Poemas Completos de Alberto Caeiro

Fernando Pessoa · Capítulo 9 de 47

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Poemas Completos de Alberto Caeiro

A Guerra

A guerra que aflige com os seus esquadrões o Mundo, É o tipo perfeito do erro da filosofia.

A guerra, como todo humano, quer alterar.

Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito E alterar depressa.

Mas a guerra inflige a morte.

E a morte é o desprezo do Universo por nós.

Tendo por consequência a morte, a guerra prova que é falsa. Sendo falsa, prova que é falso todo o querer alterar. Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza os pôs. Tudo é orgulho e inconsciência.

Tudo é querer mexer-se, fazer coisas, deixar rasto. Para o coração e o comandante dos esquadrões Regressa aos bocados o universo exterior.

A química direta da Natureza

Não deixa lugar vago para o pensamento.

A humanidade é uma revolta de escravos.

A humanidade é um governo usurpado pelo povo. Existe porque usurpou, mas erra porque usurpar é não ter direito. Deixai existir o mundo exterior e a humanidade natural! Paz a todas as coisas pré-humanas, mesmo no homem! Paz à essência inteiramente exterior do Universo!