A indexação de livros: a percepção de catalogadores e usuários de bibliotecas universitárias
6 A linguagem documentária vista pelo conteúdo, forma e uso na perspectiva de catalogadores e usuários
6 A linguagem documentária vista
pelo conteúdo, forma e uso na
perspectiva de catalogadores e
usuários 1
Vera Regina Casari Boccato
Introdução
As linguagens documentárias são linguagens estruturadas e controladas, construídas a partir de princípios e de significados
advindos de termos constituintes da linguagem de especialidade 2 e da linguagem natural (linguagem do discurso comum), com a proposta de representar para recuperar a informação documentária.
Os princípios de garantia literária, garantia de uso e garantia cultural norteiam esse processo na construção de uma linguagem documentária consistente que contemple termos correspondentes ao repertório científico do usuário e do contexto sociocultural em que está inserida. Os estudos de Lancaster (1987) sobre a garantia literária e a garantia de uso e a pesquisa de Beghtol (2002) sobre a garantia cultural subsidiam a nossa afirmação.
As fundamentações teóricas de Zeng (2008) são importantes e, também, esclarecedoras sobre a concepção de sistemas de organização do conhecimento expondo que eles devem ser estruturados em um plano multidimensional, transpondo fronteiras culturais e geográficas de acesso e representação, sem desconsiderar suas funções principais, que incluem a eliminação da ambiguidade, o controle de sinônimos e o estabelecimento de relacionamentos semânticos. Eles são representados por esquemas de classificação, listas de cabeçalhos de assunto, taxonomias, tesauros, ontologias, entre outros.
As linguagens documentárias, caracterizadas como sistemas de organização do conhecimento e correspondentes às listas de cabeçalhos de assunto e aos tesauros, têm como primeira função representar o conteúdo dos documentos contidos em um sistema de recuperação da informação – função pelo conteúdo –, e, como segunda função, mediar a recuperação da informação por meio da representação das perguntas formuladas pelos usuários – função pelo uso (Boccato, 2008).
Podemos afirmar que elas possuem um papel fundamental nos processos de indexação e recuperação da informação, possibilitando a representação dos conteúdos documentários e facilitando a busca por assunto por usuários que necessitam realizar pesquisas com rapidez e precisão informacional.
As considerações de Zeng (2008) e de Boccato (2008) nos fazem refletir sobre a necessidade de atualização constante das linguagens documentárias adotadas por catálogos on-line de bibliotecas universitárias, em razão da característica natural de evolução científica e do dinamismo e vanguardismo na geração de conhecimentos na universidade.
Nessa perspectiva, os catálogos coletivos de bibliotecas universitárias, inseridos em um contexto de áreas científicas especializadas, necessitam de instrumentos de organização e recuperação da informação compatíveis com suas características e da sua comunidade usuária.
Para tanto, neste capítulo apresentamos os resultados obtidos de um estudo de avaliação do uso de linguagens documentárias de catálogos coletivos de bibliotecas universitárias no contexto sociocognitivo dos bibliotecários indexadores e dos usuários com o objetivo de contribuir para o uso adequado de linguagens documentárias alfabéticas em áreas científicas especializadas nos processos de indexação e recuperação da informação em catálogos coletivos on-line de bibliotecas universitárias, visando colaborar com o processo de mudanças contínuas nos fazeres bibliotecários e, consequentemente, nos de sua comunidade usuária.
A linguagem documentária no contexto da
indexação e da recuperação da informação
As linguagens documentárias visam à organização e à disseminação de conteúdos informacionais de sistemas de informação, tais como as bibliotecas universitárias, que exigem melhor controle da terminologia para um desempenho adequado da recuperação e filtragem de informações.
Segundo a norma técnica Ansi/Niso Z39.19-2005 (2005), o controle do vocabulário é usado para otimizar o armazenamento de informação e dos sistemas de recuperação, de navegação eletrônica e/ou em outros ambientes aos que procuram identificar e encontrar o assunto desejado por meio da descrição de assunto usando uma determinada língua. A finalidade preliminar do controle do vocabulário é conseguir a consistência na representação da informação e facilitar a sua recuperação.
A representação da informação – "tradução" – vista como uma das etapas da indexação
é a substituição de uma entidade linguística longa e complexa –
o texto do documento – por sua descrição abreviada. [...] Ela
funciona então como um artifício para enfatizar o que é
essencial no documento considerando sua recuperação, sendo
a solução ideal para organização e uso da informação
(Novellino, 1996, p.38).
O processo de representação é dependente da etapa de análise de assunto por meio da identificação e seleção de conceitos, com vistas à "tradução" desses conceitos identificados e selecionados por meio de termos constituintes de uma linguagem documentária. O processo de representação mediante linguagem documentária conduzirá o bibliotecário indexador à escolha dos termos correspondentes à especificidade e exaustividade que a linguagem possui e, consequentemente, à especificidade e exaustividade do sistema.
Observamos, portanto, que o processo de indexação durante a catalogação é de responsabilidade de cada bibliotecário indexador, voltado para a realização de uma representação temática condizente com os conteúdos dos documentos (expressão do autor) e das necessidades informacionais de sua demanda, isto é, do usuário do seu sistema de recuperação da informação, exemplificado pelos catálogos coletivos on-line.
No âmbito da recuperação da informação, nossa atenção se volta para a construção de uma estratégia de busca e, consequentemente, da relação entre o usuário e o bibliotecário, ressaltando para a questão da avaliação do usuário sobre o resultado obtido ante a busca realizada, que, por sua vez, está estreitamente relacionado com a questão da relevância e, especialmente, com o uso da linguagem documentária utilizada no momento da "tradução" das palavras significantes correspondentes ao assunto do tema a ser pesquisado.
Sobre isso, Moura et al. (2002, p.4) apresentam, detalhadamente, as funções das linguagens documentárias com destaque para: "1) recuperar documentos com conteúdo semelhante; 2) recuperar documentos relevantes sobre um assunto específico; 3) recuperar documentos por grandes áreas de assunto; [...] e 4) auxiliar na escolha do termo adequado para a estratégia de busca...".
O julgamento realizado pelo usuário sobre a relevância ou não do documento recuperado está intimamente relacionado ao desempenho da linguagem documentária utilizada pelo sistema de recuperação da informação.
A linguagem de busca do usuário deve ser compatível com a linguagem documentária do sistema, e esta deve representar as necessidades de informação do usuário, construídas por seus modelos mentais influenciados por seu meio. Sob essa perspectiva, vemos a linguagem documentária como um canal de comunicação social, imbuída de valores, em que os conceitos representados por termos devem refletir a cultura do indivíduo e do ambiente em que ele está inserido e da área de conhecimento a que ela corresponde.
Além disso, quando a linguagem documentária não oferece compatibilidade com a linguagem de busca do usuário e, consequentemente, não representa a sua área científica, compromete a qualidade da pesquisa realizada e a credibilidade do catálogo quanto ao seu desempenho na recuperação da informação documentária e satisfação do usuário.
A realização de avaliação do uso da linguagem documentária é norteadora da necessidade (ou não) e do processo de compatibilidade, fornecendo subsídios para a construção ou o aprimoramento de um sistema de organização do conhecimento que possibilite ao usuário obter resultados úteis e pertinentes à sua atividade investigativa para assisti-lo nas tomadas de decisões, nas resoluções de problemas e na geração de novos conhecimentos.
A linguagem documentária vista pelo conteúdo,
forma e uso na perspectiva de catalogadores e
usuários: desenvolvimento metodológico e
resultados
A avaliação é considerada uma etapa importante no processo de planejamento dos serviços oferecidos por uma unidade de informação. A avaliação permite a verificação do desenvolvimento e dos resultados de atividades e instrumentos para aprimoramentos e, muitas vezes, reestruturações parciais ou totais.
Segundo Peis Redondo & Fernandéz Molina (1994), a avaliação consiste em determinar, concretamente, a funcionalidade de um sistema de recuperação da informação por meio de um método mais adequado que possibilite a melhoria do rendimento daquele.
As linguagens documentárias são instrumentos de apoio para a indexação e busca por assunto, tornando-se um componente fundamental dos sistemas de informação automatizados para a indexação a recuperação da informação de áreas científicas de alto nível de especialização de assuntos.
As avaliações de uso de linguagens documentárias possibilitam a (re)adequação desses sistemas de organização do conhecimento para a representação e a recuperação da informação a partir de suas configurações externas – estrutura e forma e internas –, relacionamentos entre os conceitos, da política de indexação do sistema e do reflexo dos contextos sociocognitivos do bibliotecário indexador e do usuário que esse processo deve possuir.
A "abordagem sociocognitiva [...] tem como foco o sujeito que realiza uma determinada atividade e sua cognição em relação ao seu contexto de produção", e, dessa maneira, o contexto sociocognitivo torna-se de fundamental importância na indexação, visto que esta condiciona os resultados de uma estratégia de busca e, consequentemente, da recuperação da informação (Fujita et al., 2009).
A nossa pesquisa, realizada em nível de doutorado, (Boccato, 2009) ratifica o relato antes apresentado por Fujita et al. (2009), demonstrando a viabilidade de estudo do uso de linguagem documentária de catálogos coletivos de áreas científicas especializadas nas perspectivas de bibliotecas universitárias e no contexto sociocognitivo dos bibliotecários indexadores e usuários, permitindo-nos verificar "se ocorre o uso" e "como ocorre o uso" da Lista de Cabeçalhos de Assunto da Rede Bibliotada (LCARB) nos processos de indexação e recuperação da informação do catálogo coletivo on-line Athena da Unesp.
A análise dos resultados obtidos por meio do emprego da metodologia qualitativa com abordagem sociocognitiva com a aplicação dos protocolos verbais em grupo e individuais foi realizada a partir da elaboração das doze categorias apresentadas anteriormente no Capítulo 3, pela perspectiva de três eixos temáticos – linguagem vista pelo conteúdo, linguagem vista pela forma e linguagem vista pelo uso – , que, caracterizados, apresentaram os seguintes resultados:
Linguagem documentária vista pelo conteúdo
Refere-se à função que a linguagem possui no contexto da indexação – entrada de dados no sistema.
O uso da LCARB mostrou-se um instrumento "obrigatório" da Rede Unesp, sendo empregada para a confirmação e validação dos
cabeçalhos de assunto a serem descritos no campo 650. 3 Essa constatação de fundamental importância está associada, especialmente, a dois fatores, também explícitos pelos resultados obtidos.
O primeiro fator corresponde ao fato de a LCARB não possuir vocabulário especializado e atualizado, e por não oferecer uma estrutura sintático-semântica consistente, a utilização de sistemas de organização do conhecimento paralelos tornou-se uma prática frequente na busca pela especificidade que o tratamento temático da informação de áreas científicas especializadas exige, por meio
da descrição de assuntos no campo 690, 4 refletindo o universo de conhecimentos em que a biblioteca universitária está inserida.
A padronização desses assuntos foi uma preocupação manifestada pelos bibliotecários das três áreas do conhecimento, demonstrando a necessidade de adoção de um único instrumento de controle terminológico para a Rede de Bibliotecas para a descrição de assuntos locais, visando à uniformização dos pontos de acesso de assunto no catálogo coletivo on-line Athena. Sobre isso, a área de Odontologia apresentou-se também favorável a essa medida, mesmo possuindo e utilizando um vocabulário controlado especializado na descrição dos conteúdos documentários para a indexação, no momento em que a LCARB não cumpre tal função.
O segundo fator refere-se ao "fazer" bibliotecário no contexto da indexação. Refere-se à realização inadequada da indexação durante a catalogação como atividade que contempla as etapas de identificação e seleção de conceitos com vistas à representação por meio de uma linguagem documentária.
Observamos a falta de sistematização na realização da leitura documentária e a existência da prática de levantamento de assuntos, principalmente retirados de fichas catalográficas resultantes da catalogação na publicação, em detrimento da elaboração de uma análise de assunto focada efetivamente no conteúdo do documento. Esse cenário, por sua vez, conduz a uma representação de assuntos não correspondentes ao nível de abordagem em que são tratados pelos autores, havendo uma tendência pela opção do cabeçalho genérico para a representação do conteúdo documentário.
Linguagem documentária vista pela forma
Trata da configuração externa quanto à estrutura e forma referentes aos procedimentos de construção, atualização e gestão da linguagem.
Esse eixo temático resultou nas constatações dos bibliotecários sobre a necessidade do aprimoramento da LCARB e da construção de um vocabulário controlado específico da Rede Unesp e a importância da participação do usuário nesse processo. Essas sugestões justificam-se pelo desempenho insatisfatório que a referida linguagem obteve nos processos de indexação e recuperação da informação, ocasionado pela presença de termos ambíguos, falta de remissivas, de vocabulário especializado, atualizado, de especificidade e de normalização dos cabeçalhos, problemas entre cabeçalhos quanto ao uso de singular e plural, entre outros.
Linguagem documentária vista pelo uso Eixo temático correspondente ao uso da linguagem para fins de recuperação dos assuntos de interesse do usuário.
A LCARB, vista como instrumento mediador entre o usuário e o sistema, obteve um desempenho insatisfatório, demonstrando a incompatibilidade entre a linguagem documentária adotada pelo sistema e a de busca do usuário.
Os resultados muito abrangentes apresentados pelo sistema foram um dos aspectos mais importantes apontados pelos usuários como fator da realização de buscas por assuntos não condizentes com suas necessidades investigativas, ocasionando uma alta revocação na recuperação da informação. O desconhecimento sobre a linguagem disponibilizada pelo sistema e sobre o seu emprego para a elaboração de estratégias de buscas também colaborou para a formação do elenco de elementos contribuintes para a atuação inadequada da linguagem no processo de recuperação. Como solução para esses problemas, os usuários abordam sobre a necessidade da especificidade do sistema e da linguagem documentária condicionadas à recuperação precisa da informação. Também sugerem a utilização de cabeçalhos mais específicos para a representação dos conteúdos documentários e a construção de um vocabulário controlado a partir da linguagem do especialista e do aluno
Os usuários também percebem a necessidade da compatibilização entre a LCARB e a linguagem de busca do usuário apresentando sugestões sobre a disponibilização na interface de busca de remissivas Ver e Ver Também como elos orientadores entre os cabeçalhos procurados por eles e os recuperáveis pela linguagem.
Além disso, ressaltam também ser de suma importância a disponibilidade de um manual do usuário e a acessibilidade da linguagem para os usuários locais e remotos como norteadores para a recuperação precisa da informação.
Sobre o catálogo Athena, a visão dos usuários mostrou-nos, principalmente, que a especificidade do sistema e da linguagem documentária é um requisito de suma importância para a recuperação precisa da informação. Além dis-so, eles salientam que o referido catálogo deve funcionar à semelhança de uma base de dados, possibilitando a recuperação por assunto de documentos analíticos, como capítulos de livros e artigos de periódicos, e a ordenação dos registros recuperados por ordem decrescente de data de publicação, entre outros aspectos.
Conforme, portanto, os resultados descritos, observamos que a linguagem documentária foi uma temática muito abordada pelos bibliotecários catalogadores e pelos usuários docentes e discentes – nos Protocolos Verbais em Grupo e Individuais das três áreas do conhecimento –, tendo suscitado muitos questionamentos e preocupações sobre o desempenho e a importância desse instrumento de mediação e comunicação entre a indexação e a recuperação da informação nos catálogos coletivos on-line de áreas científicas especializadas de bibliotecas universitárias.
O contexto sociocognitivo do bibliotecário catalogador da Rede de Bibliotecas da Unesp, formado pela universidade, biblioteca, pelo
Padrão de Qualidade de Registros Bibliográficos da Unesp, 5 Lista de Cabeçalhos de Assunto da Rede Bibliodata, linguagens
documentárias paralelas, 6 catálogo Athena e pelos docentes e discentes de graduação das áreas científicas especializadas influenciaram a realização da indexação que nos proporcionou importantes resultados sobre o uso da LCARB para a representação dos conteúdos documentários no catálogo coletivo on-line Athena.
Concomitantemente, o contexto sociocognitivo do usuário, delineado pelo conhecimento prévio que possui sobre a universidade, pesquisas que desenvolve em nível de iniciação científica, grade curricular das disciplinas científico-acadêmicas e pelo catálogo Athena, revelou-nos resultados relevantes sobre o uso da LCARB no processo de recuperação da informação.
Visando, portanto, ao alcance da compatibilidade entre a linguagem documentária e a linguagem de busca do usuário e, consequentemente, do equilíbrio entre a revocação e a precisão do sistema, apresentamos indicadores como contribuição para o aperfeiçoamento e a adequação do uso de linguagem documentária de áreas científicas especializadas de catálogos coletivos, no contexto sociocognitivo de bibliotecários indexadores e usuários para a representação e recuperação da informação em bibliotecas universitárias, a saber:
construção do vocabulário a partir das linguagens de
especialidades das áreas científicas e da linguagem de busca
do usuário, com vistas à compatibilidade entre a linguagem
adotada pelo sistema e a de busca do usuário;
incorporação constante de novos termos, visando à atualização
da linguagem que se fizer necessária, por meio de coleta em
fontes de informação formais (dicionários especializados,
glossários técnico-científicos, diretórios, entre outros) e
informais (formulários de sugestões de assuntos preenchidos
pelos usuários, catálogo e listas de assuntos locais elaborados
pela biblioteca);
eleição de termos expressivos, visando à clareza na
designação do assunto;
utilização/revisão da tradução de termos existentes na
linguagem, tendo em vista a devida correspondência conceitual
que deve ocorrer em relação à terminologia das áreas
científicas nacionais;
eliminação das ambiguidades causadas pela homonímia e
polissemia advindas da linguagem natural: adoção de termos
qualificadores agregados ao termo preferido, de modo a definir
diferentes aspectos, conceitos e pontos de vista abordados pelo
autor sobre o assunto do documento. Os termos qualificadores
possibilitam a especificidade na representação e na
recuperação da informação. O uso de singular e plural também
é um recurso auxiliar para a distinção entre termos homógrafos;
incorporação de termos específicos, tendo em vista a
especificidade exigida do tratamento de conteúdos
documentários para a recuperação precisa da informação;
controle de sinônimos: controle efetivo dos termos sinônimos,
quase-sinônimos e das variantes lexicais (ortografia, singular-
plural, nome completo divergente da abreviatura), evitando-se a
dispersão temática e proporcionando maior exatidão na
indexação e busca por assunto;
estabelecimento das relações lógico-semânticas: a construção
das relações hierárquicas, de equivalência e não hierárquicas
visa à indicação dos relacionamentos semântico-conceituais
entre os termos, propiciando a consistência na representação e
na recuperação. O incremento das relações não hierárquicas
(associativas) promove uma aproximação maior com a
linguagem de busca do usuário, relevando a função
comunicativa que a linguagem deve ter;
utilização/verificação da sintaxe dos cabeçalhos de assuntos
compostos referentes à ordem das ideias que os compõem;
utilização/incorporação de notas de escopos nos cabeçalhos de
assunto;
intensificação da função comunicativa da linguagem;
representação de conceitos por meio de termos, visando à
obtenção de cabeçalhos mais consistentes.
Síntese
A biblioteca universitária inserida em um universo de conhecimento necessita de produtos e instrumentos que demonstrem essa realidade. A linguagem documentária como um componente do catálogo deve representar esse conteúdo científico de alta especialização, promovendo a mediação e a comunicação entre a indexação e a recuperação da informação para sua comunidade usuária local e remota, requerendo, portanto, avaliações contínuas de seu desempenho durante a busca por assunto na recuperação da informação que possa orientar seu aprimoramento e seu uso no processo de representação para indexação documentária.
O uso adequado da linguagem documentária no processo de representação para indexação está vinculado ao processo de avaliação constante da busca por assunto, proporcionando elementos norteadores para o aperfeiçoamento e a adequação de um sistema de organização do conhecimento que reflita o contexto informacional, cultural e social em que está inserido.
Esse uso faz-se por meio de linguagens documentárias de áreas científicas especializadas constituídas por vocabulários atualizados, de alta especificidade e representativos das necessidades de indexação e recuperação da informação. Essas linguagens devem ser elaboradas a partir de uma concepção multidimensional, contemplando as relações sintático-semânticas entre os termos advindos das áreas científicas especializadas e da linguagem do usuário.
O êxito da indexação será validado pela recuperação precisa da informação, por meio de uma linguagem documentária portadora de um repertório terminológico de alto nível de especialização e de rigor na sua construção. Em complementação, a avaliação permanente da lingua-gem deve ser um procedimento que a biblioteca deve ado-tar visando à atualização do vocabulário em consonância com o progresso e o vanguardismo que a ciência possui, explicitados pelas comunidades científicas, e à geração do conhecimento.
A abordagem sociocognitiva com Protocolo Verbal como método de avaliação tem como foco o sujeito no momento da realização de uma determinada atividade e sua cognição em relação ao seu contexto de produção. Referente ao bibliotecário indexador, o ponto focal é o tratamento temático da informação, especificamente a indexação e o uso que faz da linguagem documentária durante essa atividade. Com relação ao usuário, o foco é a busca por assunto e a recuperação da informação por meio da utilização da linguagem na satisfação de suas necessidades informacionais integradas com seu meio ambiente formado pela universidade, grupo de pesquisa, grade curricular e catálogo.
Nessa perspectiva, torna-se visível a contextualização social da Ciência da Informação, pois segundo Hjørland (2002), a realidade é detectada pelo sujeito conhecedor de domínios específicos e formada pela história e pela cultura, o que se torna tal sujeito capaz de perceber a realidade.
A técnica do Protocolo Verbal corresponde a essa dimensão metodológica, mostrando-se válida para a avaliação do uso de linguagens documentárias de catálogos coletivos on-line de áreas científicas especializadas de bibliotecas universitárias, proporcionando resultados relevantes para o uso adequado da linguagem documentária no âmbito da indexação e recuperação da informação, sendo possível sua aplicação em outros contextos.
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1 Extraída da tese de doutorado de Boccato (2009).
2 Linguagem de especialidade é a utilizada pelo pesquisador na geração do conhecimento, proveniente das atividades desenvolvidas em grupos de pesquisa e/ou no momento da realização do seu discurso científico (termos especializados constantes nos trabalhos científicos como os artigos de periódicos etc.).
3 Campo 650 – Assunto Tópico do Formato de intercâmbio de dados bibliográficos Marc 21.
4 Campo 690 – Assunto Local /Institucional do Formato de intercâmbio de dados bibliográficos Marc 21.
5 Padrão internacional de descrição de dados bibliográficos Marc 21 critérios estabelecidos pela CGB-Unesp previstos na publicação "Padrões de qualidade de registros bibliográficos da Unesp" (Unesp, 2002).
6 A expressão "linguagem documentária paralela" foi criada pela pesquisadora e refere-se às linguagens documentárias utilizadas pelos bibliotecários catalogadores da Rede de Bibliotecas da Unesp na descrição dos assuntos no campo 690, exemplificadas pelo DeCS – Descritores em Ciências da Saúde da Bireme – Centro Latino-americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde, VocaUSP – Vocabulário Controlado do SIBi – USP do Sistema Integrado de Bibliotecas; Engineering Index: tesauro da base de dados Engineering Village Compendex produzida pela Engineering Information, Sistemas de Classificação, entre outras (Boccato, 2009).