Entre o Café e o Cognac

Alberto Pimentel · Capítulo 38 de 38

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Entre o Café e o Cognac

Fim.

nenhuma época da historia.» [6]

E não obstante referver ainda o cahos á hora em que o Moysés da Hespanha se preparava para escrever o{244} genesis da nova creação, e atiçarem-se as labaredas do incendio geral, e despirem-se os altares; não obstante fugir a Hespanha da Hespanha espavorida de sua propria crueza, e demandar o tecto hospitaleiro dos Euryalos estrangeiros, e a bandeira da patria despertar contra si a aggressão dos paizes extranhos,—elle, o gigante ferido no coração pela funda de David, quer morrer ou renascer abraçado aos escombros do seu berço:

«Eu quero ser hespanhol e só hespanhol; quero fallar o idioma de Cervantes, quero recitar os versos de Calderon; quero colorir a minha phantasia com os matizes que tiravam das suas palhetas Murillo e Velasquez; considerar como pergaminhos meus de nobreza nacional a historia de Viriato e de Cid; quero ter no escudo de minha patria as naves dos catalães que conquistaram o oriente e as naves dos andaluzes que descobriram o occidente; quero ser de toda esta terra, que ainda me parece estreita, sim, de toda esta terra que se estende dos Pyreneos ás ondas do gaditano mar; de toda esta terra ungida e santificada pelas lagrimas que custara a minha mãe a minha existencia; de toda esta terra redimida, resgatada do estrangeiro pelo heroismo e pelo martyrio de nossos immortaes avós.»

É que só elle é maior que a Hespanha toda.

 

FIM.

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Alberto Pimentel

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