Práticas investigativas em atividade física e saúde

Helio José Bastos Carneiro de Campos · Capítulo 2 de 12

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Práticas investigativas em atividade física e saúde

Concepções da imagem corporal entre praticantes e instrutores de musculação, fisiculturistas e estudantes de educação física da região metropolitana de Salvador-Ba: uma análise sobre os níveis de satisfação com a forma física e a autopercepção corporalAna Cristina Rodrigues Mendes, Helio José Bastos

Concepções da imagem corporal entre

praticantes e instrutores de

musculação, fisiculturistas e

estudantes de educação física da

região metropolitana de Salvador-Ba:

uma análise sobre os níveis de

satisfação com a forma física e a

autopercepção corporal

 

Ana Cristina Rodrigues Mendes

Helio José Bastos de Carneiro Campos

Ana Luíza Coelho Rubini

Introdução

Nas últimas décadas, o tema imagem corporal vem despertando um interesse cada vez maior no Brasil e em diversos países, especialmente entre adolescentes e jovens, uma vez que comumente estes indivíduos associam a sua identidade à autoimagem corporal. O conceito de imagem corporal não necessariamente representa o reflexo do espelho, como ressalta Courtine (1995): “[…] ter uma boa aparência não significa ter uma imagem corporal positiva; a imagem corporal é, na verdade, um estado de espírito”.

Segundo Adami e colaboradores (2005), a busca de uma imagem corporal adequada aos anseios estereotipados de corpo é um dos fenômenos mais impressionantes na sociedade atual, existindo neste contexto, uma grande influência cultural sobre a imagem do corpo, o que pode criar aspectos distorcidos relacionados ao universo corporal.

A crescente valorização do corpo e da estética nas sociedades de consumo, refletida nos meios de comunicação de massa, que expõem como modelo ideal e de masculinidade – um corpo inflado de músculos – pode estar contribuindo para que um número crescente de jovens envolva-se com o uso de esteróides anabolizantes, dentre outras práticas arriscadas, na intenção de rapidamente desenvolver massa muscular. (COURTINE, 1995)

Conceitualmente, a imagem corporal é a forma pela qual o corpo se apresenta para si mesmo, ou seja, é o conjunto de sensações cinestésicas construídas pelos sentidos (audição, visão, tato, paladar), oriundos de experiências vivenciadas pelo indivíduo, que conduzem à construçãode um referencial do seu corpo, para o seu corpo e para o outro, sobre o objeto elaborado. (RUSSO, 2005; MATARUNA, 2004; TAVARES, 2003; SCHILDER, 1999)

Segundo Adami e colaboradores (2005), a imagem corporal é um complexo fenômeno que envolve aspectos cognitivos, afetivos, socioculturais e motores, e está intrinsecamente associada com o conceito de si próprio, sendo influenciável pelas dinâmicas interações entre o ser e o meio em que vive. Corroborando com estes autores, Tavares (2003, p. 29), afirma que a imagem mental “integra várias modalidades sensoriais e diversos processos psíquicos que estão continuamente em intercâmbio”, sendo, deste modo, formadas imagens de objetos externos e internos. Segundo o autor, o ser humano constrói a sua visão do eu e da imagem do seu corpo, intimamente associados, ambos dependentes do desenvolvimento do sistema sensorial/neurológico, da percepção e das relações socioculturais que o indivíduo estabelece com o seu meio. Desenvolve-se desde o nascimento até a morte, dentro de uma estrutura complexa e subjetiva, sofrendo modificações ao longo da vida, que implicam na construção e reconstrução contínuas, resultante do processamento de estímulos.

Durante os anos pré-escolares, a criança desenvolve de forma acentuada o seu conceito a respeito da imagem corporal. (MONTARDO, 2009; MATARUNA, 2004). Sua formação pode ser influenciada por fatores como sexo, idade, meios de comunicação, bem como por uma relação entre processos cognitivos, como crenças, valores e atitudes provenientes de sua cultura. Além disto, envolve fatores emocionais, de atitude e perceptuais, relacionando-se diretamente com a autoestima, com o amor próprio e com a satisfação pessoal. (ALMEIDA et al., 2005; BARROS, 2005; CAMARGO et al., 2008)

A autopercepção do peso é um aspecto importante quando se fala de imagem corporal, podendo ser influenciada por diversos fatores, incluindo a cultura e os padrões sociais. (COSTA et al., 2007; VEGGI et al., 2004) Em artigo de revisão, Camargo e colaboradores (2007), citando Saikali e colaboradores (2004) afirmam que a autoavaliação da imagem corporal pode ocorrer de três formas: (1) o indivíduo pensa em extremos relacionados à sua aparência ou é muito crítico em relação a ela; (2) o indivíduo compara a aparência com padrões extremos da sociedade; e (3) o indivíduo concentra-se em um aspecto de sua aparência.

A enfática estratégia do estímulo à prática de exercícios físicos e da alimentação visando o rendimento e as medidas corporais, associada abadass de1995(açm o que afirma o incansável desejo de “ter um corpo” adequado aos padrões culturalmente impostos, reforçam as analogias que comumente são feitas entre o corpo humano em movimento ao padrão de uma máquina, nas quais ambos – exercício e alimentação – são executados de um modo irrefletido e irresponsável, repetitivo e mecânico. (ADAMI et al., 2005; RIZZO PINTO, 1997)

Cohane e Pope (2001) realizaram uma revisão sobre aspectos relacionados à imagem corporal em indivíduos do sexo masculino. Em termos gerais, o estudo aponta que alterações de imagem corporal no sexo masculino, ao contrário do que se pensava, são considerados relativamente comuns, e diferem do padrão de distorção tipicamente feminino. As mulheres apresentam níveis bem maiores de insatisfação que os homens e descrevem sempre corpos mais magros como objetivo. No caso dos homens, há aqueles que seguem o padrão feminino, mas a maioria considera um corpo mais musculoso como representação da imagem corporal masculina ideal. Sabe-se hoje que o excesso de vaidade e a obsessão para manter um corpo escultural não são características exclusivas das mulheres, tendo-se revelado frequentemente entre os homens, que estão cada vez mais preocupados com a aparência. Entretanto, o que inicialmente parecia ser um cuidado com a saúde corporal vem se transformando em problema, que tende a agravar-se quando a busca pela perfeição extrapola os limites do corpo, originando um transtorno psíquico conhecido como transtorno dismórfico muscular.

Se a imagem culturalmente dominante e socialmente valorizada remete ao estereótipo do sujeito forte e musculoso, esta provavelmente tornar-se-á a busca incessante de muitos insatisfeitos com o próprio corpo. Aqueles que não conseguem alcançar esse padrão desejado, podem desencadear um processo de sofrimento patológico que passa a exercer um impacto negativo sobre a autoimagem e sobre a vida do sujeito, interferindo nas suas relações, no seu comportamento social e afetivo. De acordo com o que afirma Becker (1999), “esta imagem corporal negativa pode determinar o aparecimento de baixa autoestima e depressão, ou seja, sofrimento”.

Em academias de ginástica e em muitas faculdades de Educação Física, historicamente sempre houve algum planejamento e/ou incentivo para a adoção de estratégias de homogeneização e controle do corpo, como por exemplo, exercícios de ginástica geral, a prática de esportes, com formações e movimentos executados sempre numa mesma direção, orientadas a partir de um modelo (corpo do professor) e grupo homogêneo de ações (corpo dos alunos). Em função dessa realidade, há que se reconhecer que praticantes e instrutores de musculação, lutadores e fisiculturistas, dentre outros, constituem grupos potencialmente susceptíveis à ocorrência de distúrbios de distorção de imagem corporal, como a vigorexia, por exemplo.

Nesse sentido, ainda que preliminar, este estudo remete-nos à investigação de questões de relevância na área do comportamento humano, a saber: se existem e quais são os níveis de satisfação com imagem corporal e níveis de preocupação com a forma física (silhueta) e com a aparência como potenciais sinalizadores de risco para transtornos dismórficos corporais.

Este artigo tem como objetivo analisar a concepção da imagem corporal entre praticantes e instrutores de musculação, lutadores e atletas-fisiculturistas nas academias de ginástica e estudantes de Educação Física da região metropolitana de Salvador-BA, identificando níveis de preocupação com a forma física (silhueta) e com a aparência, e avaliando a autopercepção da imagem corporal nos grupos pesquisados.

Material e métodos

Modelo de Estudo

Pesquisa de abordagem quali-quantitativa e natureza descritiva na qual técnicas de observação, registro, análise e correlação entre fatos ou fenômenos (variáveis) foram utilizadas para a coleta das informações e dados, investigando a frequência com que determinado fenômeno ocorreu, sem manipulação de variáveis. (MARTINS; SANTOS, 2003)

Amostra

A amostra envolveu 637 indivíduos adultos, do sexo masculino, fisicamente ativos, na faixa etária de 18 a 45 anos, residentes da Região Metropolitana de Salvador-BA, levando em consideração os seguintes critérios para a inclusão na pesquisa:

a. praticantes regulares de exercícios físicos, incluindo atividade de

musculação há, pelo menos, seis meses anteriores à pesquisa;

b. frequentadores habituais de academias de ginástica (pelo menos 3

vezes por semana);

c. com disponibilidade de tempo para responder aos questionários.

O estudo foi realizado em uma amostra probabilística e estratificada, levando-se em consideração o perfil atlético dos respondentes, incluindo: atletas de fisiculturismo, lutadores e/ou levantadores de peso que participem de competições regionais, nacionais ou internacionais, praticantes de musculação e instrutores de musculação. Considerando que a população-alvo do estudo apresenta características específicas e está sujeita aos critérios de inclusão anteriormente citados, existiram limitações importantes em relação à quantidade de indivíduos constituintes da amostra.

Instrumentos de Avaliação Foram utilizados dois instrumentos de avaliação, incluindo escalas e questionários autoaplicáveis validados na literatura científica, a saber:

1. BISQ-22 Body Image Satisfaction Questionnaire (LUTTER et al.,

1990): Este questionário apresenta 22 itens a serem avaliados, tais como partes do corpo e fatores de ordem física que podem ser classificados em cinco opções de resposta: 1- Não gosto nada e desejaria ser diferente; 2- Não gosto, mas tolero; 3- É indiferente, não me importo; 4- Estou satisfeito(a); 5- Considero-me favorecido(a). Foi utilizado para verificar o grau de satisfação dos pesquisados em relação a 22 parâmetros corporais.

2. Escala de Silhuetas (STUNKARD et al., 1983): Utilizada para a

verificação da imagem corporal atual e ideal através de um conjunto de 9 silhuetas variando entre a magreza e a obesidade. Para verificar o grau de satisfação ou insatisfação corporal foi avaliada a diferença entre a Percepção da Imagem Corporal Real (PICR), equivalente à silhueta atual, e a Percepção da Imagem Corporal Ideal (PICI), equivalente à silhueta desejada apontada pelo indivíduo.

CLASSIFICAÇÃO DA AUTOPERCEPÇÃO DA IMAGEM CORPORAL

(APIC)

 

Diferença (PICR – PICI) igual a zero = satisfeito Diferença (PICR – PICI) diferente de zero = insatisfeito

Silhueta 1 – Baixo peso (magro);

Silhuetas 2-5 – Peso normal (eutrofia);

Silhuetas 6-7 (sobrepeso);

Silhueta 8-9 (obesidade)

 

Procedimentos/Coleta de Dados

A partir de um estudo-piloto que envolveu a aplicação de 150 questionários autopreenchíveis em academias de ginástica, respondidos individualmente, os instrumentos foram submetidos a análise e discussão de uma comissão de profissionais mestres e doutores (psicólogo, estatístico, nutricionista e professor de Educação Física) após as quais foram remodelados e padronizados para a pesquisa.

Depois do estudo-piloto, seguido da análise e padronização dos questionários, a coleta de dados foi realizada em 08 faculdades de Educação Física (públicas e particulares) e 35 academias de ginástica localizadas na Região Metropolitana de Salvador-BA, incluindo a capital (Salvador) e os municípios de Lauro de Freitas, Camaçari e Dias D’ávila, no período de março de 2008 a janeiro de 2009. Essa coleta foi realizada a partir da autorização prévia dos coordenadores das academias de ginásticas e coordenadores dos cursos de Educação Física, e após consentimento dos participantes do estudo. Utilizou-se como critério para a escolha das academias: a localização em grandes bairros, o tamanho das academias – particularmente as de médio e grande porte – (mínimo de duzentos alunos), os horários de funcionamento em três turnos e a disponibilidade/oferta das modalidades de musculação e lutas ou artes marciais.

Análise Estatística

A avaliação estatística dos dados foi feita a partir da Análise descritiva e exploratória dos dados e foram realizadas no Laboratório de Estatística da Universidade Federal da Bahia-UFBA, a partir do software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) Release 11.0. Na análise descritiva conjunta entre duas ou três variáveis, foram calculadas as frequências absolutas e as percentagens. Em algumas tabelas com o cruzamento de duas variáveis foi avaliado o grau de associação entre elas através do Teste Qui-Quadrado de Associação.

Resultados e discussão

Após aplicação da metodologia estatística, foi feita a análise descritiva e exploratória dos dados, apresentada como um resumo das variáveis quantitativas que nos permitiram traçar um perfil geral da população pesquisada.

A Tabela 01 com as medidas-resumo da população estudada, mostra que o informante, em média, tinha 26,3 anos de idade, pesava 78,1 kg, com estatura de 177,2 cm e IMC de 24,8. Em relação à variabilidade, medida pelo coeficiente de variação de Pearson, a idade foi a variável que apresentou maior dispersão relativa, porém, com um valor que não pode ser considerado alto (24%). A distribuição das estaturas foi bastante próxima à forma simétrica (0,13), no entanto, o grau de achatamento foi de 0,78 menor do que a da distribuição Normal-Padrão, corroborando à informação de existência de pequena variabilidade nos dados. A variável que apresentou maior grau de assimetria (à direita) foi a idade, e a maioria dos informantes apresentou idade igual ou menor do que 29 anos. Com respeito ao Índice de Massa Corporal (IMC), os dados apresentaram pequena variabilidade, alguma assimetria à direita (coeficiente igual a 0,81) e foi o maior coeficiente de curtose registrado (2,81); verificou-se ainda que 50% dos informantes têm IMC igual ou menor do que 24,7. O valor mínimo para esta variável foi 16,7 e o máximo 42,5; evidenciou-se também que metade dos informantes tem o IMC entre 23,0 e 26,4.

TABELA 1. Medidas-resumo para as variáveis: Idade, Peso,

Estatura e IMC - Salvador-BA, 2009

Medidas-resumo Idade (em Peso Estatura IMC

anos (em (em cm) completos) kg)

No de Válidas 635 633 633 633

observações Não 2 4 4 4

válidas

Média aritmética 26,3 78,1 177,2 24,8

Mediana 25,0 77,0 177,0 24,7

Desvio padrão 6,25 10,97 6,95 2,88

Coef. variação de 0,24 0,14 0,04 0,12 Pearson

Assimetria 1,10 0,68 0,13 0,81

Curtose 0,77 1,69 0,78 2,81

Mínimo 17 50 152 16,7

Máximo 47 130 205 42,5

Percentil 25 22 71 173 23,0

75 29 85 182 26,4

Ao se analisar o nível de satisfação com a imagem corporal, observou-se que 47,4% dos entrevistados revelaram-se satisfeitos; do total de 52,6% dos insatisfeitos, 28,1% gostariam de ser mais fortes ou mais

gordos ao passo que 24,5% gostariam de ser mais magros (Tabela 02).

TABELA 2. Distribuição dos entrevistados segundo os níveis de

satisfação (autopercepção da imagem corporal) - Salvador-BA,

2009

Autopercepção da imagem corporal º N de % (níveis de satisfação) obs.

Satisfeito 302 47,4

Insatisfeito (gostariam de ser mais fortes 179 28,1 ou mais gordos)

Insatisfeito (gostariam de ser mais 156 24,5 magros)

TOTAL 637 100,0

Damasceno e colaboradores (2005), estudando o tipo físico ideal e o nível de insatisfação com a imagem corporal entre 186 praticantes de caminhada, sendo 87 mulheres e 98 homens, verificou-se que as mulheres tendem a escolher silhuetas menores que a atual; no caso dos homens, a tendência é desejar desenvolver um corpo com maior massa muscular e menor quantidade de gordura corporal, assim como relatado por Araújo e Araújo(2003), que demonstram diferentes expectativas em relação ao corpo entre os sexos.

Entretanto, segundo Graham e colaboradores (2000), a preocupação com a imagem corporal parece ser uma marca feminina, sobretudo na adolescência, quando o corpo estabelece seu formato. Os autores afirmam que os garotos adolescentes não sofrem tanta pressão social, tendendo a apresentar melhor aceitação da sua autoimagem. No entanto, contrariamente ao que afirmam os autores, os resultados deste estudo revelam um elevado índice de insatisfação dos entrevistados, todos do sexo masculino, com a sua imagem corporal, particularmente aqueles mais jovens. Esses achados são semelhantes aos de outros estudos relatados na literatura científica (DAMASCENO et al. 2005; VEGGI et al., 2004; IRIART et al., 2002; POPE et al., 2000) reafirmando que a pressão social, fatores ambientais, socioculturais, dentre outros já referidos anteriormente, afetam de modo significativo os indivíduos de ambos os sexos, embora este estudo não tenha envolvido indivíduos do sexo feminino.

A partir da análise das tabelas 03, 04 e 05, com respeito aos itens cabelo, dentes, olhos, orelhas, nariz, testa, pele, face, braços, peitoral, ombros, abdômen, porte físico e nível de energia, constantes no questionário BISQ, observou-se que, no mínimo, 70% dos entrevistados encontram-se nas categorias “satisfeito” ou “muito satisfeito” com essas partes do corpo. Quanto à opinião “não gosto nada e desejaria ser diferente”, os maiores percentuais encontram-se para os itens cabelo, dentes, nariz e nível de energia, que apresentaram, respectivamente, 3,6%, 3,3%, 3,3% e 3,6%.

TABELA 3. Distribuição dos níveis de satisfação (autopercepção

da imagem corporal) para os itens cabelo, dentes, olhos, orelhas e

nariz - Salvador-BA, 2009

Nível de Cabelo Dentes Olhos Orelhas Nariz

satisfação º º º º º N % N % N % N % N %

obs. obs. obs. obs. obs.

Não gosto 23 3,6 21 3,3 07 1,1 10 1,6 21 3,3 nada e

desejaria

ser

diferente

Não gosto, 66 10,4 59 9,3 16 2,5 20 3,1 66 10,4 mas tolero

É 87 13,7 71 11,2 51 8,0 87 13,7 104 16,3 indiferente,

não me

importo

Estou 310 48,7 321 50,5 291 45,8 319 50,1 281 44,1

satisfeito

Considero-151 23,7 164 25,8 271 42,6 201 31,6 165 25,9 me muito

satisfeito

TOTAL 637 100,0 636 100,0 636 100,0 637 100,0 637 100,0

TABELA 4. Distribuição dos níveis de satisfação (autopercepção

da imagem corporal) para os itens testa, pele, face, braços e

peitoral - Salvador-BA, 2009

Autopercepção Testa Pele Face Braços Peitoral da imagem

corporal N º º º º º % N % N % N % N % (níveis de obs. obs. obs. obs. obs. satisfação)

Não gosto nada 11 1,7 11 1,7 07 1,1 17 2,7 18 2,8 e desejaria ser

diferente

Não gosto, mas 28 4,4 29 4,6 16 2,5 49 7,7 48 7,5 tolero

É indiferente, 100 15,7 60 9,4 48 7,5 54 8,5 73 11,5 não me importo

Estou satisfeito 335 52,6 295 46,3 352 55,3 327 51,4 326 51,3

Considero-me 163 25,6 242 38,0 214 33,6 189 29,7 171 26,9

muito satisfeito

TOTAL 637 100,0 637 100,0 637 100,0 636 100,0 636 100,0

TABELA 5. Distribuição dos níveis de satisfação (autopercepção

da imagem corporal) para os itens ombros, porte físico e nível de

energia - Salvador-BA, 2009

Autopercepção Ombros Porte Nível de Abdômen da imagem físico energia

 

corporal º º º º N % N % N % N % (níveis de obs. obs. obs. obs. satisfação)

Não gosto nada 16 2,5 19 3,0 23 3,6 82 12,9 e desejaria ser

diferente

Não gosto, mas 45 7,1 51 8,0 44 6,9 128 20,1 tolero

É indiferente, 61 9,6 56 8,8 49 7,7 67 10,5 não me importo

Estou satisfeito 347 54,6 335 52,6 307 48,2 231 36,3

Considero-me 167 26,3 176 27,6 214 33,6 129 20,3 muito satisfeito

TOTAL 636 100,0 637 100,0 637 100,0 637 100,0

O item abdômen destacou-se dos demais por apresentar os maiores percentuais para as categorias "não gosto nada e desejaria ser diferente" e "não gosto, mas tolero". As respostas estão distribuídas da seguinte maneira: 12,9% não gostam nada e desejariam ser diferentes; 20,1% não gostam, mas toleram; 36,3% estão satisfeitos; e 20,3% estão muitos satisfeitos.

Os demais itens avaliados apresentaram percentuais acima de 60% com respeito às duas categorias que representam os maiores níveis de satisfação. Entretanto, em relação à categoria “não gosto nada e desejaria ser diferente”, as maiores percentagens ocorreram para os itens peso (7,7%), cintura (6.3%), coxas (6,1%), pernas (5,7%) e postura (5,5%). Para os outros itens (quadris, estatura e resistência física) a percentagem de informantes variou entre 4,1% e 4,4% nesta categoria. As proporções referentes à categoria “não gosto, mas tolero” variam entre 7,8% (quadris) e 16,5% (pernas), sendo a segunda maior

frequência para o item coxas (15,9%) (Tabelas 06 e 07).

TABELA 6. Distribuição da autopercepção da imagem corporal segundo os níveis de satisfação para os itens quadris, cintura,

coxa e pernas - Salvador-BA, 2009

Autopercepção Quadris Cintura Coxas Pernas da imagem

corporal º º º º N % N % N % N % (níveis de obs. obs. obs. obs. satisfação)

Não gosto nada 26 4,1 40 6,3 39 6,1 36 5,7 e desejaria ser

diferente

Não gosto, mas 50 7,8 68 10,7 101 15,9 105 16,5 tolero

É indiferente, 117 18,4 122 19,2 79 12,4 81 12,7 não me importo

Estou satisfeito 302 47,4 275 43,2 266 41,8 264 41,4

Considero-me 142 22,3 132 20,7 152 23,9 151 23,7 muito satisfeito

TOTAL 637 100,0 637 100,0 637 100,0 637 100,0

TABELA 7. Distribuição dos níveis de satisfação (autopercepção

da imagem corporal) para os itens postura, peso, estatura e

resistência física - Salvador-BA, 2009.

Autopercepção Postura Peso Estatura Resistência da imagem física

 

corporal º º º º N % N % N % N % (níveis de obs. obs. obs. obs. satisfação)

Não gosto nada 35 5,5 49 7,7 26 4,1 28 4,4 e desejaria ser

diferente

Não gosto, mas 59 9,3 83 13,0 83 13,0 76 11,9 tolero

É indiferente, 75 11,8 69 10,8 61 9,6 56 8,8 não me importo

Estou satisfeito 312 49,0 325 51,0 290 45,5 284 44,6

Considero-me 156 24,5 111 17,4 177 27,8 193 30,3 muito satisfeito

TOTAL 637 100,0 637 100,0 637 100,0 637 100,0

Alguns estudos demonstram que a supervalorização do corpo como expressão de um narcisismo exacerbado evidencia-se no discurso dos indivíduos pesquisados, no qual se dá ênfase ao prazer na contemplação do próprio corpo no espelho. (SAIKALI et al., 2004; ASSUNÇÃO, 2002). Esse fato expressa-se no próprio ato de exercitar-se, em que o praticante não se relaciona com o corpo como um todo, mas com partes do mesmo. São exercitados individualmente o peitoral, os braços, as pernas, as coxas, o abdômen, e às vezes apenas determinados grupos musculares; reforça-se a idéia do corpo dividido, e se estabelecem parâmetros para cada parte.

Na análise do perfil atlético dos entrevistados, segundo a

“autopercepção da imagem corporal” (Tabela 8), observa-se que para os fisiculturistas, instrutores de musculação e lutadores há uma percentagem maior de entrevistados satisfeitos com a imagem corporal. Os praticantes de musculação foram os que apresentaram as maiores proporções nas categorias “insatisfeito, gostaria de ser mais magro” (27,4%) e “insatisfeito, gostaria de ser mais forte ou mais gordo” (31,3%). Os praticantes de fisiculturismo foram os que apresentaram as menores proporções de insatisfação (12,5% e 20,0%, respectivamente). Avaliando a existência de associação entre estas variáveis, o teste x2 indicou associação entre o perfil atlético e a autopercepção da imagem corporal, uma vez que existem evidências nos dados para rejeitar a hipótese de independência formulada no referido teste (p-valor = 0,015 < 5%).

TABELA 8. Distribuição do perfil atlético segundo níveis de

satisfação (autopercepção da imagem corporal) - Salvador-BA,

2009

Perfil Frequência Níveis de satisfação (Autopercepção

atlético da imagem corporal)

Satisfeito Insatisfeito, Insatisfeito, Total

gostaria de gostaria de ser mais ser mais forte ou magro mais gordo

Fisiculturista Abs. 27 08 05 40

% 67,5 20,0 12,5 100,0

Praticante Abs. 166 126 110 402 de

musculação

% 41,3 31,3 27,4 100,0

Instrutor de Abs. 31 13 11 55 musculação

% 56,4 23,6 20,0 100,0

Lutador Abs. 62 23 24 109

% 56,9 21,1 22,0 100,0

Outros Abs. 15 09 06 30

% 50,0 30,0 20,0 100,0

TOTAL Abs. 301 179 156 636

% 47,3 28,1 24,5 100,0

Dentre os entrevistados fisiculturistas, destacam-se as seguintes observações: 100% dos entrevistados com idade entre 41 e 45 anos estão satisfeitos com a imagem corporal (autopercepção positiva), porém, o número de informante é muito pequeno; cerca de 60% das observações que se encontram na faixa de idade entre 18 e 24 anos estão insatisfeitos, mas que gostariam de ser mais fortes ou mais gordos; aqueles com mais de 30 anos na grande maioria está satisfeita com sua imagem (a menor percentagem observada foi 75%). Entretanto, para os fisiculturistas com idade entre 30 e 35 anos, 18,8% estão insatisfeitos e gostariam de ser mais magros. Daqueles que se encontram na faixa de idade entre 25-29 anos, 37,5% gostariam de ser

mais fortes e 25,0% mais magros12 (Tabela 9).

TABELA 9. Distribuição da idade segundo níveis de satisfação

(autopercepção da imagem corporal) - Salvador-BA, 2009

PERFIL ATLÉTICO: FISICULTURISTA

Idade Freqüência Níveis de satisfação Total (em (Autopercepção da imagem anos) corporal)

Satisfeito Insatisfeito, Insatisfeito,

mas mas gostaria de gostaria de ser mais ser mais forte ou magro mais gordo

18-24 Abs. 02 03 – 05

% 40,0 60,0 – 100,0

25-29 Abs. 03 03 02 08

% 37,5 37,5 25,0 100,0

30-35 Abs. 12 01 03 16

% 75,0 6,3 18,8 100,0

36-40 Abs. 06 01 – 07

% 85,7 14,3 – 100,0

41-45 Abs. 04 – – 04

% 100,0 – v 100,0

TOTAL Abs. 27 08 05 40

% 67,5 20,0 12,5 100,0

Pope Jr. e Katz (1994), analisando uma amostra de cento e oito fisiculturistas, identificou nove indivíduos (8,3%) que se descreviam como muito fracos e pequenos, quando na verdade eram extremamente fortes e musculosos, revelando sinais de distorção da imagem corporal e altos níveis de insatisfação com a aparência. Além disso, o estudo refere que todos relatavam uso de esteróides anabolizantes e dois tinham histórico anterior de anorexia nervosa.

Entre os praticantes de musculação foi possível verificar elevado grau de insatisfação com respeito à imagem corporal nas diversas faixas etárias. Entre os mais jovens (de 18 a 24 anos), aproximadamente 60% estão insatisfeitos (40,6% gostariam de ser mais fortes ou mais gordos e 19,8% mais magros); entre 25 e 29 anos, cerca de 50% estão insatisfeitos, com percentuais similares entre as duas categorias. Os praticantes de musculação com idade entre 30 e 35 anos e os mais velhos (41-45 anos) foram os que apresentaram os maiores percentuais de insatisfação quanto ao fato de serem mais magros (50% e 46,7%, respectivamente). O teste 2 x para independência, em três categorias da variável “idade” (de 18 a 24 anos; de 25 a 29 anos; e 30 ou mais) e nível de significância de 5%, indicou que existe associação entre as variáveis “idade” e “autopercepção da imagem corporal” (p-

valor = 0,000) dentre os praticantes de musculação (Tabela 10).

TABELA 10. Distribuição da idade segundo níveis de satisfação

(autopercepção da imagem corporal) - Salvador-BA, 2009

PERFIL ATLÉTICO: PRATICANTE DE MUSCULAÇÃO

Idade Frequência Níveis de satisfação Total (em (Autopercepção da imagem anos) corporal)

Satisfeito Insatisfeito, Insatisfeito,

mas mas gostaria de gostaria de ser mais ser mais forte ou magro mais gordo

18-24 Abs. 82 84 41 207

% 39,6 40,6 19,8 100,0

25-29 Abs. 54 23 29 106

% 50,9 21,7 27,4 100,0

30-35 Abs. 14 10 24 48

% 29,2 20,8 50,0 100,0

36-40 Abs. 13 01 08 22

% 59,1 4,5 36,4 100,0

41-45 Abs. 03 05 07 15

% 20,0 33,3 46,7 100,0

TOTAL Abs. 166 123 109 398

% 41,7 30,9 27,4 100,0

Achados similares ao nosso estudo foram relatados por McCreary e Sasse (2000), em estudo citado por Cohane e Pope Jr. (2001) realizado com noventa e seis jovens, com média de idade de 18 anos, onde a maioria deles referia o desejo de serem mais pesados e musculosos em relação ao seu corpo atual.

Entre os instrutores de musculação foi possível verificar que existe uma maior proporção de satisfeitos do que insatisfeitos em todas as classes de idade. 100% dos entrevistados que se encontram na faixa de idade entre 36 a 45 anos estão satisfeitos com a imagem corporal. Aqueles com idade entre 18 e 29 anos apresentaram percentuais elevados com respeito a cada categoria de insatisfação, com percentuais variando entre 20,8% e 25%. Dentre aqueles com idade de 30 a 35 anos, um terço dos informantes estão insatisfeitos, mas gostariam de ser mais fortes ou mais gordos, não havendo informantes na outra categoria de

insatisfação (Tabela 11).

TABELA 11. Distribuição da idade segundo níveis de satisfação

(autopercepção da imagem corporal) - Salvador-BA, 2009

PERFIL ATLÉTICO: INSTRUTOR DE MUSCULAÇÃO

Idade Frequência Níveis de satisfação Total (em (Autopercepção da imagem anos) corporal)

Satisfeito Insatisfeito, Insatisfeito,

mas mas gostaria de gostaria de ser mais ser mais forte ou magro mais gordo

18-24 Abs. 13 06 05 24

% 54,2 25,0 20,8 100,0

25-29 Abs. 13 06 06 25

% 52,0 24,0 24,0 100,0

30-35 Abs. 02 01 – 03

% 66,7 33,3 – 100,0

36-40 Abs. 01 – – 01

% 100,0 – – 100,0

41-45 Abs. 02 – – 02

% 100,0 – – 100,0

TOTAL Abs. 31 13 11 55

% 56,4 23,6 20,0 100,0 Estudo realizado por Antunes (2000) revelou que o número de instrutores de musculação é crescente até 30 anos, e de 30 a 35 anos ocorre frequentemente uma diminuição na quantidade de instrutores em atividade. Esses dados apontam para uma valorização da condição física e aspecto jovial para esse mercado de trabalho, o que reforça as evidências de que existe ênfase exagerada na aparência física, principalmente no ambiente das academias, que é muito influenciado pela mídia e pelo culto ao corpo em nossa sociedade.

No perfil lutadores, pode-se observar que aqueles com idade entre 30 e 35 anos foram os que apresentaram maior nível de satisfação com a imagem corporal. Os lutadores com idade entre 18 e 24 anos e 25 e 29 anos apresentam uma proporção de insatisfação acima de 40%. Para verificar o grau de associação para as variáveis “idade” e “autopercepção da imagem corporal” entre os lutadores, o teste 2 x para independência apresentou o p-valor igual a 0,499 (α = 5%), indicando que existe independência entre estas variáveis, ao restringir para três

categorias da variável “idade” (18-24; 25-29; 30 ou mais) (Tabela 12).

TABELA 12. Distribuição da idade segundo níveis de satisfação

(autopercepção da imagem corporal) - Salvador-BA, 2009

PERFIL ATLÉTICO: LUTADOR

Idade Frequência Níveis de satisfação Total (em (Autopercepção da imagem anos) corporal)

Satisfeito Insatisfeito, Insatisfeito,

mas mas gostaria de gostaria de ser mais ser mais forte ou magro mais gordo

18-24 Abs. 26 14 09 49

% 53,1 28,6 18,4 100,0

25-29 Abs. 20 06 08 34

% 58,8 17,6 23,5 100,0

30-35 Abs. 14 02 04 20

% 70,0 10,0 20,0 100,0

36-40 Abs. – 01 01 02

% – 50,0 50,0 100,0

41-45 Abs. 01 – 02 03

% 33,3 – 66,7 100,0

TOTAL Abs. 61 23 24 108

% 56,5 21,3 22,2 100,0

A interpretação desses dados podem ser respaldadas por um estudo de Beiras e colaboradores (2007) no qual os autores discutiram as formas de representação do corpo masculino analisando personagens das histórias em quadrinhos de super-heróis (lutadores) que ganham vida na imaginação dos leitores, estabelecendo fortes ligações com seu cotidiano. Um corpo musculoso e viril vem historicamente se tornando o referencial de corporeidade masculina, enquanto corpos que desviam desse modelo são comumente satirizados ou excluídos da mídia.

TABELA 13. Distribuição da classificação da silhueta atual

segundo níveis de satisfação (autopercepção da imagem corporal)

- Salvador-BA, 2009

PERFIL ATLÉTICO: FISICULTURISTA

Silhueta Frequência Níveis de satisfação Total atual (Autopercepção da imagem

corporal)

Satisfeito Insatisfeito, Insatisfeito,

mas mas gostaria de gostaria de ser mais ser mais forte ou magro mais gordo

Peso Abs. 26 08 04 38 normal

(eutrofia) % 68,4 21,1 10,5 100,0

Sobrepeso Abs. 01 – 01 02

% 50,0 – 50,0 100,0

TOTAL Abs. 27 08 05 40

% 67,5 20,0 12,5 100,0

Entre os praticantes de musculação classificados como eutróficos, dentre os insatisfeitos com a imagem corporal, 34,7% gostariam de ser mais fortes ou gordos e 19,2% mais magros. Para os praticantes com sobrepeso, 95,5% gostariam de ser mais magros e somente 4,5% estão satisfeitos com a imagem corporal. Ao reduzir as categorias de ambas variáveis para duas (variável silhueta atual em baixo peso/normal (eutrófico) e sobrepeso/obesidade e a variável “autopercepção da imagem corporal (em satisfeito e insatisfeito), o teste 2 x para independência indica que existe alguma associação entre a silhueta atual e a autopercepção da imagem corporal entre aqueles

que praticam musculação (p-valor = 0,000; α = 5%) (Tabela 14).

TABELA 14. Distribuição da classificação da silhueta atual

segundo níveis de satisfação (autopercepção da imagem corporal)

- Salvador-BA. 2009

PERFIL ATLÉTICO: PRATICANTE DE MUSCULAÇÃO

Silhueta Frequência Níveis de satisfação Total atual (Autopercepção da imagem

corporal)

Satisfeito Insatisfeito, Insatisfeito,

mas mas gostaria de gostaria de ser mais ser mais forte ou magro mais gordo

Baixo Abs. 01 03 – 04 peso

(magro) % 25,0 75,0 – 100,0

Peso Abs. 163 123 68 354 normal

(eutrofia) % 46,0 34,7 19,2 100,0

Sobrepeso Abs. 02 – 42 44

% 4,5 – 95,5 100,0

TOTAL Abs. 166 126 110 402

% 41,3 31,3 27,4 100,0

A maioria dos instrutores de musculação entrevistados (90,5%) são eutróficos, porém, 38,0% revelaram estar insatisfeitos com a imagem corporal: 26,0% gostariam de ser mais gordos ou mais magros; e 12,0% gostariam de ser mais magros. Para outros cinco informantes, a silhueta atual foi classificada como sobrepeso e 100,0% estão

insatisfeitos e gostariam de ser mais magros2 (Tabela 15).

TABELA 15. Distribuição da classificação da silhueta atual

segundo níveis de satisfação (autopercepção da imagem corporal)

- Salvador-BA, 2009

PERFIL ATLÉTICO: INSTRUTOR DE MUSCULAÇÃO

Silhueta Frequência Níveis de satisfação Total atual (Autopercepção da imagem

corporal)

Satisfeito Insatisfeito, Insatisfeito,

mas mas gostaria de gostaria de ser mais ser mais forte ou magro mais gordo

Peso Abs. 31 13 06 50 normal

(eutrofia) % 62,0 26,0 12,0 100,0

Sobrepeso Abs. – – 05 05

% – – 100,0 100,0

TOTAL Abs. 31 13 11 55

% 56,4 23,6 20,0 100,0

Estudo de Russo (2005) analisou a percepção corporal de 102 estudantes de Educação Física de uma cidade do interior de São Paulo, sendo 47 do sexo feminino e 55 do sexo masculino, a fim de identificar distorções da imagem corporal. Os resultados revelaram que um grande percentual dos respondentes do sexo masculino traz relatos significativos no que diz respeito ao tédio, medo de ficar gordo ou mais gordo, preocupação com o corpo não ser “firme” e uma excessiva preocupação com a gordura corporal.

Os lutadores com peso normal, 37,3%, encontram-se insatisfeitos (23,2% gostariam de ser mais fortes ou mais magros e 14,1% mais magros). Entre aqueles com sobrepeso, 100,0% estão insatisfeitos e

gostariam de ser mais magros2 (Tabela 16).

TABELA 16. Distribuição da classificação da silhueta atual

segundo níveis de satisfação (autopercepção da imagem corporal)

- Salvador-BA, 2009

PERFIL ATLÉTICO: LUTADOR

Silhueta Frequência Níveis de satisfação Total atual (Autopercepção da imagem

corporal)

Satisfeito Insatisfeito, Insatisfeito,

mas mas gostaria de gostaria de ser mais ser mais forte ou magro mais gordo

Peso Abs. 62 23 14 99 normal

(eutrofia) % 62,6 23,2 14,1 100,0

Sobrepeso Abs. – – 09 09

% – – 100,0 100,0

Obesidade Abs. – – 01 01

% – – 100,0 100,0

TOTAL Abs. 62 23 24 109

% 56,9 21,1 22,0 100,0

Segundo Veggi e colaboradores (2004), citando Blowers e colaboradores (2003), as discrepâncias entre o índice de massa corporal e o peso corporal "ideal" podem levar a estados emocionais negativos, tais como desapontamento e insatisfação, colocando os indivíduos em risco de terem transtornos psiquiátricos. Os indivíduos que tiveram a percepção de estarem com sobrepeso ou peso abaixo do normal podem, muitas vezes, sentir-se isolados ou discriminados por seus colegas, potencializando o sentimento de inadequação e de baixa autoestima.

Estudo realizado por Branco e colaboradores (2006) demonstrou que a insatisfação com a imagem corporal foi mais prevalente entre os adolescentes com sobrepeso e obesidade, com destaque para o sexo feminino. Entre os adolescentes do sexo masculino, verificou-se que, dos 443 eutróficos, 85 (19,2%) acharam-se em sobrepeso; dos 95 em sobrepeso, 25 (26,3%) consideraram-se eutróficos; dos 35 em obesidade, 15 (42,8%) identificaram-se com as figuras (silhuetas) de sobrepeso e 1 (2,8%) em eutrofia.

Conclusão

Com base na análise descritiva e exploratória dos dados e discussão dos resultados da pesquisa, pode-se afirmar ainda que:

I. Mais da metade dos indivíduos pesquisados revelam estar

insatisfeitos com a sua imagem corporal;

II. ao se analisar o nível de satisfação com partes específicas do

corpo, cerca de 1/3 dos respondentes consideram-se satisfeitos em relação aos itens pesquisados;

III. os maiores níveis de insatisfação associada a partes específicas

do corpo relacionam-se ao abdômen que representa o item referido por 1/3 dos entrevistados;

IV. entre aqueles que afirmam não gostar de alguma parte do corpo

ou medida corporal, ou aqueles que desejariam ser diferentes, os maiores percentuais referem-se ao peso, à postura e a partes específicas do corpo, como: cintura, coxas e pernas;

V. os fisiculturistas que apresentaram os menores percentuais de

insatisfação com relação à percepção da imagem corporal encontravam-se na faixa entre 41 a 45 anos, revelando 100% de satisfação ao passo que 60% daqueles com idade entre18 a 24 anos gostariam de ser mais fortes;

VI. entre os praticantes de musculação, verificou-se um elevado grau

de insatisfação com relação à imagem corporal, ressaltando-se que, dentre os mais jovens (entre 18 e 24 anos), mais de 40% gostariam de ser mais fortes ou mais gordos, e cerca de 20% gostariam de ser mais magros; aproximadamente metade dos indivíduos entre 30 e 35 anos demonstraram estar insatisfeitos em

relação à autopercepção da imagem corporal, pois gostariam de ser mais magros;

VII. a maior parte dos instrutores de musculação parecem estar

satisfeitos com a imagem corporal, ressaltando-se que, entre os mais jovens, houve um maior percentual de insatisfação revelando o desejo de serem mais fortes ou mais gordos;

VIII. os fatores como faixa etária e medidas corporais influenciam a

percepção da imagem corporal e os níveis de satisfação com a aparência, forma física e autoimagem.

Cabe destacar que vários aspectos relacionados à identidade, gênero, relações de poder e autoafirmação do sujeito em relação à sua imagem corporal que não foram alvo de investigação deste estudo devem ser considerados na análise do perfil dos grupos de risco para o desenvolvimento de transtornos de autoimagem em estudos posteriores.

Vale ressaltar ainda a necessidade de pesquisas direcionadas ao estudo da imagem corporal e suas distorções. Isto se realizaria no sentido de propor ações educativas e preventivas aos transtornos corporais e intervenções de caráter multiprofissional que possam contribuir para o controle e diminuição nas estatísticas ligadas a estes distúrbios psíquicos e emocionais. Estes que, por sua vez, estão intimamente associados a um estilo de vida pautado na cultura do exagero e do imediatismo que vigora na sociedade atual, e particularmente associados a uma busca desenfreada e ilimitada de um padrão ou um ideal de perfeição inalcançável.

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12 Não foi possível verificar a existência de associação entre a idade e a autopercepção da imagem devido ao pequeno número de informantes.