Ou Isto ou Aquilo
O sonho e a fronha
Sonho risonho na fronha de linho.
Na fronha de linho, a flor sem espinho.
Apanho a lenha para o vizinho.
E encontro o ninho de passarinho.
De que tamanho seria o rebanho?
Não há quem venha pela montanha com a minha sombrinha de teia de aranha?
Sonho o meu sonho.
A flor sem espinho também sonha na fronha.
Na fronha de linho.
A folha na festa
Esta flor não é da floresta.
Esta flor é da festa, esta é a flor da giesta.
É a festa da flor e a flor está na festa.
(E esta folha?
Que folha é esta?)
Esta folha não é da floresta.
Esta folha não é da giesta.
Não é folha da flor.
Mas está na festa.
Na festa da flor na flor da giesta.
O chão e o pão
O chão.
O grão.
O grão no chão.
O pão.
O pão e a mão.
A mão no pão.
O pão na mão.
O pão no chão?
Não.
A égua e a água
A égua olhava a lagoa com vontade de beber água.
A lagoa era tão larga que a égua olhava e passava.
Bastava-lhe uma poça d’água, ah! Mas só daqui a algumas léguas.
E a égua a sede agüentava.
A água andava agora às cegas de olhos vagos nas terras vagas, buscando água.
Grande mágoas!
Pois o orvalho é uma gota exígua e as lagoas são muito largas.
O passarinho do sapé
P tem papo o P tem pé.
É o P que pia?
(Piu!)
Quem é?
O P não pia: O P não é.
O P só tem papo e pé.
Será o sapo?
O sapo não é.
(Piu!)
É o passarinho que fez seu ninho no sapé.
Pio com papo.
Pio com pé.
Piu-piu-piu: Passarinho.
Passarinho no sapé.
A Pombinha da Mata
Três meninos na mata ouviram uma pombinha gemer.
"Eu acho que ela está com fome", disse o primeiro, "e não tem nada para comer."
Três meninos na mata ouviram uma pombinha carpir.
"Eu acho que ela ficou presa", disse o segundo, "e não sabe como fugir."
Três meninos na mata ouviram uma pombinha gemer.
"Eu acho que ela está com saudade", disse o terceiro, "e com certeza vai morrer."
Cantiga para adormecer Lulu
Lulu, lulu, lulu, lulu vou fazer uma cantiga para o anjinho de São Paulo que criava uma lombriga.
A lombriga tinha uns olhos de rubim.
Tinha um rabo revirado no fim.
Tinha um focinho bicudo assim.
Tinha uma dentuça muito ruim.
Lulu, lulu, lulu, lulu vou fazer uma cantiga para o anjinho de São Paulo que criava essa lombriga.
A lombriga devorara seu pão a banana, o doce, o queijo, o pião.
A lombriga parecia um leão.
E o anjinho andava triste e chorão.
Lulu, lulu, lulu, lulu Pois eu faço esta cantiga para o anjinho de São Paulo que alimentava a lombriga.
A lombriga ia fiando maior que o anjinho de São Paulo! (Que horror!)
Mas um dia chega um caçador!
Firma a sua pontaria, sem rumor.
Lulu, lulu, lulu, lulu paro até minha cantiga sobre o anjinho de São Paulo!
A espingarda faz pum pum!
pim pim!
O anjinho abana as asas assim,
A lombriga salta fora enfim!
(E foi correndo! E tocava bandolim!)