A Invenção do Dia Claro
+Retrato da Estrella que Guiou o Filho Prodigo na Volta Á Casa Paterna+
Vi as coisas do ar que havia, as coisas que estavam focadas com
o ar de hoje. As lembranças já estão inteiras, muito poucos os minutos falsos.
Fiz todas as horas do Sol e as da sombra. Ao chegar a noite
estive de accordo com o Sol no que houve desde manhã até ser bastante a luz por hoje. Depois veiu o somno. E o somno chegou a
horas. Antes do somno ainda houve uma imagem—um leão a dormir!
Na verdade, não ha somno mais bem ganho do que o de um leão
a dormir com restos de sangue ainda no focinho, como os leões de pedra que ha nas escadarias por onde se sobe depois da batalha!
+RETRATO DA ESTRELLA QUE
GUIOU O FILHO PRODIGO NA
VOLTA Á CASA PATERNA+
Na praia uma menina perguntou-me se eu era rico. Estava de gatas e muito longe, a perguntar-me se eu era rico.
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Todas as manhãs ia brincar com os vizinhos para a sombra da
egreja.
Depois do almoço a sombra era do outro lado.
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Quando as meninas corriam no jardim, os cabellos e os vestidos
ficavam para traz.
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A rapariga das laranjas tinha uma linda voz para vender laranjas. As pessoas ficavam co'as laranjas na mão a ouví-la.
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A larangeira ao pé da nóra já me conhecia—punha-se a fingir que
era o vento que a fazia mexer.
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Acho mais sinceros os dias de chuva. Nos dias em que chove ponho me a pensar que não sou eu só que vivo arreliado. Depois, o
cheiro da terra molhada é que me faz de novo animar.
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Ás vezes ponho-me a pensar em coisas que eu nunca vi. Naturalmente só ha muito longe, nas outras terras!
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Estou a espera de ser grande para ver se o que eu penso é
verdade ou não. Se não fôr, mato-me!