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Notes
Introdução
1. O Brasil, por exemplo, define pelo critério político-administrativo
a sua área amazônica (Lei n.1.806 de 1953) pela denominação de Amazônia Legal (correspondente aos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do estado do Maranhão). Para informações mais detalhadas sobre as diversas áreas de cada critério utilizado para definir a Amazônia, consultar: Eva e Huber (2005); Sant’Anna (2009) e Pnuma, Otca e Ciup (2009).
↩
1 – Hidropolítica e governança: a
problemática da regulação do uso dos
recursos hídricos
1. A água pode ser comercializada in natura, mas também por
meio da venda de produtos que a utilizam para seu desenvolvimento, como ocorre na agricultura, por exemplo, gerando o conceito de água virtual (Ribeiro, 2008; Allan, 2011).
↩
2. Para Bull (2002), a sociedade internacional é anárquica já que é
composta por estados soberanos que não estão sujeitos a um governo comum. Ver: Bull (2002).
↩
3. A Escola de Copenhague corresponde ao Copenhagen Peace
Research Institute (Copri), criado em 1985 como um instituto de pesquisa estabelecido pelo Parlamento dinamarquês, em 1996 se tornou um instituto de pesquisa do governo e, em 2003, se
fundiu ao Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais (Danish Institute for International Studies – Diis). Disponível em:
<http://www.diis.dk/sw152.asp>.
↩
4. A cronologia de conflitos por água no mundo está disponível no
endereço eletrônico do Instituto do Pacífico:
http://www.worldwater.org/conflict/list/. Acesso em: 14 mar. 2013.
↩
5. O tema da cooperação internacional foi sintetizado na
dissertação de mestrado da autora, ver: Sant’Anna (2009a). Neste trabalho analisam-se as posições de: Axerold (1984); Keohane (1984); Milner (1992).
↩
2 – Bacia Amazônica: integração,
infraestrutura e relações bilaterais e
multilaterais
1. A Lei da Liberdade promulgada pelo rei português Dom José I
em 1755 visava libertar os indígenas das missões, mas na verdade passava sua dominação para os Diretórios, criados pelo governo: “Mendonça Furtado esperou até fevereiro de 1757 antes de publicar o decreto que libertava as aldeias indígenas do controle missionário. Em seguida anunciou que determinava um período de transição de seis anos antes de conceder a liberdade aos índios. Essa liberdade nunca se consumou; a ousada experiência de tratar os índios como cidadãos e de conceder-lhes o controle de sua própria aldeia foi nulificada. Em maio de 1757, Mendonça Furtado promulgou um longo decreto mediante o qual os “diretores” brancos passavam a encarregar-se das aldeias indígenas. Esse novo sistema ficou conhecido como Diretório e vigorou nas 66 aldeias do
Maranhão e do Amazonas durante quarenta anos. Em breve se estenderia ao resto do Brasil” (Hemming, 2009, p.40).
↩
2. A Iirsa foi estabelecida em 2000 pelos governos dos doze
países sul-americanos visando integrar a infraestrutura dos países da América do Sul, e desde 2010 faz parte da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) por meio do Conselho de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan), como seu fórum técnico (Iirsa, 2011).
↩
3. O Projeto de Integração e Desenvolvimento de Mesoamérica,
conhecido como Projeto Mesoamérica, foi lançado oficialmente em 2008, com o objetivo de integrar fisicamente os territórios de seus países-membros mediante projetos de infraestrutura, e inclui: México, Belize, Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Costa Riva, Panamá, Colômbia e República Dominicana (Cepal, 2009).
↩
4. Para informações mais detalhadas sobre este tratado e a
questão do Acre, ver Bandeira, (2000).
↩
5. Foi solicitado pelos entrevistados sigilo de fonte. As entrevistas
foram realizadas em fevereiro de 2011 pela autora, em La Paz.
↩
6. Um tipo de nota diplomática.
↩
7. Para mais informações sobre a história e instituições do TCA e
da Otca, ver Sant’Anna (2009) Antiquera (2006); Aragón (1994); Román (1998); Otca (2004); Silveira (2005).
↩
8. A Unamaz foi criada em 1987 como uma rede de instituições de
educação superior, e é definida como “uma sociedade civil, não governamental, sem fins lucrativos, que visa objetivos essencialmente educativos e culturais, mediante cooperação científica, tecnológica e cultural como meio de integração das universidades e instituições dos países amazônicos para o aprofundamento da solidariedade amazônica e como
instrumento de promoção para o desenvolvimento em benefício das populações humanas e da ecologia amazônica, sem discriminação de nenhuma índole” (Lourenço, 2003, p.79).
↩
9. O Projeto DELTAmérica de Desenvolvimento e Implantação de
Mecanismos para Disseminar Lições Aprendidas e Experiências em Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos Transfronteiriços na América Latina e no Caribe tem a participação dos 34 países membros da OEA, foi financiado pelo GEF e executado pelo Pnuma entre 2003 e 2005.
↩
10. Denominado Projeto Otca/GEF ao longo deste trabalho.
↩
3 – Bacia do rio Acre: a formação de
uma governança transnacional
1. Em 2005 uma grande queimada, agravada pela seca de três
meses na região, despertou a preocupação da população. Detectou-se mais de 15.000 focos de calor, grande parte no Acre, concentrando-se ao redor da Estrada do Pacífico. Também se detectou incêndios em áreas fronteiriças como Cobija e Ibéria, próxima a Reserva Nacional Tampopata (Madre de Dios ). Nesse ano, ocorreu um longo período de estiagem, o que resultou em problemas de abastecimento na cidade de Rio Branco (Acre). A Bacia do rio Acre, que abastece essa cidade, apresenta certo grau de degradação, cerca de 68% de sua área já foi desmatada (Brow, 2006; Brito, 2007).
↩
2. A região MAP é como ficou conhecida essa região formada pelo
Departamento de Madre de Dios (Peru), o estado do Acre (Brasil) e o Departamento de Pando (Bolívia).
↩
3. A castanheira (Bertholetia excelsa) é protegida pelo Decreto
n.5975/2006, que proíbe a comercialização de sua madeira,
assim como a seringueira (Hevea spp.) e o mogno (Swietenia macrophylla).
↩
4. A entrevista com o secretário do Condiac, Silton Melo, ocorreu
em 27 de janeiro de 2011 em Epitaciolândia (AC-Brasil).
↩
5. A entrevista com Luz Marina Menezes, chefe de Gabinete da
Prefeitura de Brasileia (AC) foi realizada em 31 de janeiro de 2011, na prefeitura de Brasileia.
↩
6. Marines Ferreira, coordenadora de Meio Ambiente de Brasileia
(AC), foi entrevistada em 31 de janeiro de 2011, na Coordenadoria de Meio Ambiente da prefeitura de Brasileia.
↩
7. A entrevista com secretario de Planejamento, Edmilson Lopes
Pereira Junior, e com o secretario de Meio Ambiente de Assis Brasil (AC), Manoel Vicente Mendonça, ocorreu em 2 de fevereiro de 2011, na prefeitura de Assis Brasil.
↩
8. A entrevista com o gerente de Meio Ambiente, professor Jorge
Honorato Pita Barra, da Municipalidad Provincial de Tahuamanu, em Iñapari (Peru), ocorreu em 2 de fevereiro de 2011, em Iñapari.
↩
9. Organizações de camponeses que utilizam e gerenciam
sistemas de irrigação.
↩
10. A Convenção n.169 sobre povos indígenas e tribais foi adotada,
em 1989, na 76ª Conferência Internacional do Trabalho e revê a Convenção n. 107: “os conceitos básicos que norteiam a interpretação das disposições da Convenção são a consulta e a participação dos povos interessados e o direito desses povos de definir suas próprias prioridades de desenvolvimento na medida em que afetem suas vidas, crenças, instituições, valores espirituais e a própria terra que ocupam ou utilizam” (OIT, 2011, p.7).
↩
11. “Regante” é uma palavra da língua espanhola, também
existente na língua portuguesa, que se refere ao camponês que utiliza e gerencia sistemas de irrigação, e é um termo muito utilizado nos países latino-americanos de língua espanhola como Bolívia, Peru e Equador.
↩
12. A entrevista com a técnica Maria Marli, da Sema, foi realizada
em 24 de janeiro de 2011, em Rio Branco, Acre.
↩
13. A entrevista com o engenheiro Júlio Mattos, do Deas, foi
realizada em 24 de janeiro de 2011 na sede do Deas em Rio Branco, Acre.
↩
14. Entrevista realizada em Lima na sede da ANA-Peru, em 21 de
fevereiro de 2012.
↩
15. A Iniciativa MAP é um movimento informal da sociedade civil
que congrega organizações e grupos sociais, bem como governos municipais dos três países (Bolívia, Brasil e Peru).
↩
16. Esse Comitê foi criado em 1999 por meio de um Acordo, por
troca de Notas, para a criação de Comitês de Fronteira n.186, entre Brasil e Peru. Conforme consta no acordo: “[…] os Comitês de Fronteira deverão atuar como instâncias prévias do Grupo de Trabalho da Comissão de Vizinhança Brasil-Peru sobre Cooperação Amazônica e Desenvolvimento Fronteiriço ou de outros Grupos de Trabalho, em função da temática de que trate, de forma a resolver, no âmbito local, e quando legalmente habilitados para tanto, questões do interesse das suas respectivas comunidades fronteiriças. O primeiro desses mecanismos operativos atenderá às localidades fronteiriças de Iñapari-Assis Brasil, podendo-se, futuramente, estabelecer comitês semelhantes em outras áreas de fronteira em que se julgue conveniente” (DAI-MRE, 1999).
↩
17. A entrevista com a professora Vera Reis, da Universidade
Federal do Acre (Ufac), foi realizada em Rio Branco (AC), em
25 de janeiro de 2011.
↩
18. A entrevista com Claudemir Mesquita, funcionário da Sema, foi
realizada em 25 de janeiro de 2011 na sede da Sema em Rio Branco.
↩
19. A entrevista com Elsa Mendonza, do Ipam, ocorreu em Brasileia
(AC), em 27 de janeiro de 2011.
↩
4 – Bacia do rio Napo: conflitos
socioambientais e a construção da
governança
1. Outro autor apresenta a área da Bacia do rio Napo com
99.349,9 km² (Cardini, 2010a).
↩
2. O termo Selva Baixa, também conhecida como Baixa
Amazônia, se refere à planície amazônica coberta, em geral, por floresta tropical ou equatorial úmida, enquanto a Selva Alta, ou Alta Amazônia, se refere à parte andina. Trata-se de uma terminologia usada principalmente nos países andino-amazônicos. Na Alta Amazônia encontram-se inúmeras nascentes de rios amazônicos.
↩
3. O nome quíchua também pode ser encontrado com outras
grafias como kichwa, e se refere à mesma etnia (grupo) indígena que vive, entre outras localidades, na Bacia do rio Napo no Equador e no Peru.
↩
4. Grupos indígenas em isolamento, também chamados de
indígenas em isolamento voluntário, índios não contatados ou tribos isoladas, são aqueles grupos que não querem ter contato com o governo do país em que vivem e com seus cidadãos.
↩
5. Foram encontradas as seguintes categorias para as localidades
ou concentrações urbanas: capital de Distrito (Peru), centro povoado menor (Peru), casario (Peru), comunidade campesina (Peru), comunidade nativa indígena (Peru), capital Provincial (Equador), capital cantonal (Equador), paróquias (Equador), associação de colonos (Equador), comunidade indígena (Equador) (Cardini, 2010).
↩
6. O entrevistado solicitou sigilo sobre seu nome e o da empresa
petroleira.
↩
7. Para aprofundar a discussão sobre conflitos socioambientais,
ver: Zhouri e Laschefski, 2010; Acselrad, 2004; Martinez-Alier, 2007. Neste trabalho assume-se que os conflitos socioambientais são definidos como aqueles que resultam de embates políticos, econômicos e sociais pelo uso, e seus impactos, dos recursos naturais (Ribeiro, 2010).
↩
8. Representados pela Organização Indígena Secoya do Equador
(Oise).
↩
9. Representados pela Federação da Nacionalidade Siona do
Equador (sigla).
↩
10. Representados pela Federação Indígena da Nacionalidade
Indígena Cofán do Equador (Feince).
↩
11. Representados pela Organização da Nacionalidade Huarani do
Equador (sigla).
↩
12. Pablo Fajardo, um dos advogados do caso contra a Texaco em
Quito, foi entrevistado em 5 de julho de 2012; também foram entrevistados Juan Espejos em Francisco de Orellana e o presidente da FDA, Wilmen Meneses, em Nueva Loja, em julho de 2012.
↩
13. Para mais informações sobre a Ecuador Estratégico ver:
<http://www.ecuadorestrategicoep.gob.ec/institucion/ecuador-
estrategico>.
↩
14. As juntas de água são descritas por López e Balarezo (2012)
como instâncias de organização autônoma onde as comunidades contribuem na construção de sistemas de água e saneamento por meio do trabalho autogerido, ou seja, colaborativo e gratuito, chamado de “minga”.
↩
15. Mais informações sobre este Programa podem ser encontradas
em: <http://www.ambiente-pras.gob.ec/>. Acesso em jun. 2013.
↩
16. Mais informações sobre o Sipas estão disponíveis em:
<http://www.ambiente-pras.gob.ec/sipas/>. Acesso em: jun. 2013.
↩
17. A entrevista com o engenheiro Hector Hugo Barbales, da
Administração Local da ANA em Iquitos, foi realizada em 25 de julho de 2012.
↩
18. Mais informações sobre este projeto estão disponíveis em:
<http://www.regionloreto.gob.pe/pag_sig/index.htm>. Acesso em jun. 2013.
↩
Você terminou Governança multiescalar dos recursos hídricos transfronteiriços na Amazônia
Fernanda Mello Sant'anna
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