e meios de elevação.

Ora, quem diz, “estudo e elevação”, refere-se a esforço e trabalho, disciplina e progresso.

 

Assim é que tanto na experiência física quanto na experiência espiritual , propriamente considerada, nós, os viajores da senda evolutiva, não nos achamos órfãos da organização que nos define os méritos e os deméritos.

Compreender-se-á, então, logicamente, que civilização e autoridade, agrupamento e ordem, escola e dignificação, hospital e penitenciária, embora diferenciados na expressão, escalonam-se e vigem para nós, os milhões de encarnados e desencarnados que vivem ainda tão longe do acrisolamento absoluto.

 

Na pergunta 229, interroga o Codificador:

 

- “Por que, deixando a Terra, não deixam aí os Espíritos todas as más paixões, uma vez que lhes reconhecem os inconvenientes?”

E os orientadores aduziram:

 

 

- “Vês nesse mundo pessoas excessivamente invejosas. Imaginas que, mal o deixam, perdem esse defeito? Acompanha os que da Terra partem, sobretudo os que alimentaram paixões bem acentuadas, uma espécie de atmosfera que os envolve, conservando-lhes o que têm de mau, por não se achar o Espírito inteiramente desprendido da matéria. Só por momentos ele entrevê a verdade, que assim lhe aparece como que para mostrar-lhe o bom caminho”.

A elucidação não deixa dúvidas.

 

Carregamos para além do sepulcro a sombra das ações deploráveis em que nos envolvemos, por efeito das paixões que acalentamos no próprio ser.

 

Somos prisioneiros das imagens infelizes a que nos afeiçoamos, quando na extensão do mal aos outros e a nós mesmos, imagens essas que se imobilizam, temporariamente, em nossa vida mental, detendo-nos nas grades do remorso e do arrependimento, até que atendamos à expiação necessária.

 

Em tais condições, a visão das verdades divinas surge em nossa consciência, tão somente à maneira de relâmpago nas trevas que nós mesmos criamos, descerrando-nos o caminho regenerador que nos compete aceitar e seguir.

 

A morte física, como é racional, não nos subtrai, de improviso, dos íntimos refolhos do Espírito, as conseqüências dos erros nefastos a que nos precipitamos, de vez que os pensamentos oriundos das faltas cometidas nos entrançam a alma às imposições do resgate.

 

Na pergunta 230, consulta o notável missionário:

 

- “Na erraticidade, o Espírito progride?”.

 

E os Benfeitores informam: