Ou Isto ou Aquilo
O menino pergunta ao eco onde é…
O eco
O menino pergunta ao eco onde é que ele se esconde. Mas o eco só responde: “Onde? Onde?”
O menino também lhe pede: “Eco, vem passear comigo!”
Mas não sabe se o eco é amigo ou inimigo.
Pois só lhe ouve dizer: “Migo!”
As duas velhinhas
Duas velhinhas muito bonitas, Mariana e Marina, estão sentadas na varanda: Marina e Mariana.
Elas usam batas de fitas, Mariana e Marina, e penteados de tranças: Marina e Mariana.
Tomam chocolate, as velhinhas, Mariana e Marina, em xícaras de porcelana: Marina e Mariana.
Uma diz: “Como a tarde é linda, não é Marina?” A outra diz: “Como as ondas dançam, não é, Mariana?
“Ontem, eu era pequenina”, diz Marina.
“Ontem, nós éramos crianças”, diz Mariana.
E levam à boca as xicrinhas, Mariana e Marina, as xicrinhas de porcelana: Marina e Mariana.
Tomam chocolate, as velhinhas, Mariana e Marina. E falam de suas lembranças, Marina e Mariana.
O último andar
No último andar é mais bonito: do último andar se vê o mar. É lá que eu quero morar.
O último andar é muito longe: custa-se muito a chegar. Mas é lá que eu quero morar.
Todo o céu fica a noite inteira sobre o último andar. É lá que eu quero morar.
Quando faz lua, no terraço fica todo o luar.
É lá que eu quero morar.
Os passarinhos lá se escondem, para ninguém os maltratar: no último andar.
De lá se avista o mundo inteiro: tudo parece perto, no ar. É lá que eu quero morar:
no último andar.
Canção de Dulce
Dulce, doce Dulce, menina do campo, de olhos verdes de água de água e pirilampo.
Doce Dulce, doce dócil, estendendo pelo sol lençóis entre anil e vento.
Dócil, doce Dulce de face vermelha, doce rosa airosa a fugir da abelha da abelha, de vespas e besouros tontos pelo arroio de ouro de seixos redondos...
A língua do nhem
Havia uma velhinha que andava aborrecida pois dava a sua vida para falar com alguém.
E estava sempre em casa a boa da velhinha, resmungando sozinha: nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
O gato que dormia no canto da cozinha escutando a velhinha, principiou também
a miar nessa língua e se ela resmungava, o gatinho a acompanhava: nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
Depois veio o cachorro da casa da vizinha, pato, cabra e galinha, de cá, de lá, de além,
e todos aprenderam a falar noite e dia naquela melodia nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
De modo que a velhinha que muito padecia por não ter companhia nem, falar com ninguém,
ficou toda contente, pois mal a boca abria tudo lhe respondia: nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...
Cantiga da babá
Eu queria pentear o menino como os anjinhos de caracóis. Mas ele quer cortar o cabelo, porque é pescador e precisa de anzóis.
Eu queria calçar o menino com umas botinhas de cetim. Mas ele diz que agora é sapinho e mora nas águas do jardim.
Eu queria dar ao menino umas asinhas de arame e algodão. Mas ele diz que não pode ser anjo, pois todos já sabem que ele é índio e leão.
(Este menino está sempre brincando, dizendo-me coisas assim. Mas eu bem sei que ele é um anjo escondido, um anjo que troça de mim.)
A avó do menino
A avó vive só.
Na ca da avó o galo liró faz “cocorocó!”
A avó bate pão-de-ló e anda um vento-t-o-tó na cortina de filó.
A avó vive só.
Mas se o neto meninó mas se o neto Ricardó mas se o neto travessó vai à casa da avó, os dois jogam dominó.
O vestido de Laura
O vestido de Laura, é de três babados, todos bordados.
O primeiro, todinho, todinho de flores de muitas cores.
No segundo, apenas borboletas voando, num fino bando.
O terceiro, estrelas, estrelas de renda -- talvez de lenda...
O vestido de Laura vamos ver agora, sem mais demora!
Que as estrelas passam, borboletas, flores perdem suas cores.
Se não formos depressa, acabou-se o vestido todo bordado e florido!
Roda na rua
Roda na rua a roda do carro.
Roda na rua a roda das danças.
A roda na rua rodava no barro.
Na roda da rua rodavam crianças.
O carro, na rua.