Arte-ciência: processos criativos

Evandro Fiorin · Capítulo 1 de 11

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Arte-ciência: processos criativos

Apresentação

 

Este livro é resultado do Workshop Ciências Humanas, realizado na cidade de São Pedro (SP), pela PROPe (Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Unesp), com o objetivo de compor ebooks para a coleção “Desafios Contemporâneos”. Nessa oportunidade, uma equipe de docentes e representantes de grupos de pesquisa, formada pelos professores Evandro Fiorin, José Marcos Romão da Silva, Maria Antônia Benutti, Paula da Cruz Landim, Paulo Roberto Masseran, Rosa Maria Araújo Simões e Rosangela da Silva Leote (de diversas unidades universitárias e cursos diferentes), debateu as ideias de sua formulação segundo o seguinte enfoque “Arte, ciência e processos criativos; filosofia no Brasil: incorporação ou criação”. A partir dessa temática, a equipe optou por uma coletânea intitulada Arte-ciência: processos criativos, a ser organizada por representantes do Instituto de Artes (IA), câmpus de São Paulo, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC), câmpus de Bauru, e da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), câmpus de Presidente Prudente – todas instituições vinculadas à Unesp.

Nessa proposição, vários docentes foram convidados a participar deste livro, que engloba diversos trabalhos ligados ao âmbito das manifestações artísticas, arquitetura e ao design contemporâneos, além dos processos criativos inerentes ao ensino dessas linguagens. Curiosamente, a multiplicidade de temas que estas diferentes unidades da Unesp vêm investigando trouxe um mote significativo para a definição do ponto de conexão, entre os processos criativos, das áreas de conhecimento aí compreendidas.

Nosso recorte curatorial é constrito, no sentido em que acata a multiplicidade como diretriz. Em tempos de acondicionamento do conhecimento em suportes de armazenamento cada vez mais fluidos e, de certa forma, fora da mente, abre-se o espaço, nesta mente, para processos criativos tão ousados como a forma de comunicação que desenvolvemos na interface com o mundo.

Portanto, a diversidade de enfoques trazidos nesta publicação, dividida por capítulos de especificidades temáticas, faz entender o subtexto da produção acadêmica nas áreas múltiplas aqui friccionadas. Este subtexto declara que, independentemente da área onde se proceda a transformação do conhecimento, se encontrará correlação de pensamentos e achados teóricos, que reflita o sistema de relações com o mundo e sua criação, em todas as direções.

Há forte ligação, porém, entre os procedimentos operados pelos autores aqui selecionados.Vê-se uma coerente ligação entre as percepções e proposições que fazem diante da ação, em sua área. Para eles é a fácil relação com a ciência e/ou a tecnologia. Estas, evidentemente, indissociáveis do nosso momento cultural.

Por essa razão, este livro não é sobre Ciência, sobre Arte, ou sobre Processos Criativos, mas sobre o corpo amalgamado das contaminações, nesta indissociabilidade que gera nossos bens culturais.

Para propor um caminho possível de leitura, escolhemos uma distribuição de capítulos em ordem de aproximações temáticas. Entretanto, a visita pode ser aleatória, não hierárquica, fluídica como o nosso mundo, onde as mentes são entrecruzadas em macroexpansão. De qualquer modo, o leitor navegante encontrará no primeiro capítulo, “Heurística híbrida e processos criativos híbridos: uma reflexão sobre as metodologias da criação no contexto do hibridismo em artes”, Agnus Valente revisa os processos criativos e as metodologias de criação sob a perspectiva do hibridismo em artes, como uma forma de compreender as operações artísticas atuais, uma vez que a hibridação como poética e metodologia (intencionalmente buscada pelo artista) tem se revelado um catalisador de encontros inéditos e férteis na criação contemporânea. No capítulo seguinte, “Arte dentro e fora do corpo”, Rosangela da Silva Leote apresenta alguns modelos de interfaces físicas, procurando, a partir da identificação de alguns modos de aplicação de tais interfaces, encontrar certas interferências na percepção do corpo e do espaço do usuário/interator. O percurso textual é desenvolvido com apontamentos sobre as tecnologias mecatrônicas para próteses e órteses, e sua relação com as produções em arte com mídias emergentes. No terceiro ensaio da obra, “O processo criador no ensino da arte e do design: paradigma da representação & paradigma da diferença”, Solange Bigal esboça um olhar sobre o ensino da arte e do design. Nele produz algumas inferências ativas e criativas sobre o tema, partindo do princípio da invenção poética e não de uma metodologia específica: uma flexão estética sobre aquelas disciplinas. No capítulo posterior, “Design contemporâneo: poéticas da diversidade no cotidiano”, Mônica Moura faz uma investigação a respeito das diversidades presentes no design contemporâneo brasileiro, a partir dos anos 1990, adotando uma abordagem qualitativa, incorporando revisão de literatura, pesquisa documental e de campo. A autora apresenta as principais questões que estruturam o design na contemporaneidade e aponta rupturas, fusões e poéticas a partir do pensamento projetual. No quinto texto, “A influência da estética na usabilidade aparente: aspectos para a criatividade e inovação no design de sistemas e produtos”, Luis Carlos Paschoarelli, Lívia Flávia de Albuquerque Campos e Aline Darc Piculo dos Santos apresentam uma discussão sobre a importância da estética na relação usuário versus objeto, particularmente, sua influência em avaliações de sistemas e produtos, quanto à percepção da usabilidade inerente e aparente. No capítulo “Teorias e métodos aplicados ao ensino do projeto de Arquitetura: curso de Arquitetura e Urbanismo da FAAC-Unesp”, Rosío Fernandez Baca Salcedo, Samir Hernandes Tenório Gomes, Paulo Roberto Masseran e Claudio Silveira Amaral abordam teorias e métodos aplicados ao ensino de projeto junto às disciplinas de Laboratório de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo (LAUP) e Trabalho Projetual Integrado (TPI), no curso de Arquitetura e Urbanismo da FAAC. Um trabalho que pretende contribuir com os estudos sobre ensino de projeto e a qualidade do projeto de arquitetura, urbanismo e paisagismo. Em “O processo projetual e os desafios de ensinar a criar espaços”, Cristina Maria Perissinotto Baron e Arlete Maria Francisco apresentam uma reflexão sobre o processo criativo na elaboração de projetos arquitetônicos a partir das experiências didáticas do curso de Arquitetura e Urbanismo da FCT, da Unesp. Trabalham com o pressuposto de que, ao elaborar um projeto arquitetônico, resolve-se uma problemática que envolve aspectos sociais, econômicos, culturais e ambientais de um determinado local, quer sejam espaços abertos ou fechados, públicos ou privados, coletivos ou individuais. Assim, para as autoras, o desenvolvimento do projeto é complexo e o resultado espacial é uma síntese deste processo, porém envolve rotinas passíveis de serem decodificáveis, o que possibilita a compreensão do processo criativo. No oitavo capítulo, “O desafio de projetar na cidade contemporânea: projetos em aberto”, Evandro Fiorin discute alguns dos problemas urbanos atuais e as possibilidades de outro fazer-ver sobre espaços emblemáticos de algumas cidades do interior paulista. Nesse sentido, procura revelar, por meio de trabalhos de pesquisa, novos modos de perceber e projetar diante das mudanças em curso nessas cidades, por meio de “projetos abertos”, despidos de modelos civilizatórios, com especial atenção às especificidades do lugar, aos seus imaginários e à liberdade de uso que se pode fazer presente em cada ação e, de maneira efêmera ou permanente, suscitar a democratização do espaço. A coleção se encerra com “O processo criativo do projeto arquitetônico e os referenciais projetuais no trabalho final de graduação”, texto em que Hélio Hirao contribui para o debate sobre o ensino da prática projetual no trabalho final de graduação dos cursos de Arquitetura e Urbanismo. Assim, apesar de os capítulos apresentados neste livro serem diversificados, a heterogeneidade dos assuntos pretende ser profícua na construção de uma necessária visão multidisciplinar sobre arte, ciência e processos criativos.

Os organizadores