Piloto de Guerra
Cronologia
1900 Antoine de Saint-Exupéry
nasce em Lyon, em 29 de
junho. É o terceiro filho de
Jean de Saint-Exupéry e
Marie de Fonscolombe,
numa família que terá cinco
crianças: três meninas e
dois meninos.
1904 A família perde
prematuramente o chefe,
Jean de Saint-Exupéry,
vítima de um ataque
fulminante. A viúva, com as
três filhas (Marie-
Madeleine, Simone e
Gabrielle) e os dois
meninos (François e
Antoine), abandona Lyon e
passa a viver
alternadamente entre os
castelos de La Mole, no sul
da França, e Saint-
Maurice-de-Rémens, a
quarenta quilômetros de
Lyon, de propriedade da
condessa de Tricaud. Este
último é o local
privilegiado da infância do
autor, cujas reminiscências
estão presentes em toda a
sua obra.
1909 Vai estudar no colégio
jesuíta Notre-Dame de
Sainte-Croix; a família se
instala na região do Mans.
1912 Apesar da proibição da
mãe, vai até Ambérieu,
pequeno aeródromo
próximo de Saint-Maurice,
e convence os pilotos de
que tem autorização
familiar para entrar num
avião. Faz seu batismo do
ar num Berthaud-
Wroblewski.
1914 Com a eclosão da Primeira
Guerra Mundial, Marie de
Saint-Exupéry cria uma
enfermaria para tratar os
feridos em Ambérieu, ação
que lhe valerá a medalha
da Cruz Vermelha. Com
François, seu irmão mais
novo, Saint-Exupéry vai
estudar no colégio dos
irmãos marianistas de
Friburgo, na Suíça.
1917 François falece de
reumatismo infeccioso, aos
quinze anos. O episódio
será marcante para Saint-
Exupéry, pois o irmão quis
vê-lo pouco antes de
morrer e lhe deixou vários
de seus pertences de
menino. Prepara-se para
entrar na Escola Naval e
estuda no colégio interno
Bossuet; depois, no Saint-
Louis, em Paris.
1919 Não passa na prova oral
para a Escola Naval e se
inscreve na faculdade de
belas-artes, carreira que
não seguirá. Liga-se a
grandes amigos nessa fase,
como André Gide e Gaston
Gallimard. Surge a
empresa de correio de
Toulouse para Rabat
(Marrocos), criada pelo
empresário Pierre-Georges
Latécoère. A primeira linha
é Toulouse-Barcelona.
1921 Faz seu serviço militar no
2o Regimento de Aviação
de Estrasburgo. Sua mãe
lhe financia aulas de
pilotagem. Tomando o
comando de um avião ainda
sem estar autorizado, tem o
primeiro acidente grave. É
designado para o 37o
Regimento de Aviação em
Casablanca, no Marrocos,
e obtém o brevê de piloto
militar.
1922 É nomeado oficial da
reserva, mas se afasta da
carreira militar. Integra o
grupo de caça do 33o
Regimento de Aviação.
Sofre o segundo acidente e
fratura o crânio.
1923 Exerce alguns ofícios para
sobreviver. Sofre um
acidente bastante grave no
aeroporto de Le Bourget.
Fica noivo de Louise de
Vilmorin e chega a
renunciar à carreira de
piloto pela noiva, porém o
compromisso será
rompido. Gabrielle, sua
irmã caçula, a quem
chamam de “Didi”, casa-se
com Pierre d’Agay. Ela
será a única dos cinco
irmãos a deixar
descendentes (quatro: dois
meninos e duas meninas.
Entre eles, François
d’Agay, afilhado do
piloto).
1926 Mais um membro da
família se vai: Marie-
Madeleine, sua irmã, morre
de tuberculose. Por
intermédio de um ex-
professor e mentor, o abade
Sudour, conhece o sócio de
Pierre-Georges Latécoère e
consegue uma entrevista.
Vai trabalhar para a
empresa de correio aéreo
em Toulouse, onde conhece
Henri Guillaumet e, algum
tempo depois, Jean
Mermoz, Marcel Reine e
Paul Vachet, que serão seus
grandes amigos.
1927 Passará dezoito meses em
cabo Juby, no Marrocos,
morando praticamente
numa cabana, ao lado do
forte espanhol ali situado.
Sua missão era apaziguar
os mouros rebeldes à
colonização espanhola,
pois eles tomavam os
aviões que faziam pousos
de emergência no deserto e
sequestravam os pilotos
franceses. Vai se mostrar
um excelente diplomata,
respeitado pelos mouros.
Ao mesmo tempo, o
empresário Marcel
Bouilloux-Lafont compra
95% das ações da
Latécoère e implanta a
linha de correio na
América do Sul. Só no
Brasil, Lafont fará onze
escalas. A companhia passa
a se chamar Aéropostale.
1928 São realizados os
primeiros voos noturnos
entre Rio de Janeiro e
Buenos Aires, por Jean
Mermoz. Na África, Saint-
Exupéry salva quatro
aviadores feitos
prisioneiros dos mouros
durante vários meses. De
licença, volta à França e
faz um curso superior de
navegação aérea em Brest.
Tira o diploma apesar de
suas muitas distrações.
1929 Sai seu romance Correio
sul, inspirado na
experiência do deserto que
tivera durante quase dois
anos em cabo Juby.
Naquele ano, é nomeado
diretor da Aeroposta
Argentina. Sua função
consiste em vigiar o bom
estado dos aeródromos e
escalas, recrutar pilotos e
resolver problemas da rota
entre Chile, Paraguai e
Brasil, além de abrir a
linha para a Patagônia.
Nessa época passou
algumas vezes pelo Brasil,
especialmente pelo sul do
país.
1930 É feito Cavaleiro da Legião
de Honra pelos serviços
prestados em cabo Juby, no
deserto do Saara, onde
salvou a vida de vários
pilotos sequestrados e
apaziguou os mouros. Entre
os dias 13 e 18 de junho,
seu grande colega e amigo
Henri Guillaumet sofre um
acidente nos Andes e sai
em marcha durante cinco
dias. Saint-Exupéry
participa das buscas ao
piloto desaparecido e de
seu resgate. Foi também na
Argentina que encontrou
sua futura esposa, a
salvadorenha Consuelo
Suncín.
1931 É publicado o livro Voo
noturno, que lhe valerá o
prêmio Femina. Casa-se na
residência de sua família
na cidade de Agay (sul da
França, Côte d’Azur) com
Consuelo Suncín. Em
consequência do crash da
Bolsa de Nova York em
1929, a Aéropostale não
escapa à crise e é posta em
liquidação, enfrentando
vários escândalos.
1932 De fevereiro a maio, é
piloto de testes de
hidroaviões na empresa
Latécoère, entre Marselha e
Alger. Depois, fica
encarregado do correio na
linha Casablanca-Dakar.
1933 Ainda como piloto de
testes, sofre um acidente
aéreo quase fatal em Saint-
Raphaël, cidade vizinha de
Agay. Publica seus
primeiros artigos na revista
Marianne e escreve o
roteiro do filme Anne-
Marie. Surge a Air France
pela fusão de cinco
companhias aéreas
francesas — entre as quais
a Aéropostale.
1934 Nos Estados Unidos, o
romance Voo noturno
ganha versão
cinematográfica, com Clark
Gable como protagonista, e
também um perfume é
batizado com o nome do
livro. Não contratado como
piloto da nova companhia
francesa, viaja por vários
países, entretanto, fazendo
a divulgação da Air France
em conferências nas quais
fala das aventuras da
Aéropostale. Trabalha no
roteiro do filme Correio
sul e é assíduo
frequentador dos famosos
cafés de Paris Les Deux
Magots e Lipp, em Paris.
1935 Viaja a Moscou pelo jornal
Paris-Soir. Redigirá seis
artigos que dita por
telefone. Sofre um terrível
acidente aéreo na Líbia. A
intenção era fazer um raide
até Saigon e o tentou com
seu próprio avião, Caudron
Simoun, junto com Prévot,
seu mecânico. Ambos são
salvos, depois de três dias
andando no deserto e sem
beber água, já quase sem
vida, por uma caravana de
beduínos.
1936 Retorna a Paris, onde
publica sua aventura na
Líbia no jornal
L’Intransigeant e grava
para a rádio: “Pouso
forçado no deserto”.
Deposita a patente de uma
de suas invenções: um
dispositivo para
aterrissagem noturna
conduzida por raios
refletidos. Começa a
escrever o livro que ficaria
inacabado e seria
publicado postumamente,
Cidadela. Em dezembro,
morre ao sobrevoar o
Atlântico o piloto Jean
Mermoz, célebre no mundo
inteiro por suas façanhas na
aviação.
1938 Em fevereiro, novamente
com o mecânico Prévot,
tenta o raide Nova York-
Terra do Fogo com seu
avião Caudron Simoun.
Sofrem um acidente na
Guatemala. O avião estava
com excesso de
combustível e caiu logo
após a decolagem. O
estado de ambos era
gravíssimo. Convalescente
em Nova York, redige
Terra dos homens e o
prefácio do livro de Anne
Lindbergh, de quem era
amigo. Registra várias
patentes de suas invenções
para a aviação.
1939 É condecorado com a
Legião de Honra por suas
qualidades literárias. Lança
o livro Terra dos homens,
aclamado pelo público e
pela crítica. Recebe por
este o Grande Prêmio do
Romance da Academia
Francesa e o National Book
Award nos Estados Unidos.
Em julho, acompanha
Guillaumet a bordo do
hidroavião Lieutenant de
Vaisseau Paris para tentar
bater o recorde de
travessia do Atlântico
norte. De volta à França em
setembro e com o início da
Segunda Guerra Mundial,
passando por trâmites
administrativos, consegue
juntar-se ao grupo de
grande reconhecimento
2/33 em Orconte.
1940 Realiza várias missões de
reconhecimento; uma sobre
a cidade de Arras, que lhe
inspira o livro Piloto de
guerra. É desmobilizado
em junho, com o armistício.
Vai a Agay, à casa de sua
família, onde continua a
redigir Cidadela. Deseja ir
aos Estados Unidos para
tentar convencer os
americanos a entrarem na
guerra e o faz passando por
Lisboa, a partir de Alger.
Essa passagem será objeto
do livro Carta a um refém,
de 1943. Em 27 de
novembro, seus grandes
amigos Henri Guillaumet e
Marcel Reine são abatidos,
com outros quatro
passageiros, ao
transportarem um
diplomata para o Oriente.
Embarca para Nova York,
onde encontra Jean Renoir.
Pensava ficar pouco tempo
em solo americano, mas
acaba permanecendo 28
meses.
1941 Sofre uma intervenção
cirúrgica em Los Angeles.
Durante a convalescença,
redige Piloto de guerra.
1942 Consuelo chega a Nova
York, e é publicado o livro
Piloto de guerra, sob o
título Fligth to Arras,
ilustrado por Bernard
Lamotte. O livro ficará seis
meses como o mais
vendido e influenciará a
opinião pública. Dá
conferências no Canadá e
começa a desenhar para O
pequeno príncipe. Na
França, Piloto de guerra
será proibido pelos
ocupantes. Faz um apelo na
rádio, em 29 de novembro,
pela união dos franceses.
1943 É publicado o pequeno
livro Carta a um refém,
que deveria ser prefácio a
uma obra de Léon Werth,
mas saiu de forma
independente. Em 6 de
abril, é lançado em Nova
York O pequeno príncipe
pela editora Reynal &
Hitchcock, também com
250 exemplares em francês,
além da versão em inglês.
Apesar de já contar 43
anos, o piloto volta a
integrar o grupo 2/33 na
Argélia, onde é promovido
a comandante.
1944 Deveria cumprir uma
missão de reconhecimento
sobre a região de Grenoble
(França/ Suíça), pilotando
um P-38, mas desaparece
sem deixar traços. Em
setembro, é dado
oficialmente como morto.
1946 O pequeno príncipe é
publicado na França pela
editora Gallimard.
1998 O pescador marselhês
Jean-Claude Bianco, ao
puxar sua rede do
Mediterrâneo, percebe uma
pedra calcificada com algo
brilhante no interior.
Decide quebrá-la para
verificar e encontra um
bracelete com um nome
gravado: Antoine de Saint-
Exupéry. O objeto é
autenticado como
verdadeiro e incitará
buscas pelos destroços do
avião que o autor pilotava
quando desapareceu.
2002 O arqueólogo marinho Luc
Vanrell encontra os
destroços do avião no
fundo do mar Mediterrâneo
e o identifica graças ao
número original encontrado
no tubo compressor. Foi
praticamente desvendado o
mistério do
desaparecimento do piloto,
sobretudo quando um
veterano alemão, Horst
Rippert, aos 95 anos,
pronunciou-se dizendo ter
sido autor de disparos
contra o avião de Saint-
Exupéry. Rippert não
suspeitava que pudesse ter
sido o escritor, pois este
deveria estar sobrevoando
Grenoble e não o
Mediterrâneo. Com a
descoberta do avião, o
veterano concluiu que se
tratava mesmo de Saint-
Exupéry e lamentou
profundamente. Pesquisas
seguem a fim de determinar
as circunstâncias precisas
do último voo do célebre
pintor-escritor.