O Poder do Agora

Eckhart Tolle · Capítulo 37 de 80

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O Poder do Agora

Olhe Além das Palavras

 

Não gosto da palavra pecado. Ela pressupõe um julgamento e uma atribuição de culpa.

Posso entender isso. Durante muitos séculos, foram se acumulando interpretações erradas em torno de palavras como pecado, devido à ignorância, à incompreensão ou a um desejo de controle, embora todas contenham um fundo de verdade. Se você não for capaz de olhar para além de tais interpretações e, por isso, não reconhecer a realidade para a qual a palavra aponta, então não a use. Não se prenda às palavras. Uma palavra nada mais é do que um meio para atingir um fim. É uma abstração. Tal qual um letreiro em forma de seta em um poste, uma palavra aponta para além dela mesma. A palavra mel não é mel. Você pode estudar e falar a respeito de mel pelo tempo que quiser, mas não vai saber o que é enquanto não prová-lo. Depois de provar, a palavra perde a importância e não ficamos mais presos a ela. De forma semelhante, podemos falar ou pensar sobre Deus, sem parar, pelo resto da vida, mas será que isso significa que conhecemos ou que tivemos uma rápida visão da realidade para a qual a palavra aponta? Ela não passa de um apego obsessivo a um letreiro no poste, um ídolo mental.

O contrário também acontece. Se, por alguma razão, não gostamos da palavra mel, pode ser que jamais o experimentemos. Se você tem uma forte aversão à palavra Deus, o que é uma forma negativa de apego, pode estar negando não só a palavra como também a realidade para a qual ela aponta. Você estará se privando da possibilidade de vivenciar essa realidade. Tudo isso tem, naturalmente, uma relação direta com o fato de estarmos identificados com as nossas mentes.

Portanto, se uma palavra não significa mais nada para você, jogue-a fora e use outra que signifique. Se você não gosta da palavra pecado, chame-a então de inconsciência ou insanidade. Essa atitude talvez o aproxime mais da verdade – a realidade que está além da palavra – do que um longo uso equivocado da palavra pecado, deixando pouco espaço para a culpa.

Essas palavras também não me agradam. Elas pressupõem que existe alguma coisa errada comigo. É como se estivessem me julgando.

Claro que existe alguma coisa errada com você e ninguém está julgando nada.

Sem querer ofender, porventura você não pertence à raça humana que matou mais de 100 milhões de membros da própria espécie, somente no século XX?