Do Mil ao Milhão: Sem Cortar o Cafezinho

Thiago Nigro · Capítulo 2 de 5

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Do Mil ao Milhão: Sem Cortar o Cafezinho

Introdução

De 2002 até a crise de 2008, o mercado de ações no Brasil apresentou uma

rentabilidade acima de 400%, [1] enquanto no período de 2008 a 2012 [2] o mercado de imóveis registrou alta de 124%. Mais recentemente, entre 2011 e

2017, a mais famosa das criptomoedas – o bitcoin – subiu 4.571.712%, [3] ao mesmo tempo que o mercado de capitais voltou a apresentar números positivos e os títulos públicos de longo prazo deram um salto de 100%.

Apesar de índices tão robustos, a maioria das pessoas nem sequer olhou

para esses ou outros investimentos similares. Seja por total desconhecimento, seja por medo, os brasileiros preferiram manter sua renda estagnada em aplicações pouco favoráveis ao próprio dinheiro, sendo a mais exemplar a poupança.

Sim, você já deve ter ouvido falar que, por causa dos altos juros da nossa

economia, a poupança é o pior lugar para se deixar dinheiro parado. Mesmo assim, ela ainda ganha com enorme vantagem a preferência dos poupadores do Brasil, contabilizando um saldo superior a 700 bilhões de reais em 2018 – apesar de seu rendimento bruto ter sido de pouco mais de 70% na última

década, [4] bem menor se comparado a outros investimentos.

Já a Bolsa de Valores de São Paulo – a B3 – chegou a 2018 com pouco

mais de 600 mil investidores, [5] o que representa apenas 0,3% dos

brasileiros, e saldo de 187 bilhões de reais. O Tesouro Direto, [6] renda fixa das mais seguras e de simples acesso, registrava em janeiro de 2018 o total de 572.182 aplicadores ativos e um estoque minúsculo de 47,2 bilhões de reais.

Passando dos números à vida cotidiana, esses dados mostram, de maneira

crua e realista, que boa parte dos brasileiros ainda tem feito escolhas inapropriadas para remunerar seu capital. Oportunidades de escalonar ganhos – “fazer o seu dinheiro trabalhar por você”, no batido jargão das finanças – foram deixadas de lado, pois o dinheiro foi guardado de forma pouco rentável.

Isso significa que, no longo prazo, o brasileiro está deixando de fazer seu

montante, pequeno a princípio, gerar ganhos com juros compostos. Na prática, o que você deixou de receber poderia garantir uma aposentadoria antecipada, aquela viagem dos sonhos, ou até mesmo a compra de um imóvel sem a necessidade de financiamento integral.

No gráfico a seguir, podemos ver em ganhos reais a diferença que isso faria no seu bolso, no caso de uma aplicação hipotética inicial de 1 mil reais, considerando investimentos no intervalo de tempo em que apresentaram maior rentabilidade:

 

NOTA: Os rendimentos apresentados ocorreram em intervalos de tempo variados, aproveitando ciclos de altas, apenas para fins de comparação. O período correspondente à poupança é de 2007-2017; ao Tesouro Direto, 2011-2017; a imóveis, 2008-2012; e a ações, 2002-2008. O bom investidor deve estar atento à melhor aplicação disponível no momento, mudando sua estratégia ao longo do tempo.

Ganhos gerados de investimentos podem variar muito conforme o perfil

do aplicador, que pode ser mais audacioso ou mais conservador. O grande problema é que, na maioria das vezes, a aversão ao risco, aliada à falta de conhecimento, faz os que se consideram investidores – mas, na verdade, são apenas especuladores – caminharem na direção oposta à que deveriam. Eles entram em mercados no momento de alta e os deixam na baixa, acumulando prejuízos assustadores e reforçando a crença de que investir bem não é coisa para amadores ou deve ser feito apenas por profissionais.

Infelizmente, a imensa maioria das pessoas no Brasil cresceu sem ter

recebido noções de educação financeira, seja informalmente, no núcleo familiar, ou formalmente, na escola ou faculdade. Geração após geração, o brasileiro se tornou pouco poupador e nada habituado a observar os próprios gastos, deixando tudo para depois, inclusive a busca por conhecimento básico sobre finanças e investimentos. O brasileiro se acostumou a ser mal remunerado, seja recebendo salários baixos ou rendimentos desfavoráveis oferecidos pelos bancos, e a achar que isso é normal, que não pode ser diferente.

Grande parte dessa falta de cuidado com o dinheiro advém dos problemas

econômicos enfrentados pelo Brasil há décadas. A instabilidade financeira e política, associada às altas taxas de inflação, fez com que planejar o futuro fosse algo muito difícil e que previsões falhassem com frequência diante de tanta volatilidade. Se analisarmos a taxa média de inflação do Brasil desde os anos 1930, notaremos que mesmo em períodos recentes, como a partir de

2010, o índice variou de 2,97% (em 2017) a 10,67% (2015). [7]

Somado aos problemas inerentes à economia de nosso país, há um sistema

formatado para fazer você crer que ser rico é complicado demais, quase impossível para uma pessoa comum. São siglas complexas, tarifas encobertas pelos bancos, impostos que variam de acordo com cada operação, instabilidade político-econômica que a todo momento ameaça mudar as regras do jogo, falta de perspectiva profissional e visão imediatista, além de tantos outros fatores.

Esse mesmo sistema tem feito milhares de pessoas acreditarem que apenas

algumas mentes brilhantes – de preferência que representem alguma instituição de grande porte – sabem lidar com dinheiro e somente elas podem indicar os melhores investimentos. O seu gerente de banco tem metas a cumprir e bônus a receber, mas você ainda confia que ele, atuando em um

país com um dos maiores spreads bancários [8] do mundo, oferece a você bons produtos financeiros.

Apesar de embrionário, o ambiente de investimentos brasileiro – assim como em outros países em desenvolvimento – está em ebulição, com empresas focadas em análises de ações, indicação de carteiras e fundos, surgindo não só nas grandes capitais, mas inclusive em cidades do interior. Diante de uma profusão de ofertas e exposto a campanhas de marketing, é comum que o cidadão ainda inexperiente se sinta perdido e confie seu dinheiro a esses profissionais ao fazer o primeiro investimento fora da poupança, acreditando na promessa de lucros milagrosos. A verdade, entretanto, é que não existe assessoria isenta no mercado de capitais. Saber escolher por si só onde é melhor aplicar seu dinheiro garante um retorno de capital sempre muito mais atrativo.

Parece complicado, mas O PRIMO RICO está aqui para ajudar na sua tomada de decisão, com a meta de eliminar os ruídos provocados pelos mais diversos tipos de pretensos “vendedores de sonhos”. Posso adiantar que não são operações diárias de alto risco, muitas vezes calcadas em ativos

complexos como os derivativos, [9] que vão fazer você ficar rico mais rápido. Voltar-se para fundos de risco pulverizado e gerenciados com interesses que você, como cliente, vai sempre desconhecer também não garantirá as maiores rentabilidades.

 

Mas e se eu disser que ser rico não é difícil, apenas

 

trabalhoso?

 

É esse o grande mote que levou à criação do meu projeto O PRIMO RICO. Primeiro com um portal voltado para finanças e depois, em 2016, com o lançamento de um canal no YouTube, focado em quebrar paradigmas do mundo financeiro e falar de dinheiro de forma direta e descomplicada.

Nascido no meio digital, o canal O PRIMO RICO acumulou muito mais do

que 20 milhões [10] de visualizações em dois anos de existência. Ele escutou demandas, interagiu, percebeu interpretações erradas sobre o mundo das finanças e pôde reagir conforme a necessidade de seu público. Não existe nele receita mágica para o sucesso ou criação de novos mitos. O que ele faz é depurar conteúdo de educação financeira, de forma a torná-lo mais acessível e coerente para a realidade brasileira.

A própria criação da marca O PRIMO RICO parte de um conceito muito

familiar e simples – o de que em toda família há um primo rico, e ele pode ser você. Na grande comunidade que formei nas mais diversas plataformas digitais, todos nos tratamos como “primos” abertos a trocar experiências, falhas e acertos. Torcemos pelo sucesso do outro e acreditamos que disseminar conhecimento sobre finanças faz bem não só para nós mesmos, mas também para nossa família, nossos amigos e toda a sociedade.

E o ponto de partida para tudo isso foi minha própria vida, os desafios e a

dor que a falta de dinheiro imputou a mim e a meus familiares, e como foi possível reverter minha própria história para o sucesso financeiro.

Entrei no mundo dos negócios aos dezessete anos, com 5 mil reais no

bolso, recebidos de meus pais, e a prepotência de achar que poderia dominar o mundo. Investi tudo em ações, mas sem estudo e preparo. Falhei em minha primeira tentativa e rapidamente perdi todo meu capital. Meu erro, no entanto, em vez de acabar com minha vontade de enriquecer, me fez querer entender ainda mais se havia alguma espécie de código secreto para a riqueza. Por que alguns conseguiam? E como conseguiam?

Mergulhei de cabeça nos estudos e, ainda aos dezenove anos, acumulei

cinco certificações em investimentos. Aos 22, estava à frente de meu próprio escritório de assessoria de investimentos, que ao longo de cinco anos reuniu uma equipe com quase cinquenta profissionais e somava mais de 5 mil clientes cadastrados.

Até minha saída do negócio, em abril de 2017, a M. Nigro Investimentos

havia movimentado 2 bilhões de reais de patrimônio declarado e acumulado

mais de 500 milhões de reais sob custódia. [11] Nada mal para quem, poucos anos antes, era um estudante universitário sem qualquer relação com a área de economia e começava a juntar seus primeiros trocados fazendo bicos como garçom.

Assim como aconteceu comigo, acredito que qualquer pessoa pode

alcançar a riqueza estudando, entendendo o básico de finanças e deixando para trás uma série de preceitos. Fomos programados para acreditar que a riqueza é privilégio de poucos, que ela só é conseguida com muito esforço – não com mérito – e muita sorte. Mas nem tudo isso é verdade.

A minha proposta aqui é simples e direta: ensinar você a gastar bem, investir melhor e ganhar mais. Com o apoio desse tripé conceitual, você pode começar a dar seus primeiros passos. Ou então aprimorar conceitos sobre investimentos e mercado financeiro, que de alguma forma pareciam muito complicados para ser colocados em prática sem que um profissional especializado fornecesse coordenadas. A meta deste trabalho é fazer com que qualquer pessoa, não importa a formação acadêmica, conheça e comece a explorar uma série de noções e ferramentas que podem ajudá-lo a sair do mil e chegar ao milhão, sem precisar cortar o cafezinho.

Isso quer dizer que, apesar de ser necessário fazer alguns sacrifícios no presente, com foco na renda futura, privações precisam de efetividade. Não podemos desprezar pequenos gastos recorrentes, mas também não dá para acreditar que ficaremos ricos ao poupar um real aqui e cinco ali. Porém, talvez economizaremos 5 mil reais ao fazer a opção pela compra de um carro usado, deixando de lado a vaidade de retirar um novo direto da concessionária.

Assim como nossos ganhos, precisamos potencializar nossas economias e fazer com que elas tenham escala. Dessa forma, a vida do poupador não vira um martírio, e os resultados se tornam muito mais claros desde o presente.

Neste caminho em busca do enriquecimento, adianto que será muito importante renunciar ao equilíbrio e à mediocridade. Não existe grande salto com medidas comedidas. Você não sairá da média se estiver trabalhando como a maioria das pessoas, mesmo que seja um funcionário exemplar, cumpra seus horários e as tarefas que lhe pedem. Isso nada mais é do que o mínimo que esperam de você ao lhe darem um emprego.

Nos momentos certos, é preciso partir para os extremos. Um atleta de alto rendimento não consegue uma medalha olímpica realizando um treino de força comum. Ele foge do padrão e muitas vezes adota práticas não consideradas saudáveis em troca de performance. Em um de meus estudos sobre a riqueza, visitei a casa do campeão olímpico de natação Cesar Cielo e pude comprovar como isso se dá na prática.

Ele demonstrou ser uma pessoa simples, mas com foco extremo em seus objetivos. Quando fomos comer, em vez de montar um prato normal e escolher o que tinha vontade naquela hora, ele se serviu com uma quantidade de comida muito acima do normal, com alimentos escolhidos a dedo para suprir de maneira correta sua grande necessidade de energia para os treinos. Toda a rotina dele é voltada para aquela disputa de segundos na piscina, na qual todo preparo, tecnologia, força e métodos devem ser aplicados. Ele relatou seus preparativos para campeonatos e grandes competições. Um atleta que chega a esse patamar treinou muito além do normal para obter os melhores resultados.

Na nossa vida, é a mesma coisa. Não conheci pessoa que enriqueceu sem

trabalhar muito mais do que seus pares e que não fosse intenso em suas ações. O esforço delas, porém, continha valor agregado, foi feito com inteligência.

Ninguém deve trabalhar doze horas por dia apenas em troca de um salário

limitado. Se fosse assim, os operários de fábrica mais produtivos seriam os mais ricos da indústria. E isso não acontece, pois o mundo real troca essas pessoas por máquinas, premia apenas por resultado, sem reverenciar o esforço que não traz recompensa.

 

SEIS SACRIFÍCIOS PARA SER RICO

 

SEIS SACRIFÍCIOS PARA SER RICO

1) Sacrificar o conforto presente

2) Sacrificar o equilíbrio

3) Sacrificar a mediocridade

4) Sacrificar a vontade de ser querido

5) Sacrificar a fragilidade

6) Sacrificar o perfeccionismo

 

Por isso, quem está em busca do enriquecimento deve entender que será

difícil agradar a todos. Ninguém que ultrapassa limites alcança a unanimidade, pois sempre haverá quem questione seu sucesso, diga que você não merece o que recebeu, que todas as suas conquistas foram por pura sorte. Será preciso filtrar os comentários para identificar quais críticas são construtivas.

Com a fragilidade posta de lado, transformamos as adversidades em

progresso, pois grandes saltos nunca acontecem em um ambiente cômodo e controlado. Assim como nas relações humanas, só conhecemos de verdade quem está ao nosso lado nos momentos extremos e de grande pressão, e é nessa hora que afloram as vulnerabilidades, mas também a força. Na economia, é na crise que os setores melhoram sua governança e seu controle, cortam custos e criam medidas de segurança. Empresas, assim como pessoas, tornam-se antifrágeis – conceito que entenderemos melhor nas próximas páginas – em ambientes hostis.

Sabendo disso, podemos deixar de lado a ilusão de que tudo será perfeito. Não somos infalíveis, não dá para acertar em tudo, ainda mais quando é a primeira vez que tentamos algo novo. Quem acredita que sua trajetória será 100% limpa e sem falhas está fadado ao fracasso. Os mercados são voláteis, as pessoas mudam de ideia, o futuro é imprevisível. Quem fica muito tempo parado apenas planejando pode estar deixando de ver as mudanças acontecendo na porta de casa.

O erro, acredite, está entre você e o sucesso, e não no lado oposto a ele. É quase sempre nos deslizes que temos a grande chance de encontrar o caminho correto, aparando arestas e corrigindo rotas.

E aí, primos e primas, estão prontos? Então, vamos lá.