Nas trevas: Sonetos sentimentais e humorísticos

Camilo Castelo Branco · Capítulo 14 de 26

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Nas trevas: Sonetos sentimentais e humorísticos

XVI Thomaz Ribeiro

XVI

Thomaz Ribeiro

 

Ao cantor de D. Jayme era ousadia

Dedicar uns insipidos sonetos,

Bem pallidos, mesquinhos esbocetos

Dos Ridiculos grandes d'hoje em dia.

A ti que illeso passas n'esta orgia,

Modesto, honrado e amado, que amulêtos

Te salvam d'estes pantanos infectos

Em que chafurda a esqualida anarchia?

Tantas vezes Governo!... E não tens pejo

De ser pobre, ó Thomaz ?... Isto que vejo

Me inspira o vaticinio que registro:

Dirão de ti as porvindouras eras:

«Ministro pobre em Portugal! Chimeras!...

«Ou viveu farto, ou nunca foi ministro!»

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XVII

Remorso

 

Eu choro quando, ás vezes, me concentro

A meditar nas horas malogradas,

Noites de inverno, gelidas, passadas

Nos Carnavaes rhetoricos do Centro.