Entre as Ninfeias

João Marques de Carvalho · Capítulo 8 de 28

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Entre as Ninfeias

Capítulo II

 

Comprehendo agora perfeitamente a dôr que rasgou-te os puros seios d'alma, querida Mãe, quando correram a referir-te o hórrido successo.

Creança quasi irresponsavel, eu não tinha a percepção completa d'aquelles affligidíssimos desespêros em que te lançaste, com os olhos amarados{46} de lágrymas adamantinas.

Entrei a brincar-te com os longos cabellos pretos, minha adoravel amiga, e um beijo tão sincero como a tua dôr deposeram-te na fronte ensombreada meus labios deslaçados em simples phrases sem valor.

Hoje, porém, ó Mãe, avalío com justeza a afflicção que em ti causou tão deshumano flagicio da sorte inclemente. Sondo, linha por linha, todos os arcanos do teu seio, ausculto-lhe as precipitadas palpitações soluçantes e lamentosas.

Choravas, inconsolavel e dolentíssima, porque deixaras de ter mãe.

Sinto conhecer-te a intensidade das penas, porque também perdi-te para sempre e só minha alma pode saber a força de toda a violenta dôr que, ha seis annos, confrange-a{47} impiedosa, minuto a minuto, persistentemente, tantas são as vezes que de ti me lembro, inolvidavel mulher que foste a guia da minha infancia e a amiga insubstituivel da minha adolescencia!