Minha Para Proteger

Dudaah Fonseca · Capítulo 2 de 4

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Minha Para Proteger

Capítulo 6: – Fêniz na Água

testa.

— Se precisar de qualquer coisa, não

hesite em pedir. Eu posso dar tudo que está ao meu alcance a você, Laura.

Palavras me faltaram, sai muda de

seu escritório.

THEO

Eu estava com muita saudade da

encrenqueira. Depois de um mês, voltei

ao meu país. Depois da minha confissão,

do meu real interesse com ela. No outro

dia precisei viajar urgentemente para

Santa Catarina, onde ocorreu um

fenômeno

natural

fazendo

várias

famílias ficarem sem casa. Passei uma

semana lá, e fui com minha equipe

juntamente com outros voluntários

distribuir roupa e alimento, na escola em

que estavam abrigados. Antes de sair da

cidade, me reuni com o Prefeito e

afirmamos

que

dentro

de

quatro

semanas, todos teriam uma casa para

morar.

Passei praticamente um mês, tendo

reuniões com Presidentes de outros

países, buscando novos acordos e

melhorias para ambas as partes. Pensei

muito durante esse tempo, e tomei uma

decisão. Quero Laura na minha vida,

sem cartão de saída. Queria ligar para

ela, porém achei melhor deixá-la

tranquila, sem pressão de minha parte.

— Vá direto para a Academia de

dança, onde Laura está. — Solicitei ao

motorista.

Recebo relatório sobre a rotina de

Laura. A verdade é que esse relatório

deveria ser apenas para os seguranças.

Agora que a mídia estava especulando

“qual a relação do Presidente com a

universitária?” . Preciso priorizar a

segurança

dela.

Além

de

ir

à

universidade, ela dava aulas de reforço

de Braile para três crianças, e ia à

agência Angel durante a tarde.

— Por que não lê de uma vez a ficha

completa da senhorita Monteiro?

— Prefiro saber por ela, Bento.

— Você acha mesmo que todos

veriam o romance de vocês com bons

olhos? Os opositores querem apenas um

vacilo para cair em cima, Presidente.

— Que foda-se, esses fofoqueiros.

Pensei que tivesse deixado claro, que

meu compromisso diante de meu país

nunca mudará.

Antes de eu descer do carro. A

equipe verificou o local, entraríamos

pela porta dos fundos. Pedi para meu

guarda-costas,

conversar

com

a

proprietária da academia, assim me

informaria quando Laura, dançaria.

Entramos no local, sorrateiramente.

Fiquei sozinho, numa sala que tinha um vidro enorme que dava vista à outra

sala. Onde tinha várias mulheres de

faixa etárias diferentes. Entre elas,

Laura e sua amiga. Tinha um pole dance

no meio, e uma mulher, provavelmente a

professora, que falava algo.

A roda formada por mulheres se

desfez, então Laura caminhou em

direção ao poste. Sua pele alva, estava

sensual sendo marcada apenas por um

short curto preto e um tope da mesma

cor. Alguns fios de cabelo grudados em

sua testa, o coque mal feito era um

charme a mais. Ela fechou os olhos e fez

a

mágica.

Agarrou-se

ao

pole,

sensualmente mostrando habilidade. Seu

corpo recebendo o contato, se mexia

incrivelmente. Suas pernas abraçaram o

poste, jogou suas costas para trás,

mantendo apenas suas pernas seguras no

metal. Então escorregou, fazendo meus

pensamentos irem longe, umedeci meus lábios, imaginando-a em meus braços,

na minha cama sendo amada de forma

absurda. Abri os primeiros botões de

minha camiseta social, buscando frescor

ao meu corpo.

É uma pena Laura, não enxergar o

quanto é linda. Ela seduz, fascina e atrai

com seu olhar. Ela não tem visão, mas

carrega algo que fazem todos caírem aos

seus pés.

Sua pureza.

CAPÍTULO 6 – FÊNIZ

NA ÁGUA

LAURA

Após a aula de pole dance, Bela me

convenceu de irmos fazer um lanche em

nossa lanchonete preferida, fica próxima

à universidade. Pedimos hambúrgueres,

batatas fritas e refrigerante. Enquanto

ela falava sobre um paquera, fugi com

meus pensamentos para o Presidente

mandão.

Eu estava com saudade, isso é fato,

mas não confesso nem que me paguem.

Faz um mês desde que ouvi sua voz

grossa, inalei seu perfume amadeirado de homem gostoso. Oh, céus! Meus

pensamentos sempre estão seguindo por

uma linha perigosa. Sempre mantive um

murro enorme com relação as “coisas

do coração” , fiz isso para não sofrer.

Medrosa? Sim, muito em questões sobre

o amor. Inexperiente? Sim, muito, afinal

nunca me permiti nada.

— A aula foi ótima! Por isso estamos

fugindo da dieta e mergulhando nessas

calorias. — Diz, Bela.

Rolei os olhos. Se tem algo que não

faço é dieta. Claro, em casa meus pais

fazem questão de manter as refeições

saudáveis por questão de saúde. Agora

minha amiga, adora essas modas de

dieta.

— Eu não estava de dieta.

— Entenda uma coisa, Laurinha. Se

eu estou de dieta a senhorita também

está.

Ri, antes de comer mais uma batata

frita. Ela tem razão somos irmãs para a

vida toda.

— Está certíssima.

— Não se esqueça que seu domingo será apenas para dormir. Segunda-feira

você precisa está perfeita para a

primeira sessão de fotos.

O senhor Carvalho avisou ontem que

meu trabalho como modelo oficial da

Angel começará na segunda-feira. As

fotos serão estilo românticas com

pitadas de sensualidade. Deixei claro

que não pousaria de forma explícita.

Todos riram afirmando que a agência

trabalha com a arte da sensualidade e

principalmente beleza natural da mulher.

Por fim, concordei com tudo. O contrato

já estar assinado, agora é colocar a mão

na massa.

— Nem comece! Passarei esse fim de

semana concluindo alguns trabalhos da

universidade, além de começar a

preparar meu TCC e finalizar a linha do

tempo da família do Presidente.

— Nossa… Que radical seu fim de

semana.

— É sério, Bela. Não vejo a hora de

segurar meu diploma.

— Pois é, eu também.

— Então nada de ir lá em casa ficar me alugando para sairmos.

— Eu prometo.

Assim que cheguei em casa meu fiel

companheiro veio até mim, fiquei um

tempinho fazendo carinho em Tom. Fui

para a cozinha, e sorri ao encostar no batente da porta. Adorava escutar meus

pais cantando, enquanto preparavam a

refeição. E agora com Marlon morando

conosco tudo ficou melhor ainda.

Cruzei os braços, fechando os olhos

imaginei que um dia poderia vê-los.

Sentir eu posso, agora, ver, não. Uma

vontade enorme de chorar assombrou-

me, geralmente não sou assim. Não fico

pensando muito e “se” eu pudesse

enxergar. Isso machuca, porém nasci

assim e tenho me saído muito bem em

conviver com algo que quebra as pernas

de qualquer ser vivo.

— Espero que não tenha comido

nenhuma porcaria por aí. A macarronada

está deliciosa. — Falou, meu pai Lauro.

— Eu ajudei a fazer o macarrão. —

Diz, Marlon animado, logo senti seus

braços

circulando

minha

cintura.

Abaixei a cabeça para beijar seu rosto.

— Por ser tão difícil colocar o

marcarão na água, decidi pedir ajuda de

Marlon. — Brincou, meu pai Heitor.

— Rá-Rá-Rá, que engraçado, pai. —

Responde, Marlon e começo a rir.

— Tenho certeza que será a melhor

macarronada da História.

— Confesse querida, você comeu

besteira.

É tão difícil tentar esconder algo dos

pais. Maneei a cabeça confessando meu

“crime”.

— Não resisti, pai.

— Ok, sem julgamentos.

Fiquei conversando mais um pouco

com minha família, depois segui para

meu quarto. Sentir o frescor gelado da

água em meu corpo me deixou relaxada.

Enquanto eu dançava no pole dance,

assinalava um formigamento em meu

corpo, um friozinho no estômago e ao

mesmo tempo quis dar o melhor durante a dança. Admiti que meus pensamentos

fossem mais longe e imaginei que o

Presidente poderia estar ali, apenas nós

dois.

A última conversa que tivemos me

deixou abalada. Sua voz sempre firme e

intensa tornava tudo mais caloroso,

talvez eu esteja sendo uma estúpida em

ficar com os quatro pneus arriados pelo

o senhor Presidente Theo Medeiros.

Além disso, nunca parei para pensar

numa vida amorosa. Seria injusto uma

pessoa ficar presa a mim sabendo que eu

sempre, de alguma forma, irei depender

de ajuda. Não quero ser pedra no sapato

de ninguém.

Eu só sabia que tudo havia mudado.

Faria o possível para adiantar a escrita

para poder sair desse estágio. O tempo é

perigoso.

THEO

Minha noite foi uma verdadeira

merda. Mantive um autocontrole incrível

para não invadir a sala e tomar Laura em

meus braços. Assim que ela terminou

sua apresentação, sai de lá. E agora estou tentando dormir, apenas fico

virando de um lado para o outro,

tentando encontrar uma posição boa. No

entanto, o calor está me angustiando

principalmente por saber que a atrevida

é uma verdadeira Afrodite.

***

Acordei cedo, tomei um café puro,

logo fui praticar esteira. Escutando

música, em meu celular, consegui ficar

na esteira por uma hora e meia. É

maravilhoso sentir a exaustão após a

prática de exercício.

Passei a manhã toda, em meu

Gabinete. Recebi o Senador Ronaldo

Oliveira, e discutimos alguns assuntos

que foram lançados em discussão, na

última votação que ocorreu no Senado.

— Posso confirmar sua presença no

evento da inauguração das escolas, neste

sábado?

Finalmente as obras das novas quinze

escolas foram finalizadas há uma

semana. O evento ocorrerá no Teatro

Nacional Cláudio Santoro, aproveitarei

para fazer um anuncio que agradará

muito os professores.

— Sim, Rosana.

Ela sai da sala, e encaro Bento com

um sorriso.

— Preciso que me faça um favor.

— Pode pedir, Presidente.

— Procure o melhor oftalmologista

dentro e fora do país.

— Isso pode levar um tempinho.

— É pra ontem, Bento.

— Está fazendo isso pela Laura?

— Sim.

— Você poderia ler as informações

completas dessa garota, Theo. —

Conversou, parecendo incomodado. —

Escute, a deficiência dela é estudada

pelo melhor oftalmologista do Brasil,

que inclusive reside aqui em Brasília.

Os resultados até hoje não foram muito

bons, deveria ao menos pedir a

permissão dela antes de querer fazer

qualquer coisa.

— Faça o que pedi. Estou apostando

tudo na minha fé.

***

Quando Laura chegou, foi difícil não abraçá-la. A surpreendi quando acolhi

seu corpo pequeno em meus braços. Não

prolonguei, a última coisa que desejo é

que ela fuja de mim.

Ela disse que terminou a linha do

tempo de minha família. E começou a

escrever sobre o primeiro integrante da

família Medeiros que ingressou na

política. Conseguiu essas informações

via internet e livros, o qual seu pai leu

para ela.

De repente desfoquei do assunto, e

indaguei:

— Quando você enxergar, qual será a

primeira coisa que vai fazer?

Ela libera um sorriso nervoso,

meneou a cabeça.

—

Prefiro

não

ficar

criando

expectativas.

— Não seja tão topetuda. Fale!

— Agora que não respondo mesmo.

Ela

adora

acabar

com

minha

paciência.

— Por favor, estou curioso.

— Tudo bem, mas se você rir…

— Prometo que não irei rir.

— Correr, eu vou querer correr até

cansar, por uma estrada, enxergando o

horizonte que parece ser infinito, olharei

para meus pés e terei certeza que dali

em diante serei livre. Depois ficarei

admirando o rosto das pessoas que amo

durante um bom tempo. — Concluiu,

fechando os olhos.

Será que eu irei fazer parte de seus

planos? É engraçado no quanto somos

cruéis com nosso dia a dia, nos privando

de fazer coisas simples. Eu quero que

ela realize tudo isso.

— Tenho certeza que vai conseguir.

— Sinceramente… Eu espero o

mesmo.

— Tem algum médico que acompanha

seu caso? — Pergunto, querendo saber tudo por ela. Apesar de Bento ter

adiantado essa parte.

— Sim. O doutor Gael Vasco, desde

meus oito anos, estuda minha deficiência

e recentemente conseguiu ajuda de um

especialista

da

Inglaterra.

Ainda

estamos esperando resposta.

— Estamos?

— Eu e minha família. — Ela sorri

ao mencioná-los.

— Você parece bem apegada aos

seus pais.

— A eles e ao meu irmão mais novo.

***

Os trovões lá fora, deixava claro que

a noite toda seria de chuva forte. O

expediente da maioria dos funcionários

que trabalhavam no Gabinete e outras

áreas do Palácio, havia terminado.

— Tem certeza que não terá

problema eu dormir aqui?

Os noticiários anunciaram que o

melhor seria todos os cidadãos ficarem em casa, para evitar acidente. Além da

intensidade da chuva, os ventos estavam

numa velocidade perigosa. Disse a

Laura que o melhor seria ela passar a

noite aqui, sendo que seu pai tinha

ligado mais cedo, falando o estado de

alerta que estava por conta da

tempestade.

— Como percebeu o Palácio é

grande.

— Pelo o que ouvi falar… É de uma

arquitetura espetacular. — Deu de

ombros, e só agora notei no quanto sou

tapado.

É lógico que ela não viu o quanto o

Palácio é grande. Um dia Laura vai

enxergar a obra do arquiteto Oscar

Niemeyer que chama atenção dos traços

horizontais. Farei de tudo para assistir o

momento que ela enxergará.

Antes de subirmos, jantamos a

refeição que a cozinheira deixou pronta.

— Qualquer coisa que precisar, basta

me chamar. Meu quarto é o último no

corredor, do lado esquerdo.

Ela dobra a bengala, e sorri tímida.

Nem parece a topetuda que adora

manifestar.

— Agradeço, Presidente. Amanhã

meu pai vem me buscar.

— Sabe que prefiro que me chame de

Theo. — Murmurei, bem pertinho de seu

corpo. Toquei seu rosto com carinho, e

sua submissão a esse momento é tão

excitante.

— Bem, ham… Boa noite.

Afasto-me a contragosto, mas antes

beijei sua testa.

— Durma bem, Afrodite.

Lancei seu apelido sem papas na

língua. Em nossa última conversa, antes

de eu viajar, deixei claro minha

intenção. Para que negar algo que estou

sentindo e tenho quase certeza que sou

altamente correspondido. Sem joguinhos

de conquista, sem pessoas querendo se

intrometer.

Após o banho, vesti apenas uma

calça de moletom e uma camiseta regata.

Liguei para minha mãe e conversamos

por horas. Dona Marina notou apenas

pela minha voz que algo bom havia acontecido comigo. Laura aconteceu,

essa é a resposta. Depois conversei um

pouco com meu pai, que sempre arranca

risadas de mim, contando sobre as

brigas infantis que tem com o tio Osmar.

— Ah, porra esqueci!

Exclamei, ao lembrar que nos

quartos, fora o meu, não tem edredons, a

empregada só coloca quando aviso com

antecedência que terei hóspede. Entro no

closet tirando uma coberta, e saio em

direção ao quarto, onde Laura está.

Abri a porta sem bater, pensando que

ela poderia estar dormindo. Estaquei no

lugar.

Sem

dúvida

estou

sendo

um

pecaminoso do cacete. Eu deveria virar

e sair, e não continuar olhando a nudez

de

Laura.

Por

céus,

estou

me

aproveitando de sua deficiência visual.

Sua pele é tão chamativa por ser

delicada e macia, quando toco sua mão,

confirmo a maciez. Há pequenas sardas

espalhadas na região de sua coluna, os

fios de seus cabelos escapam do coque,

deixando sua nuca exibida. A curva de

sua cintura moldada, a formosura de sua

bunda redondinha, tudo sublime.

CAPÍTULO 7 – MINHA

AFRODITE

LAURA

Preferia mil vezes estar em casa, no

refúgio do meu quarto. Porém a chuva

veio com força total impedindo qualquer

pessoa de se deslocar em meio ao

temporal. Liguei para meu pai, ainda

com esperança que ele estivesse pelo

menos próximo do Palácio, mas seu

Lauro afirmou que nem tinha saído de

casa, pois a chuva já estava muito forte.

— Não deve ser tão difícil andar

pelo quarto sem deixar um belo roxo na

minha pele. — Falei para mim mesma, suspirando.

Abri a bengala, e com a mão livre fui

tateando os móveis que encontrava pelo

caminho. Finalmente encontrei uma

maçaneta torcendo para ali ser o

banheiro. Sigo reto encontrando uma

parede de vidro, obviamente o box.

Continuo conhecendo o banheiro, que

apesar de eu não enxergar, tenho quase

certeza que deve ser chiquérrimo,

encontro um metal na parede que

mantém uma toalha. Essa servirá para eu

poder me enxugar.

Retorno ao quarto, tiro minha roupa

colocando-as em cima da cama, sem a

bengala volto ao banheiro. Depois de

um dia longo, nada melhor que um banho

para relaxar os músculos. Fiz um coque

em meus cabelos, e pude aproveitar a

água deliciosa. Volto ao quarto, e

começo a me enxugar. A toalha tem

aquele cheirinho de novo.

Um formigamento se espalhou pelo

meu corpo, começando pela nuca.

Estranho, afinal só sentia isso quando o

Presidente estava por perto. Daria tudo para poder ver seus olhos… Balanço a

cabeça espantando esses pensamentos.

Jogo a toalha em cima da cama, e pego

minha calcinha, visto-a e em seguida a

blusa.

Dormir de sutiã, fora de cogitação.

Ouço a batida leve na porta, e peço

para esperar. Sem dúvida é o Senhor

Mandão. Pego a calca jeans, trajando-a.

— Pode entrar! — Digo, esperando

ouvir os passos.

— Pensei que estivesse dormindo….

— Ele começou, parecia tenso. Será que

Theo estaria incomodado por me ter

aqui em sua casa? — Eu trouxe o

cobertor, os armários dos quartos de

hóspedes são vazios.

Senti que se aproximava, os passos

eram baixos, tranquilos.

— Obrigada, foi muita gentileza. —

Agradeci sem jeito, escondendo as mãos

no bolso da calça.

Ele rir.

— Você é adorável quando me trata

com educação.

Pronto. Ele conseguiu estragar um momento épico. O qual eu não iria

respondê-lo de forma rude.

Soltei um suspiro de surpresa,

quando ele tocou meu rosto com sua

mão. Estava tão distraída com meus

pensamentos que nem percebi quando

ele cortou o espaço entre nós dois.

Perigo define exatamente a maneira de

como estamos próximos demais.

— Theo, eu acho melhor…

— Você tem noção do quanto é

perfeita? — Indagou numa rouquidão

baixinho.

Ele só pode estar doido!

— Eu posso tudo, Laura.

— Está falando coisa com coisa,

homem!

Suas mãos seguraram as laterais de

meu rosto, por puro desejo fechei os

olhos suplicando silenciosamente para

ele me beijar. Fazer do meu primeiro

beijo inesquecível. Eu sabia que essa

atração que sinto por Theo é descabida,

entretanto é real. Costumava pensar que

um amor só poderia nascer através de

uma longa convivência, mas agora estando

assim

com

Theo,

posso

confirmar que essa paixão que aflorou

em todo meu sistema, aconteceu de

repente.

— Eu posso tudo com você do meu

lado, minha Afrodite.

Oh,

céus!

Esse

homem

definitivamente adora mexer com minha

cabeça.

— Pare com isso.

Odiaria saber que ele pode estar

brincando comigo. Essa falta de visão as

vezes me quebra, pois se eu enxergasse

poderia confirmar se Theo realmente

está sendo verdadeiro. Um olhar diz

muito de uma pessoa. Sua voz declara

sinceridade, porém a insegurança que

habita em mim é desgraçada.

Meus pelos se arrepiaram quando ele plantou um beijo na curva do meu

pescoço, demorou ali, enquanto suas

mãos se fixaram na minha cintura. Arfei,

querendo ser durona o suficiente para

afastá-lo de mim.

Theo

pegou

na

minha

mão,

descansando-a em cima de seu peito,

onde sentia as batidas do seu coração.

— Conheça o corpo do seu homem,

minha Afrodite. Pois é isso que serei

assim que me aceitar. Seu homem… Seu

amigo… Seu escudo… Seu idiota… Seu

Presidente… Seu Theo… Seu amor,

somente seu. E você será minha para

proteger, adorar e amar.

O que eu poderia falar? Nada. Deixei

a emoção tomar conta, nunca pensei que

um dia ouviria isso de um homem. Como

ele pode afirmar com tanta convicção…

Sua declaração trouxe a certeza que não

sou a única que está sentindo todo esse abalo.

Fiquei na ponta dos pés, alcançando a altura da curva de seu pescoço. Vaguei

meu nariz ali, inalando seu cheiro

gostoso. Afastei minha mão de seu peito,

levando-a até sua nuca. Encostei minha

testa em seu queixo, recebendo um leve

beijo.

A pergunta é, até que ponto Theo me

aceitaria?

Sou uma acadêmica de História,

apaixonada com o fato de poder ensinar

o que me fascina; filha de homossexuais,

cega, insegura e por aí vai… Leia-se, eu

não estou querendo posar de pobre

coitada, longe de mim. Bateu levou,

comigo é assim. No entanto, não posso

ser ingênua ao ponto de achar que se

caso eu e Theo venhamos a ter um

relacionamento, muito estará em jogo,

principalmente para ele.

— Tem certeza disso, Theo? Tem

absoluta certeza que me aceita assim…

Pôs uma mecha de meu cabelo atrás

da orelha, continuei com os olhos

fechados me preparando para sua

possível resposta.

— Por que não aceitaria? Por causa da sua deficiência visual? Classe

social? Ou o quê?

Não respondi. O barulho do trovão lá

fora, me assustou, fazendo-me segurar

seus braços sentindo todos aqueles

músculos, maciez. Parece que esse

homem foi esculpido.

— Parece que a lista é grande. —

Murmurei, tentando suavizar.

— Sinceramente, Laura, não me

importo com nada disso. Eu quero você

na minha vida, o tempo se encarrega do

“depois” . Tenho plena consciência que

nosso futuro relacionamento não será

fácil, mas não vou abandonar você, ou

melhor, abandonar o que temos que

viver.

Impulsionei meu corpo ficando

alguns centímetros mais alta. Entreabri a

boca, alcançando a sua. Sentindo-me a

maior boba do mundo, deixei Theo

comandar o movimento de nossos

lábios, boca, língua. Aos poucos me

acostumei, agarrando seu corpo grande.

Chupou meus lábios deliciosamente,

tornando-se mais fogoso.

— Eu nunca vou ter o suficiente. —

Diz, beijando o canto de minha boca.

Perdemos a noção do tempo, ficamos

trocando beijos e mais beijos. Suas

mãos subiam e desciam em meu corpo,

fazendo uma ansiedade crescer, um frio

no estômago, tornando nossas carícias

maliciosas.

— Que horas são?

— Já passa um pouco das 23h.

Apesar de toda “atividade” , meu

corpo pede belas horas de descanso.

— Eu adoraria dormir, mas quero

ficar aqui… Assim com você.

Deus do céu! Quando eu me tornei

tão manhosa?

Envolvo meus braços em seu

pescoço, abraçando-o forte, recebo o

mesmo carinho com seus braços em

volta de meu quadril. Estou tão

confortável sentada no colo de Theo,

que eu poderia dormir assim.

THEO

Há tempos não me sentia jovial, alto

astral. Estou assim desde que vi aquela

manifestante

linda

e

terrivelmente

atrevida me desafiando. Dormir com ela

em meus braços, trouxe a certeza que

posso sim, recuperar minha vontade de

viver, a verdade é que venho pensando

nisso.

Antes de ela cair no sono, ficamos

conversando

bobagens.

Não

quis

assustá-la mais ainda sendo direto,

querendo saber de sua família, seus

planos para o futuro. Após nosso último

beijo da noite, ela murmurou: eu aceito.

Ri, como um verdadeiro bobo soltando

selinhos em sua boquinha gostosa e

atrevida.

De banho tomado, me encontrava

colocando os botões nas casas da

camisa social branco impecavelmente

passada. Sempre encaro a fênix que

marca todo o meu peitoral direito. É um

incentivo para eu continuar na linha, me faz lembrar as pessoas que mais amo e

amei.

— Theo?

Caminhei em direção a cama, fiquei

de joelhos no colchão beijando o topo

da cabeça de Laura.

— Bom dia. Espero que tenha tido

uma excelente noite de sono.

Ela sorrir, levando suas mãos até o

cabelo que está numa bagunça graciosa,

e faz um coque.

— Com certeza eu tive.

Ajudo-a se levantar da cama. Ontem

a trouxe em meus braços para meu

quarto. E lhe entreguei uma blusa minha

de frio para ela dormir mais confortável.

Ela não tem noção do quanto é linda.

— Você já está arrumado. —

Constatou abraçando minha cintura,

beijando meu peito por cima da camisa.

— Adoraria passar a manhã toda com

você, porém tenho uma reunião com o

secretário da Educação. E a senhorita

tem aula, além disso, seu pai deve estar

chegando.

— Caramba, tinha até esquecido!

Às 07:15 já estávamos tomando café

da manhã. Ajudei Laura a se servir, a

conversa fluía bem, contudo do nada ela

pareceu mudar, ficou tensa.

— Algum problema? — Indago

fitando-a.

— Sobre ontem… Você realmente

estava falando sério?

— Você duvida de mim?

— Sejamos sinceros, Theo. Você é

homem, é mais velho, tem mais

experiência… Estaria mesmo disposto a

me levar a sério?

Essa topetuda não sabe com quem

está lidando. Ela duvida de minhas

intenções e sentimentos. Mero engano

ela achar que sou o tipo de homem que

ilude.

Realmente sou mais velho, sendo

mais exato, sou 13 anos mais velho que

ela. Sim, tenho mais experiência. No

entanto, sou homem o suficiente para

esperar o tempo dela. Se ela quiser me

beijar, beijarei. Só farei o que ela

permitir, espero o tempo que for

necessário.

— Não sou homem de brincadeira,

Laura. Pensei que tinha deixado isso

claro ontem.

Calada, ficou. Parecia envergonhada.

— Se quiser posso fazer um jantar

aqui para receber sua família, e assim

falaria a todos que estamos namorando.

— Namorando?

— Sem pressão, minha Afrodite.

Casamento deixamos para depois. —

Brinco. — Esse negócio de ficar e

relacionamento aberto não faz parte da

minha vida.

Conhecer Heitor, pai de Laura,

confirmou minha intuição que ela é

muito bem cuidada pela família. Eu

estava atrasado para reunião, e com

Bento azucrinando no meu ouvido,

acabei nem podendo conversar direito

com seu Heitor. Logicamente o senhor

Monteiro percebeu que estava rolando

algo entre eu e sua filha. A topetuda não

conseguia desfaçar, suas bochechas

coraram quando o pai perguntou: como

foi a noite.

Por pedido dela, decidimos abri o jogo para sua família assim que eu

organizar o jantar. Aproveito para fazer

uma coisa só. Pedirei para minha família

vir.

CAPÍTULO 8 – VOCÊ É

MEU CÉU

LAURA

Mesmo sem poder ver, sabia que meu

pai Heitor estava com os olhos pregados

em mim, em cada sinal que parava o

carro. Ele com certeza deveria estar

pensando: eu sei que a senhorita

aprontou. Adorava meus pais, porém

odiava esse sentido que eles tinham.

— Obrigada pela carona, paizão. —

Agradeci, abraçando-o querendo fugir

de suas indagações que sei que não

serão poucas.

— Não tão rápido, Laurinha. —

Bufei, eu sabia que seria bom demais

para ser verdade. — Era impressão

minha ou realmente você e o Presidente

estavam com um olhar bobo.

— Eu realmente não sei, pai, afinal

não consigo ver.

Usei, dessa vez minha deficiência a meu favor.

— Seu senso de humor é adorável,

querida.

Por que ocultar algo que logo minha

família vai ficar sabendo. Cruzei os

braços, parecendo uma adolescente

confessando sua rebeldia, e contei ao

meu pai o que aconteceu entre eu e o

homem mais importante do Brasil.

Lógico, que deixei os detalhes dos

“amassos” entre eu e Theo, em segredo.

— Filha, ele parece ser um bom

homem. Entretanto, ele já tem a vida

feita, é mais experiente, vivido. E você

está começando agora, Laura. Está certa

que vocês poderiam ter uma relação

saudável?

Juro que minha cabeça estava para

estourar. Engraçado como mudei de

lado, pois até um tempo atrás, eu era

contra Theo. Era contra, porque assim

conseguiria afastar qualquer sentimento

que poderia sentir por ele. Falhei

miseravelmente, dei de cara no chão,

todavia acabei apaixonada por Theo

Mendes Medeiros Alvarez.

Não posso ser mais cega ainda,

achando que meu futuro relacionamento

com Theo será um mar de rosas.

Caramba, ele é o Presidente do país,

daqui a pouco vai viver viajando,

assumindo seus compromissos. Bem, e

eu ainda quero realizar muitas coisas,

esse ano terei meu diploma em mãos,

tentarei

concluir

meus

projetos

profissionais e carentes.

Será que suportaríamos a distância?

São tantas indagações, isso porque ainda

nem começamos direito.

— Só tentando para sabermos, pai.

É melhor eu parar de ser medrosa,

preciso começar a “enxergar” as coisas

sem ter medo de errar.

— Agora sim, respondeu como uma

verdadeira Monteiro. — Diz, humorado

beijando minha testa.

Entrei na universidade, seguindo o

caminho para a sala. Já tinha decorado

cada canto desse prédio, foram quase 4

anos estudando aqui, seria estranho se

eu não soubesse. Acontecia as vezes de

errar o corredor, e bater alguma parte do

meu corpo com algum móvel novo ou

tropeçar.

Fui parada três vezes por acadêmicos

diferentes, perguntando sobre Tom. Esse

aí se tornou o mascote da universidade.

Falei que hoje era folga dele. Na

verdade, meu pai saiu atrasado de casa e

não deu tempo de esperar Tom comer a

ração e preparar o guia.

Enquanto o professor começava a

falar sobre a História Política do país,

fugi totalmente da aula dando lugar as

descobertas que sei sobre nosso atual

Presidente. O fim de seu avô materno

Ricardo Medeiros, na política foi triste,

um homem que tinha poder em suas

mãos fora desmascarado diante do país

inteiro. Ricardo faleceu em um acidente

de ônibus, o qual estava com Theo ainda

criança na época, um caminhão se

chocou com o ônibus de viagem

tornando o acidente horrível.

Ainda não entrei em detalhes com Theo, não sei qual será sua opinião a

respeito, até que ponto ele vai querer

que sua vida e de sua família seja

exposta no livro que pretende publicar

no fim de seu mandato. Adiantei bastante

o trabalho, conclui a introdução e

comecei a separar os pontos que estará

presente no livro.

— Ué por que estar usando a mesma

roupa de ontem? — Reconheci a voz de

minha amiga.

Ao sair da sala de aula, fui

surpreendida com sua ilustre presença.

— Não estava suja… Então por que

não usar de novo? — Estou torcendo

para ela acreditar em mim.

Abri minha bengala e seguíamos em

direção ao restaurante da universidade.

— Sei… Mas combinamos que você

hoje usaria um vestidinho lindo aquele

que lhe presenteei no seu aniversário de

vinte e um anos.

É faz dois anos que estou prometendo

que vou usar o vestido, porém ainda não

tomei coragem. Pela descrição de Bela e

meus pais o vestido é estilo verão, folgadinho na cintura, azul-claro, de

alcinhas.

— Eu esqueci.

Entramos na fila do self-service e

com sua ajuda fui servindo comida em

meu prato. Estávamos em uma refeição

silenciosa, mas eu sabia que minha

amiga

estava

colocando

seus

“parafusos” para funcionar. O que

significava

que

ela

arrancaria

a

verdade.

— Você não dormiu em casa! —

Continuei mastigando minha comida,

tentando ignorá-la. — Mas pera aí…

Ontem depois da aula você foi para o

Gabinete do Presidente…

Aproveitei a oportunidade e abri o

jogo. É bom contar à minha melhor

amiga o que provavelmente eu não contarei aos meus pais. Não via seus

gestos espantosos, contudo pela sua voz

toda animada ela parecia bem chocada e

contente.

Durante o caminho para Angel,

desejei por um momento que Bela

ficasse muda. Ela falava coisas fora de

cogitação,

propôs

de

comprarmos

lingeries e fazer uma mudança no meu

visual. Besteira dela. Recebi uma

ligação

da

secretária

do

Theo,

perguntando a que horas eu iria aparecer

por lá. Avisei que hoje não poderia ir,

não disse o motivo. Ele que não pense

que agora que estamos… Hã… Nesse

relacionamento que pode mandar e

desmandar.

Por outro lado, estou errada em não

ter avisado a ele. No entanto ontem aconteceu tantas coisas que nem lembrei

de avisá-lo que hoje passaria a tarde

numa sessão fotográfica na agência

Angel.

—

Como

estão

meninas?

—

Perguntou seu Clovis Carvalho.

— Bem. — Respondemos juntas.

Enquanto a cabelereira escovava

meus cabelos, ouvia a voz ansiosa de

Bela dizendo o tempo todo que estou

linda, e que a maquiagem que a

profissional

fez

antes

combinou

perfeitamente comigo, deixando meus

olhos marcados com o lápis marrom e

deixando um leve brilho esfumaçando.

Ainda bem que Bela está sendo meus

olhos, ela jamais deixaria alguém fazer

algo que eu desaprovaria.

— Está belíssima!

— Por que estou sentindo que sou a

grande atração?

Passei as mãos retamente no curto

vestido de seda, na cor branco. Segundo

o estilista da Ousada, o catálogo desse

mês seriam trajes puros com pitada de

sensualidade.

— Porque você é!

— Ninguém ligou para mim?

— Está querendo saber se o seu

namorado Presidente ligou? — Cruzei

os braços, numa forma silenciosa de

exigir a resposta logo. — Não sei… Seu

celular descarregou. Agora não pense

nele, e dê o seu melhor para o fotógrafo.

Recuei um pouco, mordi os lábios

sabendo que eu deveria dar um jeito de

falar com Theo, porém nem o número

decorado eu sabia.

O fotógrafo se apresentou como Luca

Carvalho, filho do senhor Carvalho. Ele

pareceu bem empolgado com o trabalho.

Tentou ao máximo me deixar relaxada

com suas instruções, mas não consegui

logo de início. Aos poucos fui sentindo

um pouco de conforto. Ele insistia em ficar me ajudando nas poses, adorava

colocar as mechas rebeldes de meu

cabelo atrás da orelha.

Fizemos um intervalo de dez minutos,

nesse tempo eu queria dar um jeito de

conseguir um carregador, porém nem

tive tempo, pois Luca ficava puxando

papo. Ele me disse que teria um

compromisso e um outro fotógrafo

terminaria as fotos. Troquei de roupa

não sei quantas vezes, estava ficando

estressada com o troca-troca. Sei que

tem mulheres que adora, todavia faço

parte do 1% da diferença.

Só espero que Theo não fique bravo

comigo.

THEO

É um fato comprovado, o ciúme

realmente é uma cadela. Passei a manhã

toda em reunião com secretário da

Educação, enquanto meus pensamentos

estavam nela. No horário do almoço,

encontrei com o Prefeito de São Paulo

que

veio

pessoalmente

para

me

apresentar um projeto de urbanização.

Pedi para Rosana ligar para Laura,

recebi a resposta que ela não iria hoje

para o meu Gabinete, e para foder mais

com o meu juízo, não avisou o motivo.

Topetuda atrevida da porra.

Minha vontade era de largar tudo,

mas

não

posso

deixar

meus

compromissos o qual sou encarregado

de melhorar a vida do meu povo e

condições do país. Eu havia tirado os

dois guarda-costas do pé de Laura, claro

que ela nem desconfiava, fiz isso por

sua segurança enquanto eu estivesse

fora. Agora estou muito arrependido de

ter feito isso. Pois logo o mundo todo

vai

estar

sabendo

sobre

nosso

relacionamento, então é bom mantê-la o

mais segura possível.

— Descobriram aonde ela está? —

Indago assim que entro no carro.

— Passou a tarde na agência Angel.

— Vamos para a Angel, Paulo. —

Aviso ao motorista. — Volte a colocar

os dois guarda-costas na cola dela.

— O senhor é quem manda.

— E os especialistas encontrou? —

Perguntei a Bento.

— Tirando o doutor Gael Vasco, fora

do país tem mais dois. Inclusive o

doutor Gael entrou em contato com um

deles, o Logan Wilkins, da Inglaterra.

Recordo quando Laura comentou a

respeito. Porém não é nada certo.

— Entre em contato com o doutor

Wilkins. Tenho certeza que ele não

recusará um pedido do Presidente.

Nesse caso, usaria toda minha

influência.

Ao chegarmos ao edifício, entramos

na garagem. Não precisou de muito para

entenderem que desejo discrição de minha presença. Um funcionário nos

levou até o elevador privativo que

segundo ele, sairíamos no estúdio onde

minha namorada topetuda está se

exibindo. Pedi para Bento e os guarda-

costas esperarem na sala de espera que

tinha antes do estúdio.

O cômodo bem estruturado, estava

silencioso. Avancei seguindo o único

corredor que tinha ali. Com punhos

cerrados puxei o indivíduo pelo

colarinho chocando suas costas na

parede fazendo a estante média de vidro

balançar e derrubar um arranjo de

porcelana.

— Filho da puta pervertido! —

Fechei minha mão em seu pescoço.

— Mas o quê… Theo? É você? —

Diz, Laura pavorosa.

Ela está trajando uma porra de

lingerie vermelha e estava tirando a

peça de cima, e o desgraçado estava a

secando, enquanto sua mão estava dentro

da calça. Nojento. Vi no seu olhar algo

que me assustou, diferente de ontem

quando a vi nua de costas, jamais a faria mal…. Mas o jeito que ele a olhava.

Assustou o inferno em mim.

— Se vista, porra!

Continuei sufocando o cretino, porém

ele debatia os pés e tentava me acertar

com os braços. O soltei com tudo, e sai

arrastando-o para o centro da sala. Tirei

o traje de cima do terno, e arregacei as

mangas da camisa até os cotovelos,

desfiz o nó da gravata.

— Eu estava… Terminando as fotos.

— Tossiu muito, ainda no chão.

— Conheço quando uma pessoa é de

má índole. E você é!

O levantei e em seguida deferi um

soco em seu estômago, sem dar chances

acertei outro em seu olho direito. Eu

estou tão puto, morrendo de ódio desse

imbecil. Minha mente só pensa no fato

de se eu não tivesse chegado a tempo, se

ele a machucasse.

—

Theo?

Theo,

o

que

está

acontecendo? Quem mais está aqui? —

Parei de bater no cretino.

Fito-a

e

balanço

a

cabeça,

inconformado de ela não ter visão, pois

a falta disso a deixa numa zona de risco,

por mais que Laura pense que pode se

defender, sabemos que não pode se

defender contra tudo.

Bento e a amiga de Laura entraram na

sala, minutos depois o dono da agência

entrou com os seguranças do prédio, não

demorou muito e a equipe que faz minha

segurança já estava na sala.

Aproximo-me de Laura, e a abraço,

explico o que aconteceu e o senhor

Carvalho afirmou que agora seu ex-

funcionário responderia pelo seu ato

com as autoridades.

Ao chegarmos ao Palácio, o ciúme,

raiva e medo esquentaram minha cabeça.

— Precisa tomar cuidado, Laura. Já

pensou no que poderia ter acontecido se

eu não tivesse chegado?

Seus olhos estavam um pouco

avermelhados devido ao choro, assim

que entramos no carro, minha menina

desabou. A única coisa que fiz foi

abraçá-la, pois eu sempre estaria ali por

ela. No entanto, é difícil não pensar na

tragédia que poderia ter acontecido.

Pedi para Bento mandar investigar sobre

aquele verme, aquele homem é doente.

Só saímos da agência quando a polícia

chegou para levá-lo, conhecendo bem as

leis do meu país, sei que o sistema

judiciário não ajuda muito, como

deveria ser. Tenho muito o que mudar.

— Eu pensei que estava sozinha.

Bela, tinha ido à sala do senhor

Carvalho

ver

os

próximos

compromissos que eu teria, e o fotógrafo

disse que já tínhamos terminado, disse

que poderia me arrumar que já estava

saindo, e escutei o barulho da porta.

Chamei e ninguém respondeu. Ele deve

ter simulado a sua saída.

— Estou tão bravo.

— Theo, não aconteceu nada… —

Murmurou chorosa, seu olhar estava

perdido, ela estava me procurando. Eu

não parava quieto, estava andando de

um lado para o outro.

— Eu disse que se precisasse de

qualquer coisa poderia pedir para mim.

— Do que está falando?

— É óbvio que está modelando para

conseguir um bom dinheiro. — Concluo

grosseiro.

— Claro, você faz parte do time

contra os cegos serem modelos ou

qualquer outra coisa. — Ficou doida só

pode. Ela levantou-se da poltrona, sua

feição mostrava tristeza, raiva.

— Não quis dizer isso.

— Tudo bem, Theo. Você não é o

único que pensa assim.

— Laura…

— Você acha que eu gostaria de ser

assim? — Levou as mãos aos olhos,

deixando as lágrimas caírem. — Sabe quantas vezes queria poder me defender

mais não podia… Odeio tanto não poder

enxergar, me sinto tão dependente, tenho

tanto medo, mas mesmo assim eu escolhi

continuar vivendo. Aí você chega e

pensa que as coisas são fáceis. Por

acaso pensou que eu sabia que aquele

homem estava me vendo quase nua e que

poderia me violentar. Eu sou um peso na

vida dos meus pais e amigos, eu sei que

sou. Tento esconder tudo isso deles para

poderem ficar tranquilos.

Sentindo-me um estúpido por ter

descontado minha raiva nela aproximo-

me, porém ela desvia abraçando seu

corpo.

— Desculpa, descontei em você o

meu medo do que poderia ter lhe

acontecido.

— Acho que isso entre nós dois não

vai funcionar.

— Isso entre nós dois já está

funcionando, Laura.

— Você merece uma mulher de

verdade do seu lado, Theo. Uma mulher

completa, sabe? Que não vai precisar de ajuda para fazer coisas simples do dia a

dia, que seja decidida, sem inseguranças

bobas.

Seguro seu queixo, e não a deixo

escapar.

— Eu preciso de você do meu lado.

— Ela fechou os olhos, e beijo as

lágrimas que por ali desciam, suas mãos

trêmulas apertaram a lateral do meu

corpo. — Você é meu céu, minha

menina. Antes de conhecê-la eu era oco,

precisava de um motivo para continuar.

Quem diria que o amor de uma mulher

seria minha salvação.

CAPÍTULO 9 – A

MENINA DOS MEUS

OLHOS

THEO

Consegui domar o turbilhão de

emoções que Laura estava sentindo,

assim como eu. Isso que estamos

vivendo é novo para ambos, meus outros

relacionamentos nunca foram intensos,

sempre mantinha uma rotina. Agora com

minha Afrodite tudo se torna fogoso,

sempre preciso estar preparado para enfrentar os desafios. Se estamos assim

no início imagino que mais para frente

iremos amadurecer mediante aos nossos

erros, por mais bobos que sejam. O

errado seria querermos fugir, e pôr fim

ao nosso namoro, que mal começou, com

medo de enfrentarmos os problemas.

Laura ligou para o pai e avisou que

dormiria hoje comigo. Sinceramente

fiquei com receio do meu sogro recusar,

contudo o senhor Monteiro aceitou numa

boa. Dei privacidade para ela tomar

banho e busquei uma blusa de algodão

minha para ela usar. Preparei dois

sanduiches e fizemos a refeição em

silêncio, precisávamos disso.

Seu cabelo está espalhado pelo

travesseiros e lençóis, a camisa subiu

deixando suas belas coxas torneadas

exibidas. Linda, engraçada, sensual,

inteligente, boa e minha.

Liguei mais cedo para Bento,

pedindo

para

desmarcar

qualquer compromisso que eu tivesse hoje.

Geralmente o Palácio tem um fluxo

enorme de funcionários, afinal aqui

também é o Gabinete da República. Mas

nesse andar, só entrava quem eu

permitia.

— Está com um cheirinho ótimo. —

Comenta, minha namorada sentada na

cadeira do balcão.

Estou terminando de fazer panquecas

de carne-moída com molho branco. É

um prato que adoro preparar, amo ter

uma refeição reforçada no café da

manhã, assim o dia começa mil vezes

melhor.

— Você realmente é uma mulher de

sorte. Além de ter um namorado lindo,

ainda sei cozinhar. O que deseja mais na

sua vida, minha Afrodite? — Falo

humorado,

arrancando

uma

risada

gostosa dela.

— Mais convencido que você, nunca

conheci, Presidente.

Começamos a fazer nossa primeira

refeição do dia com um clima mais leve,

deixando a noite de ontem guardada e

trancada. Adoro vê-la sorrindo, as

covinhas que marcam suas bochechas…

Ah, céus, eu tenho vontade de mordê-

las. Se Laura soubesse o quanto a

desejo, é uma vontade de amá-la que

jamais senti com outra mulher.

Ela mela o dedo indicador na borda

do prato tirando o molho, levando-o a

boca. E chupa gostosamente… Ah,

porcaria, que grande maldade. Sem

poder me controlar, falo:

— Deixa eu provar.

Levo o dedo que a pouco estava entre

seus lábios, e o beijo antes de chupar

devagarzinho.

— Muito bom. — Disparo, fitando-a.

— Que bom que gostou.

Foi inevitável não rir. Toda vez que

ela quer mudar o assunto fala qualquer

coisa, e sempre me faz gargalhar.

***

Gostaria muito que Laura tivesse

aceitado me acompanhar hoje ao evento em comemoração das novas escolas que

foram finalizadas. Estão equipadas e

prontas para receberem os alunos e toda

a equipe de profissionais. Diante das

centenas de câmeras e jornalistas que ali

estavam,

anunciei

que

todos

os

professores do Brasil teriam um

aumento de 40% no salário. A

porcentagem aumentaria de acordo com

cada especialização, ou seja, os

professores que são Mestres e Doutores

teriam um reconhecimento salarial bem

maior. A surpresa foi tanta que quase

não consegui responder as perguntas. A

partir desse ano os professores teriam a

tão sonhada e merecida valorização.

LAURA

Estamos no mês de junho, o qual

adoro devido ao arraial. Adoro comer

tudo que tem milho, especialmente o

bolo de milho molhadinho que se

desmancha na boca. Delícia.

Há cinco meses, desde o fadigo dia

que o pervertido me olhava quase nua no

estúdio da agência. Os cuidados comigo

dobraram, sinto-me honrada por ter essa

proteção de minha família e do meu

namorado, mas também me sinto

sufocada. O homem já foi processado e

julgado, Theo fez de tudo para ele arcar

com sua atitude vergonhosa. A justiça

não pode fazer muito, porém o que pode

ser feito neste caso, fizeram.

Durante esses meses que se passaram

meu relacionamento com Theo passou

por trancos e barrancos. O principal

motivo é que batemos sempre de frente.

Ele não recua… Eu também não, todavia

no final acabamos nos beijos e carícias

que tem se tornado mais ousadas, cada

toque é novo para mim. Eu adoro o fato

de Theo saber disso, ele sempre me

guia, fazendo-me descobrir cada vez

mais a mulher que tem dentro de mim.

Continuo sendo modelo na agência

Angel, com isso veio o reconhecimento.

Participei de eventos de moda, os quais

fui praticamente arrastada pela Bela que ama esse universo. Ela realmente está

levando a sério esse negócio de ser

minha empresária. Quero só ver quando

eu sair da Angel. De vez em quando ela

ainda toca no assunto daquela noite

quase trágica, a doida se sentiu culpada

de ter me deixado sozinha no estúdio.

Claro, expliquei que a culpa não era

dela e de ninguém. Quem iria imaginar

que ali poderia ser uma zona de perigo.

— Que bom que conseguiu o

dinheiro, Laurinha. — Diz, Chico.

Aproveitei minha tarde de folga, para

passar o dia no pet shop do meu pai, que

estava atendendo uma cliente. Seu

cachorrinho tinha machucado a pata,

havia caído um objeto em cima.

Meu amigo acabou desistindo do

estágio que tinha conseguido, pois

segundo ele o patrão estava o tratando

como um lixo. Então, ele pediu trabalho

no consultório veterinário do meu pai

Heitor. Está trabalhando aqui há um mês,

e tem se saído bem.

— Meu pai Lauro está cuidando da

compra.

Finalmente eu havia conseguido

juntar o dinheiro para comprar o terreno

que eu queria, para poder construir o

abrigo para animais abandonados.

Decidi continuar modelando para juntar

mais um bom dinheiro para mandar

construir a estrutura e garantir pelo

menos alguns meses de ração.

— Vou adorar ajudar você nesse

projeto.

Por incrível que pareça meu namoro

com o Presidente do país, estava às

escondidas. No entanto, eu sabia que no

momento que fossemos vistos saindo

juntos como um casal, o sossego

acabaria. Tem exatamente dois meses

que não ouço a voz de Theo

pessoalmente. Ele está cumprindo sua

agenda de compromissos e projetos

sociais, viajando.

Saudade era pouco para o que estava

sentindo. Nós nos falávamos quase

todos os dias pelo telefone, as ligações

demoram horas, as vezes eram rápidas.

Tudo devido ao tempo dele. Avancei

muito na escrita do livro, estava chegando na segunda parte. Essa seria

dedicada aos seus pais. Acredito eu, que

será um assunto delicado, pois nas

pesquisas que fiz na internet falavam que

o pai biológico de Theo, o senhor

Marcus Alvarez fora sentenciado e

condenado por corrupção e cúmplice de

assassinato e tentativa de sequestro

contra o próprio filho, o único filho. O

pior de tudo é saber que o senhor

Alvarez planejou a morte do bisavô do

filho, junto com sua ex- cunhada Cássia

Medeiros. O fim deles não poderia ser

mais trágico e merecido por tamanha

maldade, morreram atrás das grades.

Espero que meu namorado esteja

disposto a se abrir para mim.

— Ficou linda. Porém, eu ainda acho

que você deveria usar um salto.

Rolei os olhos desaprovando a ideia

da minha amiga. A ocasião nem pede

tanto assim ou será que sim? Claro que

estou morrendo de vontade para abraçar

e beijar Theo, entretanto posso fazer

tudo isso usando uma confortável

sapatilha.

— Recuso a oferta.

Tateio a cama em busca de minha

bengala.

— Ok, senão quer escutar a voz da

sabedoria.

Palmas para a rainha do drama.

Encontro minha bengala, e abraço

minha amiga. Bela é a melhor.

Despeço-me dos meus pais e irmão.

Meu cão-guia ficará aos cuidados de

Marlon, aquele cachorro é muito

interesseiro, agora vive atrás do meu

irmão, pois ele acaba dando biscoitos

caninos, escondidos de nossos pais, é

claro.

Paulo, o motorista já estava me

esperando na porta de casa para me

levar ao Palácio do Planalto. Durante o

caminho não podia conter o sorriso,

afinal, logo estaria com Theo.

THEO

Estava contanto os dias para chegar

em casa. Faz poucas horas que retornei

ao meu país. Agora em minha cidade,

admirava a vista lá fora, da ampla janela

que tem na sala de estar, do Palácio.

Tratei de ligar para minha namorada,

avisando-a que mandaria o motorista lhe

buscar.

A pouco conversava com meus pais e

irmãos,

pelo

telefone.

Estão

me

cobrando o jantar de apresentação da

minha namorada. Por conta de meus

compromissos adiei, porém afirmei que

antes do fim do mês eles conheceriam a

menina mulher que despertou em mim

sentimentos que antes pensava ser

utópicos.

Descalço, trajando apenas a calça

social,

sentia-me

confortável

e

extremamente apaixonado, tanto que

pensei inúmeras vezes largar tudo para

vir para cá ficar com Laura. No entanto,

preciso manter em mente que nós dois

temos

uma

vida

para

comandar,

principalmente ela que está concluindo

sua graduação e tem muito o que viver.

Entretanto, precisamos sempre caminhar

juntos para nosso relacionamento dar

certo.

— Olá? Fiquei sabendo que o

Presidente exigiu minha presença.

Virei sorrindo, ver minha namorada

sempre me deixava o maior bobo, de tão

grande que era meu sorriso. Tomo o

último gole de vinho, na taça, e ponho-a

na mesa de centro.

Abraço-a e a aconchego dentro dos

meus braços. Cheiro seu cabelo,

pescoço e beijo ali dando uma leve

chupada, fazendo seu corpo estremecer.

Pego sua bengala, soltando-a em cima

do sofá.

— Senti saudade, amor. — Declaro,

fitando seus olhos azuis-escuros que

mesmo sem poder me enxergar brilham.

Pode ser a coisa mais louca que já

deduzi, mas eu acredito que toda vez que

Laura me olha, mesmo sem ver, ela

consegue enxergar minha alma. Minha

menina, compreende que sou um homem

ferido com a dor da perda, sabe desse

meu ponto escuro que carrego. No

entanto, ela me aceita.

— Ah, meu Deus! — Disparou

eufórica, passando as mãos em meu

cabelo, agora curto, antes estava um

pouco abaixo da orelha. Segui o

conselho de meu dengo, e resolvi cortar

o cabelo.

— Te garanto que fiquei mais

irresistível. — Brinquei, recebendo um

soco de leve em meu braço esquerdo.

— Seu bobão. — Beijou meu queixo.

— Sendo seu, eu sou o que você

quiser, minha Afrodite.

Laura repousou a mão em meu peito

direito, seus dedos adoravam acariciar

ali, como se ela imaginasse o desenho

da fênix. Quando eu contei que tinha uma

tatuagem ela quase não acreditou, depois

provei pegando seu dedo e pontilhando

toda a obra. Ela conseguiu identificar que a parte da tatuagem, a minha pele

tem uma textura diferente.

— Está com calor?

— Você me deixa quente, Laura. —

Ela sorri, mordendo o canto da boca.

— É porque está sem camisa, apenas

deduzi.

Durante

esses

meses

fomos

avançando em nossas carícias, claro

dificultando meu autocontrole, mas

fomos

nos

conhecendo

melhor

intimamente. O engraçado é que eu ainda

não conheço sua família por completo, o

único que tive o prazer foi o seu Heitor.

Com medo de atropelarmos mais ainda

nosso namoro, optamos em ir com

calma, mesmo sabendo que é difícil. Por

fim, fizemos um acordo que primeiro

conheceríamos mais os gostos um do

outro. Óbvio que gostaria que o jantar de apresentação das nossas famílias

tivesse

acontecido,

porém

meus

compromissos políticos não permitiram.

— Toma banho comigo? — Peço,

fazendo sua boca entreabri.

Suas mãos subiam pelas minhas

costas, se agarrando ali com força.

— Parece uma boa ideia.

Senti uma dúvida em sua feição,

ainda não tínhamos feito sexo. Tudo é no

tempo dela, além disso, quando ela dizer

que está preparada, vou adorar planejar

algo romântico, especial da maneira que

toda mulher sonha e merece.

Impulsiono para colocá-la em minha

cintura, em meu colo, começa a beijar

minha boca puxando meus lábios de

forma gostosamente dolorida. Agarro

seu traseiro arrancando gemidinhos de

sua boca. Ponho-a no chão do banheiro,

suas bochechas estão coradas, sua

respiração descompassada.

— Erga os braços. — Mandei, e ela simplesmente levantou os braços, era

notável nossa luxúria e desejo.

Tirei o vestidinho de verão que

cobria seu corpo, deixando toda aquela

beleza a minha mercê. Os mamilos

firmes, fartos, naturais, os bicos

redondinhos e vermelhinhos. Abaixei a

cabeça, alcançando-os e beijei um por

um, chupando os pontinhos enrijecidos.

Agarrou-se a minha nuca, segurando meu

cabelo com força. Desci, agachando meu

corpo, ficando de frente para sua boceta

coberta pela pequena calcinha de renda

preta. Passei meu nariz, ali inalando seu

cheiro puro, segurei nas laterais do

elástico fino escorregando-o pelas suas

coxas grossas, pernas bem delineadas.

Levantou um pé, e depois o outro, e

larguei a calcinha no chão. Fui

levantando plantando beijos em sua pele

macia, alcancei seus lábios, os puxei de

leve entre meus dentes, murmurei:

— Sou todo seu, amor.

Laura aproximou-se espalmando suas

mãos em meu rosto, os lábios inchados

pelos nossos beijos, deslizava por meu tórax, suas unhas marcavam minha pele

por onde passava. Com as mãos

trêmulas desabotoou a calça. Afasto-me

para terminar de me despir. Estávamos

nus, febris e cheios de tesão. Peguei sua

mão guiando-a até meu pau duro, firme,

que estava quase alcançando meu

umbigo. Beijo-a com força, ardente. Sua

mão macia deslizava em meu pênis,

fazendo-me gemer rouco.

Respirei

fundo.

Com

controle

absoluto que estava fodendo minha

cabeça, afastei suas mãos pequenas do

meu pau pulsante, e nos guiei para

dentro do box, fechando-o em seguida.

Liguei o chuveiro que despejava jatos

de água sobre nossos corpos.

Colei suas costas no azulejo,

segurando-a firme, tomando sua boca

com paixão, chupei sua língua, e no

mesmo

instante

senti

suas

unhas

agarrando minha pele sem dó, estava me

deixando completamente louco.

Fiquei de joelhos, e agarrei sua perna

direita colocando-a por cima de meu

ombro, em seguida fiz o mesmo com sua

perna esquerda, enterrei meu rosto em

sua

vagina

carnuda,

lubrificada,

chamando por mim. Beijei entre seus

lábios vaginais, fazendo-a arfar, puxar

meu cabelo. Ergui meu rosto para cima,

e sem conter o sorriso de satisfação de

vê-la entregue ao prazer, a paixão feroz

que nos cercou em tão pouco tempo.

Agarrando seu bumbum com as duas

mãos, a chupei com vigor.

— Isso é tão bom… Tão gostoso….

A glória, se apoderou de mim ao ver

alguns fios de seu cabelo grudado em

sua testa, outras mechas em seus seios, a

pele alva com nuances. Os lábios

entreabertos,

gemendo

meu

nome,

perdendo o controle enquanto recebe um

orgasmo gostoso, continuei sugando seu

mel. O mais doce que já tive.

CAPÍTULO 10 – FAÇO

ISSO POR AMOR

THEO

Era a visão do paraíso, a verdadeira

Afrodite. Após o banho, seu corpo ficou

extasiado, a banhei cheio de carinho, e

aqui estamos, na cama sentados de frente

um para o outro, nus com o lençol

enrolado de mal jeito em nossos corpos.

Meu polegar brinca com o biquinho

de seu mamilo direito, fazendo-a morder

o canto dos lábios. Suas mãos afagam

minhas coxas, de maneira tímida. Eu

sabia que estávamos num momento só

nosso, ficamos meses longe, sentindo

saudade, e talvez medo que nosso

relacionamento não aguentasse.

Ainda não tínhamos marcado o

grande jantar para nossas famílias,

pensei em fazer isso antes, porém minha agenda de compromissos quase não me

permitiu respirar direito. Só não quero

que minha menina pense que nossa

relação é algo sem futuro.

— Eu quero, Theo. — Diz, fitando

meu rosto, suas mãos tocam minha face,

é algo que se tornou rotineiro. E, eu amo

receber seu carinho.

A fascinação, admiração e amor que

seus olhos refletem me deixam em

estado de júbilo. Laura vai conseguir

enxergar, anseio por isso. Bento,

afirmou que o doutor Logan Wilkins

atenderá meu pedido de trabalhar junto

com o doutor Gael Vasco, e sua

discrição sobre minha solicitação será

mantida.

— O que minha menina quer? —

Beijo seus dedos que passavam por

cima de meus lábios.

— Eu quero ser completamente sua,

quero fazer amor com você. Estou

pronta. — Garantiu. — Estive pensando

muito sobre isso… Tenho certeza que

quero fazer amor com você, Theo.

Respiro fundo. Consigo ver sua sinceridade, e apesar de eu estar muito

duro, ainda, ela precisa saber que nossa

relação vai além da entrega de dois

corpos, está também na mente, alma,

coração, no dia a dia.

— Acredite amor, estou louco para

fazer amor com você. Mas porque não

espera que eu prepare algo especial,

romântico, realmente não me importo de

esperar mais.

Ela sorri, e sua mão desce por meu

abdome, e para quando encontra meu

pau duro.

— Você basta, amor. Aqui e agora é o

suficiente.

Levantei da cama sem dizer nada. Fui

até o closet, e peguei duas mascaras

pretas de dormir. Ao retornar vi que

Laura parecia tensa, talvez minha saída

da cama tenha sido interpretada de

forma errada. Sentei no colchão, e beijei

sua boca rapidamente.

— Vamos apenas sentir. — Murmurei

cobrindo seus olhos com a mascará,

mesmo sabendo que ela não enxerga,

pensei que assim seria melhor, pois eu também vou usar a máscara.

Antes de pôr a máscara, abri a gaveta

do criado-mudo pegando preservativos

e os coloquei em cima da cama. Apoiei

meu peito sobre seus mamilos, fazendo-

a deitar na cama, suas pernas estavam

abertas me aconchegando exatamente

onde quero.

— Não precisa usar, se não quiser.

— Sua voz era baixa, seu dedo tocou a

máscara que cobre meus olhos.

— Eu quero.

Escorreguei meu nariz na curva de

seu pescoço, beijei e passei a língua ali

seguindo em direção a sua orelha

esquerda. Suas unhas pinicavam a pele

de minhas costas, descendo a coluna

pairando sobre minha bunda, fixando-as

ali. Sua boquinha entreaberta soltando

gemidinhos gostosos de ouvir, me

excitava por demais. Beijei sua boca,

descendo pelo seu queixo, o mordi,

esfregando meu pau na sua bocetinha.

Fiquei deitado de lado, ainda entre suas

pernas, desci meu dedo na região de sua

boceta fazendo voltas provocantes, fazendo-a arfar.

Pus o bico de seu seio na boca, o

chupei, mordi, belisquei, enquanto meu

dedo se lambuzava em seu sexo quente,

macio.

Buscou

minha

boca,

nos

beijamos sôfregos, saboreando os lábios

um do outro. Chamando o meu nome,

arqueando as costas, me agarrando,

alcançou um orgasmo gostoso.

Tateei a cama, encontrando o

preservativo. Afastei meu corpo do seu,

cobrindo meu membro, segurei suas

coxas firmes, arreganhando-a todinha

para mim. Laura me agarrou pelo

pescoço, nos deixando colados, os

corpos febris, o suor se misturando,

nosso cheiro no ambiente, e fixo em nós.

Para conter a dor que sentiria fui mais

lento, ela escondeu a cabeça na curva do

meu pescoço, e suas mãos agarraram

minhas costas como pôde. Aos poucos,

seu desconforto fora substituído pelo prazer puro. Ela voltou a deitar no

colchão e fui mais fundo, empurrava

meu pau, estava louco de tesão, sua

boceta o engolia fazendo-me rosnar,

gemer seu nome, murmurar palavras

sujas e gostosas de se ouvir. Meu

polegar estimulava seu clitóris, a beijei

com força, chupei sua língua. Laura

começou a rebolar, descontroladamente.

Sentia nosso amor no ato, não era

apenas sexo, tínhamos sentimentos

expostos. E nada melhor que sexo com

amor, estamos fazendo amor. Seu corpo

estremeceu chegando ao orgasmo, tomei

sua

boquinha

enquanto

sentia

a

maravilhosa sensação de plenitude,

gozei, e continuei metendo, até perder as

forças.

Ao recuperar minhas forças, tirei a

máscara dos meus olhos, e logo meu

olhar caiu sobre ela. Minha menina. Seu

cabelo estava bagunçado, alguns fios pregados na testa, devido ao suor, partes

de sua pele estava vermelha, seu íntimo

estava inchadinho, havia um pouco de

sangue. Tirei a máscara que cobria seus

olhos, que agora estavam mais claros,

brilhantes. A peguei no colo, e dali

cuidaria dela. Era minha.

LAURA

Eu estava me sentindo outra, parece

que meu corpo mudou. Toda vez que

beijava meu namorado sentia uma

vontade absurda de nos entregarmos a

paixão. Claro, tinha momentos que só

queríamos

namorar,

aproveitar

a

companhia.

Theo tem me cobrado muito em

querer conhecer minha família, sugeriu

que antes que ele realizasse o jantar em

sua casa, para nossas famílias, queria ter

a

oportunidade

de

conversar tranquilamente com meus pais. O

problema é que tenho receio de sua

reação ao saber que eu tenho pais fora

dos

padrões

tradicionais

que

a

sociedade tanto preza. Não sou boba, sei

que isso pode afetar sua imagem pública

indiretamente.

Ainda não nos conhecemos cem por

cento. Vivemos momentos intensos em

nosso namoro, a distância foi uma

grande prova que somos maduros o

suficiente para aguentar a saudade e

entender

que

antes

do

nosso

relacionamento,

temos

uma

vida

profissional e familiar para cuidarmos.

Essa semana precisei dar uma pausa

na escrita do livro. Necessitei estudar

para duas provas sobre a História do

Brasil. Theo entendeu que eu não

poderia comparecer ao Palácio, e a

noite ficamos conversando um pouco,

pelo celular. Havia prometido que

estaria livre hoje à tarde, combinamos

até de almoçar, porém desmarquei

dizendo

que

surgiu

um

outro

compromisso na agência.

Confesso que estou gostando de

modelar, mesmo sem poder ver, acredito

que tenho me saído bem, senão o seu

Clovis teria me dado as contas faz

tempo. Ao chegar na Angel, com minha

amiga do meu lado falando mil coisas ao

mesmo tempo a assistente de Luca,

avisou que a sessão de fotos foi

cancelada, pois estavam numa reunião

com uma marca de roupa feminina

estrangeira. E pediu desculpas por não ter ligado antes.

Estava toda animada, pois ia pedir

para Bela me deixar no Gabinete da

República, mas recebi uma ligação do

meu pai Lauro, avisando que conseguiu

marcar o ginecologista para agora, antes

do almoço. Como não haveria trabalho

na agência, decidi ir ao médico.

Falar sobre sexo com os pais de

início pode ser desconfortável, mas

depois se torna uma conversa banal.

Afinal, se todos os pais não fugissem do

assunto e explicassem por exemplo, os

riscos de fazer sexo sem camisinha,

além de uma gravidez tem as inúmeras

doenças transmissíveis. Mudaria muita

coisa. Acredito que muitos pais ainda

tratam sexo como um assunto terrível, o

que não é. Essa conversa eu tive com

meus pais aos quinze anos, e como agora

estou começando a ser ativa, é

necessário um acompanhamento médico,

manter

exames

em

dia, anticoncepcionais e as conversas que

não tenho dúvidas que fazem eu ficar

como um pimentão.

— Obrigada pela carona, Bela. —

Agradeci, abrindo a porta do seu carro.

— De nada! Depois irei te contar

algumas coisas interessantíssimas que

achei numa revista.

Não queria perguntar, mas não resisti.

— Que tipo de revista?

— Revista de autoajuda sensuais. —

Ela ri, e bufo desaprovando essas ideais

doidas.

— Sério mesmo?

— Fala sério! Tem dicas importantes,

depois eu falo para você.

Entrei no Hospital Carlos Pinheiro

Filho, sentindo logo na entrada aquele

cheiro hospitalar. Estive muitas vezes

aqui, cheguei a ficar internada, pois

realizei exames, mais foram tantos que

até perdi as contas. No elevador, levei

meu dedo indicador aos botões gelados

e contei mentalmente começando da

fileira direita de cima para baixo, e

apertei o décimo segundo andar. O

barulhinho avisando meu destino soou

pelo ambiente.

— Querida, veio de táxi? — Dobrei

a bengala, antes de responder meu pai

Lauro.

— Bela me deu carona.

— Somos os próximos. Ainda bem

que a secretária conseguiu nos encaixar

hoje.

— Parece bem ansioso para essa

consulta, pai.

— Digamos que eu não quero ser avô

agora. Sei que você é responsável e o

seu namorado também, apesar de não o

conhecer pessoalmente, seu pai disse

que o Presidente pareceu um bom rapaz.

Meus pais entenderam que prefiro

que eles conheçam Theo nesse jantar,

quer dizer meu pai Heitor já o conhece,

todavia preciso sentir a reação do meu

namorado ao saber que tem dois sogros,

que sou adotada e que meu irmão mais

novo também é adotado e negro. Essa

forma que pretendo saber se ele

realmente vai ver problemas em minha

família, é uma defesa, pois eu e meus pais passamos por maus bocados

sentindo o desprezo de pessoas que por

mais que tentassem fingir, sentíamos que

éramos excluídos.

A consulta foi tranquila, o médico

perguntou se estou sentindo algum

desconforto que considero anormal

depois do ato sexual, disse que não. Ele

pediu exame de sangue completo, apenas

de rotina e me avisou que seria bom o

meu namorado também fazer, por

questão de saúde para ambos. Entregou

uma

receita

indicando

um

anticoncepcional.

— O doutor Gael ligou mais cedo

para seu pai. Disse que o doutor inglês

já está estudando seu caso e assim que

puder virá para cá.

— Ele está aqui? — Perguntei

sentindo uma pontada enorme de

esperança.

— O doutor Gael, não está aqui. Ele

está no posto de saúde. Ele disse que assim que tudo estiver pronto vai ligar

para marcar os novos exames.

— Então… Eu realmente tenho

chance.

— Tenha fé, meu bem. Todos nós

acreditamos que você tem chance.

Almocei

com

meu

pai

num

restaurante do shopping, ele adorava o

restaurante japonês de lá. Como sai mais

cedo da universidade e fui direto para

agência, nem sequer me lembrei de

almoçar. Meu pai Heitor ligou avisando

que buscaria Marlon na escola e ficaria

com ele no pet shop. Quando saímos,

meu pai avisou que iria ao mercado e

minha vontade doida de ver meu

namorado falou mais alto e decidi ir ao

Palácio. Como os caminhos eram

opostos, peguei um táxi.

Ao chegar no Palácio do Planalto, fui

recebida pelo segurança da frente que

me conhecia, mesmo eu confirmando que sabia o caminho até o Gabinete, ele

preferiu me acompanhar. Ao entrar no

cômodo, dobrei a bengala guardando na

bolsa.

— Laura, como vai? Não sabia que

ia vir hoje. — Diz, Rosana secretária do

Theo.

Ela é uma boa moça, e as poucas

vezes que conversamos o assunto girou

em torno de suas filhas gêmeas e de seu

marido. Era uma mulher realizada e

feliz.

— Muito bem, obrigada. Theo está

ocupado?

— Não, ele parece estressado, não

estava assim mais cedo.

— Humm… Vou lá ver ele.

— Claro.

Abri a porta, e de cara inalei o

perfume gostoso de Theo. Caminhei

firme, sem medo de tropeçar, aquele

caminho eu conhecia bem. Parei quase

colidindo no seu corpo.

— Senti saudade. — Falei, pus

minhas mãos em seu rosto másculo, mas

logo ele afastou-as.

— Acho que não. — Sua voz saiu

rude, estranhei e me afastei um pouco.

— Qual o problema, amor? Eu estava

com saudade, quis ficar um pouquinho

com você, já que essa semana não nos

vimos. Deveria ter ligado, porém queria

fazer uma surpresa.

Aproximo-me novamente, querendo

abraçá-lo pela cintura, e me encolhi um

pouco, recuando um passo para trás. Ele

se afastou de mim novamente.

— Não banque a sonsa, Laura. Diga

aonde estava?

— Primeiro se acalme. Percebeu a

maneira que está falando e agindo

comigo?

THEO

A cadela do ciúme está consumindo

todo o sangue que corre em minhas

veias.

Por qual motivo ela mentiria para

mim?

Estou sendo um verdadeiro idiota por

deixar plantarem coisas na minha

cabeça. Bento e sua proteção só estão

atrapalhando meu relacionamento. Ele pediu para eu ter cuidado com minha

namorada, pois a mesma poderia se

aproveitar e vender informações sobre

mim para mídia ou quem fosse.

Agora vendo minha menina desse

jeito, decepcionada comigo, foi como

um soco na cara. O meu jeito possessivo

também não ajuda muito. Laura é

lindíssima, deixa qualquer homem aos

seus pés. Ela não ver, mas eu sim.

Pensei muito se deveria colocar ou

não um segurança na cola de Laura,

agora que estou aqui na cidade. Acabei

optando, e o profissional a encontrou no

shopping almoçando com um homem

alto, corpo magro, cabelos louros e

olhos azuis. O segurança conseguiu

localizar

rastreando

seu

celular.

Curioso, pedi uma foto. Recebi a

imagem e fiquei com muito ciúmes,

possesso por ver o homem tocando sua

mão, beijando sua mão e rosto com tanto

carinho que qualquer um veria que são um casal. Ele parece ser bem mais

velho, contudo é conservado tem um

sorriso jovial. Para completar tentei

ligar várias vezes, e nenhuma ligação

minha foi atendida.

— Por que mentiu? Disse que iria à

agência e foi se encontrar com um

homem.

— Fale logo o que sua cabeça idiota

está pensando.

Topetuda de uma figa.

— No que eu deveria pensar?

Principalmente por não atender minhas

ligações.

— Que eu jamais seria capaz de trair

você, pois o amo. Baixei todas as

guardas para viver do seu lado. E meu

celular só pode estar com algum

problema, pois… — Levou as mãos para

o bolso da calça, depois tirou a bolsa do

ombro e abriu vasculhando a mão

dentro. — Eu só posso ter esquecido

dentro do carro da Bela.

— Quem era ele?

— Meu pai.

— Eu conheci seu pai, com certeza aquele não era o seu Heitor.

— Ele é meu pai Lauro.

Eu queria me chutar. Por Deus, estava

tão cego de ciúme e medo de perdê-la

que fui um verdadeiro cretino.

— Seus pais são separados?

— Não. Eu sou filha de gays.

Fiquei tão chocado que acabei

escorando meu corpo na mesa. Não

esperava por isso.

— Então você, não é…

— Fui adotada com poucos meses de

vida. E meu irmão mais novo foi

adotado a poucos meses, aos oito anos.

— Por que escondeu isso de mim?

— Mudaria alguma coisa entre nós?

— Permaneci calado. — Sei o quanto as

pessoas

podem

ser

maldosas,

e

principalmente fingidas. Preciso saber

agora se aceita minha família, senão não

temos porque prosseguir juntos.

CAPÍTULO 11 – PONTE

DE LUZ

THEO

Pisquei várias vezes seguidas, como

se tivesse acabado de acordar. Meu

estado de estupor fora animado com as

palavras de minha namorada. Agora que

estou sabendo o que é realmente ser

feliz num relacionamento a dois, não

quero perder nada disso. Não quero

perder minha menina.

Estive pensando muito como meu

estado emocional mudou, aconteceu algo

muito bom para essa evolução. Na

verdade, é que Laura aconteceu. Desde que entrou em minha vida me desafiando

mostrando que a vida deve ser vivida

com luz, mesmo quando pensamos que

não há motivos.

— Não posso mentir, Laura. Estou

surpreso, quer dizer… Eu sei que

concordamos conhecer a família um e do

outro no tempo certo e tudo mais. No

entanto, viu no que deu? Fiquei

morrendo de ciúmes.

— Eu precisava saber se você

realmente aceitaria minha família, por isso decidi esperar. Nosso namoro não é

fácil, sabemos disso e continuamos

juntos. Tudo relacionado a mim afetará

sua imagem, isso porque ainda o mundo

não sabe sobre nós. Estou com tanto

medo, Theo. — Passou os polegares,

tirando as lágrimas dos olhos. — Tenho

medo que você perceba que não sou a

mulher certa, e termine. Acho que não

estou pronta para essas coisas que

envolvem um relacionamento. É tudo

novo para mim.

— Já falamos sobre isso, não tem

porque se sentir assim, amor meu.

Levantei me aproximando, e sentindo

minha presença recuou cruzando os

braços.

— Claro que tenho! Theo, você é um

homem feito, bem-sucedido… Talvez eu

não esteja pronta. Vai ter momentos que

não vou poder acompanhá-lo por conta

da minha deficiência, não quero ser um

peso. Não pode deixar de viver por

minha causa!

— Não posso deixar de viver por sua

causa, porque você é minha vida. —

Segurei seu rosto entre minhas mãos,

beijando sua boca de leve.

— Você mantém algum segurança me

vigiando, não é?

— Sim, Laura. É necessário agora, e

principalmente quando todos souberem

do nosso namoro.

Ela suspirou, coloquei uma mecha do

seu cabelo atrás de sua orelha. Fomos

até o sofá, e sentei fazendo-a se sentar

de lado em meu colo.

— Parece que nós dois erramos,

omitindo algumas coisas como forma de

defesa.

Se Laura ou minha família sonhar o

que planejei para mim, quando meu

mandato terminasse. Era bem capaz de

eles me acharem louco. Não tem nada

mais covarde que uma pessoa tirar sua

própria vida. Meu fim seria trágico, a

razão que estava usando para prosseguir

com esse plano era simplesmente por eu

sentir culpa. Meu avô morreu para me

proteger naquele acidente horrível, se

não fosse por isso ele estaria vivo.

— Você ainda não respondeu minha pergunta, Theo.

Peguei sua mão levando-a aos lábios

e beijei.

— Sua família agora é minha família.

Tudo que é meu, é seu, tudo que é seu, é

meu. Espero que pense da mesma forma.

— Espero que saiba que eu e minha

família podemos afetar sua imagem

política, afinal as pessoas ainda não

aceitam muito bem as famílias fora dos

padrões.

— Não importa. O compromisso que

tenho

com

meu