Estudos de utilização de medicamentos: noções básicas

Claudia Garcia Serpa Osório de Castro · Capítulo 2 de 12

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Estudos de utilização de medicamentos: noções básicas

Apresentação

 

Quando defendi a dissertação de mestrado na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o professor e toxicologista Francisco José Roma Paumgartten, integrante da banca examinadora, há muito envolvido em pesquisa e regulamentação no campo de medicamentos no Brasil, sugeriu a publicação de parte do trabalho sob forma de livro. A obra deveria ser um manual de consulta sobre os Estudos de Utilização de Medicamentos (EUM), com a proposta de atender aos alunos e profissionais que desejassem ingressar no campo da farmacoepidemiologia.

Felizmente, a idéia, tendo tomado impulso, formalizou-se com a redação de um primeiro formato, no qual contribuíram decisivamente Selma Castilho e Maurício Peixoto, à época meus orientadores. Após avaliação, no entanto, sugeriu-se a ampliação do trabalho. Para tanto, afortunadamente, pudemos contar com a colaboração de Vera Lúcia Luiza e Gabriela Mosegui, colegas no Núcleo de Assistência Farmacêutica da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (NAF/Ensp). A jornalista Flávia de Albuquerque ajudou a redigir um texto palatável, em ambos os momentos de sua construção.

Em nosso trabalho diário no NAF, sentimos a necessidade de produzir e publicar textos na área da farmacoepidemiologia, um campo de estudos relativamente novo para os farmacêuticos brasileiros. Entendemos que essa é uma estratégia extremamente válida, não só como meio de difusão de conhecimentos, mas também, e principalmente, como modo de envolver nossos colegas nesse novo e desafiador campo de atuação profissional. Nas palavras dos professores Gianni Tognoni e Per Knut Lunde, os estudos de farmacoepidemiologia possibilitam a inserção dos farmacêuticos no campo da clínica, sem sem comprometer sua identidade profissional.

Como começar? Na verdade é bem fácil. Sugerimos, logicamente, os EUM. São estudos que todo farmacêutico, qualquer que seja seu tipo de atuação no campo da assistência, pode realizar, desde que tenha instinto e um mínimo de conhecimento bem fundamentado. Dukes, um famoso estudioso da área, afirma que os únicos requisitos verdadeiramente necessários para implemetar os EUM são bom senso, paciência e entusiasmo. Nós, porém, recomendamos mais um: um texto simples, explicativo e metodologicamente são.

Tentamos produzir um pequeno compêndio, claro, conciso e ao mesmo tempo contendo o que consideramos essencial para os iniciantes nos EUM. De modo algum tivemos a pretensão de esgotar o assunto, principalmente tendo em vista a qualidade de outras publicações disponíveis no Brasil, nas quais tivemos o prazer de descobrir esse assunto que nos apaixona, e que citamos continuamente no decorrer do texto.

Esperamos haver cumprido os objetivos a que nos propusemos. Finalmente, agradecemos aos nossos leitores o privilégio de poder oferecer-lhes uma parte, que seja, de um grande bem que possuímos: nosso trabalho.

Claudia Garcia Serpa Osorio de Castro

Coordenadora