O senhor Dom Miguel I, e a senhora Dona Maria II
Desengano.
Quem ouvir desprevenido as roncas do «Portugal»—quem lêr as suas lamentações—ha-de julgar que alli ha convicções profundas— um valor a toda a prova—uma resignação para o martyrio.
Pois se ha quem tal pense, está completamente enganado.
O «Portugal» é uma especulação mercantil de Francisco Pereira d'Azevedo—mais vulgarmente conhecido pelas alcunhas de Ignez das Hortas e de Francisco da Velha.
O snr. Francisco é ao mesmo tempo editor, proprietario da imprensa e da gazeta, e negociante de algo-DÃO.
A gazeta intitula-se realista, e não é mais do que farcista. É a mesma gazeta de que foi editor o sapateiro José Ferreira da Silva.
Sabemos que nas provincias ha muita gente que não quer acreditar, que um miseravel sapateiro, estuporado e tonto, fosse o editor da gazeta dos fidalgos velhos, do periodico da aristocracia de sangue azul! Pois, para que se desenganem,{20} aqui lhes vamos dar alguns apontamentos para uma byographia do sapateiro, primeiro editor do «Portugal.»
José Ferreira da Silva, filho de paes pobrissimos, e natural d'esta cidade, foi, ainda creança, para casa d'um sapateiro, onde começou por engraixar botins, remendar sapatos de gallegos e chinellos velhos, até que, por meio das suas habilidades e com a ajuda d'alguns patacos, que os freguezes do mestre lhe davam de molhadura, quando lhes hia levar as botas, pôde estabelecer-se e casar. Tendo já loja sua, fez-se carola por especulação, e tal era a habilidade e a ligeiresa de mãos de que a natureza o dotára, que, dentro de poucos annos, achava-se possuidor d'alguns contos de reis, arranjados ou empalmados nas confrarias e irmandades, em que se mettia, como piolho por costura. Por occasião da invasão franceza, uniu-se aos anarchistas, cujas proezas são bem sabidas n'esta cidade, e dentro em breve tempo montavam os seus haveres a trinta mil cruzados, chegando a ser capitão dos bandoleiros do chuço. Desde então, começou a trabalhar menos pelo officio, mettendo-se a onzeneiro, e dando dinheiro a juros, com enormissimas usuras; porém, o que n'este mister ganhára, levou-lh'o o diabo para as mãos de um negociante, que, pouco depois, se declarou em estado de fallencia. Estonteado com este revéz,{21} teve o primeiro attaque de estupôr, e começou desde então a andar quotidianamente pelas igrejas. Era tão enthusiasta pelas idéas liberaes, que, no tempo do cêrco, foi denunciar os moveis, pratas e mais objectos de valor pertencentes ao fallecido snr. José Antonio (empregado na policia do Porto), que era seu inquilino, e tinha acompanhado o exercito realista, achando-se, por isso, ausente. Tudo foi sequestrado, e foi tal a raiva do sapateiro, quando o Snr. D. Pedro deu a amnistia, mandando levantar os sequestros, que ficou mais estuporado do que estava. Era tal a sua avareza, que, tendo ainda uma boa fortuna, andava vestido como um mendigo, e seus filhos não morriam de fartos, como é notorio pela visinhança. Estando completamente estuporado e tonto, houve um delegado, que, por empenhos, ou pelo quer que fôsse, o acceitou para editor da infame gazeta, intitulada «Portugal», e com quanto não recebesse por isso dinheiro (por estar tonto de todo) recebia-o por elle um filho, que ainda hoje é caixeiro da tripeça-gazetal da rua das Hortas. Nos ultimos tempos da sua vida, tinha uma loja d'adeleiro na rua Formosa, onde continuava a emprestar dinheiro sobre ouro, prata e roupas, com enormissima usura, levando de juros, de cada cruzado novo, trinta e quarenta reis por mez, o que equivale a cento por cento ao anno!!!... Falleceu{22} d'uma queda no dia 29 d'Outubro de 1851, testando duas moradas de casas, a roupa e moveis da adella e algum dinheiro.
Deus se compadeça da sua alma.
Eis-aqui uns apontamentos para a byographia do miseravel sapateiro, escriptos conscienciosamente, sem odio ou affeição.
Agora, se querem desenganar-se da refinada hypocrisia e cynismo da infame gazeta dos farcistas, comparem estes apontamentos com os que se lêem no «Portugal» de 10 de Novembro de 1851:
«O snr. José Ferreira da Silva, natural d'esta cidade, e filho de paes pobres,
mas honrados[1], acaba de descer á sepultura, no cemiterio da ordem 3.ª de S. Francisco, com todas as honras funebres e com mais de 80 annos d'edade. Era
laborioso e de boas contas[2], e tão amante de seus paes, que os teve em sua companhia até que falleceram. Agenciára elle pelas suas economias o melhor de
25,000 crusados[3] que empregou muito bem em promover a educação{23} de sua
familia, e em obras pias [4] [5] . Era tão apaixonado das confrarias que pertenceu a
quasi todas as d'esta cidade, sendo provedor da de S. Chrispim [6] definidor da 3.ª
de S. Francisco, mesario e protector de diversas outras. Serviu de juiz d'Artes [7], e
foi capitão d'ordenanças por occasião da invasão francesa[8]. Era muito estimado
e acolhido das principaes familias d'esta cidade[9]. A sua nimia boa fé o fez ser victima d'uma quebra em que se fundiu a maior parte da sua fortuna que tinha em
mãos do quebrado [10]. O seu animo religioso não se abateu com a adversidade, e hauriu perennes consolações no bom desempenho dos seus deveres domesticos e no exercicio dos actos religiosos, ouvindo missa quotidianamente, visitando o SS. mo Sacramento, e assistindo ás numerosas funcções religiosas que se celebram n'esta cidade. Era portuguez de velha tempera, e tão decidido
legitimista [11] [12] , que se offereceu para editor gratuito do Portugal, e o foi com a
melhor vontade até que Deus o chamou a si[13]. Não o arredou{24} nunca do seu honroso posto a bateria d'insultos com que o mimosearam os nossos
adversarios[14] que estranhavam que um honrado popular fosse editor d'um periodico legitimista, como se a legitimidade excluisse classes. No entanto á borda da sepultura todos os collegas adversarios se portaram cavalheirosamente com o nosso editor. Houve apenas uma excepção no Pobres. Nós lhe perdoamos o seu cynismo em nome do fallecido. Pelo que nos toca depositamos aqui um
penhor eterno de gratidão e respeito ao veneravel [15] ancião que nos escudou perante a lei, e esperamos que na presença do Eterno advogará a nossa causa
que é a da justiça e do direito[16]. O nosso bom amigo falleceu d'uma queda e
testou com acerto[17], deixando uma viuva inconsolavel e uma filha e um filho
herdeiros de sua honra e virtudes [18] [19] . Deus o tenha á sua vista.
E que tal! Assim é que se engoda o povo, para lhe hir pilhando os pataquinhos! É assim que o Portugal-gazeta costuma dizer a verdade!
Que honrada gente! E não lhes coram as faces, quando apparecem em publico!{25}
Comparai estas amabilidades para com um miseravel sapateiro, estuporado e tonto, com o grosseiro procedimento do snr. Francisco Candido para com a «Neta e Sobrinha de Reis» procedimento que escandalisou muitos realistas sensatos, que não comem nem querem comer a custa da illusão dos povos.
D'um lado uma consciencia tão larga, que fez do sapateiro um homem honrado, piedoso, realista, &c. &c. Do outro uma consciencia tão estreita e mesquinha, que se despede da Assemblea, porque a quasi totalidade dos socios resolvêra obsequiar S. M. a Rainha!!!
Parece-nos que não haverá ninguem que não suspeite qual é o fim d'estes fogachos facciosos...
Do direito fazem torto
Estes astutos velhacos;
Chamam gente a um asno morto...
Tal é o poder dos patacos!!!
Uma das duas: ou o snr. Francisco Candido é o unico homem escrupuloso e de convicções profundas, dos que escrevem no Portugal—ou pretende enganar o povo.
Se agarra na primeira ponta do dylemma—deve largar já a redacção do infame Portugal-gazeta, fazendo assim a vontade ao padre Luiz, ao F. da Velha, e ao garoto do pião.... Se{26} agarra na segunda—tambem não podêmos deixar de lhe dizer, que procure um modo de vida mais decente.
Fóra d'ahi, snr. Francisco Candido! Um homem de probidade austéra não póde, nem deve escrever na infame gazeta inaugurada sob a responsabilidade do homem mais despresivel que existia no Porto. Fóra d'ahi! Deixe o logar a esses scelerados que lh'o cobiçam. Fóra d'ahi, que a questão, para elles, é só questão de dinheiro. Fóra d'ahi, se não quer que o publico o tenha na mesma conta em que os tem a elles.
Ignora, snr. Francisco Candido, que ahi se levam moedas pelas correspondencias que, em sua defesa e em defesa do seu partido, mandam lançar os proprios homens, a quem o Portugal-gazeta chama seus correligionarios e amigos!! O snr. Cachapuz que o informe... elle, que aggredido pelo Ecco Popular, como auctoridade realista, teve de dar bons pintos pela defesa que fez inserir na gazeta dos farcistas.—«Um pataco por linha e nada menos.»
Não acontecia assim com a PATRIA, que nunca levou nem um real
por semelhantes correspondencias—porque o redactor da P [20] ATRIA
{27} não sabia ser gazeteiro, e o snr. Francisco Candido bem conhece aquelles que o roubaram, abusando do seu demasiado cavalheirismo e boa fé.
Veja se gosta d'esta comparação, snr. Francisco Candido, e saiba (se o ignora) o que é uma gazeta na mão d'um negociante.
Agora, ouça mais duas palavras, e ouça-as tambem o povo, para ficar completamente desenganado ácerca do Portugal-gazeta.
Ha cousa d'um anno, appareceram no Ecco Popular uns artigos infames (cuja publicação foi provocada por uma polemica do infame Portugal-gazeta) nos quaes se davam ao Tio da Rainha os nomes mais injuriosos, e entre estes, o de assassino!!—O editor do Ecco póde dar testemunho dos esforços, que eu fiz, invocando a sua generosidade, para que retirasse da discussão o augusto nome do infeliz exilado; mas, apesar d'estes esforços, lá appareceram no infame Portugal-gazeta umas allusões torpes, involvendo a perfida insinuação de que era eu o auctor de semelhantes artigos!—Um dia, ao cahir da noite, encontrei, na rua dos Lavadouros, o snr. Francisco{28} Candido de Mendoça e Mello, e perguntei-lhe se já estava desenganado de que não eram meus os artigos. Respondeu-me «que entre mim e elle (snr. Mendoça) não havia motivo algum d'inimisade; que até algumas vezes havia dito que eu tinha razão de me queixar do que acontecera com a PATRIA; e que elle (snr. Mendoça), avisado do que se passára commigo, era redactor independente do «Portugal» e não recebia ordens de ninguem, nem mesmo quanto á politica do jornal; que já se sabia que não eram meus os artigos em que o Snr. D. Miguel era tão atrozmente calumniado; que as allusões, de que eu me queixava, tinham nascido d'uma errada persuasão, e não de odio ou vindicta.»— Fiquei quasi satisfeito com a declaração do snr. Mendoça; e para o ficar completamente, disse-lhe que era justo rectificar a perfida insinuação que se fizera. Assim o julgou o snr. Mendoça, e assim m'o prometteu; mas, até hoje, estou á espera do cumprimento da sua promessa!—Quereria o snr. Mendoça cumpril-a, e serviriam d'obstaculo os negociantes de politica, que já não é a primeira vez que negoceiam com o meu credito, com o meu suor e com o meu sangue?... Fóra d'ahi, snr. Mendoça! Um homem de probidade austera, não póde conservar essa posição.—Olhe que não escrevo isto para augmentar os seus embaraços. Sei que ha promessas solemnes{29} de lhe apalpar as costas, e se os meus pedidos valessem, eu pediria que ninguem fizesse caso da sua despedida da Assemblea, das suas cartas, e do mais que se tem passado.
Duas palavras ao snr. Antonio Pinto Cardoso da Gama, e peço tambem para
ellas a mais séria attenção do publico.
O snr. Gama é delegado do procurador regio na 2.ª vara, e debaixo da sua
alçada está a typographia do Portugal-gazeta. A mim não me importa que o snr. Gama deva obrigações a ninguem; o que desejo é vêl-o applicar a lei igualmente a amigos e adversarios.
Snr. Gama: No dia 29 d'Outubro de 1851 falleceu o sapateiro José Ferreira da
Silva, que foi editor do Portugal-gazeta. Este infame papel continuou a publicar-se illegalmente, até ao dia 10 de Novembro, debaixo da responsabilidade do fallecido, e o snr. Gama não procedeu, senão depois que eu requeri procedimento! Por fim, o «Portugal» foi absolvido; mas o seu proprio defensor teve a franqueza de me confessar que a sentença estava mal fundamentada— porque a lei é muito clara e a infracção era muito visivel! Eu sei tudo o que se passou com esse decantado processo, e calo-me por ora, mas hei-de fallar, e fallar muito claro, quando fôr tempo para isso.... Agora, snr. Gama, vou mostrar-lhe quanto é nociva a impunidade, e quanto é prejudicial que se não observem as leis.
O snr. Gama já sabe (porque o escripto se vende publicamente, e devia ser-lhe
remettido, na conformidade da lei), que na imprensa dos negociantes do Portugal-gazeta se imprimiu um folheto intitulado==Descripção da viagem de SS. MM. desde que sahiram{30} de Lisboa até á sua entrada n'esta cidade.==Este folheto não traz o nome da officina, como a lei manda, e a lei pune severamente esta infracção, e a lei, snr. Gama, diz que qualquer pessoa do povo poderá accusar os delegados, quando estes não cumprirem com o seu dever.—Fico á espera, snr. Gama, e pouco me importa que o infame Portugal-gazeta me chame denunciante. Deus me livre de que elle me chame homem honrado. As cousas tomam-se como da mão de quem veem. Uma injuria na bôcca do immundo papel dos farcistas é o maior elogio que se me póde fazer.—Ao seu dispôr, snr. Gama.
Já me vai faltando a paciencia, e creio que—para quem não for muito estupido,
muito hypocrita, muito desavergonhado ou muito simplorio—já bastam os factos que deixo apontados para todos se desenganarem de que o Portugal-gazeta é uma tôrpe especulação mercantil; que o editor, redactores e collaboradores só tractam d'illudir o povo, para lhe irem comendo os patacos; e, em fim, que publicam o papel mais infame que tem prostituido a imprensa;
Porque o Portugal-gazeta
«................... pirata inico
Dos trabalhos alheios feito rico»
—insulta a Rainha, e ao mesmo tempo imprime uma incomiastica descripção da
viagem ao Porto, com a mira nos pataqinnhos.
Porque se finge victima d'uma perseguição acintosa, e encontra um delegado
mais macio do que velludo.
Porque calumnía por gôsto, para especular com a honra, com o credito e com o
suor alheio.
Porque se diz realista, e foi chuchando as moedas do snr. Cachapuz, para o
defender como auctoridade realista.{31}
Porque anda todos os dias a atirar á praça publica o nome do Tio da Rainha, só
pelo gôsto de o vêr desacatado pelas turbas, para depois ganhar patacos com as suas defesas e comparações.
Porque, finalmente, os que no Portugal-gazeta se declaram hoje defensores do
Snr. D. Miguel—são os mesmos que hontem o cobriam d'injurias, e lhe chamavam tyranno e usurpador.
Este desengano é para aquelles que ainda acreditavam na boa fé do Portugal-
gazeta. Resta-me dar tambem um desengano aos gazeteiros farcistas.
Escusaes de andar com investigações, prohibindo os vossos empregados de
fallarem commigo—porque eu sei tudo o que se passa entre vós, e fui avisado, em tempo competente, d'aquella proposta, que se fez em certa reunião......................, de se darem algumas moedas a quem..................... e folguei muito de que alguns cavalheiros se portassem como verdadeiros fidalgos portuguezes, embora illudidos, repellindo uma proposta tão miseravel.
Podeis continuar a perseguir-me, que com isso só conseguis augmentar a
aversão que vos tenho.
Este é o desforço que eu tiro das vossas provocações.—Tornai a provocar-me,
que eu cá fico a colligir a papellada velha....
Senhores do Portugal-gazeta, procurai bem entre os do vosso bando, a vêr se
encontraes os fabricadores de moeda falsa, de que ha pouco vos queixastes... Já estaes calados?!.. Dar-vos-hiam para isso alguma moeda verdadeira?...
Senhores do Portugal-gazeta—silencio!...
—
Leitores, desculpai a duresa da phrase e a desigualdade do estylo. Este folheto foi escripto ao correr{32} da penna, e resente-se das alternativas da minha vida.—Eu penso com Chateaubriand (sem possuir o seu talento) que é uma loucura atirar com o meu nome ao meio da multidão;—comtudo para que se não julgue que declino a responsabilidade, aqui pônho a minha assignatura.
Porto 18 de Maio de 1852.
João Augusto Novaes Vieira.
[1] Não podêmos deixar de fazer algumas annotações a este ridiculo
apontoado d'imposturas.—Acreditariamos piamente que os paes do sapateiro fossem muito probos, apesar de pobrissimos; mas, desde que os farcistas lhes chamam honrados, ficamos com nossas duvidas... Deus nos livre de ser honrado na bocca de semelhante gentinha...
[2] Bastava que fôsse de tão boas contas como os que tomaram á sua
conta a empreza da PATRIA... Arreda!
[3] E que tal? Um sapateiro que, em poucos annos, arranja 25 mil
cruzados pelas suas economias, devia ser muito honrado...
[4] Ninguem sabe que elle praticasse taes obras, senão os farcistas do
«Portugal-gazeta.»
[5] E como não seria apaixonado, se d'ellas é que economisou o
dinheiro que tinha?...
[6] Por ser a confraria dos sapateiros.
[7] E era muito bom juiz, especialmente da arte do padre Antonio
Vieira.
[8] Capitão dos bandoleiros do chuço, que assassinavam e roubavam a
torto e a direito, dando ás suas victimas o nome de jacobinos.
[9] Pêta refinada.
[10] Por Diós veio, por Diós foi.
[11] Pois não! Todos os que forem ladrões, tractantes, calumniadores e
desavergonhados—são decididos legitimistas, na bôcca do Portugal-gazeta.
[12] Refinadissima pêta.
[13] Foi uma occasião chamado á policia, por impostura do delegado, e
perguntado se era o editor do «Portugal» respondeu primeiro que não sabia, e depois negativamente. Não obstante, continuou a figurar como editor, contra a expressa determinação da lei.—Quem quizer, que commente.
[14] Se elle estava tonto de todo, que lhe havia de importar?
[15] Miseravel e bem miseravel. O Portugal-gazeta troca os nomes a
tudo.
[16] Fóra, farcistas!
[17] Ou alguem testou por elle.... quem sabe?...
[18] Podéra não!
[19] E lhe perdoe. Amen.
[20] Falla-se do verdadeiro fundador e redactor do jornal, e não do
doutor Cazimiro de Castro Neves, que ainda tem saudades do tempo em que jogava o seu pião, como elle proprio disse em letra redonda, não obstante as nossas advertencias. Disse tambem que era «uma pessoa physica.» Veja-se, no diccionario de Moraes, a definição de pessoa, e conhecer-se-ha que o tal menino dos olhos azues é um doutorasso.... no jogo do pião, que é jogo de garotos.
Você terminou O senhor Dom Miguel I, e a senhora Dona Maria II
João Augusto Novaes Vieira
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