Arte-ciência: processos criativos
O processo criativo do projeto arquitetônico e os referenciais projetuais no trabalho final de graduaçãoHélio Hirao
O processo criativo do projeto
arquitetônico e os referenciais
projetuais no trabalho final de
graduação
Hélio Hirao
Introdução
No ensino de Arquitetura e Urbanismo, o trabalho final de graduação (TFG) desenvolvido pelo aluno no último ano do curso sintetiza a sua formação, ao integrar os conhecimentos e consolidar as técnicas de pesquisas adquiridas. Regulamentada pelas diretrizes curriculares nacionais, a resolução CNE/CES n.2, de 17 de junho de 2010, atribui aos conselhos de cursos a sua normatização. No curso de Arquitetura e Urbanismo da Unesp (câmpus de Presidente Prudente), o graduando deve, necessariamente, elaborar um projeto arquitetônico ou urbanístico para se formar.
Desse modo, desde 2009, foi desenvolvido um procedimento metodológico para orientar os alunos, visando chegar ao final do trabalho com um projeto de Arquitetura ou Urbanismo, em que cada etapa contribui com o outro, de modo que esse projeto é resultante deste processo.
A questão do processo criativo que envolve as atividades projetuais do arquiteto é complexa e amplamente debatida. Procuraram-se subsídios para estruturar as formas de orientação na própria trajetória de formação acadêmica e prática profissional do professor arquiteto, com muitas influências de Vilanova Artigas, como também no processo projetual de outros arquitetos reconhecidos como Joaquim Guedes e em professores pesquisadores do assunto como Bruno Munari, Edson Mahfuz, Robert Venturi e Vittorio Gregotti.
No caso dos TFGs, o aluno, ainda com pouca vivência da prática projetual, apresenta dificuldades para conceber os projetos, diante do restrito repertório arquitetônico adquirido. Ensinar a projetar constitui, dessa maneira, um desafio maior, neste contexto. Entretanto, é necessário desenvolver o projeto e a melhor forma é apontar encaminhamentos que orientem naturalmente a concepção dos projetos de arquitetura e urbanismo.
A utilização de referenciais projetuais como instrumento para alimentar o processo criativo do projeto foi o recurso encontrado para sustentar esse percurso. Dessa forma, num percurso lógico, os produtos das análises desses referenciais, ou seja, as diretrizes projetuais, depois são contextualizadas no lugar escolhido para a obra, com seu público-alvo, e considerada a rigidez do sistema construtivo adotado, conduzem a concepção do projeto que materializa formas espaciais próprias, como resultado de seu desenvolvimento, muitas vezes sem a necessidade do seu controle nas decisões projetuais pelo projetista.
Assim, este texto traz para o debate a experiência com esse procedimento metodológico do processo de projeto visando contribuir para a formação do arquiteto e urbanista.
O processo criativo e o processo projetual
Relacionar a produção arquitetônica com necessidade de soluções originais ou inéditas é uma abordagem ainda muito presente no cotidiano do Arquiteto e Urbanista e possui raízes no sistema de ensino BauHarvard (Mahfuz, 2013). Assim como a mídia, ao tratar da produção de Oscar Niemeyer, arquiteto modernista brasileiro mais conhecido pela população em geral, explora o lado do artista genial e inventor de novas formas.
Entretanto, Munari (1988) já afirmava que das coisas nascem coisas; projetar é encontrar soluções para um problema. Desse modo, analisar uma produção anterior e contextualizar traz as soluções do problema. Alvar Alto, outro importante arquiteto modernista, também colocou que: “Nada pode jamais renascer, mas, por outro lado, nada desaparece completamente. E qualquer coisa que um dia existiu sempre reaparece em uma nova forma” (apud Mahfuz, 1984).
Desse modo, encarar a produção arquitetônica como um processo de transformação do conhecimento e não como produto de uma inspiração divina, insight ou caixa-preta foi o caminho apontado por Mahfuz (1994): para ele, a produção inovadora está mais relacionada à criação de partes e detalhes da arquitetura, e considera que o arquiteto no processo projetual utiliza de analogias projetuais miméticas, inotativas, normativas e tipológicas.
Concordo também com Gregotti (2001) que, neste processo, existe mais composição que criação, ou seja, a criação parte de uma justaposição de partes já existentes. A criatividade está na originalidade desta justaposição de partes já conhecidas e memorizadas.
Joaquim Guedes vai além ao utilizar diagramas para o desenvolvimento do projeto, desde sua experiência profissional inicial com o Padre Lebret no início de sua carreira na década de 1950. Esses diagramas surgem das exigências arquitetônicas, como o programa, clima, sistema estrutural etc. As complexas relações e análises entre essas variáveis conduzem a uma tipologia arquitetônica como decorrência. Nas palavras do arquiteto,
Quando começo a projetar sinto que a partir de certo momento,
não sou eu mais que comando o desenho, mas as análises vão
exigindo que faça o desenho daquele jeito. Como se o trabalho
produzisse a si próprio. O raciocínio é conduzido pelo projeto, e
é ele que vai encontrando os meandros por onde vai
descobrindo o espaço, as formas de construção. (apud Furtado,
2008, p.178)
Assim, essas contribuições levaram a estruturar um procedimento metodológico para orientar os alunos em seus TFGs, visando encaminhar ao projeto final de forma lógica, ou seja: objetivou construir uma ferramenta, subsidiando a deficiência do pouco repertório de vivências socioespaciais com a temática arquitetônica ou urbanística escolhida, para conduzir o processo criativo em Arquitetura e Urbanismo que, ao final, materializa em formas: as diretrizes projetuais estabelecidas por esse procedimento metodológico desenvolvido. Convém ressaltar que nesse processo existe, também, uma procura por conceber novos arranjos compositivos ou espaços inovadores, busca inerente ao arquiteto urbanista. Contudo, essa ação poética ocorre como consequência, às vezes ao acaso, das intensas análises entre as variáveis que definem a Arquitetura e Urbanismo.
As orientações do TFG
A opção pela utilização dos referenciais projetuais foi adotada, desta forma, num primeiro momento, como recurso para alimentar um banco de dados de projetos de referência. Ao verificar as matrizes visuais utilizadas por Venturi (2003) para realizar a leitura de Las Vegas, onde, na linha da coluna, contempla os projetos escolhidos; na linha horizontal, os apectos arquitetônicos a serem analisados, ou vice-versa, e os elementos que a compõem são as imagens gráficas, fotos ou croquis analíticos; constatou-se a importância desta estruturação, que foi adaptada e relacionada com os diagramas trabalhados por Guedes.
Dessa forma, selecionam-se obras paradigmáticas da temática escolhida pelo aluno, de diferentes correntes arquitetônicas adotadas. Depois de uma exaustiva pesquisa e análise dos diversos aspectos de sua arquitetura e urbanismo, desde a implantação, relações com o entorno, potencial do lugar, programa, até o sistema construtivo; o produto desta rede de interrelações define as diretrizes de projetos.
Esse conteúdo analítico é recolhido de levantamentos gráficos e textuais de livros, revistas, sites da internet de escritório de arquitetura e, quando possível, de anotações de visitas in loco da própria obra. Consciente de que essas informações não oferecem toda explicação do projeto, mas, por meio delas, é possível perceber a essência de suas intenções e suficientes para compreender as diretrizes gerais do projeto. Para complementar essa análise, estudos exaustivos simulam os possíveis usos e a apropriação socioespacial que são registrados nos croquis analíticos, apoiados em textos críticos sobre a obra e o arquiteto, visando compreender no contexto do lugar e do tempo essas opções de desígnios escolhidas.
Todas essas análises e reflexões ainda são cruzadas com o contexto do lugar, com suas potencialidades inerentes do sítio em que se insere, bem como as características e os desejos e os anseios do público-alvo e da rigidez construtiva imposta pela escolha do sistema estrutural.
Dessa forma, a materialização do projeto toma forma própria, as decisões projetuais que o aluno precisa assumir estão subsidiadas em desígnios anteriores, o que faz que ele tenha mais segurança nos momentos em que precisa decidir as ações projetuais.
Independentemente da tipologia arquitetônica escolhida pelo aluno, esse procedimento metodológico favoreceu o encaminhamento da proposta projetual final. Como o processo é lento, com a necessidade de realizar estudos profundos de obras já existentes, momentos de muita insegurança tornam tensa a orientação, uma vez que o aluno deseja rapidamente ter uma forma arquitetônica ou urbana para sua proposta. Mas, superada essa fase, a materialização formal da tipologia surge como decorrência dos procedimentos metodológicos realizados.
Assim, as orientações deTFGs de diversas tipologias produziram soluções arquitetônicas, por vezes nunca vivenciadas pelo orientador e orientando; com esse procedimento, possibilitaram a condução por um caminho seguro para as soluções projetuais.
A proposta de Camila Pereira Roque (2011) de instalações para o curso de Arquitetura e Urbanismo da Unesp (câmpus de Presidente Prudente), um curso novo com menos de dez anos de implantação num câmpus interdisciplinar e fragmentado, buscou nas análises de referências projetuais de escolas de arquiteturas, como a referência, no Brasil, à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU-USP), a referência no contexto internacional à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Porto (FAUP) e a uma do contexto do interior paulista, ao Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos (IAU). Propostas diferenciadas de ocupação e organização
espacial foram sistematizadas e analisadas (Figura 1), depois
sintetizadas numa matriz (Figura 2) que proporcionou a formação das primeiras diretrizes projetuais.
Figura 1 – Parte das análises gráficas dos referenciais projetuais.
Fonte: Roque, 2012.
FAU-USP FAUP IAU-USP
Composiçã Bloco único: Vários blocos: Dois eixos
o edifício integração com principais:
como a paisagem edifício
monumento setorizado e
que cria o articulado
lugar por um pátio
Pátio Interno, Externo; Externo;
central ao função de ponto focal
edifício. articulação dos dois
Local de entre os eixos. Local
convívio e blocos. Local de convívio
permanênci de convívio e e
a permanência permanênci
a
Iluminação Grande Utilização de Presente
Natural cobertura sheds para nos ateliers:
em domus; iluminação iluminação
elemento zenital e zenital e
marcante no janelas para amplas
edifício enquadrament janelas e
o da paisagem portas
envidraçada
s
Visuais Se voltam Os visuais Visuais para
para o externos são a cidade a
interior do privilegiados – partir da
próprio paisagem varanda;
edifício, natual e nos ateliers,
para o construída do para a área
Salão externo exerce gramada do
Caramelo grande talude
influência
Circulação Salão Pátios Pátio
Caramelo, externos, externo,
rampas, rampas, varanda,
corredores corredores, corredores e
galeria escadas
subterrânea e
escadas
Croqui/
Esquema
Figura 2 – Matriz síntese dos referenciais projetuais.
Fonte: Roque, 2012.
Ao completar as relações das referências com o contexto local do lugar, público-alvo e sistema construtivo, a proposta de projeto da aluna ganhou consistência lógica das opções de projeto assumidas
(Figura 3).
Figura 3 – O projeto resultante do procedimento metodológico
realizado.
Fonte: Roque, 2011.
Outro TFG com complexidade assumida com muito risco pelo professor orientador foi do projeto de instalações de uma arquitetura hospitalar. Maria Laura Malaspini Silveira (2011) propôs uma clínica de hemodiálise para Presidente Prudente. Mesmo com a co-orientação de um médico, o professor Jaime de Oliveira Gomes, que abriu as portas dos hospitais da região para vivenciar esses ambientes característicos, foi necessário utilizar procedimentos metodológicos das matrizes das referências projetuais. Dessa forma, em razão da dificuldade de encontrar materiais gráficos e textuais sobre o assunto, foram escolhidas obras de dois reconhecidos profissionais da arquitetura hospitalar para analisar: o Hospital e Maternidade Vila Nova Cachoeirinha, de Siegbert Zanettini, e o Hospital Escola Municipal de São Carlos, de José Filgueiras Lima “Lelé”. Opções projetuais diferenciadas possibilitaram verificar outras formas de concepção dos ambientes
de saúde resultantes numa matriz (Figura 4) que conduziu o processo do projeto.
Acessos / Implantação
Relação com a cidade
Hospital • Próximo a • Dois blocos (um de
Maternidade vias de assistência concentrada
Vila Nova acesso rápido e outro de assistência
Cachoeirinh (Av. Dep. mínima) ligados por
a Emílio Carlos rampas e pelos serviços
e Av. Inajar de de apoio, em duas alas
Souza); extremas;
• Criação de • Criação de pátios
um sistema de internos.
circulação
dentro do
próprio
conjunto.
Hospital Proximidade Quatro edifícios (um de
Escola com rodovias cinco pavimentos e três
Municipal de e com a Av. de um pavimento)
São Carlos São Carlos interligados por
(ligando o passarelas cobertas.
hospital ao
centro da
cidade).
Relação Interior X Exterior Zoneamento /
Circulação Interna
Hospital O edifício Separação do público
Maternidade volta-se para para tratamento de
Vila Nova os pátios emergência (assistência
Cachoeirinh internos. mínima) daqueles que
a adentrarão ao hospital
(assistência
concentrada).
Hospital Sala de • Separação do público
Escola espera: para tratamento de
Municipal de presença de emergência, daqueles
São Carlos grande para internações,
superfície cirurgias, partos etc.;
envidraçada, • Agrupamento de usos
paisagismo e e atividades afins;
espelho • Diferenciação: d’água. circulação técnica, de
utentes e usuários
comuns.
Sistema Construtivo Conforto Ambiental
Hospital • Estrutura em • Utilização de brises.
Maternidade concreto;
Vila Nova • Divisórias
Cachoeirinh internas de
a chapas duplas
de painéis
sanduíches de
fibrocimento e
isopor.
Hospital • Pré- • Sheds: iluminação e
Escola fabricado; ventilação natural;
Municipal de • Modulação • Instalação de
São Carlos estrutural; ventiladores nas
• Divisórias entradas de ar situadas
internas em sobre um espelho
gesso d’água;
acartonado • Ar-condicionado em
estruturado áreas de controle;
• Ventilação cruzada;
• Utilização de brises;
• Geotermia.
Preexistência / Elementos Forma de
naturais da Paisagem Desenvolvimento do
projeto
Hospital • Preocupação Grande participação da
Maternidade com a população local e da
Vila Nova implantação equipe técnica do
Cachoeirinh no que se próprio hospital.
a refere à vista
para o
cemitério do
bairro;
• Cinturão
verde: barreira
visual em
relação ao
cemitério.
Hospital — Não há participação da
Escola população local.
Municipal de
São Carlos
Figura 4 – A matriz das referências projetuais de arquitetura
hospitalar.
Fonte: Silveira, 2011.
Figura 5 – O projeto como decorrência dos procediementos
metodológicos.
Fonte: Silveira, 2011.
Na sequência, ao relacionar as referências projetuais ao lugar, ao público-alvo e ao sistema construtivo escolhido, a aluna, com mais determinação, desenvolveu a materialização de sua edificação.
Do mesmo modo, foi encaminhada a orientação de Yasmim Santos Gomes Fervença (2012) para a proposta de reabilitação de uma escola para deficientes em Presidente Prudente, com a agravante da existência de pouquíssima bibliografia sobre essa tipologia arquitetônica. A saída foi visitar, anotar e analisar uma instituição educacional existente na cidade de São Paulo, a Larama, e compreender pela análise gráfica o projeto da Hazelwood School
em Glasgow na Escócia, sintetizadas em uma matriz (Figura 6).
Localização Acessos /
Relação com a
Cidade
Laramara Situada no Bairro Em área de
Associação da Barra Funda, grande fluxo de
Brasileira de na cidade de São veículos e
Assistência ao Paulo. pessoas, próxima
Deficiente a vias de acesso
Visual rápido: Av.
Francisco
Matarazzo e Av.
Pacaembu.
Hazelwood Situada em Próxima ao
School Escola Dumbreck Court, Bellahouston Park
para Crianças na cidade de e a vias de e Jovens com Glasgow, na acesso rápido,
“Deficiência Escócia. entretanto sem
Sensorial” acesso direto.
A escola
encontra-se mais
reclusa dentro do
bairro.
Implantação Relação Interior / Zoneamento /
Exterior Circulação Interna
Bloco único A edificação As atividades são
verticalizado volta-se para si separadas por
ocupando todo mesma em seus funções afins e
o lote. ambientes pavimentos.
Distribuição internos,
funcional das corredores e
atividades por ambientes de
andar. permanência,
como o
Laraparque e a
Trilha Sensorial.
Bloco único A edificação As atividades são
horizontalizado relaciona-se com distribuídas em
, com o exterior por núcleos, de forma
pavimento intermédio de que as funções se
térreo apenas. aberturas e estabelecem por
Distribuída no nichos que criam setores ao longo
interior do lote, espaços de de um eixo central
presença de convivência e norteador, que se
nichos atividades, inicia na entrada.
estabelecidos possibilitados
na pela implantação.
implantação.
Sistema Conforto Preexistência Forma de
Construtivo Ambiental / Elementos Desenvolvimento
Naturais da do Projeto
Paisagem
Estrutura Uso de ar- Não há Consultoria de
de condicionado preexistência especialista em
concreto , poucas s a serem acessibilidade armado, aberturas consideradas para
elevação voltadas para , tampouco desenvolvimento
principal o exterior, elementos do projeto e dos
com presença de naturais da ambientes
vedação iluminação paisagem. internos, em em vidro zenital no conformidade com
com Laraparque as necessidades
estrutura dos usuários e da e nos
metálica. NBR 9050. corredores/
rampas de
acesso a este
ambiente.
Estrutura Presença de Os elementos Presença dos pais
em brises em naturais da e da comunidade
madeira, madeira, paisagem já e grande interesse
com iluminação existentes dos profissionais
vedação zenital no serviram de no
em pedra e corredor partido para a desenvolvimento
pré- principal, uso implantação do projeto, que
fabricado, da do projeto. buscou a melhor cobertura arborização adequação às
em como necessidades dos
estrutura elemento de usuários com uso
de madeira conforto de
com térmico, inovação.Presenç
fechament acústico e a dos pais e da
o em lumínico. comunidade e
telhas grande interesse
metálicas. dos profissionais
no
desenvolvimento
do projeto, que
buscou a melhor
adequação às
necessidades dos
usuários com uso
de inovação.
Figura 6 – A matriz das referências projetuais.
Fonte: Fervença, 2012.
Ainda que com o apoio de uma co-orientação do professor educador Manoel Osmar Seabra Junior, as questões ligadas à arquitetura foram encaminhadas pelo procedimento metodológico adotado
(Figuras 7 e 8).
Figura 7 – O projeto da escola para deficientes visuais.
Fonte: Fervença, 2012.
Também no projeto urbanístico foi utilizada a ferramenta das referências projetuais. Melina Yumi Kodama (2011) desenvolveu uma proposta para requalificação do centro olímpico de Presidente Prudente, inserida dentro do principal parque da cidade. Do mesmo modo, os procedimentos metodológicos adotados orientaram a um projeto final de Urbanismo.
Figura 8 – A matriz das referências projetuais.
Fonte: Koyama, 2012.
Figura 9 – A proposta de requalificação do Centro Olímpico.
Fonte: Koyama, 2012.
Considerações finais
Gregotti, ao se referir ao desenho de Alvaro Siza, afirma que para este arquiteto português
imaginar significa recordar aquilo que a memória escreveu
dentro de nós em confronto com as exigências e as condições,
mas também elevar as exigências e as condições ao nível da
sua real complexidade, e por fim restituí-las na simplicidade
oblíqua do projeto. (Gregotti, 2012, p.13)
Desse modo, o desenho como desígnio desejado é a mediação do vívido, percebido, imaginado e o contexto das necessidades atuais, onde a ação poética do arquiteto qualifica os espaços inovadores, baseados em lugares anteriores.
E ao verificar em Artigas,
desenho cria o objeto que a gente pega na mão e que está lá
traçado com o lápis ou o nanquim, no papel, mas é o traçado
daquilo que previamente estava na mente. A catedral na mente
do arquiteto é transportada para o papel, para o desenho; e
este é o projeto, é a essência do projeto. (Artigas, 2004, p.201)
Assim, esse desenho como desígnio contém um saber, que surge da prática profissional e reflexão acadêmica, de modo que, por meio dos processos de percepção e cognição, o vivente usa e apropria o espaço concebido pelos arquitetos: tudo isso retorna como subsídios para a concepção num processo de análises e reflexões, mediadas pela produção arquitetônica que se constitui num processo de transformação do conhecimento já existente.
O desenho produzido pelos alunos possui um saber acumulado, analisado exaustivamente, tornando-se um desígnio possível de ser usado e apropriado; ou seja, são as “catedrais” do pensamento dos arquitetos, como já afirmou Artigas (2004, p.201).
Referências bibliográficas
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