Princípio de Karenina
Capítulo 5
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«A falsidade da célebre frase de Tolstoi está mais patente do que nunca nos romances do autor, incluindo naquele que começa com a tal frase. A família de Dolly, a família infeliz que nos é prometida, é, na minha opinião, uma família moderadamente — que é o mesmo que dizer realisticamente — feliz.»
THE WAVE IN THE MIND: TALKS AND ESSAYS ON THE WRITER, THE READER, AND THE IMAGINATION
Ursula K. Le Guin
«‘Todas as famílias felizes são mais ou menos diferentes; todas as famílias infelizes são mais ou menos parecidas’, diz um grande escritor russo no começo de um célebre romance.»
ADA, OR ARDOR
Vladimir Nabokov.
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Regressei a casa tão vazio quanto a própria casa que me esperava. Anotei no livro de contabilidade algumas frases de que me lembrava da última carta da tua mãe, a que não chegou a ser enviada. À noite, em vez de beber uma aguardente e fumar junto à lareira, sentava-me à secretária, abria uma janela, lia uma ou outra frase do livro de contabilidade e sussurrava-a para o exterior, como quem conta um segredo ao Universo. Tentei viver melhor a vida, mas acabei por perpetuar alguns erros que já me vinham da infância, especialmente em relação à amizade com o Dois Metros, que era cada vez mais frágil. Foi, no entanto, para minha surpresa que ele tentou uma derradeira reconciliação. Tinha tudo para dar certo, não fora eu, com a minha alma coxa, assegurar essa realidade funesta que se resume assim, evidenciando a diferença entre a minha maneira de encarar a vida e a da tua mãe: Eu seria muito infeliz num mundo feliz. Ela seria feliz em qualquer mundo.
O Dois Metros apareceu exultante em minha casa. Levantou a camisola de lã. Tinha tatuado a frase apocatástica, a tal afirmação de que os anjos caídos serão levantados. No meio da sala, mostrava o peito com orgulho. Tinha engordado bastante e foi isso que comentei. Ele, compreensivelmente, insultou-me e ficámos mais uns tempos sem nos falarmos. Ligou-me um dia, apenas para me informar de que se ia embora.
— Para onde?
— Não sei, mas tem de existir um lugar qualquer no mundo onde possa ser feliz.
— Já estive na Cochinchina e não é melhor.
— Acho que quero subir montanhas. Vou tentar sair daqui na vertical.
— Vais partir o fémur. Subir montanhas é para alpinistas.
— É que eu preciso de ar puro. Preciso de subir até não existirem mais as estúpidas leis que nos oprimem.
— Os legisladores não sufocam tão facilmente.
— Vou tentar. Se me salvar e tiver tempo, venho buscar o resto da Humanidade. Levantarei todos os anjos caídos.
Foi a última vez que ouvi a sua voz.
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Acabei por me tornar um amante da distância, contrariando a minha infância (quem disse que a infância é um paraíso?). Passeava pelos mercados, procurando os ingredientes que a tua mãe usava ao cozinhar para nós, tentando descobrir novos: quando sabia que um fruto ou um vegetal tinha vindo de longe, pegava nele com reverência, virava-o nas mãos, cheirava-o, como um turista que pela primeira vez pega numa rosa do deserto ou vê o templo Uluwatu recortado nos campos de arroz. Se na minha infância fora atacado por um medo incontrolável, por phobos imensos, agora sentia o deslumbre da beleza que a distância encerra. O poder de unir o perto e o longe, como as costuras das saias ou como tocar acordes num piano unindo notas improváveis, dum lado e do outro do teclado, com as mãos em arco, com os braços abertos.
Terá sido, porventura, uma dessas estranhas costuras invisíveis, que não vemos mas unem seres e acontecimentos, independentemente da distância, e os entrelaçam numa harmonia, que mudou radicalmente a minha vida e haveria de tornar falsa a sentença de que eu seria muito infeliz num mundo feliz. A acção fantasmagórica que não obedece à causa-efeito, e cuja existência a razão tem dificuldade em admitir, deu-se, neste caso concreto, quando menos esperava, duas décadas depois da minha primeira viagem à Cochinchina.Voltei então ao Vietname, porque comecei a exportar o vinho que produzíamos na propriedade e tive uma boa oferta de uma empresa hoteleira sediada em Hue. Foi uma viagem apreensiva e triste, aquele território fazia-me sentir o peso da vossa presença e o vazio incontornável de não vos poder tocar. Fiquei uma noite em Hanoi antes de apanhar o avião para Hue. Sentei-me numa esplanada junto ao lago a fumar cachimbo. Não dormi nada nessa noite, imaginei incontáveis cenários para aquilo que poderia ter sido a minha vida, imaginei correr contigo às cavalitas, ir buscar-te à escola, andarmos os três de bicicleta pelo campo, eu e tu e a tua mãe. Imaginei uma família feliz.
Na manhã seguinte, melancólico e cansado, fui para o aeroporto. Deu-se um milagre quando eu embarcava.
Ouvi o teu nome. Ou seria coincidência?
Fiquei atento e, dos altifalantes do aeroporto, ouvi mais uma vez o teu nome. Não poderia ser coincidência, seguido dos apelidos da tua mãe e do meu.
Estavas atrasada para o voo. Fiquei atento à tua chegada ao avião para ver se o teu rosto correspondia ao que sonhara e imaginara. Esperava, ao olhar-te, reconhecer alguma coisa minha, os lábios grossos, os dentes da frente com um pequeno espaço entre eles, mas também o formato oval do rosto da tua mãe ou as suas pestanas longas. Ou, talvez, aquela claridade que derrubava qualquer escuridão.
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Já no avião, vi quem se sentava ao teu lado e, quando essa pessoa se levantou para ir à casa de banho, abordei-a, perguntei-lhe se poderia trocar de lugar comigo, para que eu pudesse sentar-me ao lado de uma amiga de longa data, que já não via há anos e que, por coincidência, percebera que viajava no mesmo avião. Pedi-lhe para não te dizer nada, para ser surpresa. Concordou. E foi assim que passámos uma hora e vinte, que era a duração do voo, sentados lado a lado. Conversámos mas não nos podíamos compreender, eu falava na minha língua, tu dizias alguma coisa na tua, não tínhamos um idioma comum para comunicarmos. Contei-te tanta coisa, confessei-te tanta coisa, que senti outra vez aquela estranha claridade dentro dos olhos fechados. Tu sorrias, abanavas a cabeça, ofereceste-me comida, eu retribuí.
Caiu-te um cabelo no chá que te serviram e isso fez-me lembrar a lenda da seda, que ouvi da tua mãe: uma imperatriz deixou cair um casulo de borboleta dentro da sua taça de chá e o casulo desenrolou-se e assim nasceu um fio de seda. Eu tirei o cabelo do teu chá, sem que reparasses, pousei-o no meu colo como se fosse um bebé, como se te agarrasse e te embalasse, e ainda hoje o tenho, é o fio que uso para percorrer o labirinto que nos separa.
Evidentemente que não te disse que era teu pai, por vários motivos: não saberia como fazê-lo sem parecer louco, não teria forma de te explicar o que quer que fosse. Adiei. Fá-lo-ia na altura certa, agora que te tinha encontrado.
Foi bom partilhar um chá contigo.
Pareceste-me uma mulher feliz, sorridente. A certa altura, mostraste-me uma fotografia. Apontaste para a tua imagem e depois para o teu peito, disseste qualquer coisa. Percebi uma única palavra, Nhài. Depois apontaste para outra pessoa. Não era preciso dizeres o nome de quem te pegava ao colo. Percebi que a tua mãe tinha morrido.
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Se uma pessoa souber onde vai morrer, evitará esse lugar. A vida, porém, dar-lhe-á a mão e levá-la-á a esse sítio. O meu era a Cochinchina. Sabia disso desde pequeno, desde que me apercebi da existência de janelas abertas.
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Saímos os dois do avião, parecíamos efectivamente pai e filha. Esperámos pelas malas. Ao fundo do corredor prendiam um homem, havia polícias com cães. As pessoas juntavam-se, comentavam. Eu disse qualquer coisa, tu também.
Achaste-me simpático, tenho a certeza, um quinestrangeiro amável. Quando as nossas malas finalmente chegaram, despedimo-nos. Eu estendi-te a mão, num gesto cordial. Não espelhava a minha felicidade, mas era o gesto possível. Tu, para minha surpresa e júbilo, abraçaste-me calorosamente, como se algo em ti soubesse que eu era o teu pai.
Então, sem que me apercebesse, puseste a mão dentro do meu casaco.
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Achaste-me simpático, sim, e talvez por isso tenhas pensado que seria uma vítima fácil: depois de teres visto os polícias e os cães aproximarem-se, escondeste dentro do bolso do meu casaco o saquinho de >cannabis que levavas contigo. Foi por isso que me abraçaste, e não te censuro: esse abraço salvou a minha vida e a tua.
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Não sei quando começam efectivamente as nossas histórias, penso nisso muitas vezes. Terão começado quando nos tocámos pela primeira vez, a tua mãe e eu, aqueles milímetros de pele, os dedos, muito ao de leve, muito ao de leve, muito ao de leve, a tocarem-se, a luz da manhã a furar a janela à nossa procura. Ou terá sido antes, quando decidi contratar alguém para ajudar a criada da Mealhada, ou antes, quando nasci, ou antes, quando Platão nos fez viver numa caverna, ou antes, quando os dinossauros ainda não existiam, nem a solidão, talvez tudo tenha começado antes de Deus ter sequer pensado nisso.
Na verdade, tudo começa a todo o instante. O Universo não tem centro, assim como não tem começo. Ou, melhor dito, todos os lugares são centros e todos os instantes são começos.
Na situação em que me encontro, minha filha, tenho um cabelo e uma hora e vinte, duração de um voo, por companhia.
Penso nisto algumas vezes:
O meu último beijo foi o primeiro que te dei.
No século xvi, um dominicano, Frei Gaspar da Cruz, o primeiro missionário português que esteve naquela região com o propósito de evangelizar o Oriente, acabou por converter uma única pessoa. Uma pessoa que morreu antes de o frade regressar. Ouvimos a sua história e ficamos com a sensação do desespero absoluto ou do ridículo, de que a vida não tem propósito e que todo o esforço é vão. Mas, minha filha, imagina que és aquela pessoa que foi convertida. Imagina que, para tua felicidade, vinha um homem dos confins do mundo com o único objectivo de te dar consolo ou de te salvar. Imagina que, minha filha, o frade se cumpriu na felicidade do outro, que foi preciso viajar até aos antípodas para encontrar a sua verdadeira terra, que era a alegria e a plenitude na alteridade. Imagina que aquelas felicidades estavam entrelaçadas, unidas, juntando os dois lados mais distantes do mundo, e que os dois se cumpriram no encontro das suas vidas. Como um acorde no piano, como uma canção da rádio cantada em simultâneo por pessoas distantes, como as costuras das saias, como a vida. De um lado ao outro, uma simples palavra, um gesto, e seremos salvos. Todos, porque todos os anjos caídos serão levantados.
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Estou há três anos nesta prisão à espera de morrer. Levei muito tempo a decidir escrever-te, sobretudo porque perceberias que morrerei por tua culpa. Ainda que inconsciente da tua parte, foi uma boa vingança por vos ter abandonado. Não quero que te sintas culpada por isto, mereço o castigo e, como Raskalnikov ou Genet, até o desejo. É a mais dolorosa oferta que te posso fazer, a mais difícil e, ao mesmo tempo, a mais fácil, que é dar a minha vida pela tua. Não quero adiar mais nada. Espero, no entanto, que a minha morte te sirva de alguma coisa e que se vires uma pessoa que aches simpática, por favor, não a mates (como diria a Sun,> just kidding. Thank you so much).
Sei que te deixo uma ferida difícil de sanar.
Ao matares-me, não me esquecerás, e creio que ficarás com essa ferida aberta para sempre. Tenho pena de que não te lembres de mim a levar-te pela mão até à escola ou a tomarmos banho numa praia de São Tomé ou a ler-te um livro sobre caçadores de pérolas ou a repreender-te por teres chegado demasiado tarde numa noite de Julho ou a afagar-te os cabelos depois de um desgosto de amor com um cigano húngaro ou a comer num restaurante numa cidade distante — talvez Tóquio ou Kingstone ou Sidney ou Sibiu — como fazem as famílias felizes. Não te lembras porque não aconteceu senão na minha imaginação. Por isso, peço-te, quando te lembrares de mim, que seja recordando aquele sujeito simpático que se sentou durante uma hora e vinte ao teu lado no avião e não parou de falar numa língua que te é estranha e que, mesmo sem o saber na altura, te salvou da prisão e da morte. Esse homem também levará consigo essa hora e vinte como um pequeno tesouro.
De todas as coisas que fiz, as duas mais importantes foram ter-te dado vida e ter-te salvado a vida.
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Aqui fechado, com as correntes nas pernas (nunca as tiram), as baratas e os ratos por todo o lado, a violência recorrente, ouço música que vem do rádio do guarda. Tenho trauteado essas canções, imitando os sons, como aquelas crianças que, sem saberem determinada língua, não se inibem de cantar uma algaraviada foneticamente semelhante àquilo que ouvem. Ainda tenho a esperança de, um dia, estares a ouvir a mesma canção que eu e a cantarmos juntos.
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A felicidade sempre foi um negócio e uma obsessão. Os filósofos, desde que existem, tentam mostrar-nos o caminho. Assim como os padres. E os monges. E os ditadores. E os samanas. E os gimnosofistas. E os cientistas. E os nossos pais. Toda a gente quer encontrar a felicidade e, não sendo eles próprios felizes, pretendem enfiar a beatitude que não conquistaram pela goela dos outros. Quer um copo de água para empurrar? Pegam em discursos, em actos, em ramos de flores, em educação, em dinheiro, em poemas e canções e servem-nos o caminho para a felicidade. Educam-nos com histórias que terminam com o singelo «foram felizes para sempre». E não me refiro só à Bíblia, mas também aos contos de fadas e de príncipes e princesas. E a obsessão é tão grande que até aos aleijados como eu lhes é servida a esperança: o fantasma da ópera, o corcunda de Notre-Dame, Cyrano de Bergerac, a Bela e o Monstro, Pinóquio, o sapo. Haja esperança para todos, incluindo batráquios que se tornam proeminentes membros da monarquia e se casam e, como quem se constipa, ficam com aquela doença do peito, o amor eterno. É que o amor corrige o mundo mas também aleija muito. Nesse processo, há dor e alegria, mas não o estado de euforia permanente. As pessoas felizes não são as pessoas que vivem a abanar a cauda. As pessoas felizes choram e temem e caem e magoam-se e gritam e esfolam os joelhos, porque a sua felicidade independe da roda da fortuna, do acaso, das circunstâncias.
Dito isto, e com a experiência e clarividência que fatalmente me contaminaram, sei exactamente qual é a fórmula da felicidade. Mas também sei que não adianta nada a ninguém. E basta olhar para o que acabei de escrever para encontrar a ignóbil contradição de estar vivo. Rejeito a felicidade para a poder conquistar. Abomino os negociantes de felicidade e tento, eu próprio, anunciar a sua fórmula.
Como disse alguém: está consumado. Espero que aprendas a viver com as feridas que fazem de nós formas imperfeitas, famílias imperfeitas, diferentes, cada uma à sua maneira. Repara como é estranho, talvez belo, talvez perverso, que as nossas dores sejam eixos da memória e nos marquem indelevelmente, ao mesmo tempo que nos salvam a vida: assim como a minha deformidade me salvou da guerra, a minha morte salvou-te a vida. E, mais ainda, a minha morte salvou-me a vida.
Deformamo-nos uns aos outros. Como os dedos das mulheres no pátio da minha infância, os dedos dos pés encavalitados, moldados e seccionados uns pelos outros. Essas diferenças, essas máculas, essa carne amolgada podem não ser felicidade total, absoluta e perfeita, mas são uma riqueza muito maior do que ser um quadrado, perfeito na sua imobilidade e ausência de devir. Essas máculas são muitas vezes o resultado de um abraço demasiado apertado, de uma mão no bolso, de uma pequena mentira, de uma zanga entre amigos. Eu e tu deformámo-nos um ao outro para sempre, ou assim espero, na minha ingenuidade. Assim como a minha mãe me amava apesar da minha deformidade e, em certo sentido, amava a minha deformidade, porque me amava na minha diferença, também sei que me levantarás. Todos os anjos caídos serão levantados. A minha mãe foi perfeitamente capaz disso, com o seu sorriso virado para o tecto. Sei que tu também o farás, olhar-te-ás ao espelho e passarás as mãos delicadamente pelas tuas dores e ficarás grata por elas. Jamais abdicarás de as ter: as imperfeições da felicidade, da infelicidade, dos círculos, dos desequilibristas, dos dedos das mulheres do pátio da minha infância.
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Sei que posso pedir uma última refeição. Pedi o prato que a tua mãe cozinhou no dia em que a conheci. Levarei uma hora e vinte a comê-lo, porque uma hora e vinte passou a ser a medida da eternidade.
Hoje, ao acordar, lembrei-me de uma frase que a tua mãe me disse. Por não falar correctamente português, o seu equívoco, a «deformidade» no uso da língua, deu, como de costume, uma beleza inusitada às suas palavras. Quando, na noite em que soube estar grávida, a única em que dormimos juntos uma noite inteira, me pediu que tirasse as roupas, disse:
«Despede-te de roupas, meu amor.»
Só hoje o farei de um modo absoluto.
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Este livro nasceu de uma viagem ao Vietname e ao Camboja, organizada pelo Centro Nacional de Cultura, em 2017, cujo objectivo seria encontrar vestígios de nós próprios pelo mundo, em lugares tão distantes como a Cochinchina (que titulava a viagem) e, porventura, encontrar essas mesmas geografias dentro de nós.
A outra origem desta novela foi o texto que escrevi para o espectáculo Pasta e Basta, da autoria de Giacomo Scalisi com co-criação de Miguel Fragata, que mistura teatro e culinária, fazendo das receitas uma metáfora da própria criação enquanto encontro de ingredientes de várias proveniências.
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