Do Mil ao Milhão: Sem Cortar o Cafezinho

Thiago Nigro · Capítulo 5 de 5

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Do Mil ao Milhão: Sem Cortar o Cafezinho

Pilar 3. Ganhar mais

Saia da linha de produção

O assalariamento é uma característica central do modo de produção capitalista. Enquanto empresários detêm os meios de produção, podem se apropriar do excedente produzido pelo proletariado que, desprovido dos meios de produção, sobrevive pela venda da sua força de trabalho em troca

de um salário. [56]

Compreender sem melindres essa equação é primordial para que fiquem

claros quais mecanismos dentro das corporações e dos esquemas de trabalho podem lhe proporcionar chances de receber salários maiores. Ao contrário do que comumente fomos ensinados e repassamos às novas gerações, não é o esforço por si só, aplicado em cada tarefa, que garante um aumento de ordenado. O que assegura isso são os resultados financeiros que o trabalhador gera para quem detém os meios de produção.

É o que chamo de conflito entre esforço e mérito: se alguém ganha mais, é

porque teve mérito. O caminho que o levou ao resultado positivo – o esforço – faz parte de uma história que não interessa a quem lhe paga um salário ou compra algum serviço da empresa.

Sem refletir sobre esse simples conceito, as pessoas acabam sendo

educadas desde pequenas em modelos engessados, sem liberdade de criação e inovação. Somos ensinados que devemos nos esforçar para nos enquadrar no sistema, tirar sempre as melhores notas, conseguir entrar numa faculdade e, assim que possível, começar a trabalhar e “dar o sangue” para alguma empresa. Casar, ter filhos, comprar a casa própria, viajar, ter momentos de lazer sempre que possível, emendar um fim de semana, trocar de carro todo ano.

Se der para guardar um pouco de dinheiro no meio do caminho, tudo bem,

se não der, faz parte. Chega-se ao fim da vida com poucos ativos e muito gasto, dependendo de filhos que, muito provavelmente, seguirão o mesmo ciclo de esforço e trabalho, sem quase nenhuma grande realização.

Fomos treinados para achar que esse suposto esforço empenhado na nossa

trajetória será sempre premiado, mas nem sempre isso acontece. Quando falamos de negócios e de ganhar dinheiro, o esforço é apenas um veículo. O combustível que o faz sair do lugar é o resultado, a efetividade. Quem vence a corrida da riqueza é quem agrega valor, quem tem mérito, não necessariamente quem se esforçou mais.

Não adianta um aluno virar a noite estudando para a prova do dia seguinte. Se ele não tiver retido os conhecimentos necessários, por maior que tenha sido seu esforço, não será aprovado. E de nada adianta receber um consolo depois, um cafuné dos pais, dizendo que, pelo menos, ele se empenhou. Quem está colhendo os louros é quem passou no exame. E não sabemos exatamente quantas horas estudou, se foi mais ou menos do que o aluno que falhou. Também não é possível comparar o estado emocional e físico dos dois alunos no momento da prova, quem mais se sacrificou ou quais técnicas cada um aplicou na prova. Na hora do zero a dez, é a nota que conta a história final.

Nos negócios e empresas, por mais que digam o contrário, vale a mesma lógica. O que é premiado é o resultado, não o esforço. É claro que o empenho e o engajamento são peças fundamentais para o sucesso, mas temos de deixar para trás a concepção errada de que deveríamos esperar ser premiados apenas pelo nosso esforço. Você receberá dinheiro de modo proporcional aos resultados que apresenta.

Quantos indivíduos você conhece que dizem que passam horas e horas no trabalho, se dedicam, trocam a vida pessoal por um serviço muitas vezes automático, que pouco agrega em valor, e mesmo assim ainda não enriqueceram? Além disso, quem garante que uma pessoa que trabalha doze horas por dia se empenhou durante todo este tempo sem distrações, foi produtivo e obteve para a empresa o retorno financeiro compatível com tanto sacrifício? Se o esforço fosse premiado, seu conhecido já seria milionário, o operário de fábrica mais produtivo teria sempre um padrão de vida muito elevado. Mas é mais fácil ver uma máquina substituindo funções do que um funcionário mediano, mesmo que esforçado, ficar rico.

Um trabalhador que corre o dia inteiro para colocar sacos pesados de lixo dentro de um caminhão, faça chuva ou sol, com certeza se esforça muito mais que a maioria das pessoas. Mas ele é premiado por isso? Não. Um funcionário de empresa que sempre chega no horário, cumpre o que lhe pedem, é amistoso com os colegas e não reclama, além de ser reconhecidamente “esforçado”, será reconhecido? Se ele estiver trazendo mais dinheiro para a empresa, sim, caso contrário, na visãodo chefe ele não fez nada além do que estava previsto em seu contrato de trabalho.

Não, isso não é desmerecer trabalhos de natureza mais simples e que

também são necessários. Mas em prol da riqueza, temos de ser realistas e não suavizar o entendimento sobre produtividade, geração de valor, lucratividade e performance. O que proponho é a mudança de mindset, o entendimento real da engrenagem que nos faz ganhar mais dinheiro. E nesse trajeto, não podemos cair na falácia de que todo esforço é premiado.

O esforço pelo esforço não gera riqueza. O que gera riqueza é o mérito. Com base nessa sabedoria, entendemos por que muita gente, mesmo

repleta das melhores intenções, afirma que a meritocracia é um mecanismo injusto, pois ela não avalia as condições sociais preexistentes e o esforço de cada indivíduo para atingir determinado resultado, seja bom ou fraco. Mas não somos nós quem determinamos quem será o maior merecedor das coisas. Quem faz isso é o mercado, e ele só olha para resultados, não para o caminho trilhado.

Recentemente, o jogador de futebol Neymar Jr. foi vendido pelo

Barcelona ao Paris Saint-Germain pelo estratosférico valor de 222 milhões de euros – ou, pela cotação da época do acordo, 821 milhões de reais. O salário dele fica acima dos 30 milhões de euros por ano, equivalente a 9,25 milhões de reais por mês, 2,15 milhões de reais por semana, 308 mil reais por dia, 12,8 mil reais por hora. Neymar ganha um salário mínimo a cada trezentos segundos.

Além da inevitável inveja que esses números despertam, muitas pessoas

esbravejam: “É imoral que um único sujeito ganhe tanto dinheiro enquanto outros passam fome, e que um médico ou um professor receba apenas um salário normal!”

Mas a resposta para essa equação é bem simples. Nenhum professor ou

médico do mundo é capaz de gerar montanhas de dinheiro chutando e cabeceando uma bola. Só o Neymar e outros jogadores do seu porte. Dotado de talentos raríssimos, Neymar se tornou milionário pelo montante de dinheiro que traz a todos que estão à sua volta, ao time, às marcas que o patrocinam. Milhares de empregos dependem do esporte que Neymar pratica.

E, sim, há médicos e professores que, por possuírem talentos únicos,

também se tornam ricos. Esses profissionais se destacam, ganham prêmios e se tornam professores renomados. Em países desenvolvidos, um professor mediano pode receber salários comparáveis aos de executivos no Brasil. Na Alemanha, o salário anual médio de um professor é de quase 50 mil dólares.

No pequeno principado de Luxemburgo, chega a 66 mil dólares por ano. [57]

A diferença salarial entre países explica muito bem por que o mérito – ou seja, mais dinheiro – não advém do esforço, mas, sim, de performance. Segundo um estudo realizado em 2018 pela Fundação Getulio Vargas (FGV) para o jornal O Globo, um empregado brasileiro gera, em média, 16,80 dólares por hora trabalhada, o que coloca o país na triste 50ª posição em uma lista de produtividade que inclui 68 nações. Na Alemanha, quinta colocada do ranking, os empregados são quase quatro vezes mais produtivos do que os brasileiros, gerando 64,40 dólares por hora, mesmo trabalhando em média

340 horas menos por ano que o trabalhador no Brasil. [58] Quem é mais rico, os esforçados brasileiros ou os eficientes alemães?

Em uma entrevista de emprego, dificilmente você será questionado se é esforçado ou se, no emprego anterior, ficava além do expediente para agradar seu chefe. O entrevistador vai querer é saber seus resultados, projetos realizados, competências adquiridas e talentos.

Apesar de ainda existirem vagas que exigem cumprimento de jornada, o mundo corporativo aos poucos tem flexibilizado horários; arranjos nas grandes capitais permitem o home office por alguns dias da semana. Tudo isso não tem sido oferecido de favor, mas porque as grandes corporações também identificaram que maiores lucros vêm de resultados, não do

controle. [59] Se um funcionário fica mais satisfeito e produz mais por gastar menos tempo no trânsito, melhor para ambos.

Entendendo essa engrenagem que rege os negócios, você começará a deixar a ingenuidade de lado e entender que seu foco, para ganhar mais, deve ser sempre o resultado. Se você agrega valor e dá mais resultado que outros, empresas vão disputá-lo e, consequentemente, poderão te pagar mais.

Quem sabe disso não veste a camisa da empresa para a qual está trabalhando. Veste a sua roupa, mas coloca por cima o paletó da corporação e aproveita a estrutura de negócios de outros para atingir seus próprios objetivos financeiros. Em determinado momento, o ganho de capital do funcionário de mérito sempre permite que ele mesmo possa deter os meios de produção. E aí o ciclo se completa, seja via empreendedorismo com seu próprio negócio ou investimento em ações.

 

SUA VIDA, SUA MARCA

Somos influenciados por marcas a todo momento. Do refrigerante que escolhemos no mercado ao tênis de corrida, da escolha da pasta dental ao pão de forma. As marcas, em curtíssimo tempo, denotam atributos e convencem consumidores de que são melhores que seus concorrentes. No ativo de cada marca, em inglês branding equity, estão depositados itens como o conhecimento de seu nome, a lealdade de seus consumidores, a qualidade percebida e as associações positivas que clientes fazem àquele

produto ou serviço. [60]

A estratégia de construção de marca sempre gerou sólidos resultados para

as empresas de bens de consumo. Valendo-se disso, teóricos do mundo corporativo começaram a detectar que quem construía uma boa marca pessoal em torno de suas atitudes e resultados tinha acesso às melhores oportunidades de trabalho e ganhos maiores. O que essas pessoas fazem, mesmo inconscientemente, é a chamada criação do personal branding, uma espécie de marca pessoal que as distancia do padrão médio encontrado em seu ambiente de trabalho e as faz serem mais requisitadas. Como consequência, quem trabalha bem seu personal branding sempre consegue ganhar mais.

Para entender como anda sua marca pessoal, alguns exercícios simples

podem trazer respostas. Como proposto por Tom Peters em um dos primeiros artigos do mundo sobre o tema, publicado pela revista Fast Company em 1997, um bom começo é pensar como se fosse o gerente de

uma das suas marcas favoritas. [61] Pergunte a si mesmo, refletindo sobre seus talentos e habilidades, as mesmas perguntas que gerentes de marcas como Nike, Coca-Cola ou Natura fazem: o que meu produto tem que o torna diferente?

Depois de refletir, escreva sua resposta em até quinze palavras. Leia o

resultado, pense mais e, outra vez, olhe de novo para ele e faça os ajustes finais. Se o que estiver escrito ali não saltar aos seus olhos, não demonstrar nenhum diferencial competitivo ou, no pior cenário, não te fisgar logo de cara, existe coisa a ser melhorada se você quer ganhar mais dinheiro.

Peters prossegue e ensina que primeiro devemos identificar o que nos

diferencia de colegas. O que você fez ultimamente, nesta semana, que o torna melhor do que os outros? O que seus chefes e colegas de trabalho falam de você reflete a sua maior força?

Outra estratégia simples é pedir que familiares e colegas de trabalho o descrevam com apenas uma palavra. Peça sinceridade e não leve para o lado pessoal. Você pode se achar uma pessoa dinâmica e alegre, mas ficar surpreso ao ser descrito como disperso. Imaginar-se organizado e efetivo, mas alguém elencá-lo apenas como resiliente. Ao se dar conta de como sua imagem, sua marca pessoal, é projetada, seus problemas de conhecimento técnico, gestão e até mesmo de personalidade ficam mais claros.

Eu, por exemplo, durante muito tempo fui visto pelas pessoas ao meu redor como um grande conhecedor do mercado financeiro. Um empreendedor corajoso, positivo, bom em vendas, mas arrogante. Essa crítica, no entanto, não me impediu de crescer financeiramente, pois foi com ela que tive clareza do meu ponto fraco, ao qual deveria estar atento em reuniões importantes. Focado em melhorar meu branding pessoal ao longo do tempo, passei a ser avaliado de maneira muito mais positiva por quem tinha contato comigo. Os benefícios foram inúmeros, incluindo oportunidades de negócios, ter minha opinião sendo considerada relevante em debates e, surpreendentemente, saber que sou lembrado e reconhecido até quando não estou presente.

 

MINHA MARCA PESSOAL

TALENTO EXPERIÊNCIA

QUALIFICAÇÃO POSICIONAMENTO

 

O valor que você emite e propaga para quem está à sua volta será sempre determinante na possibilidade de que você ganhe mais dinheiro. Se você não agrega valor percebido para sua empresa, para os negócios ou para quem está ao seu lado, menores serão suas chances de ter aliados dispostos a lhe darem mais oportunidades ou comprarem mais de seus serviços.

Dar-se conta disso é fundamental para a construção de seu mérito. Existem pessoas que são muito boas em gerenciar o patrimônio alheio. Chegam no horário para trabalhar, não faltam, realizam tarefas de maneira adequada e cumprem o que lhes é pedido. Mas quando se trata de sua própria marca, pouco têm a agregar.

Esse tipo de pessoa não busca um contínuo aprimoramento dos seus conhecimentos, gasta todo o seu dinheiro com diversão ou itens supérfluos, não lê livros ou assiste a documentários, não está ativa fisicamente, não cuida da alimentação e saúde, faz muitos favores para os outros e dedica pouco tempo a si mesma. Muitas vezes é desleixada com a forma com que se veste ou se apresenta em alguns locais, faz postagens inadequadas em redes sociais e anda com companhias que não têm conteúdo.

Por mais que tentemos dizer que o meio corporativo é asséptico e a vida

íntima não faz parte dele, o tipo de conversa que conseguimos engajar e nossa marca pessoal propagada estarão sempre sendo avaliados. E se você não tem uma marca forte e positiva, será sempre ignorado durante as grandes tomadas de decisões, mesmo aquelas que impactam sua vida dentro da empresa, como uma mudança de cargo.

A reflexão sobre nossa marca pessoal também é um grande passo para a

construção de um plano estratégico de carreira. Todos precisam saber em qual patamar se encontram e onde querem chegar. Com as ferramentas acima em mãos, volte seus olhos para todas as suas ações e atitudes, habilidades técnicas e postura. Quais livros estão na sua estante, o que sai da sua boca em rodas de conversa. Reveja suas redes sociais, os e-mails que envia, quais oportunidades apareceram em seu entorno e que não foram direcionadas para você, mas para alguma outra pessoa. Compare entre as marcas de vocês e entenda em quais pontos um colega pode ter tido vantagem.

Será que, como produto, você está posicionado com uma embalagem

legal? A validade está em dia? E se você perceber que seu tipo de talento está em promoção no mercado?

Talvez sua marca nem mesmo represente o seu maior talento. Descobrir

qual é ele será fundamental para a construção da marca que você quer tornar reconhecida. E é com ele que você pode mudar o jogo a seu favor. Faça uma lista com várias coisas que você sabe fazer bem, como saber falar em público, criar empatia, escrever, fazer previsões financeiras, calcular ou desenhar. Entre tudo o que conseguir pensar, com certeza há uma que você saiba melhor do que as outras. E, tenho certeza, se descobrir qual é esse seu talento nato, você se dará conta de que sabe trabalhar com ele, inclusive melhor do que a maioria das pessoas que estão ao seu redor.

Existe sempre alguma habilidade que para você é nata ou é executada com

mais facilidade, e é nela que pode estar o ponto de virada da sua carreira. Joel Moraes, ex-nadador da seleção brasileira e hoje palestrante requisitado para falar sobre sucesso, dá um exemplo claro da importância dessa identificação do maior talento:

 

“Quando eu era nadador profissional, era especialista em prova

de cinquenta metros livres. Para você ser considerado um bom velocista, é necessário que cumpra uma série de requisitos ao longo de uma prova que é extremamente rápida e admite poucos erros. Existe a velocidade de reação para pular na água assim que se escuta o tiro de largada, a força e impulso que o atleta consegue gerar ao deixar a plataforma, a explosão das primeiras braçadas, resistência e hidrodinâmica, com cada trecho de dez metros da prova tendo características ímpares.

Mesmo numa prova tão curta como essa, eu estudava a fundo

qual era minha melhor habilidade, e logo descobri que a parte em que eu mais me destacava eram os primeiros quinze metros. Então foquei todo meu empenho em melhorar essa primeira etapa da prova, pois sabia que, quanto mais eu conseguisse transformar esse meu diferencial em um ponto invencível, maiores seriam as minhas chances de vitória. Quanto mais rápido eu conseguisse ser logo no começo, menores seriam minhas chances de perder, pois na metade final da prova eu não era melhor do que os outros.”

 

Neste trabalho de descoberta de talentos e construção de marca pessoal, alguns cuidados devem ser tomados. Alguns erros comuns podem ter efeito contrário sobre seu branding, e, assim como uma peça de marketing mal colocada ou mal interpretada causa danos a uma empresa, você pode sair prejudicado se não souber utilizar esta ferramenta com cuidado.

O primeiro erro é o de, no afã de ser reconhecido, se tornar um “especialista em problemas”. Esta é a típica pessoa que azeda o ambiente, sempre reclamando de erros dos outros e vendo obstáculos no sistema de gestão da empresa. Ao mesmo tempo em que pontua as falhas alheias, ela acredita piamente que seus talentos nunca são reconhecidos, já que, se estivesse na posição de seus chefes, as situações-problema não existiriam. De maneira iludida, o caçador de problemas sempre se acha muito superior e inteligente por encontrá-los, mas nunca coloca a mão na massa para resolvê-los.

Quem quer ser promovido ou ascender não deve apontar os erros em

processos e estratégias, mas sim entregar as possíveis soluções. Coloque-se na posição de líder: você valorizaria mais quem lhe diz o que está errado ou quem chega com respostas?

Outro profissional que faz uma leitura errada de branding é o que

classificamos como “pidão”. Ele passa o tempo todo falando de si, impondo suas habilidades para fazer parte de projetos, solicita indicação para vagas para as quais não possui qualificação alguma, ou pede para amigos que seja incluído em todos os “esquemas”. Esse profissional vocaliza que é uma boa alternativa para qualquer espécie de negócio, mas não entende que resultados andam de mãos dadas com o mérito. As pessoas mais requisitadas não pedem, elas antecipam necessidades. Elas não reagem a uma oferta, elas são proativas.

Por fim, não acredite que a construção de uma marca pessoal forte venha

atrelada à solidão. Não é com isolamento no trabalho ou na gestão de seu negócio que você constrói uma imagem forte. Quem atua como cavaleiro solitário dentro de uma organização corre mais risco de ser conhecido como alguém estranho do que eficiente.

Sempre há pessoas ao redor que podem ensinar ou fornecer mentoria. Se

você é próximo de uma pessoa experiente e de sucesso, com certeza tem muito o que aprender com ela. No sentido inverso, você também pode ensinar e propagar sua própria marca ao treinar outros companheiros, ampliando suas chances de reconhecimento por isso.

Ao construir seu personal branding, lembre-se:

 

NÃO GERENCIE APENAS O PATRIMÔNIO DOS OUTROS NÃO SEJA “PIDÃO”

DESCUBRA O SEU MAIOR TALENTO

NÃO FIQUE ISOLADO

 

Certa vez, conversava com um amigo que frequenta muitos fóruns na

internet, e ele me contou um desses “causos” do mundo dos negócios. Alguém havia lhe perguntado:

— Se tirarem tudo de Warren Buffett, em quanto tempo será que ele conseguiria fazer um milhão de dólares novamente?

Meu amigo não titubeou e disse:

— Isso depende. Se ele perdesse todo o patrimônio, mas mantivesse seu prestígio, bastaria fazer uma ligação para Bill Gates ou qualquer outro bilionário e dizer que estava abrindo um novo fundo de investimentos. Rapidamente captaria alguns milhões de dólares para gerir e, em questão de dias, ganharia mais do que todos nós já conquistamos durante a vida inteira.

Assim como a fama de Buffett o acompanha por onde passa, todo indivíduo é marcado pela imagem que projeta no mercado.

Branding pessoal gera dinheiro real.

 

A TEORIA DOS ESPAÇOS VAZIOS

Assim como o ar preenche naturalmente todos os espaços de um cômodo, um profissional antenado pode detectar oportunidades e zonas livres dentro das corporações. Seja por falta de profissionais em número ou falha de colegas, sempre há tarefas não sendo cumpridas integralmente ou da melhor maneira, territórios inexplorados e brechas para expor positivamente sua marca pessoal.

A teoria dos espaços vazios no mundo corporativo divide profissionais em três grupos:

 

AQUELE QUE FAZ O QUE É AQUELE QUE GOSTA DO AQUELE QUE EXECUTA OS PERMITIDO PROIBIDO OPCIONAIS

 

O profissional que faz apenas o que é permitido vive na zona de conforto. Ele faz tudo certo: chega no horário, não falta, não causa desconforto para seus colegas, cumpre tarefas e faz o trabalho da maneira mais adequada possível. Ele pouco erra, mas também não propõe nada novo, não agrega valor a nada que faz.

Pode até ser assíduo nas tarefas que executa, mas, quando se depara com a oportunidade de fazer algo que vai além da sua descrição de cargo, reclama:

— Não vou propor que eu faça isso. Meu chefe é quem tem que cuidar dessa tarefa, afinal ele é muito bem pago para isso!

Enquanto isso, colegas ainda concordam:

— Não deixa barato, não! Seu chefe está te explorando.

Todas as vezes que ouvi esse tipo de diálogo, na mesma hora entendia que

essas pessoas dificilmente poderiam estar em meus planos de longo prazo. Na minha mente, o que eles diziam era:

— Eu não quero mais do que já tenho!

Toda pessoa que vira as costas para o poder está fadada a permanecer

longe dele.

Quem não ocupa os espaços vazios não é visto como empreendedor ou

alguém ativo que está apto a desenvolver novos projetos. E empresas, por mais estáticos que os negócios possam parecer, estão a todo tempo se recriando, desenvolvendo ideias dentro delas mesmas, se reestruturando. Quem faz só o que lhe é pedido não é visto nem pelo cliente interno, muito menos pelo externo, diminuindo substancialmente suas chances de ser lembrado por algo relevante.

Mas há também quem goste do oposto, o funcionário ou empreendedor

que prefira permanecer 100% do tempo na zona proibida. Se é instruído a fazer uma tarefa de determinada maneira, ele pensa que seria melhor implementá-la de outra. Muitas vezes, perde seu tempo executando certo as coisas erradas, ou deixando de lado o que deveria ser prioridade. Ele pode ser cheio de ideias e vívido, mas expõe isso de maneira desordenada e sem foco dentro do ambiente profissional. Como fica óbvio, apesar de uma aparente boa vontade de fazer coisas diferentes e inovar, um funcionário que não sabe cumprir ordens básicas dificilmente será considerado numa promoção.

E aí resta aquele que entende que entre seu cargo e a promoção existe um

vão que precisa ser transposto. É o tal do espaço vazio que nunca é preenchido automaticamente. Para que o limite do seu cargo encoste na função acima, é preciso injetar ânimo no dia a dia, mostrar entusiasmo, lealdade e perseverança. Além de ser um bom cumpridor de tarefas, quem tem atitudes que vão além do esperado e coloca a mão na massa nas tarefas que parecem apenas opcionais mostra que é alguém diferenciado.

Nem todos à sua volta, porém, vão compreender você bem nesse

exercício. Podem te chamar de puxa-saco, “queridinho” do chefe, mas quem está focado em ganhar mais não negocia com o fracasso alheio. Ignora o ambiente hostil e vai além do que está na descrição de seu cargo – afinal seu grande momento dentro da empresa pode não estar no texto, mas no contexto.

O vencedor não quer ser mocinho nem vilão. Ele só quer triunfar, e com ética, pois ultrapassá-la nunca gerará resultados perenes no longo prazo.

Chefes esperam contar com sensibilidade, com quem saiba fazer o que não está a olho nu. O profissional que faz além do requisitado, ativando os “opcionais”, desenvolve sua capacidade sensitiva e observa quais atitudes podem destacá-lo da massa. Para isso, desenvolve a autoliderança e automotivação. Quem precisa de elogios o tempo todo para se sentir estimulado ou desmonta diante de qualquer crítica, provavelmente, não será quem dará o próximo passo no mundo corporativo.

Empresas muitas vezes querem funcionários com olhar de dono, que se engajem e consigam ir além. Para conseguir isso, é importante que cada uma analise suas funções no trabalho de maneira holística, pois toda organização está cheia de espaços vazios prontos para serem ocupados. Se for capaz de preenchê-los de forma ativa, não apenas com ideias e falácias, mas gerando resultados visíveis, pode ter certeza que em breve estará ganhando mais.

Mas aqui vale um alerta: apesar de grande parte das corporações gostar de dizer que admira empregados com olhar de dono, nem todas estão preparadas para premiar quem trabalha assim, e muito menos estão abertas à proatividade. Olhar para o histórico de crescimento profissional de outros colegas e como líderes atuam podem ser bons indicativos para compreender se você está inserido em um ambiente meritocrático. Caso não sejam muito óbvios os resultados de quem foi promovido ou laureado, talvez o melhor caminho seja migrar de ambiente.

 

CONSTRUÇÃO DE AUTORIDADE

Há mais de cem anos, o sociólogo Max Weber já detalhava em uma de suas obras clássicas, Ciência e política, que autoridade é uma forma de poder que não implica força. “Ao contrário, ela envolve uma ideia de suspensão do julgamento por parte dos que se submetem a ela. As diretrizes ou ordens são seguidas porque se acredita que devam ser seguidas. A obediência é

voluntária.” [62]

Mesmo após tanto tempo, palavras como “autoridade”, “liderança” e “chefia” continuam sendo confundidas no mercado de trabalho e negócios. Por causa da falta de reflexão sobre o que representa, a autoridade é muito pouco explorada por quem ainda está galgando degraus na carreira. A boa notícia é que, como Weber mesmo disse, você não precisa ser chefe para ter autoridade. Saber construí-la por meio de suas habilidades técnicas, maiores talentos e branding pessoal é possível. Exercer a autoridade, mesmo quando ainda fora da chefia, faz com que suas chances de ganhar mais se multipliquem.

Quanto mais autoridade você exercer sobre determinado assunto, menos

ingerência você sofrerá. Isso significa que, ao demonstrar pleno conhecimento de suas tarefas e ao saber como executá-las com esmero, menos interferência de chefes você terá ao longo do tempo. E isso, pouco a pouco, pavimenta o reconhecimento de que você não precisa de comando, mas está apto a passar a tarefa para outro funcionário que ainda precisa aprendê-la, enquanto dedica seu tempo às estratégias para tornar essa prática ainda mais eficiente dentro da corporação.

A construção de autoridade passa por diversos níveis. Se você pensa em

conquistar um cargo de liderança, deve necessariamente estar preparado para fazer dela seu aliado. O primeiro passo para isso é dissecar quais aspectos fazem parte das exigências para quem, atualmente, gerencia sua área de atuação. Isso não significa que você queira tomar o lugar de alguém que está acima de sua hierarquia ou vá prejudicá-la. Essa análise pode ir além de sua corporação e envolver pesquisas em concorrentes e empresas com funções correlatas. A questão é trabalhar em prol das suas aspirações, estar preparado para o momento em que as oportunidades surgirem, pois elas sempre aparecem.

Num primeiro momento, todos somos anônimos para a liderança. Em

equipes muito grandes e dispersas, pode ser difícil encontrar alguma maneira de se destacar da multidão ou fazer algo que demonstre plena habilidade nas mais diversas áreas. A questão é que, quase sempre, quem está no comando não têm tempo para ensinar sobre autoridade. Ele está preocupado com a gestão, o resultado final, e pode não deixar tão claro que você tem liberdade de fazer mais do que lhe é pedido. Conquistar autoridade é uma decisão pessoal, fica entre a escolha de se manter acomodado apenas atendendo ordens ou ocupar os espaços vazios.

Deixar esse anonimato pode ser simples, mas não menos desafiador. O

primeiro passo é liderar a si mesmo, fazer com que sua eficiência aumente para que serviços que pareçam complexos para os outros sejam completados mais rapidamente por você. Se o chefe pede um relatório para daqui sete dias, você o entrega no terceiro. Se um dia uma reunião é marcada às sete horas da manhã, você dorme na hora correta na noite anterior e chega com um sorriso no rosto às 6h45. Num almoço com colegas da empresa, você se alimenta bem de maneira adequada e evita alimentos pesados, pois sabe que tem uma tarefa importante para ser cumprida no período da tarde e não pode ficar com sono, bocejando na sua mesa. Você se mantém sempre alerta e preparado, consegue propor ideias mais relevantes em discussões da equipe.

Ao conseguir manter esse padrão de autoliderança constante, você será em algum momento reconhecido como um profissional bem-sucedido no que faz. Pessoas se aproximarão pelo seu exemplo e, mesmo que sem uma atribuição de cargo, passarão a pedir ajuda e poderão até mesmo receber ordens suas sem que isso seja percebido, pois você deterá autoridade sobre aquele grupo. Aos poucos, de autoliderado solitário, você percebe que engajou quatro, cinco colegas de trabalho ao seu redor. E essa fama, se construída com cautela e sem egocentrismo, se espalhará lentamente.

Também deixe de lado a sensação de que, se for muito bom e isso ficar muito aparente, alguns poderão se afastar por se sentirem ameaçados. Isso até pode acontecer, mas quem quer crescer – assim como você – sabe que é preciso ter bons aliados ao lado para construir esse caminho. As pessoas não apenas o notarão, mas vão querer estar perto de você.

 

EU, AUTORIDADE

1 Em que assunto da sua atividade profissional você se sente mais

confortável em ouvir que é especialista?

2 Em que área na sua profissão você se sente apto a desempenhar tarefas

com total autonomia?

3 Se você pudesse assumir um departamento específico no seu trabalho,

que departamento seria?

4 Se você fosse convidado a publicar um livro por uma grande editora

ou fosse feito um documentário sobre a sua história, qual seria o conteúdo? Vale aqui também pensar algo que você não domina ainda, mas que deseja dominar.

 

A autoridade pavimenta a construção da liderança. Se você quer ser chefe, precisa de autodomínio, vencer instintos da preguiça e procrastinação, pois passará a servir de exemplo. Em reuniões e projetos, será solicitada sua presença e sua opinião será bem-vinda. Na chegada de novos funcionários, indicarão que você ensine o trabalho a eles, pois é quem melhor sabe executá-lo.

E, como previsto, o momento de alcançar um novo cargo surgirá. As

empresas estão em constantes mudanças, e, por mais estático que alguém pareça estar em algum cargo, chefes são transferidos, mudam de emprego. Expansão de negócios acontece, empresas reinventam sua estrutura. Mesmo que o processo seja competitivo, e candidatos de fora apareçam para disputar uma vaga de gerência aberta, você será automaticamente lembrado por seus superiores se agregar valor aos resultados da companhia.

Com o novo cargo em mãos, a autoridade se torna mais óbvia, e um novo

flanco pode ser aberto. Possuindo a validação corporativa para comandar, você receberá mais dinheiro, mas também passará a ser mais cobrado por performance e resultados financeiros. Mantendo a assertividade, será visto como uma autoridade celebridade, aquela que é vista falando em nome da corporação e fora dela. Neste momento, sua autoridade chega ao mercado e pode começar a ser desejada por outros grupos empresariais.

Se o seu sucesso for estrondoso, disruptivo, é possível que você não seja

esquecido, mesmo que parta para outro trabalho. Isso é a concretização da construção da autoridade mito, aquela que trouxe resultados muito acima da média e se torna referência de excelência. Alinhadas a tudo isso, ficam suas expectativas de ganhos. Seja em salário, participação nos lucros ou partindo para um empreendimento só seu. Deter autoridade sempre será sinônimo de ganhar mais.

 

ANÔNIMO ESPECIALISTA DO ASSUNTO AUTORIDADE CELEBRIDADE MITO

 

PLANO DE AÇÃO PARA A CONSTRUÇÃO DA AUTORIDADE

Pense nas questões abaixo, elas lhe ajudarão a refletir e encontrar alguns caminhos para que você seja mais reconhecido no que faz.

1 Você quer ser autoridade em qual habilidade?

2 Onde você quer que isso aconteça?

3 Quem participa deste objetivo?

4 Quando vai acontecer?

5 Qual é a evidência de que você conseguiu?

6 O que você ganha com isso? Quais são os benefícios que obterá?

7 O que você perde com isso? Este objetivo ou resultado afeta

negativamente outras pessoas do meio do qual você faz parte? Se a resposta for sim, o que você precisa alterar no seu objetivo para que afete apenas positivamente outras pessoas ou seu meio?

8 Por que isso é importante para você? Quais os valores que você vai

satisfazer com esta meta?

9 Quais ferramentas precisa para atingir este objetivo? Recursos

financeiros, conhecimentos, métodos, tempo, habilidades e competências.

10 Quais as formas para conseguir isso? Qual é seu plano de ação?

11 Você conhece alguém que já fez isso? Como esta pessoa conseguiu?

12 Qual será o primeiro passo?

13 Este objetivo depende apenas de você ou de outros para se

concretizar? Se precisar de outros, o que você pode fazer para que ele seja apenas seu?

14 Qual o seu grau de comprometimento em realizar isso? O que você

pode fazer para aumentar seu foco nesta conquista?

 

COMO PEDIR AUMENTO

Todo mundo quer receber mais pelo trabalho que exerce, mas poucos entendem a lógica empresarial que está implícita nesse movimento. Como explicado, muitos não compreendem que não é pelo esforço que um aumento pode chegar, mas sim pelo mérito de cada um em gerar mais dinheiro para quem se trabalha. Nenhum chefe lhe garantirá uma promoção apenas porque é alguém esforçado nas suas funções, mas porque garantiu um retorno maior do que seu custo e não interessa a eles perder você como um recurso provedor de lucros.

Entender a mentalidade do dono é fundamental para que seu anseio de receber um aumento não seja frustrado com facilidade. Independentemente dos seus argumentos, sejam eles pessoais ou profissionais, ao apagar das luzes, empresas sempre querem ganhar mais dinheiro. Mas nenhum chefe vai externalizar este argumento ao negar uma promoção, e é por isso que você deve estar consciente dele antes de fazer um pedido desse tipo.

Deixando de lado, mais uma vez, a ingenuidade acerca do que move os

negócios, é hora de entender como você pode gerar mais lucros para a companhia, mesmo recebendo mais. O que deve ser feito para que topem sua proposta? Consegue cortar alguns custos, fazer com que a marca da empresa se posicione melhor, aumente a escalabilidade de algum serviço ou a torne mais reconhecida por algo? Se nada disso estiver claro, sua proposta de aumento será muito frágil.

Quando alguém pede um aumento, o primeiro pensamento que passa na

cabeça de um chefe não são suas qualidades, mas sim quanto custaria para demiti-lo. Se você pede mais, saiba que está sujeito a passar por uma avaliação muito mais dura sobre seus resultados. Você será destrinchado, comparado, pressionado. Se a empresa detectar que fica mais barato colocar alguém novo em seu lugar em vez de lhe pagar mais, este é o momento em que cogitarão o seu desligamento da empresa.

É por isso que a argumentação sobre o mérito é preponderante. É nesse

momento que você coloca em jogo a conquista de autoridade, o tempo dedicado ao aprendizado e ao aprimoramento de funções, os processos que foram melhorados pela sua atuação, as novas práticas que foram criadas e validadas. Toda sua competência intelectual, experiência e familiaridade com o negócio vão pesar. Um profissional de fora levaria quanto tempo para ser treinado? Será que ele teria a mesma motivação? E em quanto tempo adotaria o DNA da empresa?

Não chegue à mesa de negociação sem estar preparado para tudo isso. E

não transforme o pedido em uma guerra. Ele deve ser feito mais em forma de diálogo e comunicação do que de imposição, pois pode ser que, mesmo avaliando seu merecimento, a empresa ache que não esteja pronta para, naquele momento, lhe dar um aumento.

E aí entra a forma com que você vai apresentar a discrepância entre o seu

salário e o que é pago no mercado; as provas de que o valor que você agrega é muito maior do que está sendo pago a você. Muitas das objeções que poderá sofrer podem ser previstas, e respondê-las com coerência também lhe dará mais chances de conquistar o objetivo de ganhar mais.

Mas, repetindo: não confunda esse momento com a hora de mostrar qual

foi o seu esforço. Argumentos sobre como você sempre cumpriu seus horários, executou as tarefas pedidas e foi cordial não servem de nada. Isso tudo já era esperado de você ao ter sido contratado e, simplesmente, fazem parte da descrição de seu cargo.

Ter concluído algum curso ou o famoso MBA, por exemplo, não pode fazer parte de um contexto vazio. Apresentar um diploma sem detalhar por que ele trouxe mais dinheiro para a companhia não terá validade alguma. A verdade é que os donos do negócio estão pouco se importando com seu desenvolvimento profissional, se isso não estiver diretamente relacionado às chances de obterem maiores rendimentos.

Para conquistar um aumento, a negociação tem que ser vista muito mais como um convênio do que uma simples mudança de contrato. No primeiro, chega-se a um acordo que é bom para todos, no último, existem cláusulas em que cada um apenas defende seu lado. Não deixe de entender os planos da empresa, peça um prazo e direcionamento claro da companhia sobre seu pedido. Se seus argumentos forem sólidos, com certeza uma resposta rápida chegará até você. Caso contrário, talvez você perceba que é o momento de ganhar mais em outro lugar.

 

NÃO SE VENDA POR HORA

Seguindo as leis trabalhistas brasileiras, um trabalhador pode ter uma jornada semanal máxima de até 44 horas. Apesar de, no Brasil, salários serem regidos por um pagamento mensal, não é difícil calcular quanto vale a hora trabalhada de cada um. A questão é que, quanto menos operacional for a função, há menos clareza sobre o valor de cada minuto gasto no trabalho, e isso é uma grande vantagem para quem pretende ganhar mais.

Um gerente de operações, por exemplo, pode gastar minutos para resolver o mesmo problema que um analista na mesma área. Um publicitário, ficar horas divagando sobre um produto, para em poucos segundos alcançar o insight necessário para uma campanha de sucesso e só então começar a desenvolvê-la.

Como medir o valor de cada hora deles, se a forma como executam o trabalho pode ser totalmente diferente? Trabalhos que não são feitos de pura repetição quase sempre podem ser pagos via desempenho, não hora trabalhada. Com esse conceito em mente, você pode começar a aproveitar melhor seu tempo e entender que a sua hora não vale, em absoluto, o valor exato da divisão de sua jornada de 44 horas semanais.

Em números, se eu recebo um salário de 1 mil reais, considerando uma

média de 21 dias úteis no mês, chego à conclusão de que ganho, por hora, 5,4 reais. Mas se eu executo minhas tarefas em trinta horas semanais, e não 44 horas, o valor da minha hora terá saltado para 7,9 reais. Só que seu chefe não precisa saber disso. O que você vai pedir para ele é que a sua remuneração seja realizada pelo seu desempenho, não pelo tempo que permanece na empresa. Com isso, você ganha flexibilidade, liberdade geográfica e um maior aproveitamento dos seus talentos.

Com mais tempo livre e maleabilidade em seus horários, você pode

dedicar parte do seu foco para aprender novas coisas, reduzir o estresse da sua jornada e logística de deslocamento, aprender a priorizar tarefas mais importantes e, em suma, se tornar ainda mais produtivo no momento em que estiver concentrado em alguma atividade.

Além disso, o profissional que se vê cobrado por resultados, e não por

bater cartão na hora certa, consegue liberdade para se dedicar a outros projetos e criar novas possibilidades de receita, o que alavanca, mais uma vez, seu potencial de ganhos.

Diferentemente de quando se pede aumento, requisitar uma remuneração

por desempenho exige uma avaliação mais cuidadosa da empresa. É preciso entender se os esquemas de trabalho da corporação permitem esse tipo de arranjo, se outros já conquistaram o benefício e quais serão os limites de ambos os lados. Imagine se, ao lugar de perceber que trabalha menos, o funcionário se deparar com um chefe que liga depois das sete horas da noite pedindo algo?

Neste momento de discussão, tenha muito claro os motivos pelos quais a

empresa pode aceitar a proposta, e não as razões que, muitas vezes, acredita serem as principais para você. Evite discursos de cunho pessoal, como alegar que pretende passar mais tempo com a família. Ao invés de enxergar produtividade, seu chefe pode ver nisso um sinal claro de que você só pede flexibilidade porque possui outras prioridades.

Ao conquistar esse benefício, use-o com racionalidade. Aja com sabedoria

e esperteza, sempre posicionado para apresentar um desempenho coerente com a confiança recebida. Não deixe que, com menos tempo de corpo presente em um local, a sua marca pessoal deixe de ser vista e reconhecida.

Aprenda a escutar primeiro antes de se movimentar. Se um chefe propõe

uma tarefa, deixe que ele diga quando gostaria de recebê-la feita e não seja você quem propõe, logo de cara, o prazo. Você pode achar que três dias são suficientes, e seu chefe dizer que lhe dá sete. No terceiro dia, o surpreenda com o resultado. Não só em prazos, mas também em muitos outros tipos de discussões do mundo corporativo, toda vez que você se movimenta primeiro, perde a chance de saber uma série de coisas que se passam no campo das ideias alheio.

Com seu salário sendo pago por desempenho, fica sua missão de manter resultados sempre em ordem. Se começar a prometer coisas que não pode cumprir, sua reputação entra em jogo e você, muito provavelmente, em breve voltará a receber por hora.

 

EMPREGO DOS SONHOS

Sabemos que, à exceção de alguns muito ricos, a grande maioria das pessoas precisa encontrar uma ocupação que garanta, pelo menos, o sustento básico ao longo de várias décadas. Depois de anos vividos na escola e sendo preparados para o mundo adulto, chega a hora da escolha da profissão e, ainda muito jovens, traçamos nosso destino para o resto da vida.

A decisão nunca é fácil e, às vezes, não é tão sábia. Seja por influência externa, imaturidade ou mesmo autoengano, é muito comum que em pouco tempo o profissional esteja muito insatisfeito com o que faz. E isso não é exceção no mercado de trabalho:

 

MAIS DA METADE DOS BRASILEIROS ESTÁ INSATISFEITA COM A CARREIRA

Desilusão com a profissão e crise estão levando profissionais de volta às faculdades.

(Jornal O Tempo, julho de 2017) [63]

72% das pessoas estão insatisfeitas com o trabalho, aponta pesquisa.

Profissionais reclamam de falta de reconhecimento e excesso de tarefas.

Empresa deve avaliar perfil do colaborador para resolver a situação.

(Portal G1, abril de 2015) [64]

É preocupante uma taxa tão alta de desconforto com a atividade que ocupa a maior parte da nossa vida. É o trabalho, de maneira fria, que determina o que podemos comprar e onde morar, o que comer e até nossa estrutura familiar. Ter um bom relacionamento com ele deveria estar entre as prioridades de todas as pessoas. E engana-se quem diz que dinheiro não importa e que o trabalho é secundário. Descuidar-se dele é deixar de lado um dos itens que mais afetam sua vida.

Essa frustração explica um pouco sobre a mudança na relação pessoa-

trabalho proposta pelos chamados millennials, a nova geração que está em busca mais de realização do que de sucesso; que avalia mais uma empresa pelo seu modelo de negócios do que pelo status dos produtos que

manufatura. [65] No fim, a verdade é que, ao olharmos o que eles fazem, todos têm se tornado um pouco mais millennials também.

A diferença é que, com experiência e pé no chão, podemos tentar alinhar

sonhos e anseios ao trabalho que executamos bem, gerando ainda mais retorno financeiro com isso. Temos a completa noção de que a recompensa salarial é parte essencial do trabalho que escolhemos. Com essa consciência maior sobre a relação vida-trabalho, podemos desenhar com mais exatidão o que podemos chamar de “emprego dos sonhos”.

O primeiro passo é delinear o que é, exatamente, esse emprego dos

sonhos. Muitas vezes, ao partir para este tipo de reflexão, de cara nos damos conta de que nem sabemos qual tipo de atividade realmente nos faria felizes. Em termos práticos, fica mais fácil começar pelo reconhecimento do modelo de trabalho que se encaixa mais com seu perfil.

Há quem acredite que o emprego dos sonhos é aquele que lhe proporcione

liberdade de tempo, não exija ponto ou horários a serem cumpridos todos os dias. Para alguns, pode ser um que não o pague por hora, mas por resultado e performance, abrindo mão de um salário fixo para ficar com comissões. Para outros, pode ser que o emprego dos sonhos ainda nem exista em alguma empresa, e seja preciso formatá-lo do zero, empreendendo.

A performance e o empreendedorismo, inclusive, estão entre as melhores

estratégias para se ganhar mais, porém, pouquíssimas pessoas se sentem seguras com essas formas de trabalho. Será que a pouca previsibilidade, porém, com chances de maiores ganhos, faz parte de seu sonho?

Realizado esse desenho mental do emprego ou tipo de trabalho almejado,

é hora de localizar onde ele se encontra. Se é dentro da sua organização ou em outro setor, se ele exige alguma transformação radical na sua carreira ou, caso verta para o empreendedorismo, se está sendo realizado por um concorrente. É importante conhecer como funciona na prática o que você sonha e, a partir de exemplos reais, saber qual será a sua forma de conquistá-lo.

Com o reconhecimento e a validação do sonho nas melhores práticas existentes, parte-se para a administração dos riscos de se buscar tal transição. Ao contrário do que se pensa, o risco está em todo lugar, até mesmo nos empregos considerados mais estáveis e, por isso, não é preciso fugir dele, mas sim estar preparado para enfrentá-lo.

E, como em todo planejamento, entenda que ele não é um fim, mas deve ser adaptado às constantes variáveis apresentadas pela vida e pelo mercado. Aprenda a vender sua ideia de sonho para os outros, convencê-los de que você está apto para vivenciá-lo, agindo com proatividade e se ajustando aos desafios propostos. Faça dessa busca uma reconstrução de si mesmo, aplicando no seu dia a dia um processo de melhoria que determine:

 

QUESTIONÁRIO: O EMPREGO DOS SONHOS Às vezes estamos insatisfeitos com o que fazemos, mas ao mesmo tempo não temos uma ideia muito clara do que realmente nos traria maior satisfação profissional. Pensar sobre as perguntas abaixo é um exercício que pode facilitar essa tarefa. Não se esqueça de escrever suas anotações, pois uma reflexão pausada e profunda pode lhe mostrar alguns caminhos.

 

1 Qual seria um emprego dos sonhos para você? Pense e escreva com

detalhes.

2 Qual é o formato de trabalho que você mais almeja? Por tempo? Por

produtividade? Seja bem específico em sua resposta.

3 Onde ele acontece? No escritório, na sua casa ou de maneira remota?

Seja específico.

Preencha o quadrante abaixo sobre o formato de emprego/trabalho que

você deseja implementar na sua vida:

 

O que quero fazer menos O que quero deixar de fazer

 

O que quero fazer mais O que gostaria de criar

 

SEU SALÁRIO NÃO IMPORTA

Salários, por mais altos que sejam, não podem ser considerados referenciais de riqueza. Quem é rico sabe que precisa construir o futuro diversificando capital de diversas formas, pois entende que rendimentos exponencialmente maiores sempre estão atrelados a negócios e dividendos.

Num exemplo extremo de como isso funciona, basta olhar para o último

relatório de imposto de renda pago pelos quatrocentos mais ricos dos Estados Unidos, divulgado periodicamente pela Receita Federal norte-americana. Os dados apresentados mostram que menos de 5% dos ganhos desses milionários advêm de pagamento de salários, enquanto 60,4% dos recebimentos ficam com ganhos de capital, que incluem os mais diversos

ativos, como ações, debêntures, imóveis e bens de natureza variada. [66]

FONTE: IRS, Estados Unidos.

 

Estamos falando da nação mais rica do planeta e de suas maiores fortunas, mas a amostra é interessante no raciocínio da riqueza: das pessoas com muito dinheiro que você conhece, quantas vivem apenas de um emprego comum? Mesmo as que são assalariadas, o que fazem com parte do que ganham?

Trabalhar pelo lucro é melhor do que trabalhar pelo salário.

Pessoas ricas nunca possuem apenas uma fonte de renda. Elas entendem que o fluxo de receita não pode vir apenas de um canal e estão atentas a todas as oportunidades de fazer o dinheiro trabalhar por elas, seja por meio de investimentos ou da criação de negócios.

Sabendo disso, devemos ao longo da vida estudar maneiras de criar nossos próprios multicanais de receita. Como explicado ao longo deste livro, investimentos são um belo caminho para isso, mas empreender deve estar no radar de todos que almejam ganhos realmente maiores. E mesmo para os que dizem não possuir uma “veia empreendedora” ou que é quase impossível ampliar suas entradas de capital, ponderar sobre o tema com perspicácia e entusiasmo é preponderante para quebrar paradigmas e entender que todo mundo pode, sim, começar um novo negócio, mesmo quando não possui capital para investir.

Algumas páginas atrás, falamos sobre habilidades e talentos de cada um.

E, no empreendedorismo, vale a mesma lógica: você de fato possui alguma habilidade e competência que a maioria das outras pessoas não tem, mas gostaria de possuir. E, por conta disso, elas estão dispostas a pagar para que você as ensine a ter essa competência, ou até mesmo que faça por elas algo que sozinhas não conseguiriam.

Exemplos de competências individuais não faltam: ser organizado, saber

administrar bem o tempo, ser bom em finanças pessoais, saber falar em público, ter facilidade com outros idiomas. A lista é infinita e pode estar muito ligada, incialmente, a um hobby: saber cozinhar bem, fazer um artesanato diferente, escrever poemas nas horas vagas, fazer exercícios de maneira correta e manter um corpo saudável, e assim por diante. Você sempre fará algo melhor do que alguma parcela de pessoas, e olhar para sua habilidade como um mecanismo para a riqueza pode ajudar você a construir uma ponte que o conecta ao empreendedorismo.

Num primeiro momento, você pode simplesmente ensinar aos outros o

que sabe fazer. Por exemplo, oferecer consultoria financeira a amigos ou dar aulas de algum idioma. Cozinhar para fora nos finais de semana, oferecer mentoria em planejamento pessoal. Se você já tem capital para investir, pode ser o momento de abrir aquele café que tanto sonha, ou uma academia, uma pousada, um comércio de roupas. Nunca pense no meio como o fim, grandes empresas começaram, muitas vezes, de projetos de garagem.

Certa vez, ao debater nas redes sociais sobre habilidades que poderiam ser

aplicadas ao empreendedorismo, recebi um comentário em tom de brincadeira:

— Eu não tenho habilidade nenhuma. Só tenho habilidade de dormir. Na hora todos riram, mas, se pararmos para pensar, até dormir não deixa

de ser uma baita aptidão. Quantas pessoas no mundo não gostariam de dormir bem e não conseguem? Será que dessa sua aptidão poderia vir alguma ideia de negócio?

E se você ainda não encontrou mesmo um caminho claro para o

empreendedorismo, saiba que existe ainda um batalhão de outras pessoas com boas ideias, mas pouca capacidade de implementá-las ou vendê-las. Unir-se a elas pode ser sua maneira de empreender, seja numa sociedade ou até nas chamadas franquias, modelo de negócio que vem formatado e possui benchmarking naquele determinado setor, diminuindo os riscos da operação. Nesse modelo de negócios, você estará pagando um pedágio ao dono original da ideia, mas essa associação pode ser um facilitador para muitas pessoas que não se sentem confortáveis em empreender sozinhas em um primeiro momento.

O que você faz quando não está trabalhando deveria ser seu trabalho. Pense em como você aproveita o tempo livre e se há espaço para monetizar algo dentro dele. Seu estilo de vida pode conter alguma motivação que sirva de porta de entrada para ofícios que têm muito valor.

O autor norte-americano Napoleon Hill, um dos pioneiros nos estudos sobre a construção de riqueza, acreditava que encontrar esse propósito é uma das leis do sucesso. Mas será que é possível “criar” um propósito a partir do nada, se ainda somos muito jovens ou não temos certeza do que realmente gostaríamos de ter na nossa vida?

Em 2017, viajei para diversos países com a intenção de entrevistar as pessoas mais bem-sucedidas do mundo, alguns já bilionários, para meu projeto O Código da Riqueza. Questionei-os justamente sobre esse tema e se, mesmo a muitos anos de conseguirem ter sucesso, já se imaginavam obtendo bons resultados no futuro. Todos disseram que jamais haviam imaginado estar na posição em que se encontravam e muito menos tinham um propósito claro. Mas será então que Napoleon Hill estava errado?

Voltei a pensar sobre como construí minha carreira. Eu estava na faculdade, não sabia exatamente o que queria fazer, mas logo me tornei um apaixonado por investimentos. Meu primeiro contato com essa área foram os incríveis filmes a que eu assistia na época de escola, como o aclamado À procura da felicidade, protagonizado por Will Smith, ou o pungente Wall Street, estrelado por Charlie Sheen.

O que parecia um mundo muito distante se aproximou de mim quando, em uma palestra promovida pelo meu curso, um rapaz de terno apresentou aos estudantes o funcionamento da Bolsa de Valores e as possibilidades que existiam para quem quisesse se tornar investidor. Quase ninguém prestou atenção ao que era ensinado, mas eu fiquei vidrado quando foi feita uma projeção de juros compostos. Como poderia um investimento de 10 mil reais hoje se transformar em 10 milhões de reais no futuro se você investisse bem seu capital?

Esses números ativaram uma paixão e vontade de aprender, que mexeu com minha ambição, meu cérebro, meus sonhos e com tudo o que era possível. Tenho certeza de que foi ali que começou minha história como empreendedor, mesmo que naquela época eu ainda não fizesse ideia de aonde aquele gosto pelos números poderia me levar.

E minha primeira empreitada real nessa área não foi das mais promissoras.

Recebi de meus pais um grande incentivo, 5 mil reais, para que eu aprendesse a me virar e criar oportunidades para buscar minha independência. Minha primeira ideia foi ir junto com meu pai conversar com o gerente do banco onde eles tinham conta.

Lembro até hoje da minha ingenuidade e da cara de pau do gerente: — Coloque todo este dinheiro na poupança. Ele vai render bem e, no

futuro, você poderá viver de rendimentos.

E foi o que fiz. Segui ordens de alguém que, por mais que estivesse

representando uma grande corporação, não estava com o futuro em jogo. Sendo jovem, logo fiquei impaciente e, após alguns poucos cálculos, percebi que o discurso sobre ficar rico com a poupança não fazia sentido algum. E parti de cara, sem me planejar, para o extremo oposto, a renda variável.

Saquei com confiança tudo o que tinha e me apeguei ao que lembrava dos

filmes. Aqueles engravatados cheios de dinheiro, investindo em negócios absurdos na Bolsa de Valores e rapidamente construindo fortunas. Com ganância e sem preparo, corri para abrir minha primeira conta em corretora e fiz diversos aportes sem nenhum embasamento teórico de mercado.

Em poucos dias, houve uma turbulência na Bolsa e me vi desesperado,

com o pequeno patrimônio que tinha se transformando em poeira. No afã de conquistar tudo muito rápido, realizei operações de alto risco no mercado de opções, sem fazer ideia do que isso representava. E perdi tudo, de uma vez.

Confesso que minha primeira reação foi ficar desolado, mas logo me dei

conta de que haveria outro caminho a ser trilhado, e por ele passava o estudo e a paciência. E me afundei em apostilas e cursos, obtendo certificações financeiras e correndo atrás do meu primeiro emprego no mercado financeiro, que depois me guiou para o empreendedorismo. Dessa minha empreitada, absorvi oito grandes aprendizados.

 

1 Você vai querer o caminho mais fácil

 

Antes de conseguir minha primeira vaga no mercado financeiro, fiz entrevista em todos os bancos de investimentos que você pode imaginar e dos quais eu tinha ouvido falar, seja no trabalho ou até mesmo naqueles filmes famosos do setor: Credit Suisse Hedging-Griffo, Goldman Sachs, Itaú BBA, entre tantos outros. Fui negado em todos.

Em um desses grandalhões do mercado, inclusive, fui chamado para uma entrevista, que foi agressiva e pouco receptiva a um jovem que estava ali animado para conquistar um trabalho. Eu havia sido humilhado pelo diretor que me entrevistara. Sem rodeios, ele disse de forma ríspida que, por cursar uma faculdade reconhecida apenas na área de marketing, sem tradição no mercado financeiro, eu estava inapto para trabalhar ali.

Assim como o mercado quis me jogar para baixo, muitos tentarão dizer que você não é capaz. Mas isso não me afetou, segui olhando para frente sempre, e cada fracasso era guardado na minha estante de aprendizados sobre como reagir à desconfiança e evitar erros comuns.

A primeira oportunidade profissional chegou, e numa indústria bem diferente da qual imaginava, numa famosa fábrica de chocolates. Na gigantesca multinacional Hershey’s, aproveitei cada segundo de imersão no mundo corporativo para galgar experiência, postura e bagagem, que me levariam ao meu sonho, que era o mercado financeiro.

Continuei ouvindo muitos “nãos” e cheguei a pensar que talvez o melhor seria seguir o caminho mais fácil e aceitar que deveria trabalhar apenas na indústria que primeiramente me acolheu. Mas o sonho não me deixou, e persisti nos estudos em busca de conhecimento até que, ao participar de um curso chamado Operador Mega Bolsa, promovido pela Bolsa de Valores – na época ainda BM&F Bovespa –, conheci uma pessoa que se identificou com meu projeto de vida. Ele me convidou para trabalhar com ele em uma corretora independente.

 

2 A oportunidade pode vir disfarçada

 

Temos a tendência de acreditar que toda “dieta que começa na segunda-feira” será nossa salvação, e por isso comemos sem culpa tudo o que quisermos no domingo. A segunda-feira chega, começamos bem, mas logo nos damos conta de que é mais difícil do que parece. No meu caso também foi assim.

Pensei que ao conseguir finalmente meu primeiro emprego no ramo, seria fácil, pois já estava dentro do seleto clube do “mercado financeiro”. Nunca me esqueço da alegria de chegar em meu primeiro dia de trabalho, de como a sensação de vitória explodia em meu peito. Fui logo perguntar para a recepcionista onde deveria me sentar. Apesar de simpática, ela disse que não fazia ideia.

Sozinho, pedindo informação a algumas pessoas, finalmente achei minha

mesa e o computador. Liguei a máquina, mas não tinha a senha corporativa. E meu cartão de acesso ao prédio, quem pode me fornecer? Ninguém sabia, e logo me vi em um caos de ansiedade. Eu perguntava qual era minha função, se alguém poderia me explicar o que eu deveria fazer. E só me respondiam:

— Vá atrás de clientes e os traga aqui para operar [comprar e vender

ações].

Mas, de fato, como eu conseguiria um cliente? O que eu precisava falar

para ele? Como funcionava a plataforma da corretora? E meu salário, como fica? Eu não sabia nada, e não tive um mentor para me ajudar. Quem me chamou para trabalhar já estava ocupado com outras coisas e percebi que muitos que estavam à minha volta mal tinham algum propósito para estar ali. Certo dia, cheguei a ver um colega jogando em seu celular, enquanto operações piscavam em seu terminal.

Fui absorvendo o máximo que podia, me apegando aos exemplos bons

que também havia por ali. Eu ia modelando minha forma de atuar – inconscientemente – conforme entrava em contato com alguém que eu admirava, ou fazia o oposto, ao interagir com quem não tinha bons resultados. Se alguém gritava ao telefone e mantinha uma postura ranzinza, eu me forçava a ser diferente. Havia o colega da balada, que só queria saber de festas e prazeres, e eu notava como ele ficava improdutivo em alguns momentos da semana. Mas também conheci um profissional concentrado e amistoso, sentado no fundo, que já tinha formado uma equipe, tinha fotos da família na mesa e estava sempre ganhando muito dinheiro. E ali me projetava. Comecei a observar tudo o que ele fazia, qual o jeito que conversava ao telefone, me aproximava e pedia conselhos sempre que podia.

Aos poucos, fui entendendo que precisaria convencer potenciais clientes

de que eu era um ótimo “conselheiro” e “entendedor” do mercado, instigando-os a abrir a conta deles comigo. Quando esses clientes movimentassem dinheiro, entraria a comissão e eu ganharia parte da receita. Aliás, só depois de algumas semanas descobri o quanto ganharia naquele trabalho:

— Você não tem salário aqui. Só vai ganhar o que conseguir de comissão trazendo clientes novos – alguém me avisou.

Logo percebi que estava pagando para trabalhar, gastando com transporte e alimentação para correr atrás dessa figura até então desconhecida para mim, o cliente. Sem mentor, sem salário, sem amigos e sem saber o que fazer direito, passei um ano desesperador atrás de clientes.

Eu abordava ex-chefes, amigos de faculdade. Quase implorava para que eles abrissem uma conta comigo. Eu pagava almoço – com dinheiro que não tinha –, andava quilômetros a pé para não me preocupar com o custo do transporte, mas tentava de todas as maneiras trazer alguém para a corretora. Lembro que durante meu primeiro ano de trabalho captei cerca de 100 mil reais. Era muito difícil e solitário, um aprendizado doído, cujo propósito final começava a tomar forma.

E logo algo deu muito certo. A empresa solicitou que eu obtivesse uma certificação específica para trabalhar como corretor, e, assim como em outros cursos, me dediquei e fui aprovado. Adicionei essa habilidade ao meu currículo disponível no LinkedIn e em pouquíssimo tempo fui chamado para uma nova entrevista de emprego, desta vez em uma corretora ligada à XP Investimentos. Ou seja, se eu não tivesse persistido, mesmo em um ambiente tão hostil, talvez eu nunca tivesse recebido o convite que mudou completamente meu futuro no mundo dos negócios.

 

3 Trabalhe para aprender

 

Em meu trabalho no escritório ligado à XP Investimentos, percebi que eles atuavam em um nível de profissionalismo muito mais elevado – e arrojado – do que eu estava acostumado. Ao ser aprovado, eles me deram duas opções de salário: trabalhar por uma comissão polpuda ou receber um variável baixo, mas com um salário fixo. Eu, inocente, logo respondi que preferia ter, pelo menos, uma renda garantida. O funcionário ironicamente disse:

— Se você não acredita que vai conseguir resultado, por que será mesmo que eu estou te contratando?

Imediatamente mudei minha opinião e disse que preferia trabalhar apenas por comissão. Afinal, fazia sentido. Eu tinha batalhado muito para estar ali, me preparei com estudos e certificações. Se eu tinha confiança que era bom, queria ganhar o máximo possível sobre o meu resultado.

O único problema é que, talvez, eu passasse muito tempo trabalhando sem

receber quase nada, pois ainda estava adquirindo experiência. E foi o que aconteceu, mas o jogo logo foi virando. Brigar para ganhar 1 mil ou 2 mil reais a mais ali no começo seria muito pouco em comparação ao valor que eu poderia alcançar no futuro. Ali, aprendi boa parte do que sei hoje em relação a como encantar, prospectar e abrir a conta de um cliente. Se eu trabalhasse por dinheiro apenas, acabaria vendendo minha hora para alguém que ganharia mais dinheiro com meu trabalho, e só isso. Eu não sou um vendedor de horas.

 

4 Escala

 

Em pouco tempo, aprendi muito e desenvolvi minha forma de trabalhar, começando a me destacar como o melhor assessor do escritório. Eu captava muitos clientes, das mais diversas formas que encontrava. Os meus primeiros grandes clientes, por exemplo, vieram da faculdade. Não eram os alunos, mas sim os pais deles. Nessa fase, eu já estava conseguindo me sustentar com as comissões e começava a vislumbrar uma projeção de carreira, o que no início é muito mais importante do que o salário em si.

Meus amigos de faculdade, que haviam optado por estágios comuns,

estavam há um certo tempo ganhando mais do que eu, e zombavam:

— Olha o mendigo de cliente vindo aí!

A essa altura, o jogo começava a virar silenciosamente. Eu sabia que meu

resultado com comissões começava a ultrapassar o que eles ganhavam de salário fixo.

Meu próximo salto foi abraçar um serviço que apareceu no escritório e,

aparentemente, ninguém estava com vontade de fazer. O mercado de investimentos no Brasil era ainda mais desconhecido do que hoje, e a única coisa que as pessoas faziam era investir na poupança. Por conta disso, a XP Investimentos começou a fortalecer suas plataformas de educação financeira, com a meta de ensinar ao maior número de pessoas como outros tipos de aplicações poderiam oferecer melhores rendimentos.

Nesse movimento, os escritórios de investimentos ligados à XP foram

instigados a organizar turmas para dar palestras, fornecer conteúdo educativo e, por consequência, oferecer a assessoria de investimentos. A ideia chegou ao escritório onde eu trabalhava e foi passando de mão em mão. Ninguém se sentia preparado para falar em público, ou não comprava a ideia, ou estava ocupado demais para pensar nisso. Chegou até mim, e fui o primeiro a aceitar. Afinal, a gente nunca pode descartar uma oportunidade sem ao menos ver quais resultados ela traz na prática.

Ter sido proativo e aceitado a proposta fez com que eu desse um passo muito importante, que foi o de conhecer o poder da escala nos negócios. Se antes eu precisava ligar para amigos e conhecidos, mandar diversas mensagens, marcar cafés e reuniões para, talvez, conseguir duas ou três respostas positivas, dessa vez eu oferecia algo que juntava dez pessoas de uma vez na sala. Com um detalhe: pessoas que já estavam mais abertas ao negócio. Logo percebi que meu tempo gasto era o mesmo, mas eu falava para muitas pessoas ao mesmo tempo, ganhava escala. E foi então que comecei a aumentar muito o tamanho da minha base de assessorados e, consequentemente, ganhar mais.

Um desses clientes, inclusive, criou um bom relacionamento comigo, e acabamos nos tornando amigos. Certo dia, ele me contou que tinha outro amigo, chamado Henrique, que também tinha o sonho de trabalhar no mercado financeiro. Marcamos um almoço para sermos apresentados, e percebi que Henrique não tinha o perfil correto – ou “esperado”? – para o setor.

Naquela época, Henrique trabalhava em uma montadora como operário de fábrica, montando caminhões. Não tinha formação educacional apropriada, nem bons relacionamentos que pudessem trazer contas polpudas, muito menos experiência. Mas ele queria muito, muito mesmo. Perguntei:

— Quanto você precisa ganhar de salário para trocar de emprego?

— Eu gasto quinhentos reais com alimentação e transporte – Henrique respondeu.

— E se te disser que você pode ganhar esses quinhentos reais para trabalhar comigo, o que diria?

— Aceito na hora!

E assim contratei meu primeiro funcionário. Abri mão de parte do que eu ganhava para ter Henrique do meu lado, e, enquanto ele se preparava para ter as certificações corretas, começou a trabalhar e a atrair ainda mais clientes para nossa base. Com escala, os resultados se amontoavam.

5 Tenha processos

 

As coisas iam bem no trabalho, mas, por decisão da chefia, o escritório fez a opção de deixar de repassar clientes para a XP Investimentos e trabalhar com um concorrente internacional do mercado, que estava chegando no país. Isso, em questão de semanas, criou uma cisão dentro da empresa, com pessoas que preferiam trabalhar no novo modelo e outras que acreditavam que ficar com a XP Investimentos era a melhor solução. O resultado foi que alguns dissidentes, inclusive eu, decidiram sair da empresa e montar um novo negócio.

Éramos cinco sócios no novo negócio; eu era o que possuía a maior

carteira de clientes. Na prática, cada um fazia seu trabalho de maneira individual, com seu estilo e seus processos. Ao fim do mês, rachávamos apenas o custo de contador. Nós nos dávamos muito bem, e nunca me esqueci da primeira vez que comemoramos um excelente ciclo de receitas e realizamos o sonho de fazer uma comemoração com uma limusine.

Estávamos indo bem, tínhamos um ótimo relacionamento e os resultados

apareciam. Chegamos à conclusão de que não fazia sentido cada um desempenhar a mesma função sozinho, às vezes perdendo tempo com as mesmas coisas ou deixando de criar escala em outras. Juntos, pensamos qual seria o melhor processo de trabalho para a empresa, e redesenhamos a forma de trabalhar com três grandes funções:

Cold call: era quem fazia “ligações frias”, ou seja, contato com listas de clientes que ainda não haviam sido testados ou talvez não tivessem nenhuma noção dos produtos que queríamos vender. Essa pessoa tinha a missão de abrir a primeira porta e marcar reuniões introdutórias.

Hot call: essa pessoa ia pessoalmente até as reuniões e tinha o trabalho de convencer pessoas a abrir contas e tornarem-se nossos clientes.

Atendimento: fazia o pós-venda, administrando as contas abertas com o escritório.

Com a nova estrutura, os resultados foram absurdamente maiores. Em

2015, ganhamos o prêmio Escritório Revelação, da XP Investimentos. Éramos apenas cinco garotos, mas nosso processo fez com que tivéssemos captado mais dinheiro do que escritórios com mais de trinta pessoas.

6 Leia livros

 

Assim como muitas pessoas, não fui educado para ser um bom leitor desde cedo e, confesso, lia muito menos do que deveria. Com a maturidade, entendemos a importância do aprendizado contínuo e da necessidade de manter-se atualizado, ventilar novas ideias e saber como outras pessoas conquistaram seus objetivos.

Os livros são ferramentas fundamentais para isso, pois abrem de maneira muito rápida novas possibilidades, pulverizam novidades no mercado e melhoram metodologias. Com meu crescimento profissional, o hábito da leitura começou a fazer parte do meu cotidiano. Muita coisa do que li em livros, mesmo em momentos de relaxamento, foi a chave para tomadas de decisão que impactaram diretamente minha vida.

Certa vez, eu estava de férias numa praia paradisíaca e tinha levado comigo o livro Geração de valor, de Flávio Augusto da Silva, empresário fundador da rede Wise Up e do Orlando City Soccer Club. A leitura foi tão fascinante que, ao voltar para casa, tomei a decisão de mais uma vez mudar de trabalho e montar meu próprio negócio, desta vez sozinho. Eu deixaria de ter 22,5% de participação em um negócio grande para ter 80% de uma empresa muito menor.

 

7 Acredite nas pessoas

 

O mundo dos negócios pode se mostrar muito ácido em vários momentos, até mesmo no relacionamento com as pessoas. Por ganância ou má-fé, muitas vezes somos levados por outros a trilharmos caminhos não tão produtivos, somos influenciados a tomar decisões erradas, somos passados para trás. Mas a verdade é que, como diz o célebre poema de John Donne: “Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo. Todo homem é parte do continente, um pedaço de um todo”.

Sempre vamos precisar de parceiros para crescer, e quando fui montar meu escritório sozinho, o M. Nigro Investimentos, sabia que eu nunca conseguiria tirá-lo do lugar sem uma boa equipe. Até então, quem continuava ao meu lado era o Henrique, a pessoa que, pela força de vontade de fazer algo diferente, se dedicou e provou seu valor em um mercado que desconhecia totalmente. Ele sempre confiou em mim e esteve presente nos momentos mais delicados; acreditar nele desde o começo fez muita diferença em minha vida. Se eu fosse alguém sem fé no ser humano, provavelmente teria me isolado muito mais e conquistado muito menos.

Nesse mesmo momento de minha vida, entrei em contato com um antigo

amigo, chamado Ricardo. Anos antes, havíamos tido uma grande desavença e brigamos. Sabia que ele estava trabalhando para um grande grupo comercial e estava buscando uma forma de voltar para o ramo de assessoria. Eu não sabia se nossos pensamentos poderiam convergir de novo, mas conversamos, e o chamei para se juntar a mim. Acreditei nele, e de fato ele estava muito mudado. Meses depois, se tornara um de meus principais sócios.

 

8 Mente mestra e o ambiente

 

Quando comecei a M. Nigro Investimentos, tínhamos pouco mais de 50 milhões de reais em custódia e éramos apenas duas pessoas. Em cerca de dois anos, nosso time reunia trinta pessoas e contava com mais de 400 milhões de reais investidos por nossos clientes. Deixamos um escritório compartilhado para ter uma sala só nossa, na avenida Paulista.

Parte desse sucesso veio de nossa metodologia de trabalho, que foi

inspirada nos conceitos da chamada “mente mestra”, ensinados por Napoleon Hill. Sim, aquele mesmo que citei logo no começo da história sobre minha trajetória.

Para ele, a “mente mestra” é algo que pode ser definido como a

coordenação de conhecimento e esforço, em um espírito de harmonia entre duas ou mais pessoas para alcançar um propósito definido. Um de seus mais reconhecidos pensamentos gira em torno do seguinte tema:

“É impossível que duas mentes se unam sem que criem, consequentemente, uma terceira força invisível, intangível, comparável a uma terceira mente”.

NAPOLEON HILL

 

Para Hill, o conceito da “mente mestra” é suportado por três pilares:

Na M. Nigro Investimentos, reunimos uma equipe de pessoas que juntas conseguiam ter um resultado muito maior do que se trabalhassem sozinhas. Adicionamos a isso um sistema de compensação meritocrático, em que todos entendiam que o resultado era o motor de receitas e só com ele poderíamos ter lucros compartilháveis. O ambiente, assim, se autoestimulava, em prol do desenvolvimento, e estimulava ideias positivas e a inovação.

Estava indo tudo muito bem, até que um grande choque me fez ir ao encontro do pensamento de Hill sobre a importância do propósito para o sucesso. Um dos meus primeiros grandes clientes faleceu, por causa de um câncer.

A notícia de sua partida foi um choque que me levou a questionar a vida

como nunca havia feito. Essa pessoa tinha muito dinheiro, status e bens, mas era extremamente ocupada com o trabalho, acumulava afazeres, estava o tempo todo trabalhando para ter mais dinheiro. Ela não aplicava, na prática, o conceito de que o dinheiro deveria trabalhar por ela e não tinha uma vida totalmente plena.

E percebi que eu, assim como todo mundo à minha volta, tinha o mesmo

comportamento. E foi aí que minha vontade de compartilhar conhecimento sobre investimentos, e como esse caminho pode ser libertador, se delineou como meu grande propósito de vida. Vendi meu escritório e foquei minha vida para a comunicação no mundo digital, com a criação do canal O PRIMO RICO, a primeira de várias das minhas iniciativas no campo de ensino.

Em vez de afetar 5 mil clientes, agora falo todos os meses com quase 1

milhão de pessoas sobre dinheiro, investimentos, carteiras e negócios. No fundo, ensino a elas como inverter a origem da riqueza do trabalho para o rendimento, da servidão a um emprego para a busca da liberdade financeira.

 

Até breve, primo

 

Este livro foi escrito para dizer que o sucesso não é para todos. Sim, não acredito que o sucesso chegue para quem queria permanecer apoiado em pensamentos convencionais, que não estejam dispostos a quebrar paradigmas e se sacrificar em algum determinado ponto. O sucesso não alcança quem deixa a vida levá-lo, pois somos nós que a levamos para onde quisermos. E ela sempre nos impõe decisões complicadas, uma dose de riscos. Já diz a célebre frase de Mark Zuckerberg, criador do Facebook:

 

“O maior risco de todos é não correr nenhum

 

risco. Em um mundo que muda rapidamente, a

 

única forma garantida de falhar é não correr

 

riscos.”

Nunca vi alguém super em forma sem malhar mais do que a média. Nunca vi alguém de muito conteúdo que não lesse acima da média. Nunca vi alguém gastando bem seu dinheiro sem realizar sacrifícios acima da média. Pessoas medíocres não chegam a lugar nenhum, elas sempre ficam na média da vida, dos relacionamentos, do aprendizado, do sucesso.

É ridiculamente fácil investir melhor. A grande batalha é sempre travada entre nosso cérebro e o coração. Se o coração vence, tomamos decisões que nos fazem sentir acolhidos pela massa. Com a intenção de apenas ser aceito e agradar aos outros, passamos a seguir ideias que muitas vezes são totalmente diferentes dos nossos objetivos iniciais.

Se caminhamos seguindo apenas o senso comum, vamos ganhar como a média, ter sucesso como a média. Ensinaremos nossos filhos, mais uma vez, que apenas comprar uma casa lhes dará segurança, que colocar dinheiro na poupança é melhor do que arriscar em renda variável. Sair da mediocridade, no entanto, não exige apenas de você uma mudança de mentalidade. É preciso prática, experiência, reconhecer erros e não voltar a repeti-los numa próxima oportunidade. Investir bem envolve treino, resistência, antifragilidade. É como se tornar um lutador profissional de UFC. Afinal, você sobe no ringue para uma luta com o maior campeão da temporada apenas por ter lido livros sobre luta?

Também acredito que gastar melhor sempre é possível. Tomamos decisões instintivas e, na maioria das vezes, de forma emocional, enganamos a nós mesmos sobre a importância do gasto e sua urgência naquele momento. Apesar de difícil, tirar menos dinheiro da carteira sempre vai ter um resultado positivo no fim, pois sabemos que, se bem aplicado, ele renderá muito mais no futuro. Quando o sacrifício vem acompanhado de um motivador, ele vale a pena.

Tentei também dizer aqui que economizar no café ou em centavos pode até deixar você com mais dinheiro. Mas não te deixará mais rico. Os pequenos gastos podem acabar com você se acontecerem de forma desordenada, mas é nos grandes gastos que se pode obter o impacto para toda uma vida. Decisões racionais e bem calculadas sempre aceleram o processo de enriquecimento. O segredo para não ficar pobre não está no quanto você ganha, mas sim no quanto você gasta.

Por fim, tenho certeza de que o enriquecimento acelerado sempre passa pela via de ganhar mais. Para impulsionar suas receitas, lembre-se do sacrifício, da escala e da meritocracia. O primeiro, porque sem ele você não consegue nem ao menos sair do sofá para trabalhar duro. A escala, pois sem ela não se exponencia ganhos, e meritocracia, pois, sem agregar valor, você não pode cobrar mais do que já recebe.

Tudo que foi proposto aqui não exige que você seja previamente rico,

tenha vindo de família abastada, tenha recebido uma herança “gorda” ou que tenha tido algum estudo especial. Quem não teve oportunidades – ou desperdiçou as que teve – antes de chegar a esta leitura pode ter certeza: ainda há tempo para reescrever sua história. Sempre há tempo para alcançar os resultados que você almeja. Basta que você dê o primeiro passo, e que ele seja na direção certa.

O grande objetivo deste livro é justamente esse. Te dar a direção correta e

todas as ferramentas importantes para que você conquiste seus objetivos. É a partir de agora que você passa a ter obrigação de fazer a coisa certa e, se possível, ainda compartilhar o que aprendeu com quem está à sua volta.

O meu propósito, por mais numérico e racional que possa parecer, sempre

foi transmitir mensagens que apoiem as pessoas na busca por sua felicidade, e isso não se resume apenas a atingir a sua liberdade financeira. Contudo, a liberdade financeira é um grande facilitador para atingir a felicidade, inegavelmente.

Dito isso, agora deixo o bastão do meu propósito com você. Cabe não

apenas a mim, mas a nós, passar o conhecimento deste livro adiante. Durante muito tempo o brasileiro foi privado da ideia de que não há complexidade em ser rico, apenas trabalho a ser feito. Mas nós precisamos dar um basta nisso. Se é verdade que o conhecimento nos liberta, já está na hora de libertarmos o Brasil da ignorância financeira.

O primeiro passo foi dado com este livro. Cabe a você dar os próximos.

REFERÊNCIAS

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termometro-da-governabilidade-de-fh-temer-

22789570&t=informacional&d=false&f=false&ss=&o=&cat=&key=0f1cf49bde282d11151fc9 O Tempo. (30 de julho de 2017). Mais da metade dos brasileiros está insatisfeita com a carreira. Belo

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http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-14012009-160756/en.php Veja. (10 de setembro de 2014). Salário dos professores brasileiros está entre os piores do mundo.

São Paulo. Fonte: https://veja.abril.com.br/blog/impavido-colosso/salario-dos-professores-

brasileiros-esta-entre-os-piores-do-mundo/

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