As musas

Alex Michaelides · Capítulo 12 de 30

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As musas

Capítulo 11

 

Quase catorze meses tinham se passado desde então, desde a morte de

Sebastian. Mas, em muitos aspectos, Mariana ainda estava lá, ainda presa

na praia de Naxos, e ficaria assim para sempre.

Estava estagnada, paralisada — como Deméter estivera uma vez, quando

Perséfone, sua filha querida, foi raptada por Hades, que a levou ao Mundo

Inferior para ser sua noiva. Deméter sucumbiu, dominada pela tristeza.

Recusava-se a sair de onde estava ou a ser transportada de lá. Simplesmente

se sentou e chorou. E, ao redor, o mundo natural sofreu com Deméter: o

verão virou inverno; o dia virou noite. A terra mergulhou no sofrimento da

perda; ou, mais precisamente, em melancolia.

Mariana se identificava com isso. E agora, conforme se aproximava

mais e mais do Saint Christopher’s College, ela se viu andando com uma

ansiedade crescente, já que as ruas familiares tornavam difícil impedir que

as lembranças invadissem sua mente — fantasmas de Sebastian espreitavam

em cada esquina. Ela mantinha a cabeça baixa, sem olhar para cima, feito

um soldado tentando passar despercebido em território inimigo. Precisava

manter a linha se quisesse ser útil para Zoe.

Era por isso que ela estava ali — por Zoe. Deus sabia que, se dependesse

de Mariana, ela jamais teria retornado a Cambridge. E estava sendo mais

difícil do que imaginava — mas faria isso por Zoe. Zoe era tudo o que lhe

restava.

Mariana dobrou a esquina da King’s Parade e entrou na rua de

paralelepípedos irregulares que ela conhecia tão bem. Seguiu até um portão

de madeira no fim da rua. Olhou para cima.

O portão do Saint Christopher’s College tinha pelo menos o dobro de

sua altura e ocupava uma parede de tijolos vermelhos coberta de hera. Ela se lembrava da primeira vez que tinha se aproximado desse portão —

quando chegara da Grécia para a entrevista do processo seletivo da

faculdade, com pouco mais de 17 anos, sentindo-se tão pequena e insegura,

tão assustada e solitária.

Era tão estranho ter a mesma sensação agora, quase vinte anos depois.

Ela empurrou o portão e entrou.