As musas
Capítulo 11
Quase catorze meses tinham se passado desde então, desde a morte de
Sebastian. Mas, em muitos aspectos, Mariana ainda estava lá, ainda presa
na praia de Naxos, e ficaria assim para sempre.
Estava estagnada, paralisada — como Deméter estivera uma vez, quando
Perséfone, sua filha querida, foi raptada por Hades, que a levou ao Mundo
Inferior para ser sua noiva. Deméter sucumbiu, dominada pela tristeza.
Recusava-se a sair de onde estava ou a ser transportada de lá. Simplesmente
se sentou e chorou. E, ao redor, o mundo natural sofreu com Deméter: o
verão virou inverno; o dia virou noite. A terra mergulhou no sofrimento da
perda; ou, mais precisamente, em melancolia.
Mariana se identificava com isso. E agora, conforme se aproximava
mais e mais do Saint Christopher’s College, ela se viu andando com uma
ansiedade crescente, já que as ruas familiares tornavam difícil impedir que
as lembranças invadissem sua mente — fantasmas de Sebastian espreitavam
em cada esquina. Ela mantinha a cabeça baixa, sem olhar para cima, feito
um soldado tentando passar despercebido em território inimigo. Precisava
manter a linha se quisesse ser útil para Zoe.
Era por isso que ela estava ali — por Zoe. Deus sabia que, se dependesse
de Mariana, ela jamais teria retornado a Cambridge. E estava sendo mais
difícil do que imaginava — mas faria isso por Zoe. Zoe era tudo o que lhe
restava.
Mariana dobrou a esquina da King’s Parade e entrou na rua de
paralelepípedos irregulares que ela conhecia tão bem. Seguiu até um portão
de madeira no fim da rua. Olhou para cima.
O portão do Saint Christopher’s College tinha pelo menos o dobro de
sua altura e ocupava uma parede de tijolos vermelhos coberta de hera. Ela se lembrava da primeira vez que tinha se aproximado desse portão —
quando chegara da Grécia para a entrevista do processo seletivo da
faculdade, com pouco mais de 17 anos, sentindo-se tão pequena e insegura,
tão assustada e solitária.
Era tão estranho ter a mesma sensação agora, quase vinte anos depois.
Ela empurrou o portão e entrou.