Portugal e Brasil: emigração e colonização
Capitulo VIII
Tua esposa...»
Agora digam-nos, se depois de devassado o tumulo e desrespeitada a nossa dôr, a mais profunda que havemos soffrido, em 35 annos d'uma existencia attribuladissima, e, por mercê de Deus, honrada; haverá quem, com justiça, possa dizer, que os excessos de linguagem da «Tribuna» estão plenamente justificados pelo atrevimento de havermos publicado as Questões... um anno depois de tanta infamia?!
Ah! como sois inconsequentes!
Depois do nosso livro, é que o governo brazileiro se lembrou de comprar a consciencia do capitão Nery. Pena foi que essa transacção se não fizesse antes de começar a tragedia do Pará. Preferiamos isso á gloria que nos assiste de havermos contribuido, com os nossos excessos, para a pacificação dos animos em tão uberrima provincia.
E olhae que vos não pedimos mais do que a continuação do vosso desprezo, em paga do nosso serviço, ó illustres optimistas!
Se á vil calumnia e á detracção raivosa, não póde escapar quem diz verdades, não deve esperar recompensa dos homens quem pratica o summo bem.
CAPITULO VIII
O julgamento dos assassinos dos portuguezes em Jurupary. O tribunal da
primeira instancia em Chaves e o da Relação no Pará. Desenlace providencial
contra decisões horrorosas dos tribunaes brazileiros. Processo contra Marcelino
Nery. Pasquins da «Tribuna» antes e depois da condemnação. Novos pasquins
em 1876 chamando ás armas contra os portuguezes. O clero accusado de
cumplice dos pasquineiros. Um portuguez condemnado irrisoriamente por um
tribunal da primeira instancia e absolvido depois pela Relação no Pará. A
diplomacia portugueza e a condemnação á morte de um portuguez na Bahia.
Um benemerito defensor do portuguez.