Poemas Completos de Alberto Caeiro

Fernando Pessoa · Capítulo 32 de 47

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Poemas Completos de Alberto Caeiro

Pouco Me Importa

Pouco me importa o quê?

Não sei: pouco me importa.

PRIMEIRO PRENÚNCIO

Primeiro prenúncio de trovoada de depois de amanhã. As primeiras nuvens, brancas, pairam baixas no céu mortiço, Da trovoada de depois de amanhã?

Tenho a certeza, mas a certeza é mentira.

Ter certeza é não estar vendo.

Depois de amanhã não há.

O que há é isto:

Um céu de azul, um pouco baço, umas nuvens brancas no horizonte, Com um retoque de sujo embaixo como se viesse negro depois. Isto é o que hoje é,

E, como hoje por enquanto é tudo, isto é tudo.

Quem sabe se eu estarei morto depois de amanhã? Se eu estiver morto depois de amanhã, a trovoada de depois de amanhã Será outra trovoada do que seria se eu não tivesse morrido. Bem sei que a trovoada não cai da minha vista, Mas se eu não estiver no mundo.

O mundo será diferente.

Haverá eu a menos.

E a trovoada cairá num mundo diferente e não será a mesma trovoada