Entre o Café e o Cognac

Alberto Pimentel · Capítulo 21 de 38

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Entre o Café e o Cognac

Scena III

BARONEZA—Minha senhora!

D. (erguendo-se)—Senhora baroneza!

B. (sentando-se a convite de Dolores)—Eu espero que a justiça da minha causa me absolverá da ousadia da visita.

D. (para a frisa do lado direito)—Que quererá ella? Não sei que me adivinha o coração!

B.—Ha realmente assumptos tão melindrosos, que eu não sei se deva...

D.—Minha senhora!

B.—Peço toda a sua benevolencia para a justa defensa dos direitos de minha cunhada...{148}

D.—Mas...

B.—Sim, eu sei que ama delirantemente meu irmão, que o verdadeiro amor é cego para todas as conveniencias sociaes, mas é ao coração doente que eu venho trazer o cauterio da piedade. Lembre-se, Dolores, de que meu irmão é casado com uma senhora nova e extremosa, e pae de cinco filhos.

D.—Mas... eu queria dizer a v. ex.ª que não amo seu irmão.

B. (admirada)—Como!

D.—Que o não amo.

B.—Pois será possivel! Meu irmão suppõe-n'o, acredita-o, jural-o-ia.

D.—Eu creio que o snr. Raymundo Savedra é facil em acreditar tudo: o espirito simples é, por via de regra, credulo. Agora lhe pedi eu um collar de preço fabuloso para vêr se conseguia que o sacrificio lhe fosse lição.