Entre o Café e o Cognac

Alberto Pimentel · Capítulo 23 de 38

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Entre o Café e o Cognac

Scena V

DOLORES (entrando pela mesma porta porque saira)—Não ficarei sem collar, não. Eu serei infame, mas tu és... parvo. (Escrevendo) Duas linhas ao meu ourives: «Snr.: Queira aceitar a offerta, qualquer que seja, feita pelo snr. Raymundo Savedra. Eu completarei o preço da compra do collar. Exijo absoluto segredo.» (Tocando a campainha; ao criado) Leve esta carta ao meu ourives. (Erguendo-se) É preciso que elle fique inteiramente derrotado. É uma fonte de receita que se vae eliminar do meu orçamento, e convém não{150} prescindir da ultima verba. Tu receberás a correcção devida a todos os parvos.

 

Scena VI

Raymundo entra timidamente. DOLORES (sentindo-lhe os passos) —Que amor o d'aquelle homem, que recua deante d'uma velleidade! Vão lá fiar-se no amor! (RAYMUNDO avançando)—Não faça esse conceito de mim, Dolores, bem sabe se a amo, doidamente, perdidamente, mas é que...

D.—É que talvez nem mesmo agora saiba ser cavalheiro. O meu ourives acaba de avisar-me de que resolvera acceder á offerta do senhor.

R.—N'esse caso...

D.—Quanto offereceu o senhor?

R.—Quinhentos mil reis.

D.—(á parte) É muito! Tenho de dar outros quinhentos. (Alto) Não lhe convém ainda? Acha cara a felicidade que lhe custa quinhentos mil reis! Que largueza d'animo a sua!

R. (apaixonado)—Não, vou já, Dolores. Á noite fulgirá o collar no seu seio, e as estrellas desmaiarão no céo. Não será mais formosa a huri quando as exhalações calidas da noite...