Efeitos do Hipnotismo
Gertrudes e Depois Simplicio
Gertrudes (arrumando os moveis).—Como anda tudo em desarranjo! tambem não admira, parece que Rilhafolles se mudou cá para casa. O patrão com a mania do hypnotismo. Desde que fomos á Trindade ver a tal sessão, que não pensa n'outra cousa. O Simplicio, o creado, ás contas com a musica, constantemente de trombone na mão a atordoar-nos os ouvidos. A menina Elvira sempre triste e a chorar. O pae quer casal-a á força com o seu pupillo, um tal Felisberto que está a estudar em Coimbra, e tem, segundo diz o patrão, uma fortuna de mais de dez contos de réis. A menina, porém, morre de amores pelo visinho da pharmacia, o sr. Anacleto, um excellente rapaz, muito intelligente e muito amavel, mas que para o patrão tem um grande defeito: é pobre... (Entra Simplicio a tocar trombone, sem ver Gertrudes). Ai! que susto que você me metteu!...
Simplicio.—Eu não lhe metti nada, menina Girtrudes!
Gertrudes.—Eu não digo! não larga nunca o trombone... Você não tomará juizo uma vez?...
Simplicio.—Ó menina Girtrudes não diga arestas... A musica é o incanto dai alma... Vocêmecê não conhece os grandes maiestros, o Azul... ou o Azul, não... o Verde. O Offenbaca... etc., e etc. É para chegar á altura delles que eu estudo de dia e de noite e vou todas as semanas dar lição com o mestre da phylarmonica do Poço do Bispo. Quer a menina entrar tambem para a phylarmonica do Poço do Bispo?...