Entre o Café e o Cognac
Scena II
D.—Oh! então o nosso amor é impossivel, atroz. O senhor, se alguma coisa ama, é... os adjectivos.
R. (carinhoso)—Perdão, Dolores, a minha eloquencia é filha do meu amor. O rouxinol da balseira só descanta quando a primavera enflora os prados. O carneirinho...
D.—Não sabe que embirro tanto com os carneirinhos como com os bachareis! Que está o senhor a bacharelar!
R.—Perdão. Entre bacharelar e ser bacharel medeia a distancia da reprovação. Eu não tenho cartas.
D.—Com que então não joga! Virtuoso moço!
R.—É implacavel, Dolores!
D.—N'esse caso peça treguas.
R.—Pedirei.
D.—Com a condição de me satisfazer um capricho, uma velleidade. Preciso dum collar. Estou doidamente{147} namorada d'um que vi esta manhã em casa do meu ourives. Vá comprar-m'o.
R. (pegando no chapéo)—Voltarei em breve. O collar será seu, e a felicidade será minha. (Sae.)
Scena II
DOLORES (cahindo no sophá)—Puff! Que xarope de morphina o estylo d'este homem! Como elle me aborrece, me adormenta! Me adormenta, é phrase d'elle! E não se lembrar este doido de que é casado, de que tem filhos...
UM CRIADO, que podia ser de papelão, se alguem fallasse por elle entre scenas:—A snr.ª baroneza de Faiães.