História de um Beijo
Capitulo XXIII
Ernesto fez esforços para o seguir mas a meio caminho largou a espingarda, extendeu os braços e cahiu desamparado. Tinha desmaiado.
Mauricio deteve-se assustado, pegou no seu hospede ao collo e deitou a correr até casa, que não era longe. Petra ao vêl-o entrar, trazendo Ernesto nos braços, não poude conter um grito.
Mauricio continuou o seu caminho e deitou Ernesto na sua cama, o qual, pouco depois, abriu os olhos, enviando um sorriso de agradecimento ao caçador.
—Diabo! Que susto que me pregou, senhor Ernesto! Julguei que se despenhava pelo barranco.
—Bem vês, Mauricio, que não presto para nada, nem mesmo para caçar. Já estou melhor. Mas em quanto não estiver em estado de te acompanhar, dedicar-me-hei{142} a caça de espera. Agora tranquilliza-te, hoje em vez de caçar, pintarei. É preciso matar o tempo.
Uma hora depois, Ernesto mais alliviado, tomava algum alimento e punha uma tela n'um cavallete.
Pensou alguns minutos qual o assumpto de que trataria primeiro, e acabou por decidir-se, esboçando a scena que pouco antes succedêra no barranco.
CAPITULO XXIII