Chauvinismo e extrema direita
8. O debate sobre o caráter ideológico e organizativo das organizações chauvinistas na contemporaneidade
8. O debate sobre o caráter ideológico
e organizativo das organizações
chauvinistas na contemporaneidade
“[...] na sociedade cada homem existe numa determinada
situação de classe à qual naturalmente pertence a inteira
cultura de seu tempo; não pode assim haver nenhum conteúdo
de consciência que não seja determinado pelo ‘hic et nunc’ da
situação atual. [...] uma consciência pretensamente livre dos
liames sociais, que trabalha por si mesma, puramente a partir
do interior, não existe e ninguém jamais conseguiu demonstrar
a sua existência. Creio que os chamados intelectuais
desprovidos de vinculações sociais, como também o slogan,
hoje em moda, do fim da ideologia, sejam uma pura ficção, que
não tem propriamente nada a ver com a efetiva situação dos
homens reais na sociedade real.” (Kofler; Holz; Abendroth,
1969, p.40)
Em 1969 em uma entrevista concedida a Kofler, Holz e Abendroth, publicada com o título “Conversando com Lukács”, o filósofo húngaro afirmou um elemento de caráter ontológico fundamental: o reconhecimento do homem ativo no mundo real como portador de atos teleológicos.
Neste sentido, a ideologia dos herdeiros do Sigma, segundo os pressupostos lukacsianos, é aqui compreendida como manifestação de atos teleológicos secundários, enquanto prévia-ideação que condiciona a prática política dos militantes, como fundamentado no primeiro capítulo. A ideologia integralista enquanto concepção autocrática de ordenamento social é uma configuração de concepções resultantes de uma ideologia de classes, resultante da expressão das conflitualidades sociais de sua época.
A Ação Integralista Brasileira (AIB), que atuou no país legalmente entre 1932 e 1938, foi o resultado da articulação de intelectuais brasileiros apologetas dos regimes autocráticos chauvinistas da Europa na primeira metade do século XX.
Plínio Salgado, em visita à Europa na década de 1920, encontrou-se inclusive com Mussolini, afirmando que “não era bem isso que o Brasil precisava, mas era algo semelhante”, como fez referência um dos pioneiros estudiosos do integralismo brasileiro, Hélgio Trindade (1974).
Os primeiros partidos políticos chauvinistas articularam elementos comuns em suas formas de organização e militância; ideologia nacionalista exacerbada, culto ao líder, organizações milicianas de caráter paramilitar, escolas de formação política para solidificar as respectivas ideologias dos partidos centralizadores nos seus militantes, oriundos em grande medida de segmentos da pequena burguesia, críticos ao sufrágio e ao multipartidarismo em defesa da propriedade privada e ordem.
A identificação da identidade ideológica dos integralistas enquanto expressão da insatisfação das classes médias foi apontada por muitos autores desde os primeiros estudos sobre o tema.
Para Trindade (1974), em seu trabalho pioneiro sobre a AIB, a organização foi interpretada em sua composição como formada na maior parte por segmentos das classes médias:
A fascinação pela experiência fascista na Europa e o
surgimento dos movimentos de extrema direita no Brasil
conduzirão Salgado a fundar a Ação Integralista Brasileira com
o objetivo de influir sobre os rumos ideológicos da Revolução
de 1930. A rápida ascensão do integralismo e a sua penetração
ideológica no seio das classes médias, como também entre
certos segmentos das classes trabalhadoras, transformará este
movimento na primeira organização de massa no Brasil.
(Trindade, 1974, p.288)
Chasin (1978) definiu também a identidade de classe dos integralistas como de origem pequeno-burguesa:
Poder-se-ia falar aqui de um estado intermédio para um
capitalismo intermédio. Ou em termos mais usuais; um estado
pequeno-burguês a dirigir soberanamente um capitalismo
pequeno-burguês de base rural. Estado Forte duplamente
limitado; de um lado pela concepção espiritualista do homem,
de quem é utensílio e protetor, e do outro pelo nacionalismo
defensivo, de raiz tradicionalista [...]. (Chasin, 1978, p.613)
Na tese de Márcia Carneiro (2007), na sua introdução intitulada “Integralismo a Herança e os Herdeiros”, a pesquisadora também abordou a questão da identidade de classe entre os integralistas. E, no terceiro capítulo “O movimento integralista – as fases, seus contextos e formas de organização”, a autora apontou elementos sobre o contexto em que a AIB surge no debate político nacional. Analisando e abordando o contexto de crise de hegemonia no qual surge o movimento integralista, a autora afirmou que ele foi composto de frações da pequena e média burguesia urbana e rural desde a década de 1930:
Neste capítulo, refletirei sobre a Ação Integralista Brasileira
(1932 a 1937), utilizando-me da perspectiva analítica de
Gramsci. O integralismo é analisado enquanto aparelho privado
de hegemonia e posteriormente como partido, no âmbito da
sociedade civil, em situação de disputa, na sociedade política,
pelo controle dos aparelhos de Estado. A AIB, no contexto de
crise de hegemonia que sucedeu a chamada “Revolução de
30”, significou a possibilidade de inserção no espaço de luta
pelo controle da sociedade política de frações da pequena
burguesia e classe média urbana e rural antiliberal que, em
guerra de posição, organizavam-se e produziam ideias que
ganhavam adesões, principalmente pelo apelo católico/fascista
anticomunista e antissemita. (Carneiro, 2007, p.23)
A historiadora Natalia Cruz (2004b) na sua tese de doutorado posicionou-se a respeito da base social dos integralistas da década de 1930 também defendendo a origem do movimento nas camadas médias. Segundo a autora, o que elas postulavam era uma modernização que lhes garantisse uma inserção social, daí a concepção autoritária e conservadora da AIB, no sentido de controlar o processo modernizador, num arranjo institucional que permitisse um ordenamento social extremamente hierárquico, no qual cada grupo social teria seu lugar e seu papel na sociedade.
O pesquisador Leandro P. Gonçalves (2006) na sua dissertação de mestrado, defendida em 2006, analisou os romances de Plínio Salgado como expressão burguesa, pautado na teoria da Lucien Goldmann. O estudo em questão abordou a produção literária de Plínio Salgado com a preocupação de colocar nos romances seus objetivos políticos e seu pensamento como expressão das classes médias. Para o autor, nas obras literárias de Plínio Salgado são efetuadas críticas à sociedade e à defesa. Enquanto o comunismo e o liberalismo são tratados como males que têm de ser extirpados da sociedade, o integralismo é colocado como o único capaz de salvar a humanidade desses inimigos da ordem.
Gilberto Calil (2005) em sua tese sobre o Partido de Representação Popular afirmou serem os integralistas uma expressão política da pequena burguesia. O autor discutiu a base social do PRP (Calil, 2005, p.238-282) e o perfil social dos eleitores, dos militantes e dirigentes municipais, dos dirigentes estaduais e da direção nacional. Foram identificadas diferenças no perfil entre estas diversas instâncias, havendo por um lado um peso muito maior de pequenos proprietários rurais e pequenos comerciantes entre os eleitores e dirigentes municipais e, em contrapartida, um maior peso de profissionais liberais e mesmo integrantes da burguesia, nas instâncias superiores.
As pesquisas de Gilberto Calil (2005, p.58) sobre as relações dos integralistas com o golpe de 1964 também afirmam a relação de financiamento das publicações do PRP por parte de frações da burguesia que tinham interesse nas publicações integralistas por disseminarem o anticomunismo A investigação realizada por Christofoletti (2011) apresentou importantes dados sobre o perfil social de intelectuais do Sigma que tiveram artigos e fragmentos de livros publicados na Enciclopédia do Integralismo, empreitada editorial de doze volumes iniciada em 1957, realizada como parte das comemorações de 25 anos de divulgação do integralismo no Brasil.
A Enciclopédia do Integralismo foi uma iniciativa do militante e líder “águia branca” Gumercindo Rocha Dórea sob o consentimento e direção direta de Plínio Salgado.
Christofoletti (2011, p.205) evidenciou que Dórea revelou em entrevista que ele e Plínio Salgado pessoalmente visitavam pessoas com recursos, “coronéis milionários”, para solicitar auxílio financeiro para os empreendimentos de publicações: “Me lembro bem desde então, quantas vezes estivemos eu e o chefe, Plínio, visitando estes coronéis milionários (avôs dos grandes latifundiários de hoje).”
Os escritores da Enciclopédia, seus perfis socioeconômicos, profissões e escolaridade, foram evidenciados e debatidos pelo autor, revelando importantes informações sobre a identidade de classe dos mais expressivos intelectuais do Sigma do período analisado pelo investigador:
Nascidos entre 1891 a 1933 estes integralistas são filhos de
pais com profissões diversas. A maioria (78%) possui pais com
profissões liberais (advogados, médicos, e professores) ou
vinculadas ao comércio, bem como à aristocracia rural, ou
mesmo às Forças Armadas (com exceção da Aeronáutica), em
todas as suas patentes. Há também próceres industriários,
embora em pequeno número (perto de 15% do total dos
indivíduos). [...] A maioria absoluta dos indivíduos em análise
realizou seus estudos pré-universitários e a graduação em
Direito no estado em que nasceu. Aliás, o determinante
fundamental neste foco é sinalizar a esmagadora maioria de
formados em Direito, Engenharia e Medicina, sobretudo pelas
três mais influentes escolas jurídicas do país em meados dos
anos 1930: Rio de Janeiro, Recife e São Paulo. [...] Após a
formação universitária, estes integralistas incorporaram um
léxico de práticas comuns às suas respectivas ocupações,
sobretudo, aos bacharéis de direito, que facilitou o
reconhecimento, por parte da sociedade, de suas trajetórias
como juristas. (Christofoletti, 2011, p.175-176)
Christofoletti (2011) afirmou em sua tese que entre os militantes por ele analisados destacaram-se principalmente as profissões de advogados e professores. Estas informações também corroboram com a compreensão da lógica de guerra de posição executada pelos integralistas que proporcionaram condições para que os herdeiros do Sigma continuassem articulados sob seu espectro
ideológico.1
Os autores acima citados, em sua maioria pesquisadores do Grupo de Estudos sobre o Integralismo (Genint), são consensuais ao identificarem nas suas pesquisas a identidade de classe dos herdeiros do Sigma.
O movimento, mesmo tendo expressões de participação entre trabalhadores e alguns membros da burguesia, tinha de fato – a AIB na década de 1930 e o PRP durante o período da Guerra Fria – em seus quadros a maioria dos militantes oriundos das classes médias. Este foi um resultado importante obtido nesta investigação, relacionando a identificação da identidade de classe dos integralistas, através das referências dos estudos clássicos sobre o tema, assim como por meio das novas produções.
Os movimentos e partidos portadores de ideologias marcadas pelo chauvinismo souberam aproveitar os contextos políticos depois de 1945 e foram favorecidos pela realidade do período da Guerra Fria. E, após o término da Segunda Guerra, de acordo com Vizentini (2000), foram articuladas redes de solidariedade ideológica entre organizações políticas filiadas a concepções ideológicas nacionalistas.
A derrota das “Potências do Eixo” e de seus aliados propiciou condições para que muitos militantes começassem a agir na ilegalidade. E, quando o comunismo foi propalado como último inimigo a ser derrotado pelas “democracias” ocidentais do período da Guerra Fria, muitas organizações gradualmente voltaram a estruturar-se como movimentos ou partidos políticos, apresentando o anticomunismo como bandeira ideológica comum.
No Brasil, os antigos aliados do fascismo italiano e seus congêneres também continuaram a rearticular-se, possibilitando, em perspectiva gramsciana, a interpretação de uma guerra de posição, na continuidade de atuação desses grupos.
É o caso do integralismo brasileiro, pois Plínio Salgado, exilado por Vargas em Portugal, entre 1939 a 1945, fundou após seu retorno o Partido de Representação Popular (PRP), aglutinando novamente antigos militantes que se reorganizaram na segunda fase de militância dos integralistas. Após a dissolução do PRP em 1968, como foi citado, Plínio Salgado continuou na vida política apoiando a ditadura militar como deputado federal. Os integralistas desde a década de 1932 apresentaram provas históricas de que, se necessário, podem recorrer à violência. São fatos históricos confirmados por pesquisadores e publicações, os exemplos dos confrontos entre militantes integralistas e comunistas, resultando, em alguns casos, em mortes, como em São Paulo na praça da Sé e em Bauru (interior de São Paulo) fatos ocorridos na década de 1930.
Nos núcleos da AIB, que existiram em algumas centenas de cidades do Brasil, os militantes tinham treinamento físico, em certos núcleos aprendiam lutas de contato e treinamento paramilitar. O antissemita Gustavo Barroso era o líder das milícias do Sigma. Os integralistas eram também vigiados pela polícia política do governo Getúlio Vargas, o DOPS, e existem muitas fotos que comprovam a apreensão de armas em núcleos da AIB, naquele período, pela polícia varguista. E é claro, não se pode aqui deixar de fazer referência à tentativa de golpe de Estado dos integralistas que na década de 1930 ao lado de outros opositores de Vargas tentaram tomar o Palácio da Guanabara, então sede do governo federal no Rio de Janeiro, ocasião de mortes e prisões de alguns golpistas (Silva, 1964).
Estas evidências podem ser consultadas em referências bibliográficas e em centros de documentação, como o Arquivo Público do Estado de São Paulo e o Arquivo Público Municipal da cidade de Rio Claro (SP), onde existem muitos documentos dos antigos núcleos da AIB e coleções de jornais integralistas editados na década de 1930. Lá estão provados em vários de seus artigos os posicionamentos favoráveis da AIB em relação à Itália de Mussolini, à Alemanha nazista, ao regime Salazarista em Portugal e, do general Franco na Espanha, como foi comprovado em pesquisa anterior (Barbosa, 2007).
Depois da Segunda Guerra, os líderes integralistas buscaram de várias formas negar sua apologia às autocracias chauvinistas da Europa e até mesmo reeditaram livros de intelectuais integralistas alterando palavras de apoio ao fascismo e nazismo que constavam em publicações da organização editadas antes de 1945. Isso ocorreu, sobretudo, na edição da década de 1950 das obras completas de Plínio Salgado.
Os famigerados buscaram sempre mostrar que eram “diferenciados” dos movimentos e partidos nacionalistas que estavam em voga na primeira metade do século XX, negando que pertenciam a um partido que prestou apoio e recebeu financiamento do fascismo italiano, e que enviou militantes para lutar na Guerra Civil Espanhola ao lado dos franquistas, como apontado e referenciado, e que suas preferências ideológicas estão provadas nos livros e jornais que publicaram antes do final da Segunda Guerra.
A ideologia do Sigma não é, entretanto, uma cópia mimética e possui elementos particulares, o que não dissocia os integralistas pretéritos e contemporâneos da universalidade das expressões chauvinistas, como manifestação defensiva de reação e de repúdio à esquerda e ao liberalismo na defesa de valores retrógrados de ordenamento social.
8.1 A função social da ideologia integralista
contemporânea através da análise dos temas
mais recorrentes nas fontes analisadas
A investigação das fontes possibilitou, numa perspectiva crítica, o estudo das permanências e mudanças nos valores preconizados pelos líderes da AIB da década de 1930, por meio das publicações impressas e das novas tecnologias de informação e comunicação. Em contraposição às tradicionais teorias sobre o fascismo, baseadas em critérios explicativos assentados no papel do líder carismático e do partido único de massa e de base social composta por elementos da pequena burguesia, os movimentos e partidos chauvinistas contemporâneos apresentam-se como um pertinente objeto de investigação para as Ciências Sociais, despertando
também preocupações em setores da Inteligência Militar. 2 Pois, em muitos casos, mesmo não estando mais organizados dentro de legenda partidária e sem uma liderança central, como apontado, possuem uma rede de articulação e divulgação internacional de suas ideologias, assim como práticas violentas, homofóbicas e segregadoras.
Estas organizações buscam interpretar a conjuntura contemporânea e intentam preparar e mobilizar os seus adeptos para ações na sociedade. E as novas tecnologias cumprem novas determinações fundamentais, num sentido diretivo e organizativo, para a continuidade da difusão de suas concepções de ordenamento social.
As propostas políticas e econômicas divulgadas pelos meios impressos e sites dos atuais núcleos integralistas também apresentaram textos que evidenciaram a tentativa de atualização de suas concepções ideológicas.
Como exemplo desta proposição, há o artigo “Resumo das
principais propostas integralistas”. 3 Esta e outras fontes selecionadas e referenciadas nesta pesquisa possibilitaram a interpretação de que aproximados com a plataforma política de organizações chauvinistas internacionais, porém apresentando particularidades, os integralistas contemporâneos também buscam modernizar os elementos constitutivos de sua propaganda política.
O referido texto, como exemplo das novas propostas, defende no plano econômico o apoio a investimentos do capital internacional com a atuação de empresas estrangeiras no país; no plano tributário a defesa do imposto único; e no plano político o apoio ao pluripartidarismo e a crítica à globalização em defesa do nacionalismo.
Os boletins, informativos, jornais e sites analisados apresentaram, como constatado, temas modernos como a crítica à globalização, aos movimentos sociais como o MST e ao Partido dos Trabalhadores – PT, a oposição ao aborto, a defesa da ecologia e do pluripartidarismo e a negação da identidade ideológica autocrática, temas evidenciados e comprovados nas referências das fontes pesquisadas e explanados do quinto ao sétimo capítulo da investigação.
A análise das fontes possibilitou a interpretação de que os atuais militantes procuram modificar alguns de seus pressupostos buscando maior aceitabilidade perante a opinião pública. Assim como os integralistas do período do PRP, os herdeiros do Sigma na atualidade não querem a identificação com o fascismo. Porém, os integralistas hoje, assim como outrora, entram em contradição quando seus textos e concepções são colocados sob a análise científica crítica e revelam que elementos ideológicos autocráticos continuam como base de sustentação dos valores preconizados pelo objeto aqui investigado.
Neste sentido, ressalta-se a pertinência da tese defendida por José Chasin (1978) que, figurando entre os estudos inaugurais sobre o tema, proporcionou ao debate político e acadêmico brasileiro a interpretação sobre o legado da ideologia formulada por Plínio Salgado sob a perspectiva dos fundamentos de György Lukács (1959). Como apontado na última parte do quarto capítulo, os desdobramentos de uma formação marcada pelo caráter hipertardio de desenvolvimento das instituições sociais proporcionou como contradição o estreito desenvolvimento das formas populares de participação política, gerando um modelo de Estado conservador e de caráter autocrático (Chasin, 1978).
Neste contexto, intelectuais e organizações políticas de caráter chauvinista no Brasil encontraram um caminho propício para a ressonância das suas ideologias, como apontado no segundo capítulo. Posteriormente, na segunda metade do século XX, a conjuntura da Guerra Fria e a ditadura militar continuaram a favorecer a defesa do modelo autocrático de ordenamento social, propiciando a continuidade da militância de muitos ativistas e organizações em guerra de movimento e em guerra de posição, nos aparelhos na sociedade civil e até em partidos políticos conservadores – elementos abordados no terceiro e no quinto capítulos.
As informações obtidas através das fontes selecionadas revelaram especificamente dados importantes da trajetória da busca pela reorganização de um movimento integralista nacional.
O que está sendo colocado em pauta nas últimas décadas de forma polêmica entre os militantes é novamente o retorno a um movimento de dimensões nacionais, centralizado que agregue as tendências integralistas em atuação. Assim, compreende-se aqui que não existe um neointegralismo, existe um integralismo contemporâneo ativo e organizado, porém dividido, que apresenta divergências entre suas lideranças sobre continuar com as pretensões de firmar um movimento político cultural sem fins eleitorais ou voltar a ser um partido político com pretensões de institucionalização e disputas eleitorais.
As fontes, sendo assim, cumpriram a expectativa, colocada nos objetivos estabelecidos no início da investigação, de proporcionar informações sobre a trajetória e as permanências e mudanças ainda presentes na ideologia divulgada pelos intelectuais do Sigma.
No sexto capítulo, como apontado, na reconstrução de informações sobre o contato entre militantes integralistas e simpatizantes diversos, as informações averiguadas no boletim Alerta, em seus artigos e, em específico, na seção “Cartas”, contribuíram para o entendimento de que o boletim exerceu um papel representativo na articulação das estabelecidas entre os herdeiros do Sigma, como apontado, na busca de reorganização do movimento, assim como foi um canal de ligação dos mesmos com outros nacionalistas espalhados pelo país.
A iniciativa de agrupar e cadastrar os nomes e endereços numa rede de contatos, realizada por Arcy Estrella e pelos militantes do Centro Cultural Plínio Salgado, formou a configuração de uma rede de âmbito nacional composta por simpatizantes, apoiadores e ativistas que colaboraram nas articulações para a reorganização em nível nacional. Estes, durante anos, buscaram agremiar novos participantes, socializar e desenvolver materiais de formação política, como os jornais, boletins e sites, que serviriam como ferramentas coordenadoras da práxis integralista.
Somam-se a isso iniciativas e as ferramentas aplicadas na militância de Marcelo Mendez, por exemplo, que, como algumas outras lideranças das últimas duas décadas, dedicou parte de sua vida a divulgar o integralismo, através de meios de comunicação, outrora só impressos e radiofônicos e potencializado hoje por meio das novas tecnologias da informação e comunicação. Em edição de setembro de 1999 o boletim Alerta trouxe informações da primeira
menção do lançamento de um site integralista. 4 Desde então, como foi constatado, expandiu-se o número de sites e outras ferramentas de informação e comunicação.
Os antípodas não devem ser desmerecidos, não no aspecto de suas estratégias de busca de expansão de suas ambições para reconstruírem aparelhos políticos organizados e atuantes utilizando, em grande medida, a internet como ferramenta, como apontaram as pesquisas de Adriana Dias (2007), sobre a atuação dos neonazistas brasileiros e estadunidenses, e de Fábio Chang (2009), sobre os grupos nacional-socialistas na Argentina. Também vai nesta direção de diagnóstico do papel da internet na práxis de organizações chauvinistas o National Alliance, organização estadunidense analisada na pesquisa de Tatiana S. P. Figueiredo (2008). A internet é hoje um grande diferencial na prática política dos grupos chauvinistas.
As fontes pesquisadas revelaram uma relativa difusão do integralismo, evidenciada com o crescimento gradual do número de núcleos, com a organização de eventos e com o crescimento de sites e informativos impressos que apresentou uma expansão nas últimas duas décadas.
Na história dos oitenta anos de fundação do integralismo e da militância de seus seguidores muitos camisas verdes dedicaram-se a uma direta guerra de posição, de ocupação de espaços nas instituições da sociedade, atuando como professores, advogados, editores. Desde a primeira metade do século XX também adentraram em espaços da sociedade política nas instituições representativas, elegendo deputados, prefeitos e vereadores através da legenda da AIB e do PRP. Na atualidade, também continuam suas tentativas pela implantação do que Plínio Salgado denominou Estado Integral, entretanto, manifestando elementos rarefeitos de fortuna e virtude, buscando instrumentalizar as condições e maximizar ferramentas e possibilidades para a continuidade de sua ideologia, através do conhecimento que a inteligência das condições de sua força é maior que a própria força; assim buscam se reconfigurar e expandir como organização nacionalista.
O resultado da análise das fontes selecionadas comprovou a relativa expansão do número de núcleos e meios de comunicação entre 1995, ano de lançamento do Alerta até os dias de hoje.
Nas pesquisas realizadas sobre os conteúdos do boletim Alerta, por exemplo, muitos artigos divulgaram relações do Centro Cultural Plínio Salgado e organizações de caráter nacionalista que buscaram ser integradas ou manifestaram apoio às iniciativas de Arcy Strella, como exemplificado na publicação Nacionalistas de Norte a Sul, na qual foi divulgada uma extensa lista de mais de três dezenas de endereços de núcleos integralistas e de grupos chauvinistas ligados
aos intelectuais do Sigma.5
Na edição de julho de 2000 o boletim Alerta publicou a notícia na primeira página sobre o I Encontro Nacionalista de Santos, realizado no mês de janeiro de 2000, evidenciando as articulações entre os
militantes. 6 Nesses encontros a questão da refundação do integralismo enquanto partido político foi retomada e debatida, e também este debate repercutiu em muitos artigos analisados nesta investigação, evidenciando o antagonismo entre lideranças que não apresentaram consenso na questão da volta à estratégia de um partido do Sigma registrado e pleiteando eleições.
Em perspectiva crítica os artigos de Maria Amélia Loureiro Salgado7 e de alguns outros militantes posicionaram-se de forma contrária às possibilidades da reorganização partidária do integralismo, defendendo que o legado do Sigma deve orientar movimentos culturais, como no artigo “Integralismo não é Partido”, de autoria da
militante de Foz do Iguaçu (PR) Fernando Rodrigues Batista. 8
Entretanto, posicionamentos diferentes de algumas lideranças apoiam o retorno à estratégia eleitoral, como por exemplo Jorge Figueira, que afirmou a sua estratégia de divulgação da necessidade do retorno à tática eleitoral para a FIB, presente no artigo “O Camisa-Verde sem título de eleitor é um soldado
desarmado. Façamos dessa frase novamente nosso slogan.” 9
Já Jenyberto Pizzotti, da AIR, reivindicou a liberdade de interpretação da ideologia integralista e criticou a busca de centralização dos núcleos e dos militantes existentes, e argumentou que o integralismo deve ser na atual conjuntura um movimento de
princípios políticos e não um partido político institucionalizado.10
A posição dirigente da AIR, segundo os documentos investigados, posicionou-se de forma contrária a estratégia da atual militância em apoiar “em bloco” a indicação de candidatos para pleitos eleitorais, prática constatada na análise dos sites e publicações dos outros dois grupos integralistas mais expressivos: a FIB e o MIL-B, como apontado.
A liderança integralista linearista exercida por Cássio Guilherme Reis defendeu, segundo a acepção gramsciana de “guerra de movimento”, como constatado no sétimo capítulo, a estratégia eleitoral apoiando candidatos integralistas e nacionalistas, como também foi referenciado, no capítulo em questão, o MIL-B e a FIB nas eleições de 2010 apoiaram candidatos e propagandearam os
mesmos em seus sites. 11
O voto nulo foi também defendido, segundo os linearistas, para as eleições presidenciais de 2010 em protesto ao que o artigo definiu como farsa eleitoral, como explicitado no “Manifesto eleitoral à
Nação 2010”. 12
Um tema recorrente nas publicações integralistas analisadas foi a
crítica aos movimentos sociais, 13 14 sobretudo ao MST, a UNE e ao
movimento estudantil,15 16 a globalização e a ONU.
O Partido dos Trabalhadores – PT,17 como comprovado, foi alvo também de muitos artigos críticos da FIB e do MIL-B, com a
acusação de que estaria “implantando o socialismo no país”, 18
promovendo conflitos raciais por meio das políticas de cotas19 e ferindo princípios “naturais” e “morais” da sociedade brasileira através principalmente do Plano Nacional de Direitos Humanos
(PNDH3),20 que permitiria, segundo o artigo, a legalização do aborto.
A questão do aborto foi também uma das temáticas mais discutidas nos boletins, jornais e sites integralistas contemporâneos. Segundo a publicação Bandeira do Sigma, a banalização do aborto e a hegemonia esquerdista transformarão o país em uma “nação cada
vez mais materialista”.21
A questão da crítica à defesa do direito a escolha pelo aborto é uma bandeira ideológica importante das organizações chauvinistas nas últimas décadas, como constatado no verbete “Aborto”, do
Dicionário crítico do pensamento da Direita 22 .
A questão da influência do pensamento organicista no integralismo foi identificada na afirmação de que o país é apresentado como um “grupo natural”, assim como a família, ambos são interpretados como grupos naturais que sustentam a “Pátria”, segundo os
intelectuais do Sigma. 23
No documento citado no capítulo anterior, o denominado “Manifesto da Guanabara”, foi afirmado que o integralismo e sua proposta da organização defendem não um sistema de governo e sim um regime baseado no “direito natural” e no “direito positivo”.
A instrumentalização de concepções ideológicas sobre “grupos naturais” que compõem a sociedade é um recurso discursivo evidenciado no pensamento político da direita:
Para o pensamento de direita, trata-se de um recurso
metafórico pelo qual se explicam os fatos sociais por processos
que situam-se fora do social. Em acordo com a “natureza das
coisas”, a desigualdade social é assim explicada e justificada.
[...] Uma “lei natural” aplica-se, assim, aos sistemas vivos em
sua totalidade: tendo por base a suposta desigual repartição de
aptidões, estabelecem-se hierarquias e dá-se vazão ao extinto
de dominação sobre os semelhantes. Um processo de
“culturalização da natureza” explica a descrição das sociedades
animais como competitivas e reguladoras pela sobrevivência
dos mais aptos, como fez Spencer por analogia aos princípios
que ordenaram a própria sociedade capitalista do século XIX.
Um processo inverso e complementar de “naturalização da
cultura” procura explicar a sociedade capitalista como
naturalmente desigual, expressão lógica da sobrevivência dos
biologicamente mais competitivos e geneticamente mais aptos.
(Acselrad, 2000, p.320-1)
A concepção organicista de ordenamento social integralista enfatiza o papel das famílias e municípios como células que “compõem a Nação”: “ordem natural preestabelecida – tradicional, hierárquica e harmônica – que se traduz numa perspectiva de caráter biológico”:
[...] na ideia de ordem, em sua acepção mais geral, está
subjacente a tradição, na medida em que ela se funda na noção
de ordem natural, deduzida por analogia das leis da natureza –
[...] Acreditam na importância de uma ordem natural
preestabelecida – tradicional, hierárquica e harmônica – que
traduzem numa metáfora biológica: organicismo. [...] Ordem
natural e organicismo, ao lado da recusa a qualquer
generalização sobre os homens, são fundantes de uma
concepção de comunidade hierarquizada, de desigualdade
natural de estrutura social, de utopia de uma harmonia social.
(Resende, 2000, p.58-60)
Esta concepção é enfatizada nos textos dos intelectuais do Sigma pretéritos e contemporâneos que defendem afirmações de que a família enquanto “instituição natural e divina” tem como fundamento pessoas de sexos distintos, revelando explicitamente valores
homofóbicos e de caráter fundamentalista cristão.24
Neste sentido, foram identificadas publicações que apresentaram vários elementos argumentativos de caráter homofóbico,
evidenciando os valores discriminatórios dos herdeiros do Sigma. 25
A homofobia é um elemento ideológico distintivo dos grupos chauvinistas na contemporaneidade e esta questão é historicamente evidenciada, segundo verbete Homossexualidade e Fascismo, no Dicionário crítico de pensamento da direita (Silva, 2000c, p.237-238).
O corporativismo foi um dos principais princípios identificados entre as fontes analisadas. No aspecto de seu modelo de funcionamento político, a defesa do Estado planificado é elemento característico de sistemas autocráticos de controle social, legitimando a crítica nas formas de organizações autônomas entre os trabalhadores, em antagonismo às lutas de classes na apologia à solidariedade entre
as mesmas. 26
Segundo o Dicionário crítico de pensamento da direita, o corporativismo enquanto característica do projeto político propõe a relação harmônica entre grupos e classes antagônicos, pois acima dos interesses específicos de um indivíduo ou de um grupo está o interesse do Estado e da nação (Martinho, 2000, p.106-7).
A defesa do corporativismo do “Estado Integral”, presente, por exemplo, no boletim Bandeira do Sigma, demonstrou que as novas gerações de militantes estão em consonância com o modelo de
estado defendido pelos demiurgos da gênese integralista.27 Estes elementos foram constatados em artigos analisados nesta investigação evidenciando a presença nostálgica da defesa de um modelo corporativista legitimado pela explicação organicista nas publicações analisadas.
A comparação entre as fontes selecionadas nos últimos cinco anos de desenvolvimento da pesquisa evidenciou uma nítida divisão dos atuais militantes entre grupos tradicionalistas representados pela FIB e grupos revisionistas que defendem a atualização da ideologia diante da nova realidade do século XXI, representados principalmente pelo MIL-B e por Jenyberto Pizzotti através de suas tentativas de organização da AIR.
Neste sentido, a investigação sobre o integralismo na atualidade suscitou questões referentes às divergências, mudanças e permanências nos pressupostos ideológicos da década de 1930 divulgados pelas atuais gerações de adeptos do Sigma.
Estes buscaram, desde a experiência do PRP, desvencilhar sua imagem do fascismo e afirmar a singularidade de sua ideologia, como proposta “genuinamente nacional”. Porém, como já apontou Silva (2000a), a negação dos vínculos com o fascismo e a ideia de singularidade são elementos presentes nos discursos autocráticos de direita.
Na análise dos boletins, informativos, jornais, sites e blogs realizadas na investigação, valores autocráticos e anacrônicos foram constatados e estes militantes portadores de uma ideologia regressiva continuam a arquitetar na contemporaneidade moderna estratégias para a difusão de valores.
Entre os temas elencados acima, muitos deles foram constatados como diretivas presentes nas proposições resultantes do IV Congresso Nacional Integralista, realizado no início de 2012, mostrando a atualidade dos temas citados nas publicações analisadas e que estiveram presentes no debate integralista de seu último encontro nacional.
Na análise da “Declaração do IV Congresso” os resultados e conclusões apresentados pela publicação e a identificação de seus fundamentos ideológicos corroboraram com a elucidação de pontos importantes defendidos pelo integralismo do início do século XXI.
Na referida fonte primária citada abaixo, temas como a defesa do corporativismo implícita na concepção de “Democracia Orgânica”, a defesa de uma definição de “Direito Natural”, segundo o texto, “de Constituição Tradicional, Natural, Orgânica e Histórico-Social da Nação”, foram explicitados, assim como a defesa do discurso de caráter fundamentalista cristão polemizando temas como o aborto e apologia à homofobia. No aspecto da conjuntura política nacional os integralistas na “Declaração do IV Congresso” acusaram e criticaram o governo do PT, inclusive culpando o mesmo de promover o homossexualismo e o aborto.
Em âmbito internacional a articulação com organizações chauvinistas estrangeiras também foi defendida como objetivo e comprovada na averiguação de fontes que afirmaram a realização
de encontros de membros da FIB com grupos no exterior. 28 Destacaram-se também na análise da fonte em questão as informações sobre o suposto avanço de “novos projetos de comunicação e segurança da informação que julgamos indispensáveis ao desenvolvimento de nossa organização” e do estabelecimento de “metas de trabalho em todos os níveis, visando o estabelecimento e a regulamentação de núcleos [...] bem como o aperfeiçoamento intelectual e cultural dos núcleos e incentivamos uma atitude política ativa”, segundo a fonte documental analisada
sobre os resultados do Congresso Integralista da FIB.29
Obviamente que se pressupõe aqui que os militantes tendem a supervalorizar os feitos e realizações alcançados por eles e seus pares. Entretanto, a questão propriamente do retorno da realização de “Congressos Nacionais Integralistas”, a oferta de cursos virtuais de EaD, modalidade de educação a distância, e a constante menção de informações sobre atividades de núcleos integralistas pelo país, além da constante manutenção na oferta de materiais de informação e formação, presentes nos materiais impressos e sites analisados, proporcionaram elementos importantes para a reflexão sobre a organização em questão e evidenciaram as tentativas e ambições de rearticulação dos herdeiros de Plínio Salgado.
8.2 As tecnologias da informação e
comunicação: novas determinações
Até o final da década de 1980 os movimentos e partidos políticos centravam sua propaganda nos meios impressos, radiofônicos e televisivos. A comunicação e a propaganda, porém, foram potencializadas pela rede mundial de computadores, abrindo novas possibilidades nas disputas políticas do século XXI. E através da socialização ideológica no ciberespaço, variados segmentos chauvinistas encontram um novo território para a ação e propaganda (Dias, 2007; Chang, 2008; Barbosa, 2008, 2011; Figueiredo, 2008; Caldeira Neto, 2011).
A política está no espaço da comunicação, como afirmou Castells (2000) e assim as antigas e novas gerações de integralistas na atualidade suplantam as possibilidades da imprensa tradicional com novas formas de socialização ideológica e interação, através de modernos recursos, não dispensando, entretanto, as estratégias de comunicação e divulgação ideológica, difundidas pelos jornais e informativos impressos.
Na atualidade, a sociedade civil, em perspectiva gramsciana, é a área de atuação privilegiada de organizações integralistas que não têm perfil institucional-partidário. São organizações não registradas legalmente enquanto partidos que aglutinam intelectuais das classes médias, profissionais liberais, trabalhadores e aspirantes à vida política que se identificam com alguns elementos ideológicos comuns, semelhantes aos da década de 1930. São eles: o nacionalismo exacerbado, a crítica ao comunismo e ao liberalismo e o discurso apologético aos projetos de Estado centralizadores, intervencionistas, além da defesa de conteúdos ideológicos de caráter fortemente moralizadores e segregadores. Porém, as atuais publicações dos herdeiros do Sigma apresentaram características que revelaram a busca pela modernização dos temas procurando a atualização à conjuntura nacional e internacional contemporânea, como foi apontado na segunda parte desta investigação.
A sociedade política, segundo o conceito gramsciano, é onde os grupos chauvinistas podem também atuar politicamente, através das instituições representativas, potencializando sua ação na sociedade por meio de partidos políticos devidamente registrados, buscando eleger seus candidatos, como era o caso do Partido de Representação Popular (PRP). Neste sentido, os integralistas sem um partido político na atualidade lançaram alguns candidatos através de outras legendas, evidenciando as tentativas de efetivação dos herdeiros do Sigma de atuação na sociedade política, como no caso das relações entre integralistas e militantes do Prona.
Na contemporaneidade, os herdeiros do Sigma continuam a rearticular-se, mesmo marcados pela descentralização partidária, com membros comprometidos com a difusão de sua ideologia. A partir da década de 1980, e principalmente com grande impulso depois da década de 1990, as novas e antigas gerações de integralistas, mesmo não estando mais articuladas em um partido único, buscam mobilizar simpatizantes e filiar novos militantes. As tentativas de reorganização foram evidenciadas recentemente pela questão dos encontros nacionais. Em 2004, foi realizado o I Congresso Integralista para o século XXI, em 2006 o II Congresso Nacional Integralista, ambos em São Paulo. E o III Congresso Integralista, ocorrido em janeiro de 2009 na cidade do Rio de Janeiro. No ano de 2012 ocorreu o IV Congresso Nacional da FIB, em São Paulo.
A Frente Integralista Brasileira (FIB), entre os novos grupos, defende a manutenção da ideologia formulada originalmente na década de 1930, porém outras organizações enfatizam a necessidade de revisão das concepções diante das novas conjunturas contemporâneas, como o Movimento Integralista Linearista (MIL-B) e a menos expressiva Ação Integralista Revolucionária (AIR).
A FIB é hoje a organização mais representativa e as extintas Brigadas Integralistas representaram a manifestação da possibilidade concreta de formação miliciana dos integralistas na atualidade. Segundo dados publicados na internet, as Brigadas Integralistas representavam uma proposta de segmento de mobilização e ação, e atuaram especialmente na capital de São Paulo. Entre suas atividades, os militantes realizavam manifestações públicas divulgadas em vídeos na rede YouTube, como panfletagens, buscando colocar em evidência o grupo, que tinha por objetivo primeiro a difusão da ideologia integralista, assim como cooptar novos militantes.
O ativismo político na atualidade dispõe de novos territórios de inserção com o ciberespaço e as atuais ferramentas de informação e comunicação, propiciando às novas gerações de integralistas na atualidade suplantarem as possibilidades da imprensa tradicional através das novas formas de socialização ideológica mediadas pelas novas tecnologias.
As diversidades de tendências políticas que expressam as novas manifestações chauvinistas dificultam, porém, a conceituação da natureza ideológica destas organizações contemporâneas. Neste sentido, como apontado, a perspectiva analítica generalizante da concepção de extrema direita é uma definição conceitual abstrata para o estudo de determinados processos múltiplos de movimentos e partidos políticos na atualidade, não proporcionando a compreensão das particularidades das manifestações.
Um exemplo de advertência contra a instrumentalização genérica da expressão extrema direita foi evidenciado nas colocações de Paulo Vizentini (2000), que afirmou que estas manifestações são um
processo múltiplo e diversificado. 30
Camus (2002) referindo-se ao contexto europeu apontou as diferenças entre as manifestações de segmentos políticos chauvinistas e a busca pela atualização dos discursos dos mesmos:
Assiste-se à ascensão de uma extrema direita atípica, que
substitui o culto do Estado pelo ultraliberalismo, o
corporativismo pelo mercado e até, às vezes, o âmbito do
Estado-nação por particularismos regionais ou simplesmente
locais [...] Isso significa que as formações de uma direita dura
que avançam na Europa são, em primeiro lugar, aquelas que,
tendo assumido uma parte da herança ideológica dos
movimentos autoritários, modernizam seu discurso, assim como
sua estrutura organizacional. Defendem uma espécie de
capitalismo ultraliberal protecionista, aceitam formalmente a
democracia parlamentar e o pluralismo, reivindicando uma
modernização, e não mais uma ruptura, do quadro institucional.
Todas essas formações compartilham uma mesma
reivindicação de identidade: a preferência nacional, isto é, a
atribuição de direitos políticos, econômicos e sociais somente
aos nacionais de origem. (Camus, 2002, p.1)
Para o autor acima citado os partidos chauvinistas que reafirmam sua filiação às experiências da década de 1930 têm pouca representatividade eleitoral.
É crescente a atuação de movimentos e partidos políticos que buscam desvencilhar a identificação de suas propostas como herdeiras das ideologias dos movimentos chauvinistas da primeira metade do século XX, mas muitos destes propagam ideias excludentes, marcadas por ideologias de nacionalismo exacerbado, adequadas às novas conjunturas do início do século XXI, como o discurso da Frente Nacional (FN) do francês Jean-Marie Le Pen e agora de sua filha, que o substitui na presidência do partido, Marine Le Pen.
Um exemplo ilustrativo foi o do ex-líder do FPO Jorg Haider, do Partido da Liberdade na Áustria, que buscava apresentar a imagem de um político moderno adequado às condições da política liberal.
Os nacionalistas radicais que apresentam o discurso do “novo” obtêm mais eficácia e as mudanças nos elementos ideológicos da extrema direita apresentam o desafio de investigação das teorias tradicionais do fascismo.
Para Camus, a diversidade organizativa e programática destes agrupamentos políticos requer novos procedimentos analíticos suplantando as conceituações clássicas para os fenômenos chauvinistas da primeira metade do século XX.
Esse programa das direitas estremadas impõe uma questão:
será que ainda se pode falar de formações fascistas e
denunciar essencialmente a continuidade de suas ideologias
com as expressões históricas anteriores do radicalismo de
direita? Parece-nos que, ao contrário, é preciso integrar a
ruptura com os esquemas antigos. (Camus, 2002, p.5)
A popularização dos debates sobre o denominado extremismo político de direita tem gerado repercussão em trabalhos acadêmicos e jornalísticos para a identificação sobre a ação de organizações chauvinistas, sendo o enfoque de pesquisas desenvolvidas principalmente nas últimas duas décadas (Florentin, 1994; Hockenos, 1995; Jimenez, 1997).
As ações, muitas vezes violentas, desses grupos têm impulsionado pesquisadores inclusive latino-americanos a analisarem os grupos congêneres através da expressão extrema direita ou utilizando denominações também popularizadas no meio jornalístico como neonazismo e neofascismo.
No Brasil, novos trabalhos acadêmicos enfocam igualmente diferentes manifestações de extremismo político, como a atuação de vertentes skinheads, como os white powers (Almeida, 2004), Carecas do Subúrbio e Carecas do ABC (Costa, 2003) e neonazistas (Cruz, 2002; Dias, 2007; Chang, 2008). E recentes estudos apontam rearticulações de velhos militantes da AIB com novas gerações de integralistas a partir de 1980 até a atualidade (Cruz, 2004a, 2007; Carneiro, 2007; Barbosa, 2008, 2011; Caldeira Neto, 2011).
Esses estudos também destacam o advento dinamizador de novos recursos interativos que redimensionam as estratégias de formação ideológica e organização por meio das novas determinações propiciadas pelas tecnologias de comunicação (Dias, 2007; Barbosa, 2008; Chang, 2008; Figueiredo, 2008; Caldeira Neto, 2011).
Na perspectiva de examinar a ideologia veiculada por grupos nacionalistas na América do Sul, os integralistas contemporâneos foram compreendidos, em acepção gramsciana, como intelectuais, organizadores de uma concepção ideológica autocrática. Porém, a caracterização sob o conceito de extrema direita e neofascismo foi aqui suplantada, pois se compreende que as expressões em questão apresentam na imediaticidade empírica um sentido gnosiológico abstrato, não proporcionando a compreensão da particularidade do fenômeno em sua concreticidade, como fundamentado nos pressupostos metodológicos da Filosofia da Práxis, explicitados no primeiro capítulo da primeira parte desta investigação. Porém, como sugerido, as expressões generalizantes em questão podem ser recorrentes, sob um reajuste de foco, principalmente em textos e discursos voltados à polemização com um público diversificado.
A FIB destacou-se na investigação, pois, realizando de forma programada reuniões entre seus ativistas através das novas tecnologias da comunicação e do compartilhamento de informações no seu site oficial, ou “sede virtual”, disponibilizam grande quantidade de artigos para a formação de seus militantes.
O núcleo integralista do Rio de Janeiro na questão da comunicação também inovou, como observado, ao utilizar serviços de mensagens para celulares através de “torpedos” para seus membros, inclusive se destacando pela disponibilização de inúmeros artigos discutindo a conjuntura brasileira e internacional sob a ótica de suas
“perspectivas nacionalistas para o século XXI”.31
No site do Movimento Integralista Linearista Brasileiro (MIL-B), constatou-se estratégia de mobilização de formação de militantes através de fóruns virtuais de discussões, além de muitos artigos abordando a necessidade de revisão de elementos da ideologia
integralista diante da interpretação “linearista”.32
A Ação Integralista Revolucionária (AIR) mereceu referência entre os novos grupos pela utilização da proposta de comunidades virtuais através do site de relacionamentos Orkut, divulgando a proposta de um modelo descentralizado de organização, por meio de “células” em diferentes cidades articuladas pelas novas tecnologias midiáticas de comunicação, nas quais seus adeptos
deveriam organizar discussões e atividades.33
Nesta perspectiva, a investigação centrou-se na análise de fontes documentais como boletins, informativos e jornais impressos e conteúdos dos sites e blogs oficiais dos grupos integralistas de maior expressão e com maior representatividade, na sociedade e no ciberespaço.
A difusão e a socialização ideológica dos jornais de caráter político proporcionavam um caráter diretivo e organizativo para movimentos não organizados em partidos tradicionais.
O pensador italiano Antonio Gramsci em 1934, no Caderno 24, apontou que os jornais partidários ocupam o mesmo sentido da função diretiva dos partidos, sendo funcionais para movimentos ainda não institucionalizados no modelo partidário tradicional:
No estudo dos jornais como capazes de desempenhar a função
de partido político, é preciso levar em conta os indivíduos
singulares e sua atividade. [...] Jornais italianos muito mais bem
feitos que os dos franceses: eles cumprem duas funções – a de
informação e de direção política geral, e a função de cultura
política, literária, artística, científica, que não tem um órgão
próprio difundido. [...] Na Itália, pela falta de partidos
organizados e centralizados, não se pode prescindir dos jornais:
são os jornais agrupados em série que constituem os
verdadeiros partidos. (Gramsci, 2004, p.218, 221)
A partir deste pressuposto da função partidária das mídias, a perspectiva aqui compreendida é que na atualidade os movimentos e partidos estão potencializando as novas tecnologias midiáticas, como os recursos virtuais, agremiando, formando e mobilizando seus participantes, possibilitando suportes para papéis outrora realizados pelos partidos institucionalizados fisicamente nas sociedades.
Para Octávio Ianni (2000), através das mídias representadas pelos novos meios de comunicação, tendências políticas diversas utilizam estas ferramentas de socialização ideológica suplantando a esfera de ação dos tradicionais partidos políticos, inaugurando novas formas de interação entre seus militantes. Neste sentido, os integralistas superam as distâncias físicas e mobilizam grupos congêneres na reconstrução de alternativas para sua militância.
Gramsci (2004) apontou em suas análises sobre a conjuntura política italiana na década de 1920 que no contexto de ausência de partidos organizados os jornais eram capazes de desempenhar funções de informação e de direção política geral. E, neste sentido, Octávio Ianni (2000) também corrobora com esta perspectiva, retomando a questão do partido político e investigando as novas possibilidades de atuação dos partidos tradicionais. Para este autor, no mundo contemporâneo os partidos políticos estão sendo potencializados e redimensionados nas últimas décadas pelas tecnologias de comunicação, encontrando novas possibilidades para divulgação de suas ideologias através da propaganda e formação ideológica de seus quadros.
A investigação constatou através da análise das fontes que segmentos chauvinistas brasileiros adaptaram-se às novas formas organizacionais dos movimentos e partidos chauvinistas atuantes no contexto internacional; como a descentralização organizacional, a aceitabilidade e identificação das propostas de organizações chauvinistas por organizações juvenis oriundas da cultura skinhead. E, sobretudo, a instrumentalização de novas formas de socialização ideológica e propaganda através das recentes tecnologias como a internet, os sites, blogs e redes sociais; desenvolvimento tecnológico que obviamente não ficaria a margem na cotidianiedade da militância do Sigma, mas que exerce uma nova dinâmica nesta mesma militância.
A reorganização, de agrupamentos de nacionalistas, através de instituições e canais geradores de cultura como núcleos de formação política, jornais, editoras e sites, constituem uma complexa e ainda obscura rede, com o apoio de parlamentares e congressistas conservadores, como também foi apurado nesta pesquisa.
Os grupos integralistas dividem-se em relação a suas posições diante de temas como o projeto político de Estado, a reorganização de um partido nacional com objetivo de buscar o registro eleitoral para disputar eleições, assim como questões como o antissemitismo e a solidariedade com determinadas tendências chauvinistas, como nacional-socialistas.
Nas disputas políticas do século XXI, as potencialidades da tecnologia instrumentalizadas para a propaganda política marcam as organizações e partidos em questão E, através da socialização ideológica no ciberespaço, variados segmentos políticos encontram um novo território para organização, ação e propaganda, utilizando recursos e ferramentas disponibilizadas aos usuários, como reuniões on-line, rádios on-line, vídeos e material de formação política e propaganda, jornais para download.
No Brasil, as primeiras experiências da propaganda política via internet ocorreram na década de 1990, destacando-se a atuação da Editora Revisão no Rio Grande do Sul, famosa pelo comércio de livros e divulgação de textos antissemitas e revisionistas. Sendo proibida pela justiça atualmente, está hospedada em provedor de país latino-americano vizinho (Jesus, 2006; Chang, 2008).
A internet, desde então, vem potencializando cada vez mais as possibilidades de propaganda política para organizações políticas de matizes diversas, exercendo reflexos sobre os integralistas no Brasil.
O trabalho que vem sendo desenvolvido pelos Núcleos Integralistas do Estado do Rio e Janeiro, por exemplo, está cada vez mais articulado com a utilização do ciberespaço. Está em fase de
finalização um museu virtual do integralismo34 organizado por uma nova agremiação integralista, o Centro Cultural Arcy Lopes
Estrella, 35 que está digitalizando, em parceria com a FIB-RJ/NIERJ, uma grande quantidade de documentos.
O projeto teve início em 2007 e já digitalizou documentos de vários grupos integralistas que atuaram entre 1945 e 1985, como o Partido de Representação Popular e os Centros Culturais da Juventude, segundo o site da FIB. Até a finalização desta pesquisa não foram obtidas informações sobre a conclusão e término do projeto.
O material que está sendo digitalizado foi doado pela Academia Brasileira de Letras aos Núcleos Integralistas do Estado do Rio de Janeiro. O Presidente da FIB-RJ/NIERJ, na ocasião, Robson Peixoto, segundo dados do site da organização, informou que o novo conteúdo do acervo estará à disposição de todos os pesquisadores interessados em estudar o integralismo.
O Instituto Plínio Salgado foi, conforme referenciado, outra organização recentemente fundada pelos integralistas, como mencionado, em 5 de junho de 2009, segundo informações do site
do Nierj,36 sendo parte de um programa da Secretaria de Expansão e Organização da Diretoria Administrativa da FIB, visando divulgar a história contemporânea do movimento. O site do Instituto Plínio Salgado, oferecendo cursos de formação através do modelo EaD
(Educação a Distância)37 apresenta-se como elemento interessante para a reflexão das inovações da militância dos grupos chauvinistas no Brasil. Os conteúdos da página do Instituto Plínio Salgado evidenciam de forma objetiva seus propósitos: “a qualificação e o aperfeiçoamento intelectual dos membros da Frente Integralista Brasileira, para que eles possam, fundamentadamente, conquistar a superioridade do conhecimento em seu meio, progressivamente, até a conquista efetiva dos corações do Brasil por meio de nossas ideias”.
O curso de formação e capacitação dos militantes integralistas através do modelo EaD foi organizado pela denominada Secretaria de Expansão e Organização e pela Secretaria Nacional de Doutrina. Segundo dados do site: “Os primeiros cursos, Doutrina I e Liderança I foram voltados exclusivamente ao movimento e foram iniciados na terceira semana de julho de 2009 e tiveram duração de aproximadamente três meses.” Dois anos depois de sua inauguração, novos cursos foram oferecidos como o de “Formação Política”. Nesta perspectiva, a imprensa dos grupos em discussão através de jornais e dos conteúdos dos sites integralistas foi uma fonte indispensável para a análise das concepções elaboradas por seus intelectuais que se apresentam na perspectiva de ativistas políticos, em busca das condições para uma possível hegemonia, através da ação na sociedade e do retorno à estratégia de disputa eleitoral.
As eleições de 2010 foram interessantes devido à posição tomada pelos integralistas indicando os candidatos à Presidência da República, a deputado e oficialmente lançando um candidato da FIB ao pleito de deputado pelo Distrito Federal.
No artigo citado o militante integralista Sérgio Vasconcellos indicou quais candidatos a Presidente da República os integralistas deveriam votar. O texto foi publicado também no boletim informativo
da FIB 38 Bandeira do Sigma .
O site da Frente Integralista Brasileira (FIB), no artigo “Paulo Fernando, o nacionalista candidato a Deputado Federal” apresentou seu candidato oficial a deputado federal pelo Distrito Federal pela eclética Coligação Um Novo Caminho
(PRB/PMDB/PCdoB/PTB/PRP).39
O mesmo foi apresentado como um dos fundadores da FIB pelo site integralista. Após as eleições, buscando averiguar a votação do candidato integralista, a pesquisa localizou o dado através do site Terra que lançou os números relativos à apuração dos votos. O candidato integralista recebeu 13.750 votos entre os militantes do
Sigma e apoiadores em geral. 40
Sobre o candidato a deputado federal, Paulo Fernando, o site da FIB evidenciou também sua estratégia de guerra de movimento apoiando mais três candidatos nas eleições que ocorreram em 2010.
Segundo o texto do site da organização publicado no período de campanha eleitoral:
[...] Poucos brasileiros têm se destacado tanto na heroica luta
em defesa de tais valores quanto nosso nobre companheiro
Paulo Fernando Costa, um dos fundadores da FIB e
conselheiro desta instituição, cuja candidatura ao cargo de
deputado federal pelo Distrito Federal apoiamos integralmente.
Além do companheiro Paulo Fernando, exemplar católico,
patriota e nacionalista na acepção sadia, justa e construtiva do
vocábulo, apoiamos outros três candidatos à Câmara dos
Deputados, dois deles por São Paulo e um pelo Rio de Janeiro.
Esses três nobres soldados de Cristo e da pátria, que
igualmente vêm se destacando no bom combate em defesa do
Brasil profundo, verdadeiro e autêntico e de tudo quanto este
representa, são o professor Hermes Nery, o coronel Paes de
Lira e o Doutor Wilson Leite Passos. [...] Que nenhum
integralista vote em qualquer candidato contrário às tradições
cristãs do Brasil e defensor do aborto e de qualquer outra das
demais aberrações contidas no PNDH-3, que deve ter como
destino a latrina da História, assim como o PNDH-1 e o PNDH-
2, estes últimos lançados ainda no (des)governo FHC.41
As novas potencialidades e possibilidades dos meios de comunicação proporcionam novas estratégias para uma guerra de posições e o ciberespaço fornecendo a comunicação não presencial possibilita a suplantação das distâncias físicas entre os membros de associações, movimentos e partidos. Ao redimensionarem suas estratégias, levando em conta a grande potencialidade das tecnologias virtuais, os militantes abrem margem para novas determinações para a interação entre seus membros.
As novas manifestações de movimentos e partidos políticos portadores de concepções ideológicas autocráticas chauvinistas rearticulam novas possibilidades para sua militância e propaganda ideológica, sendo este um fenômeno político que precisa ser analisado e coibido, sobretudo pelo caráter retrógrado, irracionalista e violento das concepções e ações destes grupos, que podem se articular em redes de solidariedade de amplitude internacional (Florentin, 1994; Hockenos, 1995; Jimenez, 1997). Nessa nova dimensão da política propiciada por novas formas de propaganda política, os grupos chauvinistas latino-americanos, como as atuais organizações integralistas no Brasil, mesmo divididos, firmam presença. Os herdeiros do Sigma suplantam as distâncias físicas e mobilizam grupos congêneres na reconstrução de possibilidades para sua militância.
A constatação desta afirmação é fundamentada nas informações obtidas nas fontes referenciadas na segunda parte desta investigação. Fazendo um retrospecto dos principais assuntos nos jornais, boletins, informativos e conteúdos dos sites estudados, foi possível pensar nas principais bandeiras ideológicas dos integralistas contemporâneos, assim como na trajetória pela busca da reorganização do movimento em nível nacional, principalmente nas últimas duas décadas.
As estratégias de divulgação da propagada política da organização estão alicerçadas na disponibilização em seu site de panfletos, cartazes e edições de seus boletins e jornais. Os militantes na década de 1990 eram instruídos a reproduzirem cópias dos materiais disponibilizados e através delas distribuir e divulgar o integralismo. Na atualidade por meio de downloads, sites e outros recursos a continuidade da divulgação destas concepções anacrônicas permanece através das possibilidades abertas pelos novos suportes informacionais.
Como foi apontado, o site da FIB é um dos mais organizados em relação ao armazenamento das informações e disponibilização de conteúdos. E, em conjunto com os websites do Movimento Integralista Linearista Brasileiro, é uma das mais importantes e representativas bases de dados sobre a militância do Sigma contemporânea. Porém os sites da AIR e de outras organizações também contribuíram para a obtenção de informações relevantes neste processo de investigação e de exposição dos dados.
O acesso aos dois sites linearistas denominados de “doutrina linear”, no link “notícias” e o “integralismo linear”, nos links “atual” e “artigos”, possibilitaram também para esta pesquisa um painel analítico interessante das concepções políticas dos intelectuais do MIL-B.
No link “artigos” foram analisados 83 textos sobre notícias nacionais e internacionais. E, entre os conteúdos disponibilizados foram armazenados e referenciados: artigos divulgando as atividades e eventos dos linearistas, como congressos, atos públicos (através de panfletagens), a abertura de alguns núcleos, assim como artigos referentes à conjuntura nacional e internacional. O link em questão propiciou alguns textos sobre as propostas políticas dos linearistas, o que levou à reflexão do caráter pouco desenvolvido, ou mesmo de ausências de conteúdos programáticos nas propostas políticas das lideranças linearistas. Nas análises realizadas, porém, como foi afirmado no sétimo capítulo, destacou-se o artigo “Estado corporativo e democracia orgânica no Estado Integral e Linear”, de autoria do presidente do MIL-B, Cássio Guilherme Reis Silveira. Este esboçou alguns elementos do “projeto político” da organização, entre eles a defesa de um modelo de ordenamento social
organicista baseado no corporativismo, 42 em consonância, neste aspecto, com a defesa da denominada “Democracia Orgânica” defendida pelos dirigentes da FIB.
Neste sentido, como já ressaltado, a continuidade da defesa do corporativismo foi constatada como um dos elementos ideológicos mais importantes entre os valores defendidos pelos integralistas, desde a gênese do movimento na década de 1930, e que permanecem sempre como referência entre os militantes atuais, de acordo com as fontes analisadas.
Ainda no aspecto das propostas políticas linearistas destacou-se também entre as fontes o artigo “Nações superiores, nações inferiores”, no qual o dirigente do MIL-B apresentou como plataforma de projeto político a estratégia de produção e aquisição
de armamentos nucleares. 43
Com relação a identidade ideológica, a recusa da identificação dos integralistas com os fascistas nos aspectos de ideologia e das características de organização foi, desde o fim da Segunda Guerra Mundial e continua a ser, hipocritamente, um posicionamento comum dos militantes, assim como os primeiros “camisas verdes”, como foi afirmado em pesquisa anterior sobre a ideologia do Sigma da mesma autoria desta investigação (Barbosa, 2007).
As provas, entretanto, das simpatias e da identidade ideológica entre integralistas pretéritos e contemporâneos e organizações e regimes chauvinistas são evidentes, como foi afirmado no terceiro capítulo, na análise da imprensa integralista da década de 1930 que defendia explicitamente o fascismo na Itália, o salazarismo, o franquismo e até mesmo a Alemanha nazista.
No artigo “Movimentos fascistas pelo mundo”, como foi destacado, mais uma vez os integralistas linearistas comprovaram as permanências das relações identitárias e as preferências ideológicas autocráticas, presentes nos seus valores argumentados, explicitados na concepção de defesa do revisionismo histórico e na tentativa de valorização e reabilitação da legitimidade das organizações, partidos e regimes que foram solidários na primeira
metade do século XX às “Potências do Eixo”. 44
Cássio Guilherme Reis Silveira nos sites do MIL-B, como foi destacado, na busca de articulação de sua organização com grupos nacionalistas do meio militar e da reserva, publicou textos do jornal Ombro a Ombro e textos do Grupo Terrorismo Nunca Mais
(Ternuma), reproduzidos pelo site integralista em questão, 45 comprovando a relação de identidade entre os linearistas e os grupos militares citados acima na defesa de fundamentos de organização social autocráticos.
As afinidades ideológicas ditatoriais evidenciadas nos textos legitimaram o período da ditadura militar brasileira e os artigos publicados defenderam o retorno do regime militar ao poder para salvar o país do “perigo comunista”. Como foi referenciado, no site “Doutrina Linear”, estão disponíveis os referidos artigos sobre a interpretação revisionista da história. São textos dos jornais e boletins nos sites integralistas que fazem menção às Forças Armadas como “reservas morais da Nação”, conclamando os militares a restabelecer a ordem.
Intelectuais de renome na política nacional escreveram para a imprensa integralista, como Jarbas Passarinho e o vice-presidente Marco Maciel, contribuindo nas publicações integralistas contemporâneas, mostrando que apesar de residuais e anacrônicos, os militantes do Sigma ainda dispõe de certa recepção para suas
ideias. 46
O site da Frente Integralista Brasileira, como apontado no capítulo anterior, é o mais estruturado entre as organizações do Sigma disponibilizando um grande número de fontes de informação entre artigos, documentos, imagens, localização dos núcleos, informes sobre atividades realizadas pelos grupos de diferentes cidades do país e materiais para download, como cartazes, panfletos e materiais de propaganda e jornais, como o Avante e Ação.
No site da FIB através dos links “Notícias” e “Opinião” os integralistas disponibilizam informações que abordam questões políticas nacionais e internacionais e notícias referentes a informações organizativas, como eventos, atividades e reuniões de seus núcleos. Foram analisados 71 artigos dos quais foram selecionados os mais importantes, com fragmentos citados, para a busca de uma melhor compreensão das permanências e mudanças da ideologia dos intelectuais do Sigma contemporâneos.
A FIB é organizada atualmente em quatro Secretarias Nacionais nas quais os principais dirigentes mobilizam estratégias para a formação e a expansão dos quadros de militantes. São elas: Secretaria Geral, Secretaria Nacional de Assuntos Jurídicos, Secretaria Nacional de Doutrina e Estudos e a Secretaria de Expansão; com destaque para a denominada “Secretaria de Expansão e Organização”, responsável por “coordenar, reorganizar e alinhar todos os núcleos”, incluindo “a proposição de políticas e definição de estratégias relacionadas às diferentes formas de atuação e organização” e realizar “o monitoramento da atividade do movimento nas diversas regiões”. Também merece novamente destaque as citadas
“coordenadorias regionais”47 que foram criadas no final de 2009 na busca de dinamização das atividades dos núcleos em atividade e para a organização de futuros núcleos.
As notícias vinculadas pelo site em relação à inauguração de novos núcleos colocam aos pesquisadores desafios sobre a questão da necessidade de acompanhar a dinâmica da atuação dos militantes em diversas regiões do país. Mesmo sendo residuais em termos numéricos ou na sua influência na sociedade, as informações sobre as ações e sobre os novos núcleos da FIB proporcionam aos investigadores questionamentos importantes, como por exemplo, em que medida as relações entre tradições conservadoras e autocráticas que marcaram a recente história do Brasil republicano continuam a exercer influência na formação cultural dos cidadãos brasileiros, propiciando a aceitabilidade de ideias de organizações políticas portadoras de concepções vinculadas a um nacionalismo retrógrado, como no caso dos integralistas.
A permanência destes princípios políticos é observada através das ações da militância, das panfletagens, comemorações em datas cívicas, ou em protestos contra seus oponentes, nos quais os militantes em questão divulgam suas concepções e opõem-se àqueles que repudiam. São palco para suas cênicas aparições em público as datas cívicas, como o 7 de setembro, os desfiles militares ou ocasiões de manifestações públicas de grupos dos quais os integralistas divergem, como as manifestações de grupos de esquerda.
O dia 7 de setembro, por exemplo, tradicionalmente é comemorado por muitos grupos nacionalistas, como foi evidenciado através das fontes documentais. Na cidade de São Paulo, no Parque da Independência no Ipiranga, anualmente os integralistas e outros
grupos e militantes congêneres reúnem-se para seus cerimoniais.48 A preparação dos quadros de militantes destacou-se na atualidade com uma das grandes preocupações dos novos dirigentes. E a utilização da modalidade “Educação a Distância” (EaD) é aplicada pela FIB como ferramenta organizativa e diretiva. Os cursos virtuais de formação de militantes foram inaugurados em 2009 e evidenciam que integralistas estão preocupados com a preparação de novos
dirigentes para seus planos de expansão.49
A análise no sétimo capítulo, sobre os documentos dos aparelhos integralistas contemporâneos também proporcionou o entendimento de aspectos das finalidades e princípios que estruturam os grupos em questão.
Um ponto que deve ser ressaltado é que segundo o Estatuto da FIB a mesma defende o pluripartidarismo. A constatação da defesa do pluralismo político evidenciou uma importante ruptura ideológica da atual militância com a crítica veemente ao sistema político pluripartidário estabelecido pelos líderes do movimento na década de 1930. Porém, a defesa do pluripartidarismo presente no referido documento, como elemento ideológico entra em contradição com vários artigos de publicações da FIB como o boletim Bandeira do Sigma, no qual foram analisados e constatados em seus conteúdos críticas ao pluripartidarismo, como foi apontado.
Foram estudados prioritariamente os sites integralistas da FIB, MIL-B e da AIR. Com a exceção do site da AIR, que foi desativado durante o desenvolvimento desta pesquisa, os dois primeiros são os canais midiáticos das organizações mais representativas entre os grupos do Sigma na atualidade, como foi afirmado. Alguns sites não estão mais on-line e a menção a eles e a referência aos seus conteúdos foi possível através do arquivamento destes dados nos últimos cinco anos. Também foram investigadas páginas na internet de outras organizações chauvinistas como o Partido Nacional Socialista Brasileiro, de grupos skinheads entre outros, referenciados ao longo da segunda parte desta pesquisa.
Além dos sites, foram analisados 34 blogs de militantes integralistas e alguns blogs nacional-socialistas, vídeos do site YouTube sobre o integralismo e seus aparelhos e vídeos nacionais, latino-americanos e europeus sobre movimentos e partidos chauvinistas. Foram muito pertinentes também vídeos de reportagens jornalísticas e documentários relacionados a estes temas.
Na perspectiva de analisar a ideologia veiculada por grupos integralistas contemporâneos através das suas publicações impressas e eletrônicas que foram aqui compreendidas em acepção gramsciana, como “materiais ideológicos”, as fontes foram analisadas como possibilidade de interpretação da ideologia do Sigma.
A popularização da internet no Brasil nos últimos quinze anos proporcionou uma nova dimensão de possibilidades para as organizações políticas como o integralismo, que através de seus sites e blogs utilizam os recursos das tecnologias de informação e comunicação como instrumento diretivo.
A análise imanente, segundo os pressupostos lukacsianos e suas possibilidades de análise, suscitou e conduziu a preocupação com a articulação de elementos da gênese do objeto, assim como sua função social, através das evidências dos conteúdos de suas próprias publicações, buscando a compreensão do integralismo contemporâneo, além das aparências fenomênicas, a partir do que ele é; e formulando o entendimento sobre a identidade e a particularidade do fenômeno em investigação, por meio do que seus próprios intelectuais afirmaram, em seus pronunciamentos, textos, livros e discursos.
1 “O envolvimento com o integralismo desses jovens bacharéis em formação ou atuação expressou a reação de um grupo que postulava o entendimento de um país já bastante dependente e desigual. Como reagentes a esta realidade, enquadrados na moldura do nacionalismo exacerbado pensado por Salgado, fizeram de sua passagem pelo integralismo bandeira de convicções políticas, ora duradouras, ora passageiras. Dentre as características peculiares deste grupo vinculado ao bacharelismo integralista estão ainda o exercício da docência em direito e o pertencimento a instituições de consagração, como o Instituto dos Advogados Brasileiros e Academia Brasileira de Letras Jurídicas e os altos cargos executivos nas mais importantes universidades públicas e privadas do país (num total de 43% dos indivíduos analisados). Posteriormente, além de professores, esses integralistas ocuparam postos diversos nas carreiras jurídicas, jornalísticas e políticas decisórias no período em que atuaram. Ademais, realizam a produção de artigos e livros jurídicos, filosóficos, jornalísticos e históricos, sendo marcantes suas posições nos jornais de grande circulação de todo o país.” (Christofoletti, 2011, p.181-182).
2 Sampaio, Fernando. Um estudo sobre os carecas urbanos e sua vinculação com movimentos neonazistas no Brasil. Relatório para a Escola Superior de Geopolítica e Estratégia de 5/11/2000. Disponível em:
<http://www.defesanet.com.br/esge/carecas_do_brail.pdf>. Acesso em: 10/10/2007.
3 Silveira, Cássio Guilherme R. “Resumo das principais propostas integralistas”. Disponível em:
<http://br.geocities.com/nucleointegralista/resumo.html>. Acesso em: 4/10/2007.
4 “Mais um Centro Cultural o CEDI na Internet”, Alerta, n.39, set. 1999, p.1.
5 “Nacionalistas de Norte a Sul”, Alerta, n.46, abr. 2000, p.3.
6 “Brasil 500 anos. Do Encontro Nacionalista de Santos”, Alerta, n.49, jul. 2000, p.1.
7 Mendez, Marcelo. “Marcelo Mendez entrevista a escritora D. Maria Amélia S. Loureiro, filha de Plínio Salgado”, Alerta, n.43, jan. 2000, p.1.
8 Batista, Fernando Rodrigues. “Integralismo não é partido”, Alerta, n.56, dez. 2001, p.2.
9 Figueira, Jorge. Editorial. Bandeira do Sigma, n.14, ano II, set. 2010, p.1.
10 Pizzotti, J. “AIR posição oficial”. Disponível em:
<http://www.oocities.org/br/airevolucionaria/airposoficial.htm>. Acesso em: 18/3/2011.
11 “Candidatos integralistas e linearistas”. Disponível em:
<http://www.integralismolinear.org.br/site/mostrar_artigo.asp?id=82>. Acesso em: 12/3/2011.
12 “Manifesto eleitoral à nação 2010”. Disponível em:
<http://www.integralismolinear.org.br/site/mostrar_artigo.asp?id=81>. Acesso em: 12/3/2011.
13 Barbuy, Victor Emanuel Vilela. “Uma síntese recente do movimento integralista”. Disponível em:
<http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=24&vis>. Acesso em: 1/3/2011; Silveira, Cássio Guilherme R. “Fórum Social da baderna, versão 2010”. Disponível em:
<http://www.integralismolinear.org.br/site/mostrar_artigo.asp?id=62>. Acesso em: 14/3/2011.
14 Barbuy, Victor Emanuel Vilela. “Ponderações sobre o PNDH3”.
Disponível em: <http://www.integralismo.org.br/?
cont=781&ox=16&vis>. Acesso em: 1/3/2011; Leite, Newton Brasil. “CPI do MST”. Disponível em:
<http://www.integralismolinear.org.br/site/mostrar_artigo.asp?id=55>. Acesso em: 14/5/2011.
15 Batista, Fábio Siqueria. “Miséria na América Latina”, Informativo Ofensiva, ano I, n.8, nov. 2001, Foz do Iguaçu, p.5. “Congresso da UBES acontecerá em Uberlândia”, Informativo Ofensiva, ano I, n.8, nov. 2001, Foz do Iguaçu, p.6; Reale, Miguel. “O MST e a questão social”, Informativo Ofensiva, ano I, n.11, mar. 2002, Foz do Iguaçu, p.4-5; Silveira, Cássio Guilherme. “A União Nacional dos Estudantes baderneiros, burgueses, comunistas e desmiolados”. Disponível em:
<http://www.integralismolinear.org.br/site/mostrar_artigo.asp?id=38>. Acesso em: 14/3/2011.
16 Saes, Guillaume Azevedo Marques de. O combate à globalização. Pátria Unida: Brasil acima de tudo!, ano I, n.2, mar. 2001, p.2.
17 Figueira, Jorge. Editorial. Bandeira do Sigma, n.18, ano II, jan. 2011, p.1; Barbuy,Victor Emanuel Vilela. “Uma síntese recente do movimento integralista”. Disponível em:
<http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=24&vis>. Acesso em: 1/3/2011.
18 Pizzotti, J. Manifesto da Ação Integralista Revolucionária ao povo brasileiro. Disponível em:
<http://www.oocities.org/br/airevolucionaria/manifestoair.htm>. Acesso em: 17/3/2011. Silveira, Cássio Guilherme R. “Queda do tal Muro de Berlim, a Intentona do Mariguella e o comunismo do Azeredo”. Disponível em:
<http://www.integralismolinear.org.br/site/mostrar_artigo.asp?id=46>. Acesso em: 14/3/2011.
19 Martins, Ives G. da S. Governo brasileiro promove o conflito
racial. Disponível em: <http://www.integralismo.org.br/?
cont=780&ox=22&vis>. Acesso em: 28/2/2011; Barbuy, Victor Vilella. “Manifesto 13 de maio”, 13/5/2009. Disponível em:
<http://www.integralismo.org.br/?cont=825&ox=5>. Acesso em: 22/2/2011; Silveira, Cássio Guilherme R. “Crimes históricos, crimes antropológicos e sistema de cotas”. Disponível em:
<http://www.integralismolinear.org.br/site/mostrar_artigo.asp?id=20>. Acesso em: 14/3/2011.
20 “Milhares em ato público contra o PNDH-3”. Disponível em:
<http://www.integralismo.org.br/?cont=780&ox=86&vis>. Acesso em: 28/2/2011; Barbuy, Victor Emanuel Vilela. “Ponderações sobre o
PNDH3”. Disponível em: <http://www.integralismo.org.br/?
cont=781&ox=16&vis>. Acesso em: 1/3/2011.
21 Netto, Giuliana. “Carta de uma integralista ao povo mineiro”, Bandeira do Sigma, n.15, ano II, out. 2010, p.2.
22 “Na Europa, os partidos de extrema direita – tradicionalmente natalistas – identificaram na luta antiaborto uma forma de atrair a opinião católico-integrista, particularmente na França, na Itália e na Alemanha católica. [...] No caso brasileiro, a grande reação contra uma política de livre uso do corpo pelas mulheres, inclusive a interrupção da gravidez, advém da importância que as igrejas, católicas ou reformadas, possuem no interior dos partidos políticos, inclusive de esquerda, como é o caso do Partido dos Trabalhadores (PT). Dessa forma, propostas políticas como o aborto e a união civil de homossexuais são questionadas mesmo no interior de partidos progressistas. Mas, sem qualquer dúvida, a reação mais clara contra a liberalização do aborto e mesmo do aborto em casos de estupro e má formação do feto advém dos grupos evangélicos e católicos, fortemente presentes no Congresso Nacional (a chamada bancada evangélica).” (Silva, 2000, p.27-28).
23 Salgado, Plínio. “O verdadeiro nacionalismo”. Informativa Ofensiva, ano I, n.11, mar. 2002, Foz do Iguaçu, p.10; Barbuy, Victor Vilella. “Manifesto 13 de maio”. 13/5/2009. Disponível em:
<http://www.integralismo.org.br/?cont=825&ox=5>. Acesso em: 22/2/2011.
24 “O termo fundamentalismo cristão foi utilizado pela primeira vez em 1910 para designar um movimento eminentemente religioso nos Estados Unidos. Surgiu com a publicação de doze volumes intitulados The Fundamantals, que postulavam em síntese a virgindade de Maria, a infalibilidade da Bíblia (cujo texto expressa literalmente a verdade divina), a divindade de Cristo, sua morte e ressurreição e a salvação da alma pela fé. Os seus prosélitos entendiam ser os Estados Unidos a nação abençoada e privilegiada por Deus que tinha a missão, como um novo Israel, de levar a todas as demais nações o conhecimento da verdade. [...] A partir da Guerra Fria, os fundamentalistas adotariam uma posição bem mais ostensiva, particularmente a partir de 1960. Neste momento, seus líderes adentrariam na esfera política, transformando o fundamentalismo num dos principais movimentos de pressão nos Estados Unidos e que chegou mesmo a exercer influência na América Latina. Neste contexto esboçou-se o caráter fundamentalista: um comportamento tipicamente autoritário (tanto no mandar como no obedecer), o apego às convenções (vistas como leis e não como hábitos normatizados), o radicalismo virulento, a predisposição a militância e a simpatia pelos movimentos extremistas de direita.” (Magalhães, 2000, p.199).
25 “A verdade sobre a mídia brasileira”. A Marcha, n.1, nov. 1998, p.4; Barbuy, Victor Emanuel Vilela. “Ponderações sobre o PNDH3”.
Disponível em: <http://www.integralismo.org.br/?
cont=781&ox=16&vis>. Acesso em: 1/3/2011. Secretaria de Doutrina e Estudos da Frente Integralista Brasileira. Manifesto da Guanabara,
25/1/2009. Disponível em: <http://www.integralismo.org.br/?
cont=825&ox=7>. Acesso em: 7/7/2010. Editorial. A Marcha, n.1, nov. 1998, p.2.
26 “O corporativismo associa-se, via de regra, aos movimentos e regimes anti-igualitários e antilibertários, situando-se, portanto, em relação ao liberalismo numa posição diametralmente antagônica. Do ponto de vista da direita o corporativismo consiste, assim, numa manifestação de sua vertente extremada, embora a centro-direita, tivesse que eventualmente aceitá-lo. Em sua origem, o corporativismo ‘moderno’ associa-se as correntes legitimistas e católicas que reagem a atomização dos indivíduos provocada pela Revolução Industrial. Tais correntes postulam a restauração do caráter orgânico e hierárquico presente nas sociedades pré-industriais, onde o espírito de colaboração sobrepõe-se aos conflitos e antagonismos. Entre os principais expoentes da interpretação tradicionalista do corporativismo encontram-se o francês La Tour Du Pin, discípulo de Maurras, o alemão Ketteler e o padre italiano Luigi Taparelli d’Azeglio. No decorrer do século XX, entretanto, o corporativismo assumiria diferentes versões em função ao estágio de desenvolvimento de capitalista e da corrente política hegemônica em cada sociedade onde tal modelo de intermediação teve lugar. [...] Durante a Guerra Fria, a extrema direita latino-americana também recorreria ao corporativismo de Estado para controlar camadas populares altamente mobilizadas [...]” (Lobo, 2000, p.104-5).
27 Figueira, Jorge. História – Os três pilares do Estado Integralista. Bandeira do Sigma, n.8, ano I, mar. 2010, p.2.
28 Integralismo: intercâmbio na Europa. Nova Offensiva. Disponível
em: <http://www.integralismo.org.br/?cont=780&ox=132>. Acesso em: 24/4/2012.
29 “Reforçamos nosso compromisso com a defesa de Deus, da Pátria e da Família, bem como das tradições cristãs da Nação Brasileira, [...] Reforçamos, do mesmo modo, nosso compromisso com a luta em prol da edificação, no Brasil, de uma autêntica Democracia Orgânica e de um genuíno Estado Ético Integral de Justiça, assim como com o combate ao materialismo, ao individualismo, ao liberalismo, ao comunismo e às políticas governamentais em prol da legalização do aborto, da promoção da pornografia, do incentivo ao homossexualismo, do controle populacional e da reengenharia cultural, políticas essas que têm pretendido destruir totalmente os valores cristãos no Brasil e no Mundo, desfibrando, assim, as nações; ▪ Repudiamos o desrespeito à Constituição escrita pelo próprio Estado, e, mais ainda, o desrespeito deste pela Constituição Tradicional, Natural, Orgânica e Histórico-Social da Nação, anterior e superior àquela; ▪ Ampliaremos nossa atuação no campo das relações internacionais, desenvolvendo o contato com outras organizações tradicionalistas, patrióticas e nacionalistas e observando o panorama geopolítico em todos os continentes com prudente e merecida atenção; Fixamos metas de trabalho em todos os níveis, visando o estabelecimento e a regulamentação de núcleos da Frente Integralista Brasileira em todas as províncias do Brasil, bem como o aperfeiçoamento intelectual e cultural dos núcleos e incentivamos uma atitude política ativa nas localidades em que atuam; Reforçamos a necessidade de trabalho voltado às eleições municipais, provinciais e nacionais; [...]” (Declaração do IV Congresso. Disponível em:
<http://www.integralismo.org.br/?cont=780&ox=134>. Acesso em: 14/4/2012).
30 “Os acontecimentos do mundo têm reforçado a importância da reflexão sobre o neonazismo e a extrema direita. A preocupação ao abordar esse tema, não se restringe à ideia de um movimento político em si, ou a questões exclusivamente de origens sociais, éticas, ou filosóficas ligadas a essa temática, mas sim contribuir a partir de uma dimensão histórica, principalmente calcada nos problemas internacionais que estão por detrás desse ressurgimento, já que, infelizmente, esse é um fenômeno que não esta conhecendo fronteiras no mundo inteiro. Em primeiro lugar, é interessante pontuar que serão enfocadas questões um pouco diferentes: neonazismo: extrema direita (o nazismo faz parte da extrema direita, mas nem toda a extrema direita é exatamente nazista ou neonazista); e o extremismo político (que é um fenômeno mais amplo). [...] Outro aspecto que também se faz importante pontuar é diferenciar (às vezes a imprensa não é muito clara ao abordar tal assunto) partido político, com filiados, militantes, slogans e bandeiras, e, um movimento político mais amplo, principalmente um eleitorado, que na maioria das vezes não é parte permanente desses grupos e possui características diferenciadas. E ainda um fenômeno distinto são as gangs, como, por exemplo, grupos de skinheads, verdadeiras tropas de choque, que por vezes esses movimentos produzem. Portanto, nem sempre são as mesmas pessoas e tem as mesmas características, sendo esse movimento, infelizmente, um processo múltiplo. O ressurgimento da extrema direita e do neonazismo: a dimensão histórica e internacional.” (Milman; Vizentini, 2000, p.9, 20).
31 Disponível em: <http://www.integralismorio.org>;
<http://br.geocities.com/airevolucionaria>. Acesso em: 10/12/2007.
32 Disponível em: <http://www.doutrina.linear.nom.br>;
<http://br.groups.yahoo.com/group/integralismus/messages>. Acesso em: 10/12/2007.
33 Disponível em: <http://br.geocities.com/airevolucionaria>. Acesso em: 10/12/2007.
34 Disponível em:
<http://www.integralismorio.org/offensiva/arquivos/2008/181108.htm >. Acesso em: 2/7/2009.
35 Disponível em: <http://www.arcycultura.org.br/#>. Acesso em: 2/7/2009.
36 Disponível em:
<http://www.integralismorio.org/offensiva/arquivos/2009/020709.html >. Acesso em: 2/7/2009.
37 Disponível em: <http://integralismo.org.br/ead/>. Acesso em: 2/7/2009.
38 “De todos estes, somente os candidatos José Maria Eymael e Levy Fidélix podem ser sufragados no primeiro turno, pois são os únicos não comunistas. Todos os demais são comunistas, ostensiva ou disfarçadamente. Lembrem-se que o voto nulo ou em branco, diminuindo o volume dos votos válidos, favorece a eleição dos candidatos majoritários, porque altera drasticamente o coeficiente eleitoral. Não se deixe iludir por pesquisas de opinião e noticiários, pois a polarização entre os dois comunistas (Dilma Rousseff e José Serra) está sendo artificialmente criada. Portanto, companheiros, insisto que apenas os candidatos José Maria Eymael (n.27) e Levy Fidélix (n.28) podem ser votados pelos integralistas nas próximas eleições presidenciais. Pelo bem do Brasil!” (Vasconcellos, Sérgio. Eleições Presidenciais de 2010. Disponível em:
<http://integralismohistoriaedoutrina.blogspot.com/>. Acesso em: 1/2/2011.
39 “Normalmente, a FIB não declara possuir um candidato de sua preferência, amiúde, orientando que a própria consciência dos membros irá dizer qual o melhor candidato defensor da vida e da nação brasileira. É um comprometimento sincero da FIB. Entretanto, há poucos candidatos que devido à sua inteligência e ao verdadeiro comprometimento com a nação brasileira merecem atenção especial. Um destes candidatos é o companheiro Paulo Fernando, conselheiro e membro fundador da Frente Integralista Brasileira. Paulo Fernando possui uma larga experiência política além de ser um destacado nacionalista no Distrito Federal. [...] • Casado, pai de 3 filhos, advogado, especialista em regimento interno da Câmara dos Deputados, professor de direito constitucional e eleitoral, vice-presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, membro da Comissão de Bioética da Arquidiocese de Brasília e da equipe de métodos naturais; • Realiza a “Operação Resgate”, cuja função é convencer as mulheres a não praticarem o aborto; • Assessorou a Comissão Especial do projeto Ficha Limpa na Câmara dos Deputados; • Trabalhou como assessor de deputados católicos, entre eles, Severino Cavalcanti, Elimar Máximo, Enéas Carneiro e, atualmente, Miguel Martini (PHS). [...] Acompanha mais de 85 projetos de lei no Congresso Nacional relacionado à defesa da vida e da família. Foi um dos redatores do Estatuto do Nascituro e um dos responsáveis pela mudança de postura dos políticos favoráveis à vida, que passaram a apresentar projetos propositivos, em vez de apenas combater os projetos contrários à vida e à família. [...] Por esta razão, Paulo Fernando é a esperança de verdadeiramente sermos representados na Câmara dos Deputados.” (“Paulo Fernando, o nacionalista candidato a Deputado Federal”. Disponível
em: <http://www.integralismo.org.br/?cont=781&ox=38&vis=>. Acesso em: 30/8/2010).
40 Disponível em: <http://eleicoes.terra.com.br/apuracao/distrito-
federal/#/deputado-federal/>. Acesso em: 9/10/2010.
41 Barbuy, Victor Emanuel Vilela. Indicações referentes às eleições
2010. Disponível em: <http://www.integralismo.org.br/?
cont=781&ox=50&vis>. Acesso em: 28/2/2011.
42 Silveira, Cássio Guilherme R. “Estado Corporativo, Democracia Orgânica, no Estado Integral e Linear”. Disponível em:
<http://www.integralismolinear.org.br/site/mostrar_artigo.asp?id=90>. Acesso em: 4/3/2011.
43 Silveira, Cássio Guilherme R. “Nações superiores, nações inferiores”. Disponível em:
<http://www.integralismolinear.org.br/site/mostrar_artigo.asp?id=68>. Acesso em: 12/3/2011.
44 “Os movimentos fascistas pelo mundo. Reportagem especial”. Disponível em:
<http://www.doutrina.linear.nom.br/artigos/textos_atuais/os-
movimentos-fascistas.htm>. Acesso em: 12/3/2011.
45 Grupo Ternuma, 1964 Que fique bem Claro. Disponível em:
<http://www.doutrina.linear.nom.br/historia/Hist%F3ria_Que%20fique
%20bem%20Claro.htm>. Acesso em: 17/3/2011; Pinheiro, José Batista. A Revolução Pacifista. Disponível em:
<http://www.doutrina.linear.nom.br/historia/Hist%F3ria_A%20Revolu
%E7%E3o%20Pacifista.htm>. Acesso em: 17/3/2011. Silveira, Cássio Guilherme R. “O grande erro dos militares brasileiros”. Disponível em:
<http://www.doutrina.linear.nom.br/artigos/textos_atuais/o_grande_e
rro_dos_militares.htm>. Acesso em: 17/3/2011; Silveira, Cássio Guilherme R. “O ensino manipulado”. Disponível em:
<http://www.doutrina.linear.nom.br/Artigos/Polemicos/O%20ENSINO
%20MANIPULADO.htm>. Acesso em: 17/3/2011.
46 Maciel, Marco. “Vida de Jesus: um clássico da literatura universal”. Quarta Humanidade, n.5, dez. 2002, Especial de Natal, p.7-8.
47 “FIB cria coordenadorias regionais em todo Brasil”. Disponível
em: <http://www.integralismo.org.br/?cont=780&ox=68&vis>. Acesso em: 28/2/2011.
48 “Importantes manifestações no Sete de Setembro”. Disponível
em: <http://www.integralismo.org.br/?cont=780&ox=108&vis=c>. Acesso em: 28/2/2011.
49 “Instituto Plínio Salgado dará início às atividades”. Disponível em:
<http://www.integralismo.org.br/?cont=780&ox=39&vis=>. Acesso em: 28/2/2011.