Minha Para Proteger
Capítulo 12: – Os Falcão
país
deve
ser
relacionado
as
minhas
decisões
políticas.
Envolvi meus braços em volta de sua
cinturinha, colando mais seu corpo ao
meu. Beijo sua boca com fome, posse.
— A sessão de fotos foi cancelada
hoje. Eu ia vir para cá, porém meu pai
Lauro ligou avisando que a consulta ao
ginecologista estava marcada.
Fiquei preocupado agora. Será que
eu havia a machucado?
— Eu machuquei você?
— Não, não, é que fui apenas para
fazer uma consulta de rotina… Hã o
doutor receitou um anticoncepcional e
sugeriu que meu namorado fizesse
exame de sangue também. — As maças
de seu rosto coraram, e sorrio com seu
jeito.
— Vou adorar fazer os exames com você, afinal estamos tratando da nossa
saúde.
— Sério que não tem problema? —
Um vinco se forma em sua testa, como
se não tivesse acreditado em minhas
palavras.
— Claro que não.
— Ok, então.
LAURA
Estava sentindo um friozinho enorme
na barriga, quando o doutor Gael ligou
marcando o primeiro dia dos novos
exames, o ar me faltou na hora. E agora
estou aqui no Hospital com meus pais.
Meu irmão ficou no pet shop com Chico
que assumiu o comando, enquanto meu
pai estivesse fora.
— Os exames de sangue já foram
encaminhado ao laboratório. — Diz, o
doutor Gael. — O doutor Wilkins tem
estudado seu caso junto com a equipe
dele. Ele está bem empenhado e os
resultados foram bons. Esses exames
são essências, pois vou comparar com
os outros exames antigos. Acreditamos
que seus olhos podem ter captado ou estão captando alguma porcentagem que
por mais que seja mínima, de visão.
— Estou confusa, pois eu perceberia.
— Talvez passou despercebido por
você. Veja bem querida, estamos
estudando seu caso clínico desde seus
oito anos, aos quinze você teve uma
mudança que trouxe muita alegria, e
infelizmente os anos passaram e só
agora voltamos acreditar que pode sim
ter existido esse progresso.
A vontade de chorar é grande. Meu
Deus, eu sempre quis enxergar. Por
muitas vezes fiquei imaginando em como
seria
esse
dia…
Se
realmente
acontecesse.
— E a cirurgia como vai ser? —
Indagou meu pai Heitor, segurando
minha mão.
— Concluímos essa etapa de
pesquisa. No entanto, o doutor Wilkins
pediu para eu relatar como será, quando ele estiver aqui. Ele pretende vir no
próximo mês, provavelmente no dia 15.
— Gael, essa cirurgia tem muito
risco?
— Lauro, todo processo cirúrgico
tem seu risco, porém Laura é uma moça
saudável, não temos o que temer.
Pela manhã não fui a universidade,
pois às 7h da manhã a secretária do
doutor Gael, ligou avisando que às 9h
estava marcado a outra bateria de
exames. Liguei para Bela avisando o
motivo de eu não ir à universidade, e
que não precisaria vir me buscar. Meu
pai Lauro ficará comigo, e meu pai
Heitor levará meu irmão à escola, e
depois vai para o Hospital.
Fiz raio-X da cabeça e dos olhos.
Depois
fiquei
no
consultório
de
pesquisa da equipe do doutor. Fizeram
perguntas e mais perguntas, e por fim
realizei exames físicos. No horário do almoço meu namorado ligou e como
esperava, o guarda-costas que colocou
para fazer minha segurança, já tinha o
avisado onde eu estava.
— Theo, desculpa mesmo. E que eu
estava tão perturbada com as novidades
que o doutor Gael disse, que nem
lembrei de ligar para você e contar.
Ouvi seu suspiro, na linha telefônica.
— Gostaria de estar aí com você,
amor meu. Acontece que daqui a exatos
cinco minutos entrarei em reunião com
os integrantes do partido.
— Não tem problema, como eu disse
antes, meus pais estão comigo.
— Mas eu não.
— Prometo que serei mais ligada e
na próxima vez avisarei.
— Acho bom mesmo, moça.
— Eu te amo.
— Eu amo você também. Qualquer
coisa me ligue, atendo na hora.
Achava loucura Theo querer me por
acima de seus compromissos políticos.
A última coisa que quero é ser uma
distração. Não posso ser egoísta ao ponto de exigir sua atenção o tempo
todo. Preciso ter em mente que ele é o
Presidente, o homem que leva o país
todo nas costas.
Antes de eu retornar a última etapa
da bateria de exames. Bela ligou
avisando que informou ao Luca, que eu
não poderia comparecer à sessão de
fotos, pois estava no Hospital fazendo
exames. Ela sabia que a questão de
minha deficiência visual, eu fazia de
tudo para “ver” o lado bom, mas no
fundo era algo que sempre mexeu
profundamente comigo.
Meu pai Heitor, precisou se ausentar
para buscar Marlon na escola, e ficar à
tarde no pet shop. Disse que não queria
exigir muito de Chico. Voltei a última
etapa dos exames, e sinceramente estava
ficando impaciente, queria ir para casa,
tomar banho, dormir, e de preferência
com Theo. Contudo, sabia que não daria
para dormirmos juntos hoje.
Às 18h fui liberada. Assim que
chegamos em casa fomos recepcionados
por um Tom animado, esses tempos não tenho andado muito com meu fiel
companheiro. Faço carinho na sua
pelagem macia, o fazendo ficar todo
dengoso.
Após o jantar, acabei indo para a
cama. Acordei com meu colchão
afundando, e logo um corpo se juntou ao
meu. Eu sabia que era meu irmão.
— Saudade da sua irmã preferida?
— Indaguei, jogando meu braço por
cima da sua cintura. Sua mão pegou a
minha e ficou brincando com meus
dedos.
— Você é minha única irmã. — Diz,
soltando uma leve risada.
Notei que meu irmão parecia mais
aéreo, pois toda vez que eu perguntava
algo era necessário repetir umas duas
vezes ou chamar sua atenção primeiro.
— Aconteceu alguma coisa?
— Ouvi nossos papais falando sobre
sua cirurgia… É que tenho um colega na
escola que me contou que a mãe dele
morreu numa operação… — Seu corpo
tremeu, sua voz ficou chorosa, abraço-o
com mais força. — Não quero perder você, Laurinha… Amo muito vocês, estar
nessa família foi a melhor coisa que
aconteceu comigo. Não quero perder
nenhum de vocês.
Sem poder conter as lágrimas, acabei
chorando também. Esse era outro ponto
que sempre me perturbou, enfim, toda
cirurgia tem seu risco. Todavia, o doutor
Gael afirmou que não devemos nos
preocupar com isso. Consolei Marlon,
dizendo que eu ficaria bem, que tudo
correria bem. E quem sabe em breve
veria seu rostinho.
CAPÍTULO 12 – OS
FALCÃO
THEO
Queria muito ter acompanhado minha
namorada nos exames que realizou.
Seria capaz de largar tudo para ficar ao
lado dela, mas como seus pais estavam
com ela, controlei essa vontade louca.
No outro dia pela manhã entrei em
contato com o doutor Wilkins via e-mail.
Ele informou todo o estudo que fez
sobre a deficiência visual de minha
namorada,
confessou
estar
bem
esperançoso, que a cirurgia seja um
sucesso. Disse que assim que estivesse
aqui, se reuniria com o doutor Gael, o qual vem trabalhando mesmo com a
distância, a parceria deu certo. Ambos
farão a operação em Laura.
O mês de julho chegou e finalmente
consegui uns dias de folga, os quais
passei com minha menina. Claro, que ela
continuava na sua rotina. Por estar
cursando
o
último
período
da
universidade, trabalhos acadêmicos é
que não falta. Avisei que enquanto ela
estivesse cuidando de seus estudos, era
para pausar na escrita do livro.
Na verdade, é que gostaria de adiar
ao máximo possível para não chegar na
parte a qual teria que falar sobre meu
avô Ricardo Medeiros. Mesmo depois
de tantos anos ainda sinto a dor da perda, ainda me recordo do acidente.
Cheguei a perder noites de sonos,
pensando no “se” , caso meu avô não
tivesse me protegido.
— O convite do aniversário do
Senador Ronaldo Oliveira. — Avisa
Bento, entrando no gabinete.
— Parece que vai ser a festa do ano.
— Falei, pegando o convite dourado.
Nunca gostei das sociais da alta
sociedade, nada contra, nada pessoal.
Só prefiro ficar em casa, mas pensando
bem… Esse evento será perfeito para
todos
saberem
que
a
topetuda
manifestante pegou meu coração de
jeito.
— Conheço essa cara. O que
pretende, Theo?
Larguei a caneta prata que contém
meu nome gravado, na mesa, e encostei
minhas costas na cadeira.
—
Pretendo
apresentar
minha
namorada ao mundo.
Ele
arqueia
a
sobrancelha,
nitidamente surpreso.
— Theo, escute o que falo. Tudo
bem, manter seu namoro longe da mídia.
Agora querer chegar nessa festa com
Laura, é demais.
— Não sou nenhum adolescente que
precisa namorar as escondidas.
— Acreditei que quando você
soubesse da família dela, iria mais
devagar com esse namoro.
— O que tem a família de Laura? —
O desafio.
— Sem charadas, Theo. Você sabe
muito bem que tudo pode afetar sua
popularidade, não estrague um trabalho
de anos. — Pôs sua agenda em cima da
mesa, e suspirou antes de continuar a
falar: — Acha mesmo que todos veriam de boa maneira o Presidente do Brasil,
namorando uma cega, adotada e sabe-se
lá sua verdadeira origem, e filha de
homossexuais? Tenho certeza que não.
— Cala boca, seu porra!
Exaltei levantando-me da cadeira,
batendo na mesa. Nunca Bento, havia me
irritado tanto. Ele sempre cuidou de
minha imagem e compromissos, não
posso negar que sempre fora um
excelente profissional e amigo. No
entanto, tudo tem limite. Quem ele pensa
que é para falar assim dos meus, pois é
isso que Laura e sua família representa
em minha vida.
—
Theo,
sei
que
pareci
preconceituoso…
— A partir de hoje me trate como
senhor ou Presidente. Pelo visto sua
amizade não é mais comigo e sim com
minha carreira política. Agora saia e
faça seu trabalho.
Às 19h fui avisado pelo segurança
que minha família havia chegado no
aeroporto, e claro quem pilotava o
jatinho era o exibido do Rafael.
Encerrei meu expediente, mas antes
precisei rever alguns compromissos que
Rosana me passou, confirmei presença
em duas reuniões.
De banho tomado, trajei uma calça
jeans azul-claro e camiseta preta,
penteei o cabelo, agora curtos, com os
dedos. E pronto. A cozinheira do
Palácio estava terminando de preparar a
refeição que seria risoto de camarão e
tortellini de bolonha com azeite.
Assim que meus pais e irmãos
chegaram
começou
o
“auê” ,
principalmente por meus irmãos e eu
estarmos juntos. Infelizmente meus avos
não puderam vir, pois o vô Albestini
pegou uma gripe daquelas e conhecendo
a vó Elisa, sabia que não iria sair de
perto do meu avô. Pediu desculpas, e me fez prometer que quando desse, eu iria
até o Rio com minha namorada,
apresentá-la a eles.
— Meu filho, que saudade. —
Abraço meu pai Enrico, o velho Falcão
continua o mesmo homem admirável. —
Está tudo bem?
— Sim, pai. Nunca estive melhor. —
Sorri.
— Querido, não sabe o quanto
estamos
curiosos
para
conhecer
pessoalmente essa moça. — Conversou
minha mãe, enchendo minhas bochechas
de beijos, depois se afastou e manteve
as mãos segurando meus braços, fazendo
a típica avaliação de mãe. — Theo,
nunca vi você tão alegre, meu menino.
Todos perceberam que fiquei mais
feliz, descolado… Parece que o amor
rejuvenesce também, pois é assim me
sinto. Rejuvenescido de corpo, coração.
— Esse com certeza é um sorriso de
um Falcão apaixonado. — Murmurou Rafael, humorado e enxerido como
sempre.
— Não seja um pé no saco, Rafa. —
Interveio meu dengo, jogando os braços
ao redor do meu pescoço. Abraço-a e
beijo sua testa com muito carinho.
Vitória traz paz e alegria.
— Senti saudade, mano.
— Juro que se não fosse irmão dela,
acabaria com você em cinco segundos.
— Falou Daniel, marido do meu dengo.
Afasto-me
de
Vitória,
para
cumprimentá-lo
com
um
abraço
verdadeiro. Esse era o cara. O homem
que conquistou a joia mais preciosa dos
Falcão. Não foi fácil, mas ele conseguiu
chegar no coração de minha irmã.
Muitos se enganam com seu jeito sério,
e muitos o temem por seu porte alto,
forte e intimidador. É sócio da Blindados, e comanda toda a segurança
da nossa família.
— Vitória, cadê meu celular? —
Indagou, Neto entrando na sala de estar.
— Oi para você também, Neto. —
Chamei sua atenção, porém o grandão
estava puto com nosso dengo.
— Eu não sei, juro! — Respondeu
tentando parecer inocente, é uma atriz de
quinta categoria. Bufei sabendo que dali
em diante teria uma típica discussão de
irmãos.
— Estou esperando uma ligação
importante. — Falou Neto, fitando nossa
irmã que fez careta. Ele direcionou o
olhar para mim e sorriu proferindo: —
Desculpa, Presidente. Como vai, irmão?
Saudade do seu irmão favorito?
Nós nos abraçamos apertado, e a
peste me levanta. Entre os irmãos, Neto
era cinco centímetros mais alto e era o
que mais parecia com nossa mãe.
— Pare de ser besta, Neto. Não é
segredo para ninguém que eu sou o
favorito do nosso irmão. — Diz Rafael,
jocoso.
— Pegue seu celular. — Vitória
estendeu o braço entregando o celular de
Neto, que pegou. — Fiz isso porque não
aguentava mais você futricando esse
treco. — Resmungou.
— Ok, meu anjo. Você tem razão,
prometo que darei atenção para todos
vocês. — Nossa irmã sorri, indo em
direção ao Neto, abraçando-o.
Sentamos e ficamos comendo alguns
petiscos. Era maravilhoso estar com
minha família. A empregada anunciou
que Laura e sua família estavam vindo
para cá. Assim que a porta do elevador
abriu fiquei absorto a beleza de minha
namorada.
Ela estava de braço dado com seu pai
Lauro, o mesmo que morri de ciúmes,
pois não sabia quem era ele antes. Seu
corpo formoso estava divino moldado
no vestido preto de corte elegante um
pouco acima dos joelhos, que tinha um
decote na região dos seios o suficiente
para me fazer ficar quente, admirado
com tamanha beleza pura. Seu cabelo
estava amarrado, seu rosto marcado por uma maquiagem leve, e seus lábios
estavam chamativos de maneira sensual
com
o
batom
vermelho.
Laura
caminhava em nossa direção, sendo
guiada pelo pai. Notei que minha menina
parecia tensa, talvez com receio da
reação da minha família. Não disse
nada, mas minha família não vê
problema algum a minha escolhida ser
filha de homossexuais.
— Vou pegar um balde, Presidente.
Assim você para de babar o tapete. —
Cochicha Rafael.
Ignoro-o, aproximando-me de Laura.
Seguro sua mão, e beijo sua testa,
depois sua boca, um beijo rápido, mas o
suficiente para deixá-la vermelha e
ascender nossos corpos.
— Boa noite, seu Lauro, Heitor. —
Abraço cada um com um largo sorriso,
depois vejo meu cunhado sorridente e
olhando a sala com muita curiosidade.
— Oi Marlon. — Aproximou-se e
abaixo-me, recebendo seu abraço, beijo
sua testa antes de levantar. — Tenho
certeza que você vai adorar a
sobremesa.
— Pode apostar que sim, Presidente.
— Ele sorri.
Começo as apresentações. Logo
sentamos
no
sofá
e
ficamos
conversando. Meus pais são muito
simpáticos e acolhedores o que torna
tudo melhor, da mesma forma são os
pais de Laura. E claro, meus irmãos
sendo as peças que são, não deixaram de
ficar com palhaçada deixando minha
menina vermelha. O cara de pau do
Rafael teve a audácia de dizer que era o
mais bom moço da família.
— Laura, quando quiser dar uma
volta de avião é só me chamar, faço
questão.
— Quando minha namorada quiser dar uma volta, eu serei o piloto, e o que
for. — Resmunguei fazendo Rafael rir.
— Ainda não entrei em detalhes com
o Theo, mas o livro será publicado pela
minha Editora, Laura. — Conversou meu
dengo.
Vitória sempre foi muito ciumenta
com relação as minhas ex-namoradas e
as atuais noivas do Rafael e Neto.
Segundo ela, sente o cheiro de “não
presta” , palavras totalmente dela. E
agora meu dengo está só sorrisos com
Laura. O que significa, ela passou no
teste.
— Eu não sabia que você tinha uma
Editora. — Comenta Laura, e minha
irmã lança um olhar irritado para mim.
— Meu dengo tem uma Editora, que
cresce cada vez mais. É um orgulho. E
com certeza será a ponte de lançamento
do livro.
— É um sínico mesmo! Fica todo
fofo só para não deixar minha esposa
brava. — Diz, Daniel recebendo um
tapa de leve no ombro.
— Eu realmente esqueci, dengo meu.
Não fique brava com seu irmão
preferido. — Falei, e Vitória logo sorri.
— Uma porra que é o irmão
preferido do nosso anjo! Eu que sou,
todos sabem disso. — Descontraiu Neto.
Estávamos bem contentes, o jantar
estava delicioso e a conversa fluía.
Laura que parecia tensa de início,
relaxou.
— Confesso que no começo fiquei
preocupada com Theo na política. —
Encarei minha mãe, recebendo um
sorriso carinhoso. — Entretanto, percebi
que era algo inevitável. E sou muito
grata por meu menino sempre manter os
pés no chão.
— Percebemos isso, Marina. — Diz,
seu Lauro. — Sabemos que nossa filha
não poderia ter escolhido um namorado
melhor.
— Theo sabe que se ficasse metido,
íamos surrar ele. — Falou Rafael,
fazendo todos rirem.
E realmente era verdade.
CAPÍTULO 13 –
LÁGRIMAS DE ANJO
LAURA
Nunca poderia ter imaginado que o
tão esperado jantar para apresentarmos
nossas famílias fosse perfeito. Adorei
conhecer a família do meu namorado.
Escutava tudo com muita atenção e
mesmo sem poder ver, eu senti que ali
tinha muito amor, respeito e amizade.
Theo tem uma família linda.
Em momento algum eles pareceram
desconfortáveis por eu ser cega ou pela
presença dos meus dois pais. Muito pelo
contrário, nos trataram bem e a conversa
era tranquila e encontrávamos pontos em
comum. E claro, Marlon conquistou
todos.
Confesso que fiquei surpresa por
minha cunhada ser dona de uma Editora,
e Theo não ter me contado sobre isso.
Senti uma energia boa quando abracei
Vitória. Acredito que minha falta de
visão tornou meus outros sentidos mais
fortes, receptivos e sensíveis. Então é
fácil eu abraçar uma pessoa e sentir seu
verdadeiro “eu” .
Não posso esquecer que meus cunhados são uma graça. Rafael e Neto
adoram irritar o irmão mais velho,
porém a cada palavra jogada, noto o
quanto
eles
se
amam…Que
não
pensariam duas vezes para dar a vida
um pelo o outro. Pode parecer drama
demais ou até fantasioso, mas o amor
nos faz pensar cada coisa, que
caramba…
Ficamos
seres
mais
sensíveis e fortes ao mesmo tempo. O
amor transforma, todavia nem todos
sabem amar do jeito bom.
— Não acredito que você me
arrastou para assistir aquele seminário.
— Reclama Bela, enquanto caminhamos
em direção ao restaurante.
— Eu, sem dúvida alguma, sou a
melhor coisa que aconteceu na sua vida.
— Ela ri, beijando minha bochecha.
— Somos irmãs, sei que nosso tipo
de amizade e raro.
Meu curso exige que eu participe da
maior quantidade possível de palestras e
seminários. É sempre bom ter uma
informação a mais.
Após o almoço fomos para Angel.
Liguei para meu namorado que não ficou
muito contente por mais uma vez eu
precisar me ausentar do estágio para ir à
agência. Cogitei a hipótese de ele
procurar outra pessoa para o estágio,
claro eu continuaria escrevendo o livro,
contudo não quero congestionar seu
tempo e trabalho. Como esperava Theo,
rejeitou.
Passei por todo o processo de miss.
Hoje o ensaio seria para uma marca de
roupa feminina brasileira que se
interessou por mim, devido aos meus
trabalhos anteriores. As peças de roupas
eram em sua maioria vestido de verão.
Segundo minha “empresária” as cores
das roupas eram alegres e com estampas
florais. No fim da sessão, ganhei alguns
vestidos, e logicamente dividi com Bela.
—
Temos
uma
oportunidade
maravilhosa para você, Laura. — Diz,
Luca assim que entramos em seu
escritório. Eu estava vestindo minhas
roupas, com Bela me esperando no
camarim. Desde aquele “acidente” não
fico mais sozinha. — Em setembro
teremos
um
desfile
de
lingerie
patrocinado por estilistas estrangeiros
que estão apostando na criação de
estilistas
brasileiros
para
depois
fazerem um trabalho conjunto.
Enruguei o nariz desaprovando a
ideia
logo
de
cara.
Tudo
bem
fotografar… Agora desfilar com centenas
de pares de olhos encarando e
comentando. Definitivamente não. Além
disso, tem meu namorado que tem uma
imagem a zelar. Não quero prejudicá-lo
mais do que já faço.
— Só de calcinha e sutiã? —
Gesticulei com as mãos. — Recuso,
Luca.
— É uma oportunidade e tanto,
Laurinha. — Cochichou Bela.
O dinheiro para comprar o terreno
consegui. Agora falta meus pais e eu
encontrarmos um pedreiro para poder
fazer as divisões, afinal não posso
abrigar os cachorros colocando-os de
qualquer maneira no terreno. Preciso dar
uma estrutura. Pedi para Chico montar
os cartazes e slogans por um programa
de computador que segundo ele é quase
profissional. Depois que tudo estiver
pronto começaremos a anunciar e
recolher os cachorros abandonados que passarão por ele, meu pai Heitor e
outros veterinários, conhecidos do meu
pai, que desejam participar dessa
caridade.
— Laura, pense bem.
— Não tenho o que pensar. E por
favor, não fique cismando que estou
querendo colocar banca. Quando seu pai
me contratou fechamos um contrato
honesto, onde ambas as partes se
comprometiam com aquilo que julgamos
correto. Além disso, não precisa ter
altura para desfilar?
— Esse desfile não tem a ver com
esses tipos estrangeiros. O fator
principal é mostrar peças em corpos
puramente brasileiro, claro vai ter
modelos altas, mas haverá de vários
tamanhos e corpos diferentes. E você
estaria representando muito bem, além
de ser a grande atração.
— Por acaso ganharíamos alguns
agrados? — Indagou a interesseira da
Bela.
Luca ri, e dou uma cotovelada no
braço da enxerida.
— Provavelmente sim.
— Laurinha, aceite logo. Você sabe
que
adoro
ganhar
peças
novas,
principalmente quando são exclusivas.
Vai aceita!
Bufei, pois não caio no charme dessa
aí.
— Preciso primeiro falar com Theo e
meus pais. Posso dar a resposta depois,
Luca?
Ainda bem que os funcionários que
estavam presente naquele mau dia,
foram bem discretos e não vazou nada
para a mídia. Sendo assim meu namoro
com o Presidente do país, é do saber de
poucas pessoas.
— Claro que sim. Espero realmente,
não, na verdade, espero muito, muito
mesmo que você aceite.
— Eu acho que não vai dar certo não.
Esqueceu que sou cega?
— Você tem postura, e lógico que haveria ensaios, ou seja, estaria
familiarizada com o palco.
— De qualquer forma primeiro irei
saber a opinião dos meus pais e
namorado.
No dia 28 de julho, doutor Gael ligou
avisando que o doutor Wilkins já estava
aqui em Brasília, e marcou para
realizarmos a consulta. Infelizmente
Theo estava no Rio Grande do Sul,
assumindo seus compromissos. Durante
a consulta minhas mãos suavam a cada
detalhe que os doutores falavam, claro o
doutor Gael traduzia com perfeição o
inglês. Marcaram minha cirurgia para o
dia 10 de Agosto, dois dias antes, eu
teria uma consulta com o anestesista e
cardiologista. Tudo uma precaução. E
todos os exames tiveram nota positiva.
Cogitei muito e conclui que preferia
fazer essa operação sem o conhecimento
do Theo. Quando ele retornou de
viagem, passei o fim de semana no
Palácio com ele, e lógico que quis saber
detalhadamente
como
foi
minha
consulta. Contei tudo, menos que a
cirurgia estava marcada. Calculista,
disse que era para ele liberar o
segurança que pôs na minha cola, do dia
10 a 12, pois era a data da cirurgia e os
outros dias ficaria de observação.
Inventei que passaria esses dias de folga
na casa, dos avos de Chico no interior,
pois estaríamos liberados das atividades
da universidade. A contragosto ele
concordou.
— Laurinha, pense bem. Ele tem
direito de saber.
— E se a cirurgia não dar certo? Eu
não quero que o Theo, tenha pena de
mim.
— Tudo bem, querida. — A voz do
meu pai Heitor saiu baixa. — Você é
quem sabe. Estou pedindo a Deus, que
tudo ocorra bem.
Eu sabia que Theo, não me perdoaria
por privá-lo de algo extremamente
importante. Caso não der certo a
operação, não precisarei me manter forte
na
sua
presença.
E
principalmente… Não sentirá pena de
mim. Isso doeria muito.
THEO
Eu sabia que tinha algo errado. Ainda
não acredito que o doutor Wilkins teve a
coragem de esconder a data que iria
operar minha namorada. O pior… Laura
não me contou. Eu perguntei e ela disse
que ainda não tinham marcado a
operação.
Assim que cheguei em Brasília, fui
direto para o Hospital. Chegando lá com
meus guarda-costas no meu encalço quis
esganar o doutor inglês. Ele explicou
que manteve segredo a pedido de Laura,
que pediu sigilo. O doutor Gael falou
que Laura preferiu apenas que seus pais
e amigos soubessem, e como ética
profissional ambos respeitaram.
Na sala de espera, encontrei meus
dois sogros. Eles explicaram o motivo de terem me mantido a cegas. Porém
nada diminuiu a raiva, estava puto
demais para responder alguma coisa.
Minha namorada fora operada ontem no
fim da tarde, e a qualquer momento pode
acordar. Estranhei o fato de ela não
atender minhas ligações, preocupado
liguei para seu Heitor que prontamente
disse que o sinal onde ela supostamente
estava com os amigos, era ruim. Sem
pensar duas vezes mandei o segurança
rastrear o celular da topetuda e aqui
estou. Larguei tudo em São Paulo para
vir para cá.
Os
dois
doutores
encarregados
apareceram e o doutor Gael falou que
Laura acordou e que logo tirariam a
faixa de seus olhos. Entramos no quarto,
e fiquei num canto.
— Laura, vamos tirar a faixa. Está se
sentindo bem? — Indagou o doutor
Gael.
Ela balançou a cabeça positivamente e respondeu:
— Sim, estou ansiosa.
A medida que o doutor desenrolava a
faixa meu coração palpitava.
— Pode abrir os olhos Laura. — O
doutor Gael mandou.
Lágrimas começaram a escorrer por
seu rosto, seus lábios tremiam.
— Querida, minha filha… — Seu
Lauro, chama sua atenção.
— Eu não consigo ver…
Até o doutor Wilkins notou sua
expressão percebendo que a operação
não deu certo. Eu estava a ponto de
chorar, todos estavam surpresos com a
má notícia.
— Não pode ser. Deixe-me examiná-
la, querida. — Pediu doutor Gael,
tirando uma pequena lanterna de seu
jaleco branco.
— Quero ficar sozinha! Saiam, por
favor! — Laura pediu se encolhendo na
cama, caminhei até lá, e toquei seu
rosto. Eu estava sofrendo junto com ela.
Ela conheceu meu toque… E
começou a chorar mais ainda. Seus pais se aproximaram e tentaram de alguma
forma consolá-la. Laura chorava mais,
seu corpo tremia.
— Por favor, podem me deixar
sozinho com ela.
Respeitaram meu pedido. Peguei sua
mão, mas logo ela a afastou se
encolhendo, como se tivesse sentindo
uma dor horrível… Por Deus, minha
menina
estava
sofrendo.
Suas
esperanças de enxergar estão afogadas,
e minha promessa fora quebrada. Isso
não é justo.
— Vamos conseguir, amor meu. —
Murmurei, e ela apertou mais ainda os
olhos.
Sem conseguir evitar desabei e ali
mesmo, comecei a chorar como a muito
tempo não fazia. Eu estava me sentindo
derrotado.
— Vai pra casa, Theo! Não quero
você aqui. — Disparou, limpando as
lágrimas. Doeu ouvir isso.
— Como vou pra casa, sendo que
você está aqui! Você é meu lar, amor
meu. — Ela balança a cabeça
negativamente.
— Eu não quero sua pena! Vai, por
favor, me dê um tempo.
— Nem pense em terminar nosso
namoro.
— Quero ficar sozinha!
Laura sentou-se na cama, ainda
chorando silenciosamente. Ela queria
ser forte, fingir e mostrar para todos que
isso não a atingiu. Sento-me ao seu lado,
de frente.
— Serei seus olhos, minha menina.
Plantei um beijo delicado em cima de
seus olhos, que estavam fechados
enquanto as lágrimas continuavam
molhando sua face. Ela encostou a
cabeça no meu pescoço, e ali ficamos
abraçados.
CAPÍTULO 14 –
PROFUNDAMENTE SUA
LAURA
Eu ainda estava me recuperando
emocionalmente. Faz uma semana desde que fiz a cirurgia. Depois que eu me
acalmei permiti que o doutor Gael
examinasse meus olhos. E novamente ele
e o doutor Wilkins vão voltar ao estudo
que fizeram sobre meu caso de má-
formação ocular para encontrar a falha.
Com muita vergonha, pedi desculpa
ao Theo, que não escondeu o quanto
ficou magoado por eu ter escondido dele
que realizaria a operação. Tenho
vontade de me bater em ter cogitado a
hipótese de afastar meu namorado, seria
a maior burrice.
Vamos lá Laura, você é mais forte
do que pensa. Ainda bem que minha
consciência funciona com todos os
parafusos. E não permitiu que eu fizesse
mais besteira.
Ainda bem que o assunto da minha
operação fracassada não ficou na boca
do povo. A última coisa que gostaria era
ter que ficar explicando o motivo da
falha, sendo que nem a equipe médica
descobriu.
Fui a última aluna a apresentar o
trabalho de Teoria da História, ao contrário de muitos, adorava expor, falar
e explicar de forma ampla e clara a
conclusão do meu trabalho. Talvez o fato
de eu não conseguir enxergar os vários
rostos e principalmente a cara do
professor eram de grande ajuda para me
manter tranquila.
Meus dois melhores amigos têm feito
de tudo para me distrair. Essa semana
Chico levou eu e Bela para nossa
lanchonete favorita. Meus pais tem sido
meu alicerce fundamental, conversamos
muito a respeito da cirurgia e chegamos
à conclusão que se Deus quis assim,
quem somos nós para julgar.
Theo me ligou todos esses dias
durante a semana. Ele como o senhor
perfeito, exigiu que eu ficasse com
minha família e amigos por essa semana.
Teve muitas vezes que pensei em ir ao
Palácio, porém ainda doía no meu
coração…Por eu ainda ser incompleta.
— Esse vestido parece perfeito.
Sinta.
Após o ensaio fotográfico para um
catálogo de moda. Pedimos permissão de Luca, para vasculharmos os figurinos
que a agência mantém em excelente
estado. E lógico são peças de roupas
caríssimas, algo que com certeza eu não
gastaria meu dinheiro.
— Nossa é muito macio. — Falei
sentindo o tecido.
Meu
namorado
com
toda
tranquilidade, informou que eu o
acompanharia
ao
aniversário
do
Senador de Brasília, o senhor Ronaldo
Oliveira. E aproveitaria a oportunidade
para oficializar nosso relacionamento
diante do batalhão da imprensa.
— É cor vinho… O corte no colo do
busto ousado, eu usaria na maior moral.
— Ela fala empolgada e sorrio.
Eu conheço as cores, pois aprendi a
dar significados reais através da
associação táteis, olfativas e textura.
Criei toda uma sensibilidade de
identificação,
principalmente
com
alimentos.
— Com certeza.
— Você sabe que eu adoro roupas
lindas.
— Bela, tem certeza que é esse? —
Passo as mãos pelo vestido. — Não
quero envergonhar Theo. Preciso estar
no mínimo maravilhosa.
— Nem comece com essa sua baixa
estima. Você melhor que ninguém sabe
que eu manjo muitíssimo sobre moda. E
pode ter certeza que esse vestido de
gala, de todos que estão aqui, é o
melhor.
— Ok, estou confiando.
— Pode confiar você vai estar
lindíssima. — Ela pausa, e ouço o
barulho. — Achei! Esse sapato é um
charme, é na cor preta.
— Droga… Esqueci que irei judiar
dos meus dedinhos. — Fiz careta,
imaginando no quanto terei que ficar de saltos-altos.
Quando que vai entrar na moda
traje de gala com All Star? Espero que
não demore muito.
— Por favor, nem cogite a ideia de ir
calçada com sapatilhas. Nada disso!
Seus lindos pezinhos vão estar de saltos.
THEO
O doutor Gael e Wilkins ainda
estavam investigando o erro que ocorreu
para o insucesso da cirurgia. Por conta
de seu trabalho, o doutor inglês precisou
retornar ao seu país, mas antes prometeu
a mim e ao doutor Gael que continuaria
com as pesquisas e sempre manteria
contato.
A raiva que tinha se aflorado do meu
corpo, por minha namorada topetuda ter
escondido o dia da cirurgia, passou. No
fim entendi seus motivos, contudo não
dou razão.
No domingo passado, convidei Laura
e sua família para almoçarmos aqui no
Palácio. A refeição estava deliciosa, e o
clima muito bom. Foi então que seu
Heitor falou mais a respeito do abrigo para cachorros abandonados que Laura,
arquitetou. Inclusive, o dinheiro que ela
tem ganhado como modelo está sendo
investido nesse projeto.
Sem minha menina saber, uni meus
sogros, seus dois melhores amigos e os
informei que na próxima semana
mandaria uma equipe de pedreiros de
uma
construtora,
pois
ficariam
encarregado de construir o projeto do
abrigo para cachorros.
Laura estava apenas de lingerie
branca, com detalhes em renda, e meus
olhos estavam fixos no seu traseiro
voluptuoso coberto pela fina calcinha.
Aos poucos seus objetos pessoais e
peças de roupas foram ficando aqui em
casa. Por ela, não estariam, mas por
mim, sim. Alertei dizendo que caso de
necessidade ela teria as suas coisas ao
seu dispor.
Fitando-a assim me dei conta que
minha menina, nem tinha comentado a respeito que dança pole dance. Esperei,
e esperei ela tocar no assunto e já não é
novidade que essa topetuda adora
ocultar as coisas de mim. E como
sempre eu preciso estar a um passo à
frente.
— Ainda preciso ligar para Bela,
senão é capaz de ela se lembrar de mim
só quando chegar na academia. — Diz,
mexendo na sua mochila.
Passamos a tarde de hoje namorando.
Muitos beijos, cafunés, conversas,
carinhos, carícias provocantes e assim
as horas foram se passando.
— Que saco! Onde deixei o
prendedor de cabelo. — Resmungou,
colocando a mão dentro da mochila. Ela
realmente sabia como me distrair.
Levantei da cama, e caminhei até ela,
me posicionei atrás de seu corpo. Laura,
logo percebeu e vi a sombra de um
sorriso quando beijei e depois mordi a
covinha que havia se formado ali. Colei
meu peitoral nu em suas costas, fazendo
o simples contato mexer com nossos
corpos. Pus seu cabelo para frente de seu ombro, passei a língua devagarzinho
pela sua nuca, mordi o pequeno tronco.
Envolvi meu braço direito por sua
cintura descansando minha mão aberta
por cima de sua boceta , coberto pela
peça íntima. Beijei sua nuca vorazmente
deixando nuances em sua pele macia,
minha boca percorria seus ombros, e ao
mesmo tempo massageava seu mamilo
esquerdo. Extasiada, tombou a cabeça
para trás, gemendo, segurando minha
nuca, exigindo mais. E assim fiz.
Parei os movimentos, e me afastei.
Sento-me na cama.
— Theo, porque…. — Ela corou, e
virou em direção da cama. Laura estava
se adaptando bem no Palácio, conseguia
andar com mais tranquilidade sem usar o
tempo todo a bengala.
Minha libido estava no auge.
Podíamos sentir nossa excitação no ar.
Apoiei meus cotovelos nos meus
joelhos, amparando meu queixo com as
mãos que coçavam para tomá-la
inteiramente nos meus braços.
— Dança pra mim, amor meu. —
Pedi encarando seu corpo com fome,
admiração.
Ela não gostou muito de eu ter visto
há meses, sua performance no pole
dance, as escuras. Há tempos venho
pensando no quanto parecia uma deusa
dançando com maestria, nada mais certo
que minha menina dançar para mim. Seu
homem.
— Ah, Theo… Eu acho melhor não.
Tenho certeza que vou travar. — De
repente ficou tímida e começou a andar
em linha reta até mim.
Acredito que não tem nada mais
bonito que um casal ser dois putos entre
quatro paredes. Não me refiro a palavra
sendo usada sobre um indivíduo, e sim a
maneira quente que um homem e uma
mulher se entregam. Sem vergonha um
do outro, ou até mesmo medo de falar
sua fantasia sexual. Se todo casal
mantivesse uma conversa franca na
cama, esquecendo os problemas do dia a
dia, nenhum ousaria olhar para o quintal
do vizinho.
— Se tem uma coisa que não deve sentir de mim é vergonha. Aqui não tem
o poste, mas temos uma cadeira ao seu
lado esquerdo.
— Não vai funcionar…
— Se vire, amor meu. Eu quero
minha dança. — Exijo, mantendo um
sorriso sacana grudado no rosto.
Enquanto ela buscou a cadeira,
andando cautelosamente. Aproveitei
para ligar o som, onde um pen drive
estava encaixado. Apertei o play, e
retornei à minha posição de antes.
Aos poucos minha Afrodite acordou,
mostrando sua sensualidade natural,
nada superficial. Tudo puro. Amava a
maneira que seu corpo se mexia, era
tanta maestria… O cabelo ondulado
balançava sutilmente, tinha um corpo
naturalmente bem-feito. Tornou-se mais
audaz virando-se de costas, rebolou.
Elevou as mãos para trás, alcançando o
fecho do sutiã, com a peça em mãos a
jogou no chão. Levantou-se e segurou na
ponta da cadeira, ali começou a oscilar,
linda.
Parou em minha frente, e sem conseguir me segurar, agarro-a pela
bunda, e beijo sua barriga, antes de
levantar e beijar sua boca gostosamente.
Faria de nossa noite, a melhor.
CAPÍTULO 15 –
ENSAIO SOBRE CEGUEIRA
LAURA
Constrangedor define exatamente a
consulta que eu e meu namorado
realizamos com o ginecologista. Um dia
antes, fizemos exames de sangue, e
levamos o resultado para o médico.
Theo acabava me deixando nervosa com
sua calma. Pode parecer loucura,
todavia eu sabia que seu lugar era ali.
Ele cuida dele, de mim… De nós dois. É
uma demonstração tão detalhada e exata
que
nenhum
matemático
saberia
demostrar.
***
— Como você define o trajeto
político de seu avô Ricardo Medeiros e
de seu pai biológico Marcus Alvarez?
Estamos no seu Gabinete. Theo
encerrou suas atividades para dar
atenção ao projeto do livro. Ontem eu
estava tão inspirada escrevendo tudo
que pesquisei e entrevistei, que foi
preciso meu pai Heitor afastar o
notebook de meus dedos que estavam
bem animados. Com o projeto do meu
TCC adiantado, algo que realizei
cuidadosamente, decidi mergulhar fundo
na escrita do livro.
— Podre.
Eu sabia que chegaríamos nessa fase.
Imagino o quanto deve ser ruim falar
algo que nos machuca de alguma forma.
Theo, havia comentando que sempre
amou o avô, mesmo sabendo o quanto
seu Ricardo Medeiros fora hediondo
com sua avó Elisa e sua mãe Marina.
Meu
namorado
confessou
que
o
perdoou,
pois
acreditava
no
arrependimento de seu avô.
— Senhor Presidente, preciso que
seja mais detalhista. — Tentei tirar a
tensão.
Ouvi um suspiro longo, e encolhi
minhas pernas no confortável sofá,
deixando o gravador em minha mão
direita.
— Sinto vergonha pelo trabalho
corrupto que meu avô e Marcus fizeram.
O que me conforta é que eles pagaram,
infelizmente hoje não estão vivos para
você e qualquer outra pessoa constatar o
arrependimento pelo que fizeram. Se
Marcus Alvarez se arrependeu, eu não
sei. Mas tenho plena certeza que meu
avô Ricardo se arrependeu.
Sua voz falhou na última frase.
Desliguei o gravador e pus no sofá,
levantei e caminhei em passos curtos até
onde ele estava sentando, na poltrona de
couro
preto.
Segundo
como
ele
descreveu, disse que aquele era o lugar
do chefão. Ri muito nesse dia.
Sentada de lado, em seu colo. Fiz
cafuné em seu cabelo macio, enquanto
sua cabeça estava preguiçosamente, na
região do meu busto. Era engraçado e
gracioso, quando eu o acolhia, sabendo
que Theo é grandão.
— Amor… Theo, eu não queria
deixá-lo triste.
Eu sou uma namorada horrível. Ao
meu favor, posso afirmar que essas
perguntas sobre os senhores Medeiros e
Alvarez, são importantes. Fazem parte.
— Você não me deixou triste. Está
fazendo o seu trabalho. É que sempre
fico melancólico quando lembro do meu
avô Ricardo.
Abraçou-me mais forte, e beijo o
topo de sua cabeça.
— Se quiser podemos esquecer essa
parte.
— Não, não. Eu realmente quero que
todos saibam a verdade, narrada no livro.
Era nítido que Theo amava o avô, a
forma delicada que fala do senhor
Medeiros, é totalmente diferente da
maneira que proferi sobre o pai
biológico. Meu coração se aperta, pois
nem imagino como a cabeça de Theo
ficou na época, ao saber das tramoias
dos senhores Medeiros e Alvarez.
— Mesmo seu avô e pai biológico
terem sido péssimos exemplos na
política do país, decidiu entrar neste
meio. Por quê?
Ele desencostou a cabeça do meu
busto e continuei fazendo carinho em sua
nuca. Continuaria com as perguntas sem
o gravador. Guardaria tudo na minha
memória.
— Eu prometi que continuaria com o
legado político da família Medeiros.
Prometi ao meu avô. Assim que reergui
o partido METP, tirei toda a sujeira.
Transformei meu partido em uma
referência de confiança.
— Desculpa a sinceridade, mas
chega a ser fantasioso pensar que um político não é corrupto. Somos plateia
de vários casos de prevaricação, que é
difícil não sentir raiva da política do
nosso país.
— Você como historiadora deveria
saber que a corrupção começou há
séculos.
Realmente, a corrupção começou há
muito tempo. Principalmente no século
XVI sobre o comercio ilegal, e
continuou
até
1850
no
período
escravagista. Infelizmente as autoridades
fingiam que não viam nada ilegal, a
maioria à base da propina. E essa
herança maldita continua durante todos
esses anos.
— Antes mesmo de eu saber o poder
que tinha em mãos, sempre mantive
minha essência. Fui filho de mãe solteira
até os nove anos de idade. Conhecer
meu pai Enrico, foi a melhor coisa que
poderia ter acontecido na vida de minha família. Ele é um espelho forte, o qual
eu e meus irmãos nos inspiramos. Não
tenho do que reclamar de absolutamente
nada, a educação que recebi me fez
crescer almejando todos os dias ser um
bom homem.
Acabei sorrindo, adorava ouvir sua
voz… Principalmente quando estava
obviamente feliz em mencionar as
pessoas que ama. Eu me sinto da mesma
forma quando penso ou falo da minha
família.
— Eu admiro muito você. —
Confesso. — Claro, ainda vou protestar
se eu achar que o senhor está fazendo
besteira. Mas, continuo o admirando.
— Gosto de você bravinha. — Beija
meu queixo. — Nosso amor fica quente.
— Cochicha, fazendo-me rir.
Comecei
o
mês
de
setembro
realizando muitos trabalhos na agência
Angel. Bela, estava cuidando muito bem de minha agenda. Luca ainda estava no
meu pé, querendo que eu aceitasse
desfilar. Por fim, aceitei, mesmo
sabendo que esse desfile poderia causar
ciúme no Theo. Tinha comentado por
cima do assunto com ele. No entanto,
não entrei em detalhes. Meus pais
concordaram, mas senti que meu pai
Heitor hesitou um pouco.
— Pare de mexer a cabeça, Laurinha.
— Pede Bela, pela décima ou sei lá
quantas vezes.
— Eu queria tanto poder me ver. —
Falei derrotada.
Faltava pouco para a grande festa do
aniversário do Senador de Brasília. A
qual meu namorado fará questão de me
apresentar oficialmente. Theo já havia
concedido algumas entrevistas as quais
declarou
o
projeto
de
estágio
universitário, e de ter me escolhido para
ser estagiaria para escrever o livro que será publicado no fim de seu mandato.
Claro, houve especulações, pois o povo
não esqueceu que eu sou a manifestante
linguaruda.
— Sabe, Laurinha nunca vi um
cachorro tão folgado como o seu.
Desde que ela começou a fazer minha
maquiagem, que Tom deitou nos pés
dela. Segundo, Bela, ele nem se mexe.
— Não o julgue.
THEO
Com as mãos nos bolsos da calça
social feita sob medida, estava ansioso
para ver minha menina. Marlon, até me
distraiu conversando comigo, é um
garoto adorável. Não há dúvidas no
quanto está feliz por ter sido abraçado
por essa família.
— Laurinha, já está pronta! —
Dispara Isabela, eufórica.
Então surgiu minha adorável e
topetuda
namorada.
Perdi
uma
respiração admirando sua silhueta, moldada de forma sensual e elegante
pelo vestido cor vinho, de gala. Se ela
pudesse enxergar o quanto é linda.
— Uau… Você tá uma gata, mana. —
Diz Marlon, nos fazendo rir.
Sim, ela está uma gata.
— Ainda bem que não estou vendo a
cara de bobo de vocês. — Murmurou
Laura, sorrindo.
Apesar dos pesares, Laura está
sabendo lidar com a falha da cirurgia.
Ela continua sendo estudada pelos
doutores responsáveis, e temos fé que
ela consiga enxergar.
— Filha querida, você está muito
linda. — Elogiou o seu Lauro,
abraçando-a.
—
Nem
pisque,
rapaz.
—
Aconselhou jocoso, seu Heitor.
Aproximo-me de minha namorada,
que sorri. Era inacreditável o quão
sensível
consegue
captar
minha
presença. Seguro sua mão, beijando-a.
— Está maravilhosa, amor meu. —
Beijo sua bochecha corada.
— E você está muito cheiroso.
LAURA
Optei em não usar a bengala. Theo,
disse que não sairia do meu lado, e
qualquer coisa que eu precisasse era só
pedir. Fazia um tempinho que estávamos
no carro, e meu namorado tentava de
todas as maneiras puxar conversa.
— Não precisa ficar nervosa.
— Impossível, Theo.
— Será que nem um presente teria a
graça de lhe acalmar?
— Presente?
— Abra a palma da mão.
Faço o que pede, logo sinto algo fino.
Toco com os dedos tentando adivinhar…
Parece uma pulseira, e tem apenas um
pequeno volume redondo.
— Mandei fazer essa pulseira para
você. A corrente é feita de ouro branco, e tem uma pequena pedra de diamante.
— Theo… Minha nossa!
— Nem queira recusar. — Pegou o
objeto de minha mão, e pôs em meu
pulso direito. — Sei que muitos veem o
diamante pelo seu valor, isso para mim é
de menos. Escolhi essa pedra preciosa,
pois segundo os povos antigos traz cura,
coragem, força e símbolo da união.
— Nossa… Eu realmente não sabia.
— Agora que está sabendo, use
sempre.
Murmurou, beijando meus dedos.
Sei que pessoas públicas devem estar
acostumadas a serem o centro das
atenções.
Theo,
estava
tranquilo,
enquanto estávamos parados na entrada
do Windsor Brasília Hotel. Nada mais
que o hotel mais luxuoso da cidade.
Ao longo da noite fui perdendo as
contas de quantas pessoas cumprimentei.
Como eu esperava, alguns convidados
foram educados outros foram falsos, tanto que a voz chegava a ser irritante.
Eles não esperavam que o Presidente do
país comparecesse com a suposta
namorada, um fato que foi confirmado
hoje e rodará o mundo todo, e
principalmente por eu ser estudante de
História, manifestante e não menos
importante, cega.
Lá fora, Theo não respondeu nenhuma
das perguntas dos jornalistas, apenas
paramos para sermos fotografados. Eu
só não esperava que dentro da festa teria
jornalistas, a mídia estava em peso.
Theo, respondeu as indagações e
confirmou com muita empolgação na voz
que estamos namorando. Eu preferi
deixar tudo nas mãos do senhor mandão,
e apenas sorria nervosamente.
— É melhor deixar o vinho comigo,
amor meu. — Tirou a taça da minha
mão.
Estamos à mesa, e a poucos minutos
havia um casal conosco.
— Ok.
— Eu vou conversar com o Senador,
vamos?
— Prefiro ficar.
— Não quero deixá-la sozinha…
Ouço um limpar de garganta.
— Pode ir tranquilo, Presidente. Eu
farei companhia a sua belíssima
namorada. — Diz a voz feminina.
Recordo-me, e da senhora que estava
sentada conosco junto com seu esposo.
— Tudo bem, dona Yanca. Qualquer
coisa me chame. Já volto, amor meu. —
Beijou minha testa, antes de se afastar.
Engatamos
uma
conversa
descontraída. Dona Yanca tem apenas
uma filha, Suzana que tem vinte anos.
Pelo que disse, está quase sem
esperança que sua filha mude, e se torne
uma
mulher
responsável.
Quando
perguntei o porquê de ela não ter tido
mais filhos… Notei a emoção em sua
voz. E não sei porque senti uma vontade
enorme de abraçá-la e confortá-la.
Muito gentil me acompanhou até o
banheiro. Estava com muita vontade de
fazer xixi… Parece que o vinho e
nervosismo não ajudaram muito. Ela
avisou que me esperaria lá fora, na
entrada do banheiro. Quando terminei,
arrumei com cuidado meu vestido. Foi
então que ouvi vozes de mulheres rindo
e falando sobre mim. Masoquista, fiquei
quietinha ouvindo a conversa:
— Juro que quando vi eles juntos
pensei que era uma jogada de imagem. O
Presidente do país quebra preconceito.
Por favor… Está na cara que só pode ser
isso.
— Ele é um homem muito bonito para
se contentar com pouco. Também acho
que tem algo por trás.
— Para piorar a coitada vai ser
professora… Minha nossa senhora!
— Eu acredito que uma hora o
Presidente gostosão vai cansar da pobre
coitada. Ninguém quer peso para as
costas. Uma hora cansa, isso é fato.
Quando escutei os passos baixos e as
vozes se distanciando, tive certeza que tinham saído. Sem conseguir conter as
lágrimas que escapavam só desejei
sumir. Alcancei a porta, e chamei por
dona Yanca. E não obtive resposta. Para
piorar a situação eu nem tinha decorado
o caminho para voltar ao salão de festas.
— Precisa de ajuda? — Indagou uma
voz feminina.
Limpei rapidamente as lágrimas.
— Sim, eu gostaria de voltar para o
salão
de
festas…
Poderia
me
acompanhar?
— Claro, vou logo atrás de você.
Siga reto a direita, e depois no final do
corredor viramos à esquerda.
Ainda meio nostálgica, prossegui o
caminho tendo como guia além da
mulher, a minha mão que encostava na
parede do corredor. Eu deveria ter
trazido minha bengala. No fim do
corredor viro à esquerda e volto a ouvir
o som da banda. Finalmente tinha chegado ao salão de festas. Continuei
andando, mas preferi parar e buscar
ajuda novamente da mulher. Chamei por
ela, e do nada a música parou e senti um
friozinho na barriga. Estava com medo
de dar vexame, não sabia se continuava
como uma estátua ou tentava caminhar
sem cair.
Suspirei fundo, sentindo meus olhos
arderem. Eu não queria chorar ali.
Decidi caminhar e acabei tropeçando em
algo e parei com tudo no chão. Eu estava
me sentindo humilhada. Não pude evitar
as lágrimas, eu escutava os murmurinhos
e risadas. Meu Deus… Eu envergonhei
Theo, na frente de todos.
Braços ergueram meu corpo, e inalei
o perfume que jamais esqueceria. Era
Theo. Estava tão envergonhada que não
era capaz nem de abrir os olhos, mesmo
sabendo que aberto ou fechado, não
consigo enxergar, não faz diferença.
Minha voz tinha sumido, queria pedir
para ele me deixar em casa. Eu só
queria ficar sozinha.
— Fala comigo, amor meu. Estou ficando preocupado.
Ele disse que estávamos no Palácio.
Theo, é perfeito. Cuidou de mim. Tirou
meu vestido, deixando-me confortável
usando apenas uma camiseta sua.
Limpou meu rosto, tirando a maquiagem
que Bela, havia feito com todo carinho.
Eu estava horrível.
Queria muito ser uma mulher segura
de si. Aquela que não se importa com
que os outros pensam. Mas caramba, não
é fácil. Eu sei de meus defeitos, muitas
vezes posso parecer chata em querer
afastar Theo de mim. Se faço isso é por
amor. No fundo, eu sabia que aquelas
fofoqueiras tinham um pingo de razão.
Eu sou limitada, vai ter momentos que
não poderei acompanhá-lo. Ele merece
viver sem peso algum.
Fechei os olhos sentindo seu polegar
afastar uma lágrima.
— Eu não queria envergonhar você.
— Nem acredito que está pensando
nisso. Você não me envergonhou. Nunca.
— Acho que precisamos nos afastar.
— Só pode ter perdido o juízo, Laura.
—
Esse
namoro…
Nós
dois
precisamos estar concentrados em
nossas coisas.
— Que desculpa mais idiota.
— Eu quero terminar.
Deixei um soluço choroso escapar.
— Problema seu, pois eu não quero.
Por que você sempre quer renunciar?
Por Deus, estamos nessa juntos. Eu
aceito você. Eu amo você. E quando
passamos por um problema é assim que
você age? Vamos lá, moça bonita… Essa
não é a manifestante atrevida que
conheço.
CAPÍTULO 16 – MEU
FAZ DE CONTA
LAURA
Eu respirava de maneira desigual.
Apertei os olhos com mais força,
tentando controlar o prazer. Seus lábios
acariciavam minhas costas úmidas, devido ao recente banho que tomamos
juntos. Theo era feroz na cama. Sabia
proporcionar coisas que jamais pensei
sentir por um homem.
Ele
moveu-se
um
pouquinho
deixando sua perna grossa entre minhas
pernas. Respirei fundo, quando senti a
ponta de seu nariz percorrendo minha
nuca, descendo até alcançar o início de
minha bunda. Escorregou o corpo, e sua
respiração quente batia ali, causando
arrepios por todo meu corpo. Gemi
quando apertou meu bumbum com força,
antes de passar a língua no meu ânus,
deixando-me mais úmida, ambiciosa.
Agarrei o lençol com mais força,
algumas lágrimas saltavam de meus
olhos de puro prazer, amor. Eu aprendi
enxergar Theo, apenas explorando seu
rosto, corpo, ouvindo sua voz. Usando
meus outros sentidos. No entanto, não
deixava de imaginar como ele deve ser
um homem lindo.
Se eu pudesse fazer um pedido,
pediria a Deus dar visão aos meus
olhos. Para eu olhar o rosto das pessoas
que mais amo, nem que fosse por
pouquíssimos minutos. Já valeria a pena.
— Delícia, amor meu. — Murmurou,
antes de voltar a deitar sobre mim,
beijando meus lábios. — Adoro comer
essa boceta com a minha boca.
Virei,
agarrando
seu
pescoço,
puxando-o para mais perto possível.
Toda vez que ele falava assim….Oh
céus, eu ficava mais doida. Seu peso
esmagava meus mamilos, sua mão
grande
apertava
minha
bunda,
espremendo-a. Seu pau duro, esfregava
gostosamente em meu ventre, descendo
um pouco alcançando minha boceta
dolorida. Nem parecia que tínhamos
feito amor duas vezes, durante o banho.
Theo me pega de uma maneira… Que
caramba, falta palavras. Ele é gostoso
demais.
Theo tem razão, não posso renunciar
o que sentimos. Seria o fim do absurdo.
Claro, que gosto de manter minha faceta
forte, porém sou um ser humano como
qualquer outro. Tem horas que me canso,
e quero seguir o caminho mais fácil. E
se possível evitar sofrimento.
THEO
Bento não estava feliz, pois estava se
desdobrando para dar conta da mídia.
Odiei ver minha menina triste pelo que
aconteceu no aniversário do Senador. O
infeliz acontecimento só a fez pensar
besteiras e novamente colocar nossa
relação em jogo.
Busquei as informações que eu
queria. A filha mimada da dona Yanca
Teixeira foi a responsável por ter
humilhado Laura. Segundo a senhora
Teixeira, ela acompanhou Laura até o
banheiro, e decidiu esperar na porta da
entrada. Ela até queria entrar, mas
segundo a mesma o marido a chamou.
Quando retornou ao banheiro viu que
Laura já não estava lá dentro, e saiu a sua procura, infelizmente a encontrou
justo no momento em que estava caída
no palco e sua filha Suzana estava rindo.
Nem preciso afirmar o quanto fiquei
puto. Quando vi minha namorada em
cima do palco, e os murmurinhos
ordinários comentando o que não
deveriam. Fiquei em alerta, porém
cheguei tarde e Laura já tinha tropeçado
em um fio. Só queria tirá-la de lá e
protege-la, até que seu coração se
curasse dessa tristeza. Seria hipocrisia
eu dizer “eu sei como ela se sentiu”,
todavia,
estaria
sendo
o
maior
mentiroso. Eu não sei, mas imagino.
Agora entendo porque minha menina
pensa em recuar. Ela tem medo de ser
machucar. E quem não tem?
Por consideração a família Teixeira,
decidi não colocar vergonha na cara da
Suzana. Dona Yanca, prometeu que faria o que deveria ter feito há muito tempo
com sua única filha. Iria por limites. A
família Teixeira é grande financiadora
do meu partido. São honestos e corretos,
por isso mantive.
Ser Presidente não é fácil. Por Deus,
as vezes tenho vontade de sair correndo
do Palácio. Quando respiro fundo e
fecho os olhos, lembro-me de minha
promessa. Estou cumprindo, é o mínimo
que posso fazer em memória do meu
avô. Passo a ponta do polegar acima da
sobrancelha direita, onde tem apenas
uma cicatriz sutil. Tudo que eu tive
daquele terrível acidente foi essa marca.
— Está velho demais para jogar
futebol. — Gritou meu irmão Rafael, na
outra parte do campo.
Aproveitei
a
folga,
mais
que
merecida, para jogar futebol no campo
próprio do Palácio. Liguei cedo para
meus irmãos, pedindo que passassem o dia comigo aqui em Brasília. Aceitaram
na hora. Acho que nós três estávamos
precisando desse momento de distração.
Tomamos café da manhã juntos às
10h, fomos para piscina, almoçamos e
depois de um tempinho descansando nas
espreguiçadeiras seguimos direto para o
campo. Eles voltariam no começo da
noite para o Rio de Janeiro.
— Eu sou o mais velho e o mais
bonito. Aceite, irmão. — Brinquei, após
driblar a bola de Neto, fazendo um gol.
Deixando ele e o Rafa putos.
Estávamos
como
três
crianças.
Aproveitando uma tarde de verão, sem
preocupação alguma. Sentamos na
grama, descansando nossas respirações.
— Sua namorada nunca quis procurar
os pais biológicos? — Indagou Neto.
Taí. Uma coisa que deixava minha
língua coçando. Eu poderia fazer isso
por minha menina. Entretanto, Laura
esclareceu que não tem interesse. Que para ela sua família sempre será Lauro,
Heitor e Marlon. Comentei com minha
família a respeito, lógico que eles
queriam saber tudo relacionado a mulher
que pregou o sorriso no meu rosto.
— Não, vocês sabem. Eu já tinha
comentado.
— Sei lá… Geralmente sempre surge
a curiosidade de descobrir a verdadeira
origem. — Diz, Rafael tirando a
chuteira.
Contei a eles o que aconteceu no
aniversário
do
Senador.
Ficaram
indignados.
Com
poder,
consegui
proteger a imagem da minha namorada.
A última coisa que queríamos era a
humilhação que fora armada para ela,
exposta.
Quando meus irmãos foram embora.
Tomei um banho, e trajei uma bermuda na cor preta, e camiseta verde-escuro e
calcei meu sapatenis osklen. Ontem
minha namorada avisou que hoje seria o
dia inteiro de ensaio para o tal desfile.
Vou até a Angel, verificar de perto como
minha menina irá desfilar. Depois vamos
jantar num restaurante bacana.
Pedi para o motorista Paulo esperar
no carro. Acho que não irei demorar
tanto lá dentro. Para evitar chamar tanta
atenção preferi que Paulo dirigisse um
carro comum, e não a habitual SUV. E os
guarda-costas também estão dirigindo
carro
popular
e
usando
roupas
informais. Queria pelo menos ter uma
noite, não sendo conhecido. Difícil, mas
é possível.
A
recepcionista
descreveu
o
caminho, e parece que nem notou que acabará de falar com o Presidente.
Estaquei na entrada da sala de desfile.
Laura, estava usando apenas uma
lingerie rosa-clara. Exibindo toda sua
beleza natural e obviamente fazendo
todos os homens ali presentes babarem
nela. Não me importo se eles são
profissionais. Eles estão olhando, e eu
estou com a cadela do ciúme no coro.
Não pensei duas vezes. Estava
decidido acabar com a porra toda. Um
véu vermelho caiu sobre meus olhos, de
tão possesso que eu estava. Respirei
fundo, e segui até o palco do desfile.
Atraindo olhares e algumas exclamações
surpresas, não me importei. Joguei
Laura, nos ombros. E caminhei na
passarela improvisada.
— Mas, o quê? Theo? Ai meu Deus!
Isabela apareceu no caminho junto
com o cão guia da minha namorada, e eu
disse apenas que cuidaria de Laura.
Perguntei a um funcionário onde ficava o
camarim. Dentro do cômodo pus a
topetuda no chão, as maças de seu rosto
estavam avermelhadas, seu busto subia e descia de forma atraente. Ela estava
quente. Gostosa.
— Qual o seu problema? — Cruzou
os braços, fazendo os mamilos ficarem
maiores. Ah céus. Ela é linda.
— Nenhum. Você estando vestida
minha vida fica bem melhor.
— Eu falei sobre o desfile…
—
Nem
vem
com
gracinhas,
topetuda. Acha que sou idiota? A
senhorita esqueceu de avisar que iria
desfilar quase pelada.
Ela ri nervosa.
— Olha, tá certo. Você tem razão.
Mas é meu trabalho, e já me
comprometi.
— Não quero saber!
— Eu só pretendo modelar até a
formatura. Então pare de criar caso.
— Se está fazendo isso pela
construção do abrigo, saiba que já
cuidei de tudo. Falta pouco para terminarem a obra.
Ela abriu e fechou a boca duas vezes.
Ela parecia surpresa.
— Não precisava fazer isso. Planejei
tudo, nem posso acreditar.
— Por que não? Eu faço tudo por
você.
Acaricio seu rosto, passando o
polegar pelos lábios carnudos.
— Theo, deu muito trabalho para eles
me ensinarem certinho como desfilar.
Entrarei primeiro sozinha, para não ter
perigo de eu esbarrar em outra modelo e
colocar tudo a perder. Sinceramente
pensei em desistir depois… Daquela
tragédia.
— O problema é que não quero
nenhum outro homem paquerando o que
é meu. Amor meu, irei morrer de
ciúmes.
Ela sorrir, abraçando-me.
— Vai nada. Por favor, será a
primeira e última vez.
— Promete?
— Caramba, será que vão querer
denegrir sua imagem?
— O povo precisa entender que
minhas decisões perante o país, não tem
nada a ver com minha vida pessoal.
LAURA
Desde a trágica noite, no aniversário
do Senador, Dona Yanca mantém contato
comigo. Ela é sempre muito carinhosa e
adorava conversar, principalmente saber
sobre mim. Fiquei satisfeita quando
contou que tirou todo o conforto da filha.
Não sou vingativa, mas pelo que dona
Yanca falou da filha Suzana, só assim
essa moça aprenderia a não brincar com
as pessoas.
Isabela foi junto comigo a rádio
principal da cidade. Eles queriam me
entrevistar, como modelo. Afinal eu
estava estampando várias capas de
revistas, representando algumas marcas
de roupas e lingeries. O que não agradou
muito o meu namorado.
O desfile foi um verdadeiro sucesso.
E juro que pensei que teria um treco na
hora. Estava com medo de cair da
passarela ou tropeçar. E mostrei mais
uma vez que sou mais forte, e que minha falta de visão não me deixou totalmente
limitada. Theo, estava na plateia. E
acabei relaxando, mesmo sabendo que o
senhor Presidente estava louco para me
tirar da passarela.
Desde o desfile, Isabela recebe
propostas a meu respeito, além de
entrevistas para revistas de moda e dois
programas de TV locais, gostariam da
minha participação. Obvio que todos
queriam saber do meu namoro com o
Presidente. Como uma boa menina pulei
todas. Era algo muito íntimo, não queria
me expor e nem a ele dessa maneira.
É engraçado como as coisas mudam
de uma hora para outra. Assim que
cheguei em casa senti no “ar” um clima
pesado. E estava certa. O motivo é que
dona Yanca disse em bom som, mesmo
com a voz embargada que eu poderia ser
sua filha. A filha que abandonou, pois na
época, seus pais me tiraram de seus
braços e simplesmente me descartaram
para um orfanato. Ainda pensaram em
deixá-la ficar comigo, mas quando
souberam de minha cegueira, preferiram me abandonar.
— Filha querida, por favor, diga
algo. — Falou meu pai Lauro, tocando
minha mão.
Meu Deus, eu nunca quis saber de
meus pais biológicos. Simplesmente
porque sou muito grata por ter meus pais
Lauro e Heitor. E agora essa senhora
aparece e joga essa bomba. Não sinto
raiva dela, não sinto nada. Afinal, como
criar um elo se nunca tivemos convívio.
No entanto o baque da notícia fez
crescer uma curiosidade.
Esses quase dois meses, dona Yanca
realmente se aproximou. E pensei que
ela tinha visto em mim uma amiga, e
nada mais. Agora todas as peças se
encaixam.
Ela
estava
sondando,
buscando respostas.
— Acho que deviríamos fazer um
exame de DNA. — Falei, suspirando.
— Claro que sim, mas eu não tenho
dúvidas. Eu passei anos procurando você, minha filha. Quando retornei ao
Brasil, e vi sua foto na revista Poder,
juro que algo dentro de mim falou que
era você. Estava receosa, com medo de
eu estar vendo coisas onde não tinham.
Por isso preferi esperar. E na festa do
Senador, quando conversamos… Minha
nossa, foi tão bom e natural. Analisei
seus gestos. Essa minha aproximação
durante esses quase dois meses foi
essencial.
— Nem pense que vai tirar nossa
filha de nós! — Exclamou meu pai
Heitor.
Acho que ele esqueceu que sou maior
de idade. Sempre será eles.
— Nunca. — Disse firme. — Eu
devo muito há vocês dois.
— Então o meu pai é seu marido,
certo?
— Eu não tenho certeza se Geovane é
seu pai.
— Como assim? — Indaguei
nervosa.
— Na época tive outra relação…
Com pouca diferença de tempo.
— Seu marido sabe disso? —
Perguntou meu pai Heitor, num tom
preocupado.
— Sim… — A voz dela saiu
melancólica. — Você pode ser filha de
Geovane ou Marcus Alvarez.
Não, não, não! Ela não pode estar
dizendo um absurdo desses. Essa mulher
só pode estar louca.
— Mentirosa! Tire ela daqui pai! —
Bradei,
sentindo
dificuldade
para
respirar.
Levantei do sofá, e senti a mão de
meu pai segurando meu braço.
Por favor, meu Deus. Isso não.
— Por favor, Laura, me escute…
Você pode ser filha de Geovane, mas…
Não me odeie. Minha filha, eu…
Tapei minhas orelhas, odiando as
palavras que ela disse. Eu não posso
sonhar com essa possibilidade de ser
meia-irmã de Theo. Meu Theo.
CAPÍTULO 17 –
CORAÇÕES QUEBRADOS
LAURA
As voltas que a vida dá nos
surpreende de maneira extraordinária.
Em pensar que o homem da minha vida,
poderia ser meu meio-irmão chegava a
doer. Graças a Deus, nossa história fora
escrita de maneira menos dramática.
Tínhamos problemas demais para lidar.
Minha cabeça estava a mil, por isso
interrompi a escrita do livro. Foquei em
meu TCC, e nos trabalhos da agência.
Com o sucesso do desfile, e como eu
esperava, todos ficaram chocados por
saber
que
uma
deficiente
visual
conseguiu desfilar e sorri para todos que
assistiam. Mostrei mais uma vez que sou
mais forte.
O mês passou como um borrão,
estava contando os dias para o mês de
novembro terminar e finalmente termos
o resultado do exame de DNA. Nem preciso entrar em detalhes, pois o alívio
da confirmação que Geovane é meu pai
biológico, me fez respirar melhor.
Dona Yanca queria um convívio
comigo, não neguei, mas deixei claro
que ela nunca poderia recuperar o tempo
perdido. O laço de amor maternal eu
tenho fielmente por meus pais Lauro e
Heitor. Confesso que fiquei enjoada por
saber que ela sempre foi apaixonada por
Marcus Alvarez. Era mais uma das
diversas
amantes
do
ex-Deputado
corrupto. Pior ainda saber que ela tivera
relação íntima com ele, enquanto o
mesmo estava preso. Ela se submeteu de
forma vergonhosa.
Ainda bem que ela percebeu que
Geovane, é o homem de sua vida. Que
apesar de um começo difícil, imposto
pelas famílias, devido ao patrimônio,
descobriram o amor. Na época seus
pais, hoje falecidos, não queriam
escândalo na família, pois dona Yanca tinha quase certeza que eu era filha de
Marcus
Alvarez,
o
ex-Deputado,
sentenciado por corrupção e outras
sujeiras de embrulhar o estômago. A
família rica seria vista de forma
diferente, além disso, eu nasci cega. Isso
pesou na balança.
Percebi pela voz do senhor Teixeira
um carinho, e gostei disso. Afinal somos
unidos pelo sangue. O exame de DNA
confirmou
qualquer
dúvida.
Eu
realmente sou filha de Yanca e Geovane.
O que me fez lembrar que tenho uma
irmã que, aparentemente, não gosta de
mim. Só o fato de ela ter caçoado, se
aproveitando da minha falta de visão,
deixou evidente que a confiança será um
problema entre nós duas.
— Não vai comer essas batatas
fritas? — Indagou Chico, e senti seus dedos atrevidos tirando a batatinha dos
meus dedos.
— Agora, não mais.
— Você está muito pensativa. —
Comentou Bela.
— Estou pensando no amanhã. —
Baixei os ombros soltando um suspiro
preocupado. — Theo, acha que deve
algo aos Teixeira, em relação nosso
namoro. Ele quer fazer o certo
oferecendo um almoço.
— Precisamos de homens assim no
Brasil. — Diz humorada, arrancando um
sorriso dos meus lábios.
— Se forem começar a falar das
qualidades
infinitas
do
senhor
Presidente, eu vou embora. Isso é
conversa de menina. — Resmungou
Chico.
O desconforto que eu estava sentindo,
era o fato da minha meia-irmã parecer
ter mudado da noite para o dia. Ela tem
ligado, apenas para saber como estou.
De início pensei que fosse coisa dos
meus pais biológicos. Porém acho que
dona Yanca e seu Geovane não
forçariam a barra. Sinceramente tenho
confiança zero na minha irmã.
No dia do resultado do exame, ela
parecia um tanto melosa para o lado de
Theo. Sempre falando o nome dele,
como se quisesse sua atenção a todo
custo. Tentei esquecer esse episódio,
todavia não consigo.
— Acho ótimo você ouvir. Assim o
senhor aprende a tratar sua futura
namorada.
— Nem comece, Bela.
— O que eu perdi? — Perguntei,
antes de tomar um gole do meu
refrigerante.
Aliás foi uma briga para eu conseguir
tomar, pois Bela estava reclamando,
exigindo que no lugar, deveria ser suco.
Nunca que batata frita combinaria com
suco.
— Chico está paquerando a filha do
reitor, Laurinha.
— Brenda? Sério?
— Sim, é verdade. Estamos nos
conhecendo há um mês. Era segredo,
mas acho que a universidade toda deve
estar sabendo.
—
Lógico
que
todos
estão
comentando. É o assunto do momento.
— Murmurou Bela.
— Só espero que o reitor Tourinho
lhe aceite como genro. Pois é bom
lembrar que ele me odeia, e vocês são
meus melhores e únicos amigos….
— Ah porra!
— É parece que não vai ser nada
fácil conquistar o sogrão. — Caçoou
Bela da cara do nosso amigo.
THEO
Inacreditável, pois mesmo depois de
morto, Marcus Alvarez, ainda deixou
sua raiz da discórdia. Se Laura fosse
minha meia-irmã, meus sentimentos não
mudariam.
A
surpresa
seria
desagradável, mas nada que mudasse o
amor que sinto. Obvio que o pecado
seria uma pedra grande para eu carregar,
e honestamente, não me importaria de
perder minha vaga no paraíso. O que
duvido que tenha, pois, meu plano triste
no fim do meu mandato estava traçado.
No
entanto,
Laura
chegou
e
simplesmente aconteceu.
Contei toda a novidade à minha
família. Minha mãe ficou abalada com o
meu estado emocional. A tranquilizei
afirmando que estava bem. Minha avó
Elisa, cobrou mais uma vez em conhecer
minha namorada. Ela entendeu que os
compromissos do dia a dia, ou melhor,
meu compromisso com o país inteiro me
sobrecarregava e as folgas que eu
conseguia, eram gastas do lado de minha
Afrodite.
Fiz questão de organizar um almoço
para a família Teixeira, pois assim
deixaria claro minhas intenções com
Laura. Mesmo sabendo que meu dever
era totalmente com meus sogros. O
almoço
começou
de
maneira
constrangedora,
notei
o
quão
emocionados, estavam dona Yanca e seu
Geovane. O olhar de admiração que
tinham direcionados a Laura, exibia
arrependimento, alegria. Infelizmente
Suzana atuava bem diante dos pais.
Ela que continuei pensando que me
engana.
Bento apareceu pedindo licença,
informando que precisava assinar um
projeto social. Sussurrei para minha
namorada que não iria demorar, e sai da
sala de estar. No escritório li o
documento do referido projeto. Estava esperando a opinião de um sociólogo, e
pelo visto ele aprovou tudo. Assinei
entregando o documento ao meu
assessor.
Retornei à sala, e acabei sorrindo
quando vi minha namorando com um
sorriso lindo. Os pais biológicos
estavam rindo de algo, e minha cunhada
estava em pé, num canto, assistindo a
cena com um olhar sério. Ao notar
minha presença mudou a postura se
aproximando do sofá, onde seus pais
estavam sentados.
Entrei na conversa, e toda vez que
Suzana puxava papo comigo, fazia
questão de respondê-la de forma seca,
sem prolongar. Entendi perfeitamente
que ela estava jogando seu “charme” ,
porém a cortei escancarando que jamais
faria algo para magoar minha namorada.
LAURA
Estava adorando sentir o vento
batendo em meu cabelo trazendo frescor.
Era domingo, e meu namorado tirou o
dia inteiro para curtir com a família que
veio hoje de manhã do Rio, para passar o dia inteiro conosco. Finalmente
conheci os avos de Theo. Dona Elisa e
seu Albestini, são muito divertidos, e
mesmo sem poder ver o rosto deles,
notei pela voz o quão amorosos são.
Eles se desculparam por não terem
participado do jantar, pois infelizmente
seu Albestini estava com uma gripe
daquelas, e cuidadosa como é, dona
Elisa preferiu que ficassem em casa.
Mesmo assim me fez prometer que iria
passar alguns dias com eles na cidade
maravilhosa.
Sorri, imaginando a famosa cidade
carioca. Pelo que sei é belíssima, pena
que não poderei enxergar… Chegava a
ser cômico eu desejar conhecer o
mundo, sendo que não poderei gravar
nada na memória.
Sim, isso é um saco.
Minha família também está presente,
assim como meus dois melhores amigos.
A pouco, Bela estava narrando a partida
de futebol, a qual meu namorado exibido
fez questão de cochichar no meu ouvido
que é o melhor, em campo. Estou me contentando apenas com o barulho deles