O segredo do talento: 52 estratégias para desenvolver suas habilidades

Parte 2: Desenvolvimento das Habilidades

As pessoas das incubadoras de talentos

têm uma relação diferente com a prática.

Muita gente vê os treinam entos com o um m al necessário, algo m uito m enos interessante ou im portante do que o grande j ogo ou a grande perform ance para a qual a pessoa precisa se preparar. Mas nas incubadoras de talentos que visitei a prática era o grande evento, o centro do m undo, o foco da vida diária. Essa perspectiva leva ao sucesso porque depois de algum tem po a prática adquire um caráter transform ador se for executada corretam ente, de form a intensiva. Para alcançar esse nível de prática é preciso se esforçar, ou sej a, ir um pouco além da sua capacidade atual, passando um tem po na zona de dificuldade que cham am os de “ponto ideal”. Para isso é necessário criar um espaço de prática que lhe perm ita continuar com prom etido com o seu obj etivo, testar suas habilidades ao longo do tem po, superar-se e praticar repetições, para que suas ações se tornem rápidas e autom áticas.

A seção anterior referia-se à preparação. Esta é voltada para a ação:

estratégias e técnicas sim ples para direcioná-lo à prática intensiva e afastá-lo da arm adilha da prática superficial.

DICA 13

ENCONTRE O PONTO IDEAL

Você aprende m elhor e m ais rápido quando alcança determ inado lugar bem no lim ite da sua capacidade. É o cham ado ponto ideal. Vej a com o saber se você j á o encontrou:

[Zona de conforto]

Sensação: facilidade, ausência de esforço. Você está trabalhando, m as não está se esforçando.

Porcentagem de tentativas bem-sucedidas: acim a de 80%.

[Ponto ideal]

Sensação: frustração, dificuldade, consciência dos erros. Você está totalm ente em penhado num a luta intensa − e dá tudo de si para chegar a um a m eta quase inalcançável, fica a um passo de conseguir, m as, com o não tem sucesso, tenta de novo.

Porcentagem de tentativas bem-sucedidas: entre 50% e 80%.

[Zona de sobrevivência]

Sensação: confusão, desespero. Você foi superado. Está se debatendo, se sentindo derrotado, tentando pensar no que fazer. Às vezes você adivinha qual atitude tom ar, m as por sorte.

Porcentagem de tentativas bem-sucedidas: abaixo de 50%.

Para com preender a im portância do ponto ideal, vej a o caso de Clarissa, um a clarinetista de 13 anos que foi obj eto de estudo de Gary McPherson e Jam es Renwick, dois m usicoterapeutas australianos. Clarissa era um a m usicista com um em todos os quesitos: capacidade, hábitos de ensaio e m otivação. Um a m anhã, porém , algo incrível aconteceu: Clarissa conseguiu executar em cinco m inutos o que norm alm ente conseguiria apenas depois de um m ês de prática.

Foi assim : Clarissa tocou algum as notas, errou e ficou paralisada, com o se o clarinete estivesse dando choque. Leu novam ente as notas na partitura e cantarolou-as baixinho. Em seguida, ensaiou os m ovim entos só com os dedos, sem tocar no instrum ento. Pouco depois, voltou a tocar o clarinete um pouco m ais rápido, e com eteu outro erro. Parou e voltou ao início. Dessa m aneira, trabalhando instintivam ente, ela acabou aprendendo a m úsica. McPherson calculou que Clarissa aprendeu m ais num intervalo de cinco m inutos do que teria aprendido num m ês inteiro praticando da m aneira habitual, ou sej a, tocando a m úsica toda sem dar atenção aos erros.

Por quê? Visualize as conexões do cérebro de Clarissa nesses cinco m inutos. Toda vez que errava, ela percebia o erro e corrigia-o, o que a fazia ativar as conexões certas no cérebro. Em cada repetição do trecho, ela fortalecia essas conexões e as interligava. Clarissa não estava apenas ensaiando, m as desenvolvendo o cérebro. Ela tinha alcançado o ponto ideal.

Para atingi-lo, é necessário um pouco de criatividade. Por exem plo, alguns j ogadores de golfe treinam suas tacadas debaixo d’água, onde os m ovim entos ficam m ais lentos, o que facilita a correção dos erros; e alguns m úsicos tocam as canções de trás para a frente, o que os aj uda a entender m elhor a relação entre as notas. Os m étodos são diferentes, m as o padrão subentendido é o m esm o: procure form as de se superar. Vá ao lim ite de sua com petência.

Pergunte a si m esm o: se eu desse o m áxim o de m im , o que eu quase conseguiria? Estabeleça o lim ite da sua capacidade atual e vá um pouco além disso. Esse além será o seu ponto ideal.

DICA 14

 

ABANDONE O RELÓG IO

 

A prática intensiva não é m edida em horas ou m inutos, m as pelo núm ero de tentativas e repetições de alta qualidade que executam os − basicam ente, pela quantidade de conexões novas form adas no cérebro.

Em vez de contar o tem po, conte tentativas e repetições. Não diga “Vou praticar piano por vinte m inutos”, m as sim “Vou tocar essa m úsica nova cinco vezes”. Em vez de treinar no cam po de golfe por um a hora, planej e dar 25 boas tacadas. Não estude um texto por um a hora; prefira fazer ficham entos para avaliar o que aprendeu. Ignore o relógio e chegue ao ponto ideal, m esm o que sej a por poucos m inutos.

DICA 15

DIVIDA AS TAREFAS EM BLOCOS

Todo m undo j á deve ter ouvido o seguinte na infância: Faça um pouco de cada vez. Esse conselho é válido porque reflete exatam ente com o nosso cérebro aprende. Toda habilidade é divisível em pedaços m enores, ou blocos.

Os blocos estão para as habilidades assim com o as letras do alfabeto estão para a linguagem . Isolados, são praticam ente inúteis, m as com binados com outros blocos (palavras) que, por sua vez, com binam -se com blocos ainda m aiores (frases, parágrafos), podem form ar um todo com plexo e belo.

Para com eçar a dividir as habilidades em blocos, prim eiro registre sua habilidade na m ente (vej a Dica 2). Depois, pergunte-se:

1) Qual é o m enor elem ento que eu posso dom inar desta habilidade?

2) Que outros blocos se relacionam com esse prim eiro?

Pratique um bloco isolado até dom iná-lo. Depois, conecte-o a m ais blocos, um por um , exatam ente com o faria com letras para form ar um a palavra. Em seguida, vá form ando blocos m aiores, e assim por diante.

Alunos da Escola de Música Meadowm ount cortam as partituras com tesoura e colocam os pedaços dentro de um chapéu, de onde sorteiam os trechos. Depois de aprenderem os blocos separadam ente, eles j untam as partes na ordem certa, com o se fossem peças de um quebra-cabeça. “Fazer isso funciona porque os alunos não estão tocando a m úsica de form a autom ática. Eles estão pensando”, diz Sky e Carm an, um a das professoras de violino da escola.

Independentem ente da habilidade que você desej a desenvolver, o padrão é sem pre o m esm o: enxergue o todo, divida-o em partes, j unte os blocos de form a ordenada e repita a operação.

DICA 16

PROCURE CONSTRUIR UM

BLOCO PERFEITO POR DIA

 

Em m eio a um a vida agitada, às vezes é tentador considerar que atingim os um obj etivo pelo sim ples fato de term os praticado. O verdadeiro obj etivo, porém , não é a prática, m as sim o progresso. Com o diz John Wooden: “Nunca confunda um a sim ples atividade com realização.”

Um m étodo útil é determ inar um a MPA (m enor perfeição alcançável) por vez. Nessa técnica, você escolhe um bloco específico que queira aperfeiçoar − não só m elhorá-lo, m as conseguir executá-lo de form a cem por cento correta. Por exem plo, um j ogador de tênis pode querer m elhorar seu saque; um vendedor, um a técnica específica de venda. A ideia é parar para definir um alvo sim ples e depois dar o m áxim o de si para alcançá-lo.

Ninguém se transform a de um dia para o outro. É necessário ir m elhorando aos poucos, conexão por conexão, repetição por repetição.

DICA 17

NÃO FUJA DA LUTA

 

Em todas as incubadoras de talentos que visitei, de Moscou a Dallas, passando até pelo Brasil, vi nas pessoas o m esm o sem blante: olhos apertados, m axilares retesados, narinas dilatadas, o rosto de alguém que se esforça bastante para conseguir algum a coisa. Não é coincidência. A prática intensiva tem um aspecto em ocional revelador e provoca um a sensação que pode ser resum ida em um a única palavra: luta.

A m aioria de nós evita a luta de form a instintiva, porque é algo desconfortável, que associam os a fracasso. No entanto, quando se trata de desenvolver talentos, lutar não é opcional, e sim um a necessidade biológica. Essa constatação pode parecer estranha, m as reflete a form a com o evoluím os. A luta e a frustração que sentim os no lim ite de nossa capacidade − aquela sensação bastante desconfortável do “quase lá” − são resultantes do desenvolvim ento de novas conexões neurais, um fenôm eno que Robert Bj ork, psicólogo da UCLA, cham a de “dificuldade desej ável”. Nosso cérebro funciona com o nossos m úsculos: sem esforço não há resultado.

DICA 18

É MELHOR PRATICAR CINCO MINUTOS POR DIA

DO Q UE UMA HORA POR SEMANA

 

No contexto da prática intensiva, pequenos “lanches” diários dão m ais resultado do que um a grande “refeição” por sem ana. Isso acontece por causa do ritm o de desenvolvim ento do nosso cérebro − de form a gradual, um pouco por dia, até enquanto dorm im os. A prática diária, m esm o que por apenas cinco m inutos, acelera esse processo. Quando o intervalo entre as práticas é m uito m aior, nosso cérebro é obrigado a correr atrás do prej uízo. É com o diz Shinichi Suzuki, idealizador do m étodo Suzuki de ensino m usical: “Pratique nos dias em que você com e.”

E quanto deve durar a prática diária? Certa vez, Hans Jensen, professor de violoncelo da Universidade Northwestern, deu aulas para um aluno de m edicina que estava sem tem po e queria praticar apenas dois m inutos por dia. O professor, trabalhando de m aneira sistem ática, dividiu um a m úsica em partes, focando prim eiro as m ais difíceis. O aluno conseguiu aprender conteúdos bastante com plexos em seis sem anas. “Ficam os chocados por ter dado certo”, Jensen conta. “O segredo foi foco total e rigidez para corrigir qualquer m ínim o erro assim que ele ocorria.”

Outra vantagem da prática diária é que ela se torna um hábito. O ato de praticar − encontrar tem po para isso e fazer direito − pode ser visto com o um a habilidade em si, talvez a m ais im portante de todas. Não tenha pressa. De acordo com algum as pesquisas, costum a levar cerca de 30 dias para um a pessoa desenvolver novos hábitos.

DICA 19

INVENTE DESAFIOS INTELIG ENTES E VICIANTES Treinos e exercícios rem etem à ideia de esforço e de falta de sentido, de algo m ecânico, repetitivo e chato. Os desafios, por outro lado, estão ligados a diversão, conectividade e entusiasm o. Por causa disso, desenvolvem os habilidades de m aneira m uito m ais rápida quando praticam os por m eio de algum j ogo.

Leia a biografia de qualquer personalidade bem -sucedida e você descobrirá histórias que envolvem desafios viciantes. O golfista Rory McIlroy, por exem plo, brincava de acertar bolas de golfe na m áquina de lavar da fam ília. Warren Buffet, o bilionário investidor, vendia chicletes de porta em porta, tentando descobrir que sabor faria m ais sucesso; Keith Richards, no início dos Rolling Stones, tentava tirar de ouvido alguns riffs de guitarra que escutava em um velho disco de blues.

Bons m entores têm o prazer de transform ar as atividades m ais m undanas − sobretudo as desse tipo − em desafios. O princípio central é: se algo na sua prática puder ser contabilizado, pode virar um desafio. Por exem plo, apenas repetir um a série de acordes no violão é entediante. Mas, se você contar o núm ero de vezes que toca certo e der a si m esm o um a nota para cada acorde perfeito, o ensaio se torna um j ogo. Acom panhe seu progresso e vej a quantos pontos você faz em sete dias. Na sem ana seguinte, tente m elhorar a pontuação.

DICA 20

PRATIQ UE SOZINHO

Praticar sozinho funciona porque é a m elhor form a de encontrar o ponto ideal no lim ite da sua capacidade e desenvolver disciplina, pois não depende dos outros. Um fam oso estudo voltado para a área m usical com parou alguns dos m elhores m úsicos do m undo com excelentes m úsicos iniciantes. Os pesquisadores descobriram que os dois grupos eram m uito sem elhantes em todos os aspectos da prática, exceto um : os m úsicos veteranos praticavam sozinhos cinco vezes m ais do que os iniciantes.

Anson Dorrance, treinadora de futebol fem inino da Universidade da Carolina do Norte, disse: “A im agem que tenho de um cam peão é um suj eito inclinado, ensopado de suor, exausto, quando não há ninguém por perto.”

DICA 21

PENSE POR MEIO DE IMAG ENS

Qual das seguintes instruções é m ais fácil de lem brar?

A) Volte com a raquete seguindo um a linha horizontal.

B) Volte com a raquete com o se estivesse indo de um a ponta a outra de um a

parede.

A) Cante a frase baixando a voz aos poucos.

B) Cante a frase com o se você fosse um balão esvaziando.

A) Toque as cordas do violão da form a m ais suave possível.

B) Toque as cordas do violão com o se elas estivessem queim ando seus dedos.

As opções B são m ais fáceis de lem brar porque as im agens, m uito m ais do que as ideias abstratas, facilitam a com preensão, a m em ória e a execução, um a vez que o cérebro passou m ilhões de anos evoluindo para registrar cenários com elem entos concretos.

Sem pre que possível, crie um a im agem nítida para cada bloco de habilidade que você queira desenvolver. Elas não precisam ser elaboradas, apenas fáceis de lem brar.

DICA 22

RECONHEÇA SEUS ERROS ASSIM Q UE COMETÊ-LOS

 

Quase todos nós som os intolerantes a erros. Quando com etem os um equívoco, nosso instinto nos incentiva a passar por cim a dele, ignorá-lo e fingir que nada aconteceu. Isso não é bom , porque, com o vim os, os erros são pontos de referência para o aperfeiçoam ento. Estudos de m apeam ento do cérebro revelam que, após com eterm os um deslize, tem os 0,25 segundo para escolher um dos seguintes cam inhos: reconhecê-lo ou ignorá-lo. As pessoas que optam por assum ir que erraram aprendem m uito m ais do que as outras.

Desenvolva o hábito de reconhecer seus erros assim que com etê-los. Não retroceda, não feche os olhos. Encare-os de frente para entender o que aconteceu e o que você pode fazer em seguida para m elhorar. E leve-os a sério, m as nunca para o lado pessoal.

DICA 23

VISUALIZE SEU CÉREBRO FORMANDO AS

CONEXÕES CERTAS A PARTIR DOS

ERROS Q UE VOCÊ COMETE

 

Quando chegam os ao ponto ideal no lim ite da nossa capacidade e ultrapassam os esse ponto, form am os e fortalecem os novas conexões no cérebro. Os erros são inform ações utilizadas para criar as conexões certas. Quanto m ais prestarm os atenção nos erros e os corrigirm os, m ais conexões certas serão desenvolvidas no cérebro. Visualizar esse processo vai aj udar você a enxergá-los de outra form a, ou sej a, com o ferram entas para desenvolver habilidades.

DICA 24

PRATIQ UE MAIS PARA ACELERAR

SUAS CONEXÕES CEREBRAIS

 

Toda vez que você pratica de form a intensiva, as conexões do seu cérebro são estabelecidas m ais rápido. Com o tem po, a velocidade dos sinais cerebrais aum enta de 3,2 km /h para 320 km /h. Ao praticar, visualize as conexões do cérebro sendo estabelecidas cada vez m ais depressa, porque, na verdade, é exatam ente isso que acontece. (Para saber m ais a respeito, vej a o Apêndice.)

DICA 25

DIMINUA O ESPAÇO DE PRÁTICA

 

Espaços de prática restritos são bons porque a pessoa que faz seus treinam entos em lugares assim acaba executando m ais repetições e com m ais intensidade, o que evidencia o obj etivo. O Barcelona, considerado um dos m elhores tim es de futebol do m undo, oferece um bom exem plo disso em seus treinos. O m étodo deles é sim ples: dois j ogadores treinam com um a bola em um a sala um pouco m aior do que um banheiro. Ganha quem consegue m anter a posse de bola por m ais tem po. Esse j ogo sim ples aj uda a desenvolver o dom ínio de bola, um a habilidade fundam ental, pois cria um a série de situações inesperadas que os j ogadores precisam enfrentar para m elhorar o próprio desem penho. Eu usei um a variante dessa ideia para ensinar táticas de defesa ao m eu tim e de beisebol, e realizam os treinos m uito produtivos num espaço do tam anho de um a sala de estar.

Essa dica não se aplica som ente ao espaço físico. Poetas utilizam m étricas que os obrigam a criar dentro de um espaço lim itado − o haicai, por exem plo. Com ediantes usam os 140 caracteres do Twitter para aprim orar suas habilidades. Algum as em presas tam bém utilizam esse procedim ento: a Toy ota instala sua linha de m ontagem em um a única sala, com réplicas de seus equipam entos em tam anho m enor, para treinar novos funcionários. A em presa concluiu que o treinam ento se torna m uito m ais eficaz quando é feito dessa form a.

Pergunte-se: “Qual é o espaço m ínim o necessário para desenvolver m inhas habilidades? O que posso m odificar para elim inar o espaço extra que talvez estej a m e im pedindo de estabelecer um a com unicação m ais fluente e rápida?”

DICA 26

VÁ MAIS DEVAG AR

(MUITO MAIS DO Q UE VOCÊ IMAG INA)

 

Quando aprendem os algo novo, nossa tendência natural é querer fazer de novo m ais rápido. Esse desej o faz todo o sentido, m as tam bém pode levar a pessoa a ser negligente, sobretudo se ela estiver desenvolvendo habilidades de alta precisão (vej a Dica 8). A precisão − e o desem penho duradouro – é trocada pela em oção tem porária. Por isso, vá com calm a.

A prática excessivam ente lenta perm ite que enxerguem os os erros com m ais nitidez para então poderm os corrigi-los. É utilizada em m uitas incubadoras de talentos para ensinar habilidades de alta precisão − do clube de tênis Spartak (em que os j ogadores sacam num a velocidade tão lenta que parecem bailarinos clássicos) à Escola de Música Contem porânea Septien (onde os cantores aprendem as m úsicas novas cantando um a nota de cada vez). Ben Hogan, cuj a tacada de golfe é considerada um a das m ais técnicas de toda a história do esporte, costum ava praticar executando m ovim entos tão lentos que a bola não se m ovia m ais do que 2 centím etros quando o taco a acertava. O que im porta não é a rapidez, m as a lentidão com que você consegue executar determ inada tarefa da m aneira correta.

DICA 27

FECHE OS OLHOS

Um a das form as m ais rápidas de intensificar a prática é tam bém um a das m ais sim ples: fechar os olhos. Os m úsicos utilizam essa técnica há m uito tem po para aprim orar os sentidos e a precisão, m as ela tam bém funciona para outras habilidades. Michael Jordan praticava arrem essos de olhos fechados; oficiais da Força de Operações Especiais da Marinha am ericana aprendem a desm ontar e rem ontar suas arm as ou a arm ar barracas em m eio à escuridão total; praticantes de ioga e artes m arciais fecham os olhos para aum entar a consciência do corpo e o equilíbrio.

O m otivo é sem pre o m esm o: quando não enxergam os, som os levados rapidam ente ao lim ite de nossa capacidade, ao nosso ponto ideal; dessa form a, evitam os distrações e fazem os com que outros sentidos sej am apurados.

DICA 28

SIMULE

Nas incubadoras de talentos, você verá pessoas sim ulando tacadas de golfe e raquetadas, tocando piano na m esa e esquiando com os pés fixos no chão. Parece loucura, m as do ponto de vista da prática intensiva faz m uito sentido. Elim inar todos os detalhes de um a execução, exceto os essenciais, vai aj udá-lo a focar o que m ais im porta: a ação certa.

DICA 29

Q UANDO FIZER CERTO, REG ISTRE O MOMENTO

 

Um a das ocasiões m ais gratificantes de um treinam ento é quando conseguim os fazer a prim eira repetição perfeita. Quando isso acontecer, pare.

Repasse a cena em sua m ente. Mem orize o sentim ento, o ritm o, as sensações físicas e m entais. A ideia é registrar esse m om ento, pois você vai querer que ele se repita sem pre. Esse será o novo ponto de partida, e não o fim , do desenvolvim ento de suas habilidades, até elas serem executadas de form a autom ática. Kim berly Meier-Sim s, do Centro Sato (que aplica o m étodo Suzuki de ensino m usical), disse: “A prática começa quando acertam os.”

DICA 30

TIRE VÁRIOS COCHILOS

 

Esta é um a das m inhas dicas favoritas. O cochilo é prática com um nas incubadoras de talentos e tem j ustificativas tanto curiosas quanto científicas. As curiosas: várias personalidades históricas eram adeptas do cochilo – Leonardo da Vinci, Napoleão, Winston Churchill, Thom as Edison, Ronald Reagan, John Kennedy, John D. Rockfeller e Einstein (que tirava vinte m inutos após o alm oço). E m uitas equipes esportivas profissionais fazem uso dessa prática.

A científica: o cochilo contribui para o processo de aprendizado, porque aj uda a fortalecer as conexões form adas durante treinam entos e prepara o cérebro para estabelecer novas conexões. Pesquisadores da Universidade da Califórnia (Berkeley ) revelaram que cochilar por 90 m inutos m elhora a m em ória em 10%, enquanto ficar acordado direto dim inui essa habilidade em 10%. “Você precisa dorm ir antes de tentar aprender, de m odo a deixar o cérebro com o um a esponj a seca, pronto para absorver novas inform ações”, afirm ou o Dr. Matthew Walker, condutor da pesquisa.

DICA 31

PARA APRENDER UMA NOVA HABILIDADE, EXAG ERE

 

Pense na form a com o pais ensinam palavras novas para filhos pequenos. Eles prolongam cada som , enfatizam cada sílaba de m aneira exagerada. Existe um bom m otivo para isso: exagerar nos aj uda a perceber onde estão os lim ites.

Para aprender um a nova habilidade, exagere. Se o novo m ovim ento exigir que você levante a perna, levante-a até o teto. Se for para tocar violão, faça m uita força com os dedos. Caso a ideia sej a enfatizar um argum ento durante um a palestra, gesticule bastante. Não sej a tím ido. Exagere para sentir os lim ites da habilidade e depois trabalhe de m odo a desenvolvê-la com precisão.

DICA 32

FOQ UE O Q UE PRECISA DAR CERTO

 

Existe um m om ento antes de cada repetição em que nos deparam os com um a escolha: focar o obj etivo (o que querem os fazer) ou o possível erro (o que querem os evitar)? Esta dica é sim ples: foque sem pre o que precisa dar certo, não o que pode acontecer de errado.

Por exem plo: um j ogador de golfe que se prepara para um a tacada leve deve dizer a si m esm o “Centralize a tacada”, e não “Cuidado para não bater dem ais à esquerda”; um violinista diante de um trecho difícil de um a m úsica deve pensar “Vou acertar o lá bem ol” em vez de “Ai, m eu Deus, tom ara que eu não erre aquele lá bem ol”. Os psicólogos cham am essa m entalização de “enquadram ento positivo” e possuem inúm eras teorias sobre a influência que esse pensam ento tem sobre o subconsciente. O im portante é saber que focar aquilo que querem os realizar é sem pre m elhor do que dar atenção ao que querem os evitar.

DICA 33

PARA APRENDER COM UM LIVRO, FECHE-O

 

Im agine que daqui a um a sem ana você vá fazer um teste sobre as próxim as 10 páginas deste livro. Você tem 30 m inutos para se preparar. Que m étodo de estudo vai aj udá-lo a tirar a m elhor nota?

A) Ler as 10 páginas quatro vezes seguidas e tentar decorar o conteúdo.

B) Ler as 10 páginas um a vez, fechar o livro e escrever um resum o.

A segunda opção é de longe a m ais eficaz. Pesquisas revelam que as pessoas que escolhem a estratégia B lem bram -se, a longo prazo, de um conteúdo 50% m aior do que o assim ilado por quem escolhe a estratégia A. Isso acontece por causa de um a das principais regras da prática intensiva: o aprendizado está relacionado ao esforço. Ler um livro de form a passiva, palavra por palavra − o que é relativam ente fácil −, não o leva ao ponto ideal.

Em contrapartida, fechar o livro e fazer um resum o nos obriga a determ inar os pontos principais (um a série de esforços), processar e organizar ideias de m odo que elas façam sentido (m ais esforço) e escrevê-las (m ais esforço ainda, além de repetição). A equação é sem pre a m esm a: quanto m aior o esforço, m aior o aprendizado.

DICA 34

USE A TÉCNICA SANDUÍCHE

 

A prática intensiva resum e-se a identificar e corrigir erros. Tendo isso em vista, surge um a pergunta inevitável: qual é a m elhor m aneira de não repetir erros? Um a delas é usar a técnica sanduíche. Funciona assim :

1. Faça o m ovim ento certo.

2. Faça o m ovim ento errado.

3. Faça o m ovim ento certo novam ente.

O obj etivo é consolidar o m ovim ento certo e evidenciar o erro, para evitar que ele passe despercebido e sej a assim ilado pelo circuito de conexões do cérebro.

DICA 35

USE A TÉCNICA 3 X 10

 

Esta técnica sim ples foi desenvolvida pelo Dr. Douglas Fields, neurologista do Instituto Nacional de Saúde de Bethesda, em Mary land, e pesquisador nas áreas de m em ória e aprendizado. Fields descobriu que o cérebro form a conexões m ais fortes quando é estim ulado três vezes, com intervalos de descanso de 10 m inutos após cada estím ulo. Tradução na prática: para aprender algo da m aneira m ais eficaz, pratique três vezes, com intervalos de 10 m inutos entre as repetições. “Aplico esse m étodo em m inha própria vida, e funciona”, garante Fields. “Por exem plo, para aprender um a parte difícil de um a m úsica no violão, toco essa parte, vou fazer outra coisa por 10 m inutos, depois toco de novo, e assim por diante...”

DICA 36

INVENTE EXPERIMENTOS DIÁRIOS

 

A rotina nas incubadoras de talentos inclui vários pequenos testes. Os testes não têm em basam ento científico, e o fato de conseguir ou não executá-los não é considerado um veredicto − são apenas exercícios dirigidos, form ulados por pessoas bem -sucedidas e professores.

Por exem plo, Tiger Woods faz um a autoavaliação tentando acertar determ inada quantidade de tacadas num a distância específica todos os dias. Na Escola de Música Meadowm ount, os professores costum am fazer um teste surpresa, quando colocam um a nota de 5 dólares no violoncelo ou violino do aluno. Se ele tocar sem errar, fica com o dinheiro. Robert Lansdorp, treinador dos cam peões de tênis Pete Sam pras, Tracy Austin e Lindsay Davenport, utiliza um m étodo sim ilar, m as coloca notas de 10 dólares dentro de pequenos cones laranj a. Quem acerta o cone fica com o dinheiro. Os professores não veem isso com o suborno, m as sim um a form a de m otivar. Hans Jensen, professor de violoncelo, explicou: “O obj etivo é aj udar o aluno a dar m ais de si. Existem m uitas form as de fazer isso. Não im porta se é com dinheiro, chocolate, elogios ou qualquer outro estím ulo.”

Para form ular um bom teste, pergunte-se: “Quais são os elem entos fundam entais desta habilidade? Com o treinar a precisão, ou a confiança, e avaliá-la? De que form a posso fazer com que o processo sej a divertido, rápido e executado várias vezes, de m odo que eu consiga acom panhar o m eu progresso?”

DICA 37

PARA DEFINIR O MELHOR MÉTODO DE PRÁTICA,

UTILIZE A AVALIAÇÃO R.E.P.S.

 

O m aior problem a na hora de escolher um a estratégia de prática não é o fato de existirem poucas opções, m uito pelo contrário. Existem alternativas dem ais. Com o identificar os m elhores m étodos? Esta dica serve para avaliar a eficácia da prática. Cham a-se R.E.P.S., e cada letra da sigla refere-se a um elem ento fundam ental da prática intensiva.

R: Repetição e esforço

E: Envolvim ento

P: Propósito

S: Solidez e rapidez no feedback

Elemento 1: Repetição e esforço. A prática o coloca no lim ite de sua capacidade e de seu esforço, e inclui inúm eras repetições?

Situação: dois professores de m atem ática ensinando tabuada para 30 alunos.

O professor A escolhe um aluno para escrever a tabuada no quadro. O professor B opta pelo form ato “program a de auditório”: apresenta oralm ente um a conta de m ultiplicação para a turm a inteira e escolhe um aluno para responder.

Resultado: o professor B escolheu a m elhor opção, porque assim fez todos os alunos se esforçarem a cada questão, j á que qualquer um poderia ser cham ado. Na turm a A, apenas um aluno precisa se em penhar; todos os outros ficam observando.

Elemento 2: Envolvimento. A prática exige m uito de você? Requer atenção? Você precisa estar em ocionalm ente envolvido para alcançar a m eta?

Situação: dois alunos de trom pete estudando para aprender um trecho difícil de um a m úsica.

O aluno A toca o trecho 20 vezes.

O aluno B tenta tocar o trecho sem errar nada, cinco vezes seguidas. Quando com ete um deslize, volta ao início do trecho.

Resultado: o aluno B fez a m elhor escolha, porque o m étodo o faz ficar m ais envolvido com a atividade. É chato tocar o trecho de um a m úsica 20 vezes seguidas, acaba parecendo um a obrigação. Em contrapartida, tocar cinco vezes de form a im pecável, tendo que voltar ao início caso haj a algum erro, faz com que haj a bastante envolvim ento com a prática.

Elemento 3: Propósito. A tarefa o conecta diretam ente com a habilidade que você desej a desenvolver?

Situação: dois tim es de basquete vêm perdendo j ogos por errarem lances livres.

O tim e A pratica lance livre no fim do treino. Cada j ogador faz 50 tentativas.

O tim e B pratica lance livre durante o treino. O j ogador que recebe a falta faz o arrem esso, m esm o cansado e sob pressão, situação igual à de quando está j ogando um a partida.

Resultado: o tim e B fez a m elhor escolha, porque sua prática está conectada com a habilidade que eles desej am desenvolver, ou sej a, ser capaz de fazer lances livres em condições de pressão e cansaço.

Elemento 4: Solidez e rapidez no feedback. A pessoa recebe inform ações precisas sobre o que está fazendo certo e o que está fazendo errado?

Situação: dois alunos do ensino m édio tentando m elhorar as notas para conseguir entrar na faculdade.

O aluno A passa um sábado inteiro fazendo um sim ulado e recebe o resultado um a sem ana depois.

O aluno B passa um sábado fazendo um a questão por vez; assim que consegue term iná-la, confere o resultado e revisa detalhadam ente cada erro.

Resultado: o aluno B fez a m elhor escolha, porque o feedback é im ediato. Saber logo o que ele fez de certo e errado vai aj udá-lo a assim ilar a m atéria. Receber o resultado um a sem ana depois surtirá pouco efeito.

A ideia dessa avaliação é sim ples: quando estiver diante de dois m étodos de prática ou quando inventar um novo teste ou j ogo, escolha a opção com o m aior índice de R.E.P.S. O m ais im portante é prestar atenção na form a de praticar. Pequenas m udanças de m étodo podem gerar grandes resultados na velocidade de aprendizado.

DICA 38

PARE ANTES DE FICAR EXAUSTO

No caso de m uitas habilidades, principalm ente esportivas, m édicas e m ilitares, a regra é executá-las até a exaustão com pleta. Esse procedim ento tem seus m éritos, sobretudo porque faz a capacidade física e a resistência m ental se aprim orarem , além de fortalecer os laços em ocionais entre os m em bros de um grupo que está trabalhando j unto.

Entretanto, os cientistas são categóricos em afirm ar que a exaustão é inim iga do aprendizado. A fadiga faz o cérebro ficar lento, o que produz erros, reduz a concentração e leva a pessoa a executar m al suas tarefas, criando hábitos negativos. Não é por acaso que a m aioria das incubadoras de talentos prefere que as práticas sej am executadas na parte da m anhã, quando as pessoas estão descansadas. Ao prim eiro sinal de exaustão, pare.

DICA 39

PRATIQ UE IMEDIATAMENTE

APÓS UMA PERFORMANCE

 

A dica anterior foi sobre a im portância da prática quando estam os descansados. Esta refere-se a outro m om ento im portante, que vem logo após um a perform ance, um j ogo ou um a com petição. Nessa hora, praticar provavelm ente é a últim a coisa que você desej a fazer, m as deve ser a prim eira − caso não estej a com pletam ente exausto. Praticar nesse m om ento específico vai aj udar você a identificar seus pontos fracos e a corrigi-los. Com o disse o j ogador de golfe Jack Nicklaus: “Meus treinos m ais produtivos são sem pre depois de um a partida. É quando os erros que eu com eti no j ogo ainda estão frescos na m inha m ente. Vou para o cam po e trabalho especificam ente em cim a deles.”

DICA 40

ANTES DE DORMIR, ASSISTA

A UM FILME MENTALMENTE

 

Este é um hábito m uito útil que aprendi com alguns dos m elhores profissionais de diferentes áreas, desde cirurgiões até atletas e com ediantes. Um pouco antes de dorm ir, eles produzem m entalm ente um film e de com o seria a própria perform ance ideal. Várias pesquisas com provam que essa visualização aum enta o desem penho, a m otivação, a resistência m ental e a confiança. Considere esta dica um a form a de acelerar o m otor da sua m ente inconsciente, de m odo que ela passe m ais tem po funcionando para realizar suas m etas.

DICA 41

TERMINE COM ALG O POSITIVO

Um a sessão de prática deve term inar com um a boa recom pensa. Pode ser um j ogo predileto ou algo m ais palpável (chocolate costum a funcionar bastante). Minha filha de 10 anos term ina a prática de violino com sua m úsica preferida: “Old Joe Clark”.

DICA 42

SEIS MANEIRAS DE MELHORAR COMO MENTOR

 

Mais cedo ou m ais tarde, não im porta o que você faça, acabará se tornando um m entor ou um professor. Pode ser em casa ou no trabalho, m as, quando acontecer, é bom que você tenha algum as habilidades básicas. Apresento aqui seis dicas que aprendi com os grandes m entores que conheci:

1) Use os primeiros segundos de sessão (ou aula) para se conectar emocionalmente

Pare um m om ento e procure se lem brar do m elhor professor que j á teve. Se você for com o a m aioria das pessoas, suas lem branças não estarão relacionadas tanto ao que ele fez, m as sim a com o ele fez você se sentir.

O ensino eficaz baseia-se na confiança, e todo indivíduo decide se vai confiar em alguém nos prim eiros segundos de interação. É por isso que bons professores, sobretudo no prim eiro encontro, j á com eçam a aula tentando se conectar num nível em ocional com os alunos. Existem m uitas ferram entas que facilitam essa conexão − o contato visual, a linguagem corporal, a em patia e o hum or são as m ais eficazes. Independentem ente da ferram enta, não deixe de utilizá-la. Antes de com eçar a ensinar, você precisa m ostrar que se im porta com os outros.

2) Evite discursos longos. Em vez disso, transmita a informação aos poucos, de forma clara

Muitos film es retratam m entores com o pessoas que fazem discursos inspiradores e se posicionam de form a nobre diante dos alunos. Nenhum a representação poderia estar m ais distante da realidade. Grandes m entores não se posicionam “diante”, m as “ao lado” dos indivíduos que aj udam . Não fazem discursos longos; transm item inform ações aos poucos, de form a clara.

Com o treinador de um tim e de beisebol, eu estava habituado a dar instruções para a equipe inteira ao m esm o tem po. No entanto, depois de passar um tem po com grandes treinadores, percebi que o m elhor seria transm itir m ensagens curtas, obj etivas e direcionadas para cada j ogador, um de cada vez. E fazer isso funcionou m uito m ais. Além de agilizar o aprendizado, o processo tam bém fortaleceu os laços de com unicação.

O im portante não é conseguir fazer um discurso longo e significativo, m as transm itir de form a intensa e concisa um a m ensagem que leve as pessoas a alcançarem o obj etivo certo.

3) Não seja vago

Um dos erros m ais com uns dos m entores é ser vago e im preciso. Por exem plo, quando um treinador de beisebol diz a um rebatedor que “levante um pouco m ais a m ão”, a que altura ele deve levantar? Até o om bro? Acim a da cabeça?

Para evitar essa situação, utilize um a linguagem obj etiva. Por exem plo:

“Levante um pouco m ais a m ão” é vago. “Levante a m ão até a altura da orelha” é obj etivo.

“Toque um pouco m ais rápido” é vago. “Toque na velocidade do m etrônom o” é obj etivo.

“Por favor, entrose-se m ais com a equipe de vendas” é vago. “Por favor, reúna-se com a equipe de vendas por 10 m inutos todos os dias de m anhã” é obj etivo.

Todo bom ensinam ento é baseado em transm itir inform ações com dados obj etivos. Use substantivos e núm eros exatos − coisas que você possa ver, tocar, m edir − e evite adj etivos e advérbios, que não dizem exatam ente o que fazer.

4) Estabeleça critérios de avaliação

A vida é cheia de critérios de avaliação: núm eros de vendas, indicadores de desem penho, notas de provas, resultados de torneios. O problem a é que esses parâm etros podem distorcer as prioridades, fazendo a pessoa focar resultados de curto prazo e ignorar o processo de aprendizado. Todos nós j á vim os isso acontecer, no m undo dos negócios e nos esportes. As organizações obcecadas em vencer no tem po presente tendem a perder de vista o obj etivo m aior: aprender e desenvolver com petências de longo prazo.

A solução é estabelecer os próprios critérios para com eçar a avaliar seu progresso. Repasse-os para as pessoas que estão aprendendo com você a fim de m otivá-las e orientá-las.

Por exem plo, conheço grandes treinadores de futebol, basquete e hóquei que utilizam o núm ero de bons passes durante um j ogo, e não o placar, com o a m edida m ais precisa do bom aproveitam ento do tim e. Os j ogadores acom panham os resultados e procuram se superar a cada partida. Independentem ente do placar, esse núm ero serve com o m edida exata de seu verdadeiro progresso.

Tony Hsieh, fundador da Zappos, um a loj a virtual de calçados, quis criar a m elhor equipe de atendim ento ao consum idor do m undo. O critério habitual de avaliação do sucesso nessa área é o núm ero de clientes atendidos por hora. Para Hsieh, porém , esse sistem a não fazia sentido. Ele não queria sim plesm ente ser eficiente; ele queria que os clientes ficassem felizes. A Zappos, então, resolveu ignorar esse sistem a de avaliação e com eçou a registrar os m om entos em que a equipe de atendim ento ao cliente atingia um nível de progresso acim a da m édia. Essas ocasiões, com putadas e celebradas pela em presa, form am seu critério de avaliação. E esse sistem a, pelo visto, está dando certo: Hsieh decidiu ligar um dia para a Zappos, no m eio da noite, para fazer um teste. Sem se identificar, perguntou se podia pedir um a pizza. Em poucos segundos, recebeu um a lista com as cinco pizzarias m ais próxim as da sua casa que ainda estavam abertas.

5) Maximize a capacidade de superação

A capacidade de superação é a essência do aprendizado. É quando a pessoa está seguindo em frente, dando m ais de si, lutando e m elhorando. A intenção desta regra é m ostrar que os bons m entores encontram form as de criar am bientes que levam seus pupilos a saírem da inércia para conseguir se superar. É por isso que grandes treinadores esportivos evitam atividades em que os j ogadores ficam em fila, esperando a vez, e dão preferência a j ogadas sim ples porém significativas. Mas essa ideia não se aplica apenas aos esportes.

Recentem ente, a em presa de logística UPS estava tendo problem as com seu program a de treinam ento de m otoristas. O índice de retenção de clientes estava baixo; os núm eros de acidentes e insatisfação, altos. Ela, então, adotou um a solução bastante original: cancelou os cursos em sala de aula e construiu um am plo centro de treinam ento que custou 34 m ilhões de dólares, um a pequena cidade para que os trainees pudessem aprender na prática. Em vez de assistir a aulas sobre direção, estocagem e entrega, os trainees dirigiam , estocavam e faziam entregas. Para ensinar equilíbrio, os treinadores ensaboavam o chão sem ninguém saber e pediam que os trainees passassem por ali carregando caixas. O program a foi um sucesso. Os índices de retenção, desem penho e satisfação subiram .

Algum as escolas liberais aum entam a capacidade de superação com um a técnica cham ada “inversão da sala de aula”. O term o refere-se a um a m udança no m odelo tradicional, em que os alunos utilizam o tem po em sala de aula para ouvir o conteúdo e depois reforçam o aprendizado em casa. Num a turm a invertida, os alunos fazem o contrário. Eles escutam a m atéria em casa, on-line, e praticam no colégio: resolvem problem as, procuram com preender conceitos − em essência, se esforçam −, enquanto o professor cam inha pela sala, aj udando um aluno de cada vez. Num a escola da Califórnia, o índice de desem penho anual em álgebra dos alunos de um a turm a invertida foi 23% superior ao alcançado em turm as convencionais.

Para ser um bom m entor, é im portante criar o am biente m ais m otivador possível e saber substituir m om entos de inércia por oportunidades de aprendizado intensivo.

6) Procure criar alunos independentes

Seu obj etivo a longo prazo com o m entor é aj udar seus alunos a se desenvolverem a ponto de não precisarem m ais de você. Para isso, evite ser o centro das atenções. Procure criar um am biente em que as pessoas consigam executar sozinhas suas atividades. Sem pre que possível, saia do local para criar m om entos de independência. Im agine que a sua função é produzir várias versões de você.