A Invenção do Dia Claro

José de Almada Negreiros · Capítulo 9 de 30

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A Invenção do Dia Claro

+Historia das Palavras+

 

As mulheres e os homens estavam espalhados pela Terra. Uns

estavam maravilhados, outros tinham-se cançado. Os que estavam maravilhados abriam a bocca, os que se tinham cançado tambem

abriam a bocca. Ambos abriam a bocca.

 

Houve um homem sósinho que se poz a espreitar esta diferença —havia pessoas maravilhadas e outras que estavam cançadas.

 

Depois ainda espreitou melhor: Todas as pessoas estavam

maravilhadas, depois não sabiam aguentar-se maravilhadas e ficavam cançadas.

 

As pessoas estavam tristes ou alegres conforme a luz para cada

um—mais luz, alegres—menos luz, tristes.

 

O homem sósinho ficou a pensar n'esta diferença. Para não esquecer fez uns signaes n'uma pedra.

 

Este homem sósinho era da minha raça—era um Egypcio!

 

Os signaes que elle gravou na pedra para medir a luz por dentro

das pessôas, chamaram-se hieroglifos.

Mais tarde veiu outro homem sósinho que tornou estes signaes

ainda mais faceis. Fez vinte e dois signaes que bastavam para todas as combinações que ha ao Sol.

 

Este homem sósinho era da minha raça—era um Phenicio!

 

Cada um dos vinte e dois signaes era uma lettra. Cada

combinação de lettras uma palavra.