Versos em honra do grande poeta Manoel Maria Barbosa du Bocage

Capítulo II

 

Pobre Zé Agostinho! Infeliz sorte

A que Deus dá sempre aos que são maiores!

Olha para Bocage e outros cantôres…

Ao menos que esta ideia te conforte!

 

Ha destinos mais brutos que Mavorte,

Que o Deus Mavorte de crueis furores;

Nos calculos mais certos, sem favores,

O Fado surge e arruma cerce córte.

 

O Augusto reclamou-o o Tiro-Tauro, E com razão, porque o feroz centauro…

De paparoca, á festa tambem vem.

 

Tens outro, á certa, e bom, (já é quisilia!…) Tens o Bocage Lima: é da familia,

E, embora gago, representa bem.

 

+Projecto d'um carro monumental+

 

Na azafama de carros allegoricos

É natural que falhe a fantazia,

Por isso eu vou dizer o que faria,

E vejo em meus ideaes fantasmagoricos.

 

Da commissão o carro comporia

Com elementos proprios, e rhetoricos, De effeitos mais que certos e fosforicos!

Que o gosto mais audaz desbancaria.

 

N'uma galera, entre «ondas salitrosas» Os secretarios, toda a Commissão,

Feitos Nereydas, Tágides dengosas…

 

Tridente em riste na escamosa mão,

Barbudo e em pelo, olhando as salerosas,

O Fragoso faria de Tritão.

 

+A festeiros diversos+

 

Festejam-no vossês porque está morto… Fosse Elle vivo, quanto o morderiam!

Frades e hypocritas o que fariam Ao seu magro canelo rijo e torto!

 

Gabam-lhe o nome com um ar absorto,

Mas quanto a lê-lo, adeus!… Olhem que o liam Os ferozes maniques que o prendiam

Como suspeito e perigoso aborto.

 

Festejam-no vossês que nunca o lêram

(E se o lêram alfim não o entenderam!)

Festejam-no por bródio e funcçanatas…

 

Gastem dinheiro seu: comprem-lhe a obra, Que tão rica e tão vária se desdobra…

Não vale só frigir, oh pataratas!

+Consolação final+

 

Não choreis, terra minha, a desventura

Da perda do Bocage genial,

Já sem ossos, sem cinza, e sepultura,

Mais do que o vivos vive, é immortal!

 

Rir não deveis tambem pela ventura

De seres o seu berço casual;

Rires demais tambem será loucura.

Moderai-vos na furia festival.

 

Temos por cá ainda muito vate,

E o genio authentico do Calafate,

Que reclamem festejos e alegria…

 

Temos genios em barda, e (sem biscate) Temos tambem, para maior remate,

Temos cá outro Manuel Maria.

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Elisino Sadão

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