Chronica d'El-Rei D. Affonso III

Rui de Pina · Capítulo 23 de 34

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Chronica d'El-Rei D. Affonso III

Deo Gratias

alma, em Lisboa a vinte dias de Março de mil e duzentos setenta e nove, (1279) acabou sua vida, e deu sua alma a Deos, em idade de

setenta annos, dos quais Reino trinta e dous, e foi logo soterrado no Moesteiro de São Domingos de Lisboa, que elle novamente fez, e

depois na era de mil e duzentos e oitenta e nove, foi tresladado seu corpo ao Moesteiro Dalcobaça, pela Rainha Dona Breatiz sua

molher, que ficou viva, e se mandou depois enterrar com elle no dito Moesteiro Dalcobaça, onde ambos jazem.

 

Este Rei Dom Affonso fez de novo o dito Moesteiro de S.

Domingos de Lisboa, o qual começou aos tres annos primeiros depois que foi Rei, e o acabou em déz annos, e assi fez o Moesteiro

de Santa Clara de Santarem, e povorou, e fez a Villa Destremoz, e reformou, e povorou a Villa de Beja, que dos tempos dos Mouros

era de todo destroida, mas não fez a torre grande do Castello, por que esta fez seu filho, El-Rei Dom Diniz, e assi deu bons foraes a

muitos Lugares do seu Reino, e em umas grandes fomes, que nelle houve em seu tempo, se acha que uzou de grande piedade com

seus vassalos, a que proveo com devidos mantimentos, trazidos de muitas partes de fóra do Reino á custa de suas rendas, e a penhor

das ricas joias de seu tesouro, e foi o primeiro que se intitulou Rei de Portugal, e do Algarve, e que primeiro por esta cauza poz a

bordadura dos Castellos, como atraz é já dito.

 

DEO GRATIAS