História de um Beijo

Enrique Pérez Escrich · Capítulo 33 de 48

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História de um Beijo

Capitulo XX

—Tambem m'os mandou a mim, e vinha perguntar-te se sabes o que se passou entre teu pae e Ernesto.{124}

—Não sei.

—Fosse o que fosse, a conducta d'esse rapaz não póde ser mais nobre. Bem vês que nos offerece o quadro, porque tu bem sabes que lh'o não comprei.

—Sim, é um rasgo de generosidade pouco vulgar n'um homem que não tem outro patrimonio senão os pinceis.

—Mas nós não podemos consentir em similhante offerta.

—Ou pelo menos compensal-o com outra.

—Dizes bem. N'este assumpto convém proceder com toda a delicadeza. Vinha lêr-te isto mas como já lêste, retiro-me e vou vêr Ernesto. Almoçamos juntos?

—Sim, meu Fernando, espero-te aqui para me contares tudo o que resolveres.

Fernando tornou a abraçar a mulher e sahiu.

Amparo ao vêr-se só, deixou-se cair n'uma cadeira e leu pela segunda vez o jornal.

—Ah! exclamou, exhalando um suspiro que brotava do mais fundo da sua alma. Ernesto vale cem vezes mais do que eu. Causei toda a sua desgraça. O coração tambem me diz que serei a causa da sua morte. Que Deus me perdôe o mal que fiz a esse homem.

E, cobrindo o rosto com as mãos, deu livre curso ás lagrimas.

 

CAPITULO XX