Musa Velha
Francisco Palha reúne nesta coletânea sua veia satírica e o gosto pelo verso de tom coloquial. Os poemas alternam ironia e melancolia, como se vê na abertura, uma dedicatória que discute sem pudor o ofício de escrever e publicar. Em “Dona Morte”, a Morte sobe a escada do poeta, senta-se à beira do leito e conversa com ele num diálogo que mistura humor macabro e reflexão sobre a finitude. A linguagem guarda a ortografia do século XIX, com imagens vivas e um ritmo que corre solto entre o cômico e o grave. Publicada no Porto em 1883, a obra mostra o poeta português brincando com temas sérios sem perder a leveza. Leitura para quem aprecia sátira em verso e a tradição lírica lusitana.
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