Nas trevas: Sonetos sentimentais e humorísticos
XVI Thomaz Ribeiro
XVI
Thomaz Ribeiro
Ao cantor de D. Jayme era ousadia
Dedicar uns insipidos sonetos,
Bem pallidos, mesquinhos esbocetos
Dos Ridiculos grandes d'hoje em dia.
A ti que illeso passas n'esta orgia,
Modesto, honrado e amado, que amulêtos
Te salvam d'estes pantanos infectos
Em que chafurda a esqualida anarchia?
Tantas vezes Governo!... E não tens pejo
De ser pobre, ó Thomaz ?... Isto que vejo
Me inspira o vaticinio que registro:
Dirão de ti as porvindouras eras:
«Ministro pobre em Portugal! Chimeras!...
«Ou viveu farto, ou nunca foi ministro!»
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XVII
Remorso
Eu choro quando, ás vezes, me concentro
A meditar nas horas malogradas,
Noites de inverno, gelidas, passadas
Nos Carnavaes rhetoricos do Centro.