Poemas Completos de Alberto Caeiro

Fernando Pessoa · Capítulo 23 de 47

Páginas do PDF

Poemas Completos de Alberto Caeiro

Não basta abrir a janela

NÃO BASTA

Não basta abrir a janela

Para ver os campos e o rio.

Não é bastante não ser cego

Para ver as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma.

Com filosofia não há árvores: há ideias apenas. Há só cada um de nós, como uma cave.

Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.